A Linguagem que Vemos


Outro dia um amigo mandou a um grupo de WhatsApp um video muito interessante produzido pela BBC ( sobre cérebro e desenvolvimento da linguagem, e sobre as diversas formas de pensamento que são formadas tendo como base a forma como formamos palavras, e ideias, via palavras ou caracteres. Um interessante experimento (se é que se pode chamar assim a observação de uma catástrofe pessoal) dava conta de que uma pessoa, totalmente bilíngue em chinês e inglês, ao se acidentar, havia perdido totalmente a capacidade de ler em chinês (cuja escrita é baseada em ideogramas) mas preservou totalmente sua capacidade de ler em inglês (escrita baseada em letras ou partes que formam conceitos, e não descrevem algo “pronto e acabado” em um caractér).

Por mais que eu tenha passado a vida pensando em palavras, sua etimologia e como um significado muda através do tempo, sempre me encantou o fato de que, na prática, as palavras, sim, tem “poder”:

“Porque, como o homem imagina em sua alma, assim ele é”

Prov. 23:7

Nomes aos Bois

Eu me coloco lá atrás, na raiz do “problema” e vejo que existe uma distinção enorme no entendimento de tudo isso, já de largada: não consigo expressar meu entendimento do mundo em termos de macro-evolução pura e simples, ou seja, da proverbial sopa de aminoácidos até o Homo Sapiens Sapiens. Eu creio que Deus criou, e não me atrevo a tentar dizer se criou só um “Adão” e uma “Eva”, se criou vários, se criou ao longo de séculos… em síntese, é algo pra eu conversar com Deus quando estiver com Ele na Glória.

Daí o problema com esse “approach” inicial. O que é linguagem? O evolucionista diria que nosso cérebro se transformou radicalmente quando o homem passou a distinguir e dar nome a coisas. Ora, seja você evolucionista ou criacionista, uma coisa há de comum nessa definição: Nomes. Sim, a primeira tarefa que Deus deu a Adão, segundo o Gênesis, foi dar “nomes aos bois” (ou nomes a tudo). Pode-se inferir daí que a cada “coisa”, Adão tinha que chamar de algo que a representasse. Não é de estranhar que ambas as vertentes de pensamento sobre as origens dê aos “nomes” tal significado: como o fato de “dar nomes” mudou ou criou no córtex pré-frontal (ou sei lá onde os nomes são fixados) imagens de coisas. Um nome, uma “cara” ou conjunto de características.

Um boi, um camelo, um pé-de-alface, qualquer coisa, passa a ter uma representação derivada de uma “etiqueta”.

PortuguêsHebraicoKanji (Japonês)Chinês (Simplificado)Pinyin (Chinês)
Amorאהבהài
Pessoaאדםrén
Dorכאבtòng
Casaביתjiā
Paiאב / אבא父亲 (ou 爸爸)fùqīn (ou bàba)
Mãeאם / אמא母亲 (ou 妈妈)mǔqīn (ou māma)
Irmão (mais velho)אח哥哥gēge
Irmão (mais novo)אח弟弟dìdi
Boiשורniú
Cavaloסוס
Alfaceחסהレタス生菜shēngcài
Cachorroכלבgǒu
Gatoחתולmāo

O fato é que o experimento parece indicar que o nativo falante de chinês ou japonês processam as palavras em locais diferentes dos ocidentais, ou que nós ocidentais criamos para nós uma forma de representar coisas de forma ao mesmo tempo mais fácil de gravar e criar, e mais difícil de reter (pode-se alegar que um vice-versa cabe bem aqui).

Mas o fato é que “boi” pode ser “níu”. Isso não vai mudar a natureza do animal. Conseguimos qualificar e aglutinar como “boi” tanto um Zebu, das subespécies Nelore, Guzerá ou Gir, ou Holandês, vermