Meu Necrológio

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Parece um tormento sem fim, ver a família partir, os amigos irem sem se despedir, a vida ir passando diante dos nossos olhos. Eu sou a última vítima da morte. O necrológico é meu, e não da minha prima-irmã, Kátia, que morreu hoje, aos 57 anos, às 12:12, no Rio. Não. a apologia post-mortem é feita de mim pra mim. Sou EU quem morri. Sou EU quem me sinto morto, pelo menos.

Como justificar a morte por câncer, essa maldição sem cura ainda, que alcança “justos e injustos” – mais justos que injustos, pois talvez o mundo ainda os tenha em maior abastança. Como justificar nós, que ficamos, chupando dedo por mais um papo, por mais uma rodada de vinho e discussões acaloradas sobre qualquer tema, resolvendo os problemas mundiais com uma facilidade que faria inveja ao próprio Jesus Cristo (se Ele a tivesse).

Como justificar a pesada dor da mãe de 86 anos que fica, de alma sensível, saúde frágil, mas forte como uma montanha de granito. Como justificar para ela que sua terceira e última cria se vai antes dela, deixando-a sem herdeiros, sem tranquilidade e o conforto que a filha lhe proporcionava, sem o ombro, e porque não dizer, a brigaiada que acompanha sempre os mais chegados e mais amados.

Fomos sempre unidos, nós, primos e irmãos. Não havia, nem há lá muita distinção entre primo e irmão na nossa doida família. Sempre fomos criados tão juntos que não poucas vezes ganhávamos um safanão de um tio ou tia por coisas erradas, como se filhos fôssemos – e ai de nós levar a bronca pros pais, pedindo apoio – apanhávamos 2 vezes.

Essa união se expressa naquela qualidade única de ligar num dia de noite e dizer “amanhã vou dormir aí na tua casa”, sem dar explicações, nem dar a mínima se ela estava com visitas ou não. Ora, era a NOSSA casa (a dela e a minha). Ninguém pedia nem pede muita licença. Essa união se expressava quando ela me dava com uma régua T na cabeça, por minha burrice ilimitada em entender uma porcaria de um problema de Cálculo no Louis Leithold (devidamente afanado da amiga Margareth Simões, uma das outras do “bando”). Enfim, essa união se expressava naquilo que as pessoas estão perdendo com um mundo que se fecha em brigas ridículas, sem sentido: na simplicidade de se amar e se aceitar de uma forma tal que não havia nem questionamento sobre o fato em si. Ora, é CLARO que nos amamos. A gente não briga igual cão e gato e dá risada 2 minutos depois? A gente não se sente tão perfeitamente à vontade com o outro que custa até se lembrar que tá na hora de voltar “pra casa”, já em “em casa” já estávamos?

Pois bem, 30 e poucos dias de batalha contra um câncer, e lá se vai uma vitoriosa da vida, com seu PhD e seu conteiner de diplomas, menções, papers, dissertações, teses, feitos e proezas. Lá se vai a estrela da festa, sempre capaz de fazer jus ao famoso apelido de “Narcisa Tamborindeguy Montechiari”, em homenagem à doida socialite capaz de desatinos bárbaros e sem qualquer noção. Lá se vai a estrela dos churrascos, capaz de criar celeumas enormes, por qualquer razão, só pra ficar olhando os panacas se digladiarem… e dá-lhe risada…

Lá se vai parte da alegria da vida… lá se vai parte da vontade de estar juntos… lá se vai parte do nonsense bacana, da falta de noção amigável, da opinião dada só pra provocar, do abraço expresso em bolinhos de bacalhau, bobós de camarão, moquecas e… abraços também. Muitos abraços, por sinal.

Estava há pouco com o Livro de Jó aberto, tentando encontrar sentido na dor, como o sujeito encontrou, todo ferrado, cheio de chagas, tendo perdido os filhos todos, as terras, a saúde… disse ao meu irmão Hirann que queria uma resposta decente de Deus antes de Jó 42:5 – “antes, eu ouvia falar de ti, agora, meus olhos Te veem”. Ora, essa conclusão Jó chegou sem Deus ter feito nada pra dar uma mãozinha que fosse… Parece vitória por WO, de Deus. Queria algo mais substantivo pra tapar minha dor, ou pelo menos pra que parasse de inchar meus olhos, já tão sem lágrimas, depois de tanto chororô que a vida me impôs.

Não é que a resposta veio? Escondida no mesmo livro de Jó, lá em 19:25 – “Eu sei que o meu Redentor VIVEEEEEE… e que por fim se levantará sobre a Terra” (a ênfase parece minha, mas acho que Jó deve ter sido ainda mais escrachado). O meu Redentor VIVE, o Redentor de Kátia VIVE, o cara que parece ter esquecido que o mau é mau, o corrupto é corrupto, o ladrão é ladrão, e que parece não punir ninguém pelos seus maus feitos… sim, ele VIVE e por fim se levantará sobre a terra. Vá saber se isso será hoje ou amanhã. Por FIM isso vai acontecer; por FIM veremos os maus serem devidamente recompensados, e talvez até perdoados e redimidos… coisa chata é a Misericórdia infinita de Deus… (fácil falar quando já se está do lado de CÁ, dela)…

Tudo isso aí em cima, bom ou ruim, saiu em 10 minutos na frente de um teclado, quase sem raciocinar, só sentindo, relembrando, arrumando como dá o chorro de sensações que vem como um vômito à boca do bêbado. Uma torrente de coisa que não dá nem pra imaginar que aconteceria um dia. Nem revisei erros de português, ou concordância. Nem vou.

É um necrológio, no fim das contas, pra MIM. Eu é que morri aqui, que estou morrendo por estar vivo sem minha amada prima e irmã. Cada vez mais é um necrológio pra mim, por todas as mortes que ainda estão por vim, e das quais Deus houve por bem livrar Kátia de vivenciar. Somos mais fortes do que ela? Somos mais necessitados de apanhar pra aprender? Não sei. Só sei que levando-a antes Deus parece dizer assim: “Fica na tua, Zé Ruela, porque de dor Eu entendo um tiquinho mais do que você”.

Não preciso de mandar em Paz, prima Kátia… você sempre a teve, e apenas volta pra casa do Pai.

A “minha” Covid

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Recebi ontem o diagnóstico de Covid-19. Ontem de noite mesmo fui a um posto drive-thru, e menos de 2h depois tinha na mão o diagnóstico de “reagente”. Os preparativos pra me segregar do meu povo foram rápidos e estou confinado ao meu escritório de trabalho, em casa, e ao meu quarto. Tudo bem, tudo tranquilo, só coriza e uma tosse seca. Essa tosse, aliás, tenho diversas vezes por ano. Só uma chateação alérgica.

Mas que quantidade de reflexões essa peste nos leva a fazer. Minha reação inicial é a de sempre – fazer piada comigo mesmo, tipo “encomendem o caixão”, “Deus já tá me chamando” e tudo o mais que um piadista de mau gosto consegue fazer, para o entretenimento de ninguém além de si mesmo.

Algumas reflexões devem ser feitas a despeito de a quem possam eventualmente ofender (flocos de neve que me perdoem) e sem qualquer viés ideológico ou político.

1 – O Vírus me Pegou, e não tenho medo dele

Mesmo que eu venha a morrer disso, que fique claro a todos que eu não vou pautar minha vida pelo medo disso. Se eu tivesse decidido viver acovardado, não teria feito nada do que consegui, pouco ou muito, nesta vida.

Se morrer ou não morrer, podem escrever – não pretendo modificar minhas palavras aqui – uma porque não conseguiria (morto) e outra porque não teria razão (vivo). Viver no medo, comandado por terceiros que decidem até o que você deve temer, não é coisa de macho (sem sexismo aqui, no sentido “latu” da palavra, de antigamente).

2 – O Vírus não afetará minha visão de que podem haver tratamentos diversos

Seja precoce ou não, continuo a crer que nossos médicos devem ter toda liberdade de prescrever o que sua prática determina como útil. Cercear o direito à opinião divergente, e ainda chamar de “terraplanista” quem tenta algo diferente do que o outro prescreve e “afirma” ser ciência, NÃO é ciência. É imposição, é ditadura.

Acredito tanto na possibilidade de que alguns tratamentos precoces deem muito certo como estou certo de que as vacinas de uma forma geral funcionam muito bem. Minha dúvida está na “Vachina”, ou Coronavac (se eu morrer antes, alguém que chegar no céu depois de mim me avise como acabou a novela). Tenho uma baita desconfiança de uma vacina que já está dando errado (estatisticamente) no Chile e Uruguai, e que não dá NENHUM tipo de efeito colateral. Além disso, se é produzido na China, é de duvidar, por razões mais do que sobejas, a quem tem um mínimo de desconfiômetro.

3 – A China é Epicentro, Culpada e Algoz

Minha opinião. Sujeita a todos os reparos e xingamentos possíveis, mas ainda assim minha opinião.

Entendo que a China como epicentro tenha que ser chamada à responsabilidade. Omitiu o fato e só o reconheceu depois de muito sumir com médico e reporter, ou seja, quando já não tinha como negar.

A China é culpada por ter-se negado a informar o quanto sabia sobre os detalhes do virus e entregar à comunidade internacional TUDO o que sabia, inclusive para propiciar uma vacina mais rápida possível. A China é culpada ainda por ter cooptado a OMS para falar o que ela queria, levando a um caminhão de decisões erradas e mudanças absurdas de rumo de políticas de saúde, que deixaram os países tontos, Brasil no meio (e com uma crise política pra ajudar a gerar críticas a cada passo do caminho). A China, por fim, é culpada por não informar claramente por que tem TRÊS óbitos por milhão de habitante, contra, por exemplo, quase 3 mil no Brasil. Será que são TÃO bons assim? Quem viu as raves em Wuhan pode ficar se perguntando se eles já tinham uma cura “na manga” ou se simplesmente mentem sobre suas estatísticas.

Por fim, a China é algoz, no sentido em que não apenas de ter tentado silenciar – e conseguido em boa medida – a opinião pública mundial, aliada a gigantes da tecnologia como o FaceBook, por exemplo. O FB se fez de capacho do PCCh, liderando (por tamanho absoluto) um movimento de censura a qualquer um que ousasse dizer coisas como “tratamento precoce pode ajudar”, ou ainda “isso veio da China”, e, pior que tudo, “a China tem uma obrigação financeira com o mundo todo”. A China não é uma nação confiável, moral ou comercialmente. A China quer vender ao mundo uma narrativa de uma “democracia” que é muito parecida com qualquer ditadura vagabunda com a qual tenhamos tido que conviver no passado ou presente (me refiro ao seu governo, não a seu povo, tradições e história, obviamente). A China é sim, algoz e deverá ser tratada como tal no concerto das nações – se é que ainda restam nações com liberdade e independência suficientes para isso.

4 – Mais Importante – Quem define minha vida e Futuro é Deus

Irrite a quem irritar, minha vida se define pela minha relação pessoal e profunda com meu Criador. Sou dEle e Ele é meu Senhor. Nada vai me separar dEle, como disse o Apóstolo Paulo:

Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? 
Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. 
Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. 

Romanos 8:35 a 37

Mesmo que na hora da angústia eu às vezes tenha a tendência em achar que Deus “pisou na bola” comigo, posso afirmar que Ele continuará comigo, seja em cima da terra ou debaixo dela; ou melhor, além dela, no lugar que Ele disse que iria preparar para nós, Sua Igreja.

La nave và… e nós também…

Acelerados demais

man holding handbag
Andy Beales em www.unsplash.com

Me pego volta e meia me mandando respirar fundo e desacelerar. O fato é que minha agenda não ajuda nem um pouco, muito menos a pressão de produzir resultados bons, confiáveis, revisados e rápidos. Ter tudo isso junto, numa entrega só, é quase impossível. O resultado são noites em que parece impossível desligar.

Sinto isso muito mais intensamente quando faço a atividade que costumava ser prazerosa, de ler a Bíblia, meditar no que me está sendo dito por este Livro, e internalizar conceitos que farão toda a diferença na minha caminhada diária. Cada dia está mais difícil ser profundo. Cada dia mais fácil a mente vagar.

Escrever se torna uma forma de dar ordem aos meus pensamentos, pois que se não fizer isso, nada bom sai pro papel virtual. Qualquer um pode notar perfeitamente quando estou mais ou menos focado e relaxado – é só ler minhas crônicas e artigos e comparar. Verão quantas vezes eu pulo de galho em galho, de aspecto em aspecto, sem conectar os pontos. Pra mim, está tudo tão claro, que eu assumo, presumo, que o leitor eventual vá achar que está claro para si também. Isso raramente acontece.

Na mesa, já não tenho paciência sequer de dizer com clareza: “me passe o saleiro?”, me limitando a apontar na direção geral do objeto e grunhir qualquer coisa, esperando que os filhos ou a esposa vão entender por milagre o que estou querendo.

Que vida! Que pressa, que aceleração iníqua! E que tempo perdido, paradoxalmente, com tanta pressa!

O velho Armindo Constantino Montechiari, o velho “Nonno”, costumava dizer que “quem faz errado, faz duas vezes” (ao que acrescento – ou mais do que duas vezes). E obviamente estava certo, e está, até hoje. Costumo refazer raciocínios, irritar as pessoas quando estou acelerado demais, e não passar mensagem que presta. Não é saber ou não saber o que dizer: é atropelar o que falo e com isso deixar todo mundo na mão, sem saber o que quero transmitir. Por isso escrevo. Se tornou mais fácil.

Em um grupo de amigos profissionais, espera-se que eu dê não minha opinião, mas exemplos meus, próprios, que possam ajudar a pessoa a chegar às suas próprias conclusões, sem que eu tenha que “informar” algo. Ocorre que quando se está acelerado, quando se está vivendo dois segundos por segundo, o estrago é fácil de prever – a cara de bobo de pessoas que acham que você deve ser inteligente demais, afinal falou algo que ninguém entendeu (penso eu) ou então o contrário – o que é que este cretino quis dizer com esse amontoado de bobagens? O grupo se frusta comigo, eu me frustro comigo, porque não consigo passar as ideias uma palavra de cada vez.

Essa aceleração vai para o campo do relacionamento pessoal, e só desacelera nos finas de semana, quando uma caminhada melhor, a tranquilidade de uma boa música, uma mesa boa, da melhor cozinheira do mundo, Aline, e um vinho de qualidade nos fazem parar e pensar na vida. O domingo, com suas idas à Igreja, nos leva a sentar e ouvir o sermão com atenção e introspecção, lembrando daquilo que Deus quer falar pro nosso coração.

A alternativa que tem sido (meio que) imposto à nós é a da meditação que nos leva a “esvaziar a mente”. Eu não sou lá muito fã, porque ainda sou do tempo em que se dizia que mente vazia é oficina do diabo. Além disso, o Apóstolo Paulo falava que legal mesmo é “encher-nos do Espírito Santo”, ou seja, tirar o “excesso de nós mesmos” e dar lugar ao Espírito de Deus e suas palavras, sempre calmas e doces. Mas é uma dificuldade conseguir isso frequentemente.

Para não dizer que sou contra tudo o que é oriental, sinto que é muito proveitoso respirar fundo, prestar atenção na nossa respiração, e focar a cabeça num só ponto, um só pensamento. Isso me ajuda.

Se você, como eu, é acelerado mentalmente, e está sentindo que isso cobra um alto preço, solidarize-se comigo. Eu pretendo desacelerar, do falar ao pensar, do sentir ao comer, do respirar ao dormir. E fazer tudo com mais propósito.

Não quero deixar que o FaceBook ou o “ZapZap” ditem meu ritmo. Afinal, pressa continua a ser inimiga da perfeição!

Eu sou, e o Agora

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Gosto de pensar sobre as Escrituras e em como, nas entrelinhas de suas histórias, há ensinos aplicáveis à vida. Ao ler sobre a queda da humanidade em Adão e Eva, fiquei a considerar a respeito de algumas questões existenciais.

Quando, no texto bíblico, a serpente tenta Eva, afirma que aquele que provasse do fruto da árvore seria como Deus, conhecendo o bem e o mal. Considero que o equívoco, a mentira, estava em que Adão e Eva já eram como Deus. Eles eram plenos, inteiros, Santos e em completa comunhão com Ele e entre si mesmos. Mas cederam ao engano e à ilusão de que havia uma falta e, ao mesmo tempo, uma má intenção oculta. Negaram o presente que é o Eu Sou, por um Eu Serei baseado em uma perspectiva de falta, insatisfação, desconfiança e medo.

Usando esta reflexão como uma metáfora, fico a considerar se esta não continua sendo a problemática que, ainda hoje, enfrentamos em relação ao ser e à maneira insatisfeita e ansiosa que vivemos? Pois ao negarmos o eu sou, numa busca contínua de ser como o outro, de sermos como os “deuses” em seus Olimpos de sucesso e poder, nos perdemos num turbilhão de exigências e cobranças; deixamos de enxergar o que é e quem somos, para buscarmos ser o que afirmam nos faltar.

Ao fixarmos nossa atenção ao mal desconhecido, à ausência do bem, despertamos para o medo e desconfiamos do amor. Em função disso, o mal se torna parte de quem somos, pois nossas ações e personalidade absorvem as estratégias defensivas diante de um mundo visto como mal e perigoso. Assim, perdemos as oportunidades que surgem em função do medo que nos orienta e, as escolhas benditas são desperdiçadas por nossa incapacidade de afirmarmos nossa identidade com o bem e o eu sou.

É prudente não sucumbir diante daqueles que afirmam a sua inferioridade e negam o seu ser. Afirme o seu valor e valorize suas habilidades. Sabemos que o mundo traz sua mazelas, mas não seja casa para nenhuma delas.

Cristão tem medo de Ciência?

Li um interessante artigo no excelente site Quillette (www.quillette.com), um artigo longo, textão mesmo, como são quase todos os artigos desse site, mas detalhado e muito bem escrito. Coisa fina. Vale ler.

O artigo está acima e mesmo quem não conhece inglês pode traduzir lá mesmo.

Lá o autor trata de uma “briga” de palentólogos em torno das chamadas “Primeiras Nações” ou “Primeiros Povos”. Arqueólogos escavaram numa região que vai do estado do Maine até Newfoundland (Terra Nova), no Canadá, fósseis datados de uns 10 mil anos atrás, que apresentam um povo mais desenvolvido do que povos nativos mais recentes, da região. O “suco do assunto é que os povos nativos americanos passaram a exigir que os paleontólogos e arqueólogos NÃO estudem esses povos, mas que enterrem de volta os achados arqueológicos, no que chamam de “restituição”.

Será que eles não querem saber sua origem? Não é assim. É que os achados apontam para o fato de que os povos que hoje se consideram vítimas dos Europeus foram, eles mesmos, algozes de povos que já estavam na região há mais tempo, desfazendo o mito da sua primazia, e a narrativa de seu bom-mocismo.

Ciência bota medo…

Em outra ocasião, mais recente, cientistas brigam com outros cientistas sobre a validade de destruírem certas posições anteriores com teorias mais modernas, e mais corretas.

Tem gente querendo substituir o Big Bang a todo custo, simplesmente porque não cabe na sua narrativa sobre a origem do universo e da vida. O mesmo Stephen Hawking lutou com unhas e dentes até o fim da vida para tentar achar uma equação, uma explicação para “desdizer” a teoria que ele mesmo trabalhou para explicar e popularizar. Tudo porque seu ateísmo, ou agnosticismo, não podia suportar a afronta de que o universo teria tido um início, e portanto, um “causador”.

Diante disso tudo, nos vemos, cristãos, diante de uma situação em que, frequentemente chamados de negacionistas, terraplanistas e anti-científicos, temos que optar por uma postura mais bíblica, entendendo que a Bíblia pode contradizer a ciência em algum momento.

Os que chamam o cristianismo, principalmente o Catolicismo original e os Reformados de obscurantistas talvez se esqueçam que a quase totalidade das instituições de ensino que hoje lideram a pesquisa científica no mundo são de origem, inspiração ou manutenção cristã ou de cristãos (desde a Universidade de Padova, passando por Oxford, Harvard, Cambridge, todas as PUCs do planeta, e por aí vamos).

Muito, ou mal usado pelo Presidente, o texto de João 8:32, sempre foi um dos meus preferidos. Costumo brincar que é o Texto Áureo dos Auditores:

“E conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará”

Jo 8:32

Se a bíblia é a inspirada palavra de Deus (e eu creio nisso) e o texto acima partiu da própria boca do Filho de Deus (eu creio nisso também), então cristão algum tem o DIREITO de ser acrítico, anti-científico ou jogar na retranca, quando o assunto é ciência.

A razão é muito simples – cremos (eu creio) que Deus é o autor da ciência. Se Ele criou as regras e leis deste universo, que são explicadas e desfiadas na física, química, biologia, etc, NÃO TEMOS o direito de achar que uma equação vai desdizer, ou desfazer o que cremos.

A Bíblia nunca se propôs a ser um livro científico. Escrita para pessoas tão diferentes quanto (adoro falar isso) Albert Einsten e Forest Gump, a Bíblia teve por obrigação ser atemporal, e acessível a ser explicada a todos.

Quando a Bíblia fala de um assunto que está francamente acima da capacidade, mesmo dos mais iluminados humanos, ela deixa claro que há coisas que são “mistérios”, ou que ainda não foram reveladas. Mas isso nada tem a ver com obscurantismo ou qualquer tipo de limitação à investigação. Nos escritos do Velho Testamento, Deus já falava a Adão e Eva que entendessem o mundo, dessem nomes às espécies (numa ordem de taxonomia bem clara).

Posso concluir que se a ciência em algum momento contraria a Bíblia, só pode ser por dois motivos:

  • Erro de Interpretação – Quem diz falar “pela Bíblia” na verdade entendeu errado ou criou um “dogma” que não deveria haver. Um exemplo claro éa insistência da igreja católica em condenar as teorias da terra redonda e que não seria o centro do universo. Na verdade o livro de Isaías já nos advertia de que “Ele é o que está assentado sobre o globo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; ele é o que estende os céus como cortina e os desenrola como tenda para neles habitar” – Isaías 40:22)
  • A Ciência ainda não chegou lá – Aqui, o maior exemplo vem da antiga teoria cosmológica, válida durante décadas, de que o universo nunca teria tido começo e não teria fim. Desbancada pela descoberta da radiação de fundo, e comprovada nos laboratórios Westinghouse, em Nova Jersey, por Arno Penzias e Robert W. Wilson. Os “fósseis” de luz comprovariam a teoria de que alguém riscou o fósforo que gerou a explosão.

Que tranquilidade é saber que a ciência não desbancará, nunca, o Deus Onipotente. Que alegria é saber que a Bíblia é mais inteligente do que alguns se arvoram o direito de se achar. O caso mais recente, emblemático e francamente ridículo foi o do artigo de Mário Sérgio Conti, comparando nossa crença em Jesus Cristo à do coelhinho da Páscoa.

Este douto senhor, do alto de sua inaudita inteligência e certeza de todas as coisas declara-nos a todos nós como crianças burras e obscurantistas… Como se homens (de verdade) muito maiores e mais inteligentes do que ele não tivessem declarado seu pasmo e reverência a esse Deus Criador.

Termino com as palavras de Louis Pasteur, sempre citado pelos cristãos, cujos feitos excedem, talvez, um pouquinho, à montanha de maravilhas criadas por Conti:

Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima.

Louis Pasteur

Diversidade

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Diversidade é uma dessas palavras que ganharam novo significado, nos tempos que vivemos. Ganhou um significado que talvez nem todo mundo goste, e que preciso – confesso – entender bem, para não cometer erros de julgamento.

Um cântico que tínhamos em nossas igrejas (evangélicas, e algumas católicas) antigamente se chamava “Unidade e Diversidade”, e se baseava num texto de Atos dos Apóstolos e diz assim:

Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum.

Atos 4:32

O texto fazia menção à diversidade das pessoas que creram em Jesus Cristo, a nova fé do primeiro século, de sua condição diversa (pobres, ricos, livres, escravos) e sua unidade através de “um coração e uma alma”, a ponto de ninguém considerar algo como sendo seu mesmo (voluntariamente).

Era uma diversidade um tanto diferente da que temos aqui: por serem diversos, uniam-se voluntariamente, debaixo de uma fé e um coração, sem necessidade de imposição ou campanhas “explicativas”. O CEO e o peão do chão de fábrica, usando uma comparação moderna, conviviam e tinham as coisas em comum, de forma que ninguém passava necessidade. Voluntariamente, as pessoas davam o melhor de si, uns aos outros, e dessa forma, silenciosamente, essa estranha fé foi mais forte do que um império milenar, fazendo com que o apelo marcial, que mantinha coeso o imenso território de Roma, ruísse pelas mesmas razões da fé em que estavam fundados: o caráter espontâneo, voluntário, de suas atitudes, e o desprezo pelo ataque, pela ofensa, pela violência não defensiva e não provocada.

Ocorre que, aparentemente, voluntariedade, liberdade e discurso se misturam, hoje, numa confusão que torna difícil o que é mais importante – “um coração e uma alma”.

Lendo o texto do artigo acima, depreende-se o objetivo real e explícito de dar exposição a segmentos entre segmentos da sociedade, principalmente a inclusão de pessoas dessa ou daquela origem, cor, raça ou orientação sexual, a fim de dar diversidade aos Conselhos de Administração das empresas.

A entrevistada é uma excelente profissional, membro de diversos conselhos de administração de grandes empresas mundo afora. Portanto, está ali por capacidade e não porque é mulher, ou negra, ou homossexual, ou qualquer outra especificidade, válida ou não. Muito bom.

Minha dúvida vem no sentido contrário: o quanto de fato sabemos sobre a diversidade e quanto dessa diversidade está povoando as administrações públicas e privadas mundo afora, apenas pelo “conceito” de diversidade, em si, e não por efetivamente agregar algo, no que importa – capacidade de realizar o que é necessário.

O “sentido contrário” a que me refiro aqui diz respeito ao fato de que para mim pouquíssimo importa se uma pessoa é branca, negra, homem ou mulher, hétero ou homo, cristão ou não-cristão, no que tange à sua qualidade para orientar a tomada de decisões (ou tomá-las) na esfera dos grandes conselhos de administração mundo afora. Sempre vou privilegiar a capacidade intrínseca, em estado bruto, da pessoa que senta comigo em um Conselho ou que comigo compartilha decisões.

Nossa empresa é uma empresa fundada em valores cristãos, e como tal não pode discriminar por qualquer razão – pode, sim, e deve, deixar claro o que pensa em termos da fé que fundamenta nossos princípios de negócios, e a igualdade, verdadeira, dentro da diversidade do ser humano, sem, contudo infringir os princípios da Palavra de Deus em nossas decisões.

O tipo de confusão semântica gerada pela hiperssimplificação de termos às vezes difusos, ou difíceis de definir – como diversidade – nos leva a situações às vezes cômicas (como as discussões sobre a diversidade na matemática) ou trágicas (como a incapacidade de trabalho conjunto e proativo para debelar uma pandemia). A realidade tem importado menos do que os desejos, sensações ou estados de espírito.

Viva a diversidade, com consciência e responsabilidade!

P.S. – E viva o melhor que temos na nossa sociedade, a Mulher, em seu dia!

Carnaval Cancelado

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Creio que é a primeira vez na história… desde que a festa foi inventada aqui no Brasil. Posso estar enganado, mas parece que sim. Nem a 1a. ou a 2a. guerra mundiais isso aconteceu, talvez durante a Gripe Espanhola talvez – mas lá atrás não era assim um “festão” com direito a meio dia de quarta-feira de cinzas pra curar a ressaca, etc.

Sou cristão evangélico, daqueles chatos mesmo, que fala de Jesus quando pode e até quando não pode/deixam. Vou sim na “escolinha dominical” (como diria uma amiga minha em tom um tanto desrespeitoso), quando não tem Covid, claro. Dou dízimo (!) veja só… É, sou um “desses”.

Como cristão, portanto, me deixou bastante chateado a imagem de um “Cristo” sendo escorraçado e arrastado por uma figura representando um “Diabão” na avenida, pela escola de samba mais conhecida, a Mangueira. Não posso “admitir” como normalidade um tratamento como esse, num país majoritariamente cristão. Mas quem faz carnaval, quem faz esquerda ideológica neste país não é “povo”. É um grupo muito bem arregimentado e coordenado. Mas se eu amo a liberdade de expressão (e amo), então deixe os caras se divertirem com sua “brincadeira” com o Filho de Deus. Fazer o quê? Não posso trocar essa liberdade pela que seria retirada de mim, por exemplo, de falar desse mesmo Jesus Cristo em termos, digamos, mais afetuosos, embora essa liberdade que tenho esteja-me sendo retirada, pedacinho a pedacinho.

Chegamos ao carnaval seguinte. O de 2021… O carnaval da Covid (o de 2020 era “pré-Covid”). Quero aqui deixar de lado minha natural tendência de espiritualizar o fato passado e suas consequências. Quero somente lançar minhas dúvidas quando ao nexo de causalidade entre as duas coisas e dizer em alto e bom som (sic!) que aaaacho…. teeeeemo… que haja alguma coisa aí a ser interpretada em termos não tão pós-modernos, digamos.

Católico ou Evangélico, ou mesmo alguns espíritas, amigos meus, o fato é que todo mundo com um viés um pouco mais centrado, ou conservador mesmo, se incomodou com o espetáculo de desfazimento da fé alheia.

Quando o tal Bispo Honorilton da Igreja Universal chutou a santa (alguém lembra?) eu fiquei muito brabo. Como evangélico, certamente não advogo Maria como co-redentora ou intercessora, mas entendo que irmãos/amigos católicos o façam, e acho que a Palavra de Deus é clara quando diz que trazer alguém ao conhecimento de Deus não se faz “Por força ou por violência, mas pelo Meu Espírito” (diz o Senhor). Mas era “liberdade de expressão”, diriam alguns. Vá lá, mas não gosto.

O pior é que nem do ponto de vista teológico a tal representação do diabo maltratando e matando Jesus é adequada. A Bíblia diz que Jesus veio para os “seus, e os seus não o receberam”, e que ele foi “entregue nas mãos dos homens para ser morto”. Satanás, o capeta, o vermelhinho (como diria o saudoso Tio Antônio Dantas) é obviamente parte interessada no processo, mas não acho que Jesus foi morto “pelo capeta” mas pelo meu (e o seu) pecado. É uma construção de ponte, no qual somente Ele, Jesus, é “pontífice” – a ponte entre minha separação eterna de Deus e a vida com Deus.

Pois bem, o carnaval foi cancelado, vamos trabalhar (aqui na minha firma, pegaremos no pesado, normalmente) e não sentirei, como nunca senti, nenhuma falta da festa amada por tantos. A tentação, se é que o termo é esse, é dizer “viram só o que aconteceu? Foram zombar de Deus, e de Deus não se zomba… olha no que deu”… Obviamente os pós-modernos e menos crédulos acharão risível, e, olhando superficialmente, parece mesmo. Afinal de contas, o carnaval da Mangueira já estava sendo preparado desde 2019, ou até antes… o enredo já tinha sido elaborado, e as fantasias e o “Jesus” já tinha até sido contratados.

E daí? Deus por acaso – se você crê num sujeito Onipotente, Onipresente e Onisciente – teria algum problema em ver isso lá de antes? E a Covid seria algo dissociado disso, ou criada “só por conta disso”? Bom, aprendi que Deus é o melhor jogador de sinuca do mundo… o maior enxadrista, o maior cientista… Só ele conhece as relações de causa e efeito que podem fazer um fator (no caso, a Covid) ser usada para ensinamento, repreensão e correção de tanta gente, por razões tão diferentes, em tantos lugares. Essa Onisciência e Onipotência (de novo, caso você creia – eu creio) fazem com que ele dê uma tacada, e com ela só, “mate” todas as bolas do jogo. Sem nem olhar pra mesa. Ora, essa capacidade poderia, então, ser relacionada ao que aconteceu? Partindo das premissas de crença acima, sim.

O engraçado é que daqui há algum tempo isso corre o risco de entrar para o folclore religioso, como reação de um Deus vingativo ao sacrilégio contra Seu filho. Na verdade, deveria ser objeto de uma reflexão mais séria sobre algo que só ocorre de quando em vez – a intervenção direta de Deus em algum momento, nesta terra.

Isso tudo parece, aos olhos dos cristãos, convergir para o “fim”. A realidade de uma humanidade que esgarça seu tecido social a golpes de crucifixos metidos onde não devem, e pichação de igrejas fala alto pra nós. Gostaria de ser mais otimista com relação à sociedade atual. Não consigo.

Quanto mais pessimista me torno quanto à sociedade, mais otimista me torno quando a mudar de residência, desta “para melhor” o mais rápido possível!

Amen and Awomen

red Amen lit-up signage
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Um pastor metodista, Emanuel Cleaver, foi convidado para orar na abertura do 117a. legislatura de congresso norte-americano. O tal reverendo terminou a oração dizendo “Amen and Awomen” (em Inglês soaria como “Ahomem e Amulher“). Gargalhadas à parte, o fato reflete o “Ésprit des Temps“, uma desgraceira idiotizante que se instalou na sociedade mundial, EUA na frente. É, como diria Fernando Lyra, a “vanguarda do atraso“… Amém, todo mundo sabe ou deveria, significa “Assim seja”. Nada mais do que isso, em hebraico.

Vou deixar em ingles mesmo porque é engraçado… “Back in the 60s this joke made the rounds: “Why do we say ‘amen’ and not ‘awomen‘?” The reply: “Because it comes at the end of a hymn, not a her. A piada é quase intraduzível e não tem graça alguma em Português, mas é muito legal assim mesmo… mas ERA uma piada…

Em tempos passados expressões como “meus povos e minhas povas“, “everybodies e everycabras“, e mais recentemente “presidenta“, “Amigues“, entre outras pérolas, ou eram, de cara, piadas e motivo de muita risada, ou foram objeto de ridículo até por quem nem estudou tanto assim. “Povo de Sucupira…” como diria Odorico Paraguassú… um desses dias vamos acabar achando que saudar a mandioca faz sentido…

Gente sem ter o que fazer já até teorizou que “Amen” derivaria de “Amen-Rá” (ou Amun-Rá, divindade egípcia – não confundir com o terrível personagem de quadrinhos Moon-Rá, dos Thundercats…). Mas ninguém ainda tinha duvidado da masculinidade do “pobre” Amém.

O reverendo não ficou satisfeito em orar ao Deus Único – que de uma ou outra forma, é o Deus dos “povos do livro” (Judeus, Cristãos e Muçulmanos) que representa a fé de uns 95% do congresso. Inventou na hora, provavelmente, uma inclusividade que chegou até a deuses pagãos. Só faltou incluir o Deus dos sem-deus, os ateus.

De novo, gargalhadas à parte, é uma tragédia intelectual que um cara que se formou em teologia, numa importante denominação cristã cujos princípios foram deixados por John Wesley (do qual meu nome – que odeio – deriva) tenha falado tamanha asneira. O fato é que os “progressistas” vão quebrando com as tradições e a cultura de um povo – pra não falar da fé, mesma – aos pouquinhos. Colocar um monge budista pra orar no congresso americano não ia pegar bem agora, de cara. Mas começar com um tresloucado qualquer, disposto a aparecer à custa da fé que deveria representar, vai quebrando algo muito caro aos americanos de forma paulatina. Fica “lindo”, “inclusivo”, uma beleza aos ouvidos de alguns, e não tão cacofônico aos ouvidos de quem se espantaria com a temperatura da proverbial água no balde do sapo.

Barbaridade, diriam os gaúchos. Barbaridade mesmo – coisa de bárbaro roendo o Império pelas beiradas, impulsionados pela sede de destruir o que está lá. Podem ter certeza de que vai dar certo, se Jesus Cristo não retornar primeiro – no que creio firmemente. Ocorre que, assim como em 473 DC, o resultado costuma ser uma “Idade das Trevas” de mil anos.

Estamos pagando pra ver. Estão reescrevendo o significado das palavras na nossa cara, à força, e sem o auxílio luxuoso do povão, que é quem sanciona as mudanças, em última instância. Se pagamos pra ver, vamos acabar vendo, ou não, por estarmos mortos, nós que ainda achamos que a língua importa.

Argentina e o Aborto

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Não era minha intenção escrever nada hoje. Não iria tampouco fazer uma retrospectiva de 2020, já que escrevo para mim mesmo e para os meus (amigos, parentes, etc) e não para nenhum grande público. Quem quiser ler, leia, quem quiser malhar, malhe (sem ofensas, mas no raciocínio – afinal é possível discordar de quase qualquer coisa) mas esses escritos são para mim mesmo.

Não posso deixar de comentar para mim mesmo e para minha posteridade sobre o insano ato da Argentina em legalizar o aborto, de forma praticamente irrestrita. Bom, isso é praxe em muitos lugares, e países ditos civilizados matam seus bebês não-nascidos de forma quase indiscriminada. Um massacre e uma hipocrisia sem fim. Em alguns desses países, como a Holanda, Bélgica e Canadá, se você abandonar um cachorro na rua ou maltratar um gato, você vai preso. Mas matar uma criança pode. O “meu corpo, minhas regras” impera – sem que seja dada à criança não-nascida o direito de dizer a mesma coisa.

argentina aborto
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Mas o que me chamou a atenção não foi nada disso. A foto acima é o retrato que quero discutir (comigo mesmo, com quem ler). Veja quem quiser a atitude das mulheres da foto e quem é representado ali. O que me chama a atenção é a alegria incontida dessas militantes. Quase todas sem muita pinta de que gostariam algum dia de ter, nutrir e criar como gente de bem um ser humano que escapasse do cataclisma do aborto. Na era da pílula e dos contraceptivos, será que vale lutar pelo direito de matar inocentes?

Esses são movimentos de esquerda, saudados pelo El País (Espanha) como “Argentina legaliza o aborto e se põe na vanguarda dos direitos sociais na América Latina“. (https://brasil.elpais.com/internacional/2020-12-29/votacao-historica-no-senado-de-projeto-para-legalizar-aborto-na-argentina.html). Vanguarda dos direitos sociais. Pois é… é assim que a mídia trata o assassinato. Bem, para quem aprova o que a mídia atual aprova, isso não é nada estranho.

Como disse a reportagem da Gazeta do Povo, o movimento pró-aborto se traveste de “saúde pública”. Um rolo compressor passou por cima da vontade da maioria dos argentinos (conheço o país pelas trocentas viagens que fiz para lá a serviço) e a mesma narrativa será aplicada aqui no Brasil pelos mesmíssimos mobilizadores.

É com uma tristeza incontida que eu vejo isso. Eu tive 3 filhos, dois dos quais ainda estão comigo, e um está na posse do Senhor Deus. Lutei por 12 anos pela saúde do meu “Piá”, como se diz aqui em Curitiba. Fizemos, minha esposa e eu, o que pudemos, e oramos em família pela cura dele até o dia 04 de Agosto de 2015, quando Deus houve por bem leva-lo. NÃO me conformo que as pessoas tratem a vida de modo tão “light”. NÃO me conformo que as pessoas imaginem que alguém como a foto que encabeça esse artigo, essa vida iniciante, não tenha sentimentos, não sinta dor, não tenha direito a existir. Lutei por algo que alguns já jogaram fora algumas vezes na vida, desprezando numa privada qualquer, numa clínica qualquer. NÃO consigo achar normal. Meu corpo, minhas regras, claro. O corpo do ser dentro de mim, as regras dele.

O triste é ver fila de gente querendo adotar uma criança, e as pessoas desprezando isso. Talvez apelar para a ganância das pessoas desse resultado – quem sabe uma lei permitindo que a mulher que não abortar uma criança tenha o direito de “vende-la”. Parece horrível, e é. Mas do ponto de vista daquele serzinho em formação, será a maior bênção. Será a vida mesma. Ora, melhor que a “parideira” venda a criança e faça uns trocados do que jogar no lixo de uma clínica qualquer algo criado por Deus.

O paradoxal é que diante da possibilidade de escolher livremente – sem pressões ou campanhas de mídia – os argentinos certamente, na minha opinião, haveriam de escolher a vida, e não o aborto. Os brasileiros fariam o mesmo. Ocorre que se trata de agenda de “colonização moral”. Criar um fait accompli, e esperar que a sociedade bovinamente aceite isso. Tudo está indo nesse sentido, na agenda da esquerda – aborto, poligamia, proibição dos pais disciplinarem seus filhos, restrições ou mesmo criminalização de práticas religiosas ou objetos religiosos, escolas com partido, tudo vai na direção de criar uma tremenda onda de maldade que avassalará a sociedade, solapando tudo, como um tsunami de más intenções que, se não detido, gerará o caos que propiciará a um pequeno grupo, uma Nomenklatura, a formação dos novos Politburos, que acabarão com o resto das liberdades individuais.

O grande problema é que nós, cristãos, gente que acorda cedo, trabalha duro, cria empregos, gera riqueza, vai à igreja, paga impostos, respeita contratos, nós, os otários, ficamos calados diante disso tudo, vendo nossos potenciais filhos e netos exterminados no Holomodor, um Shoah de proporções diluvianas, sem que falemos nada. Nem um pio…

Deus permita que tenhamos força de nos expressar, deixando de lado o medo de nos expor, invadir redações de jornais – como profissionais, não na marra – e mudar a sina desse mundo tenebroso.

Epitáfio, Eulogia

gray and white stone statue
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Aqui jaz Wesley Montechiari Figueira 
Viveu com temor a Deus (e à Esposa)
Sofreu e fez sofrer, sabendo e sem saber.

Viveu buscando a paz, até entrou em guerras,
Mas nunca foi capaz de deixar de amar quem erra
Aqui jaz um pecador, redimido pela Graça.

Aqui jaz quem somente aprendeu a rir
Depois da era em que todos choram
E deu de fazer graça, pois que já não era sem hora.

Aqui jaz quem fez do trabalho a sua Sé 
Que combateu o bom combate, 
Acabou a carreira, e guardou a fé.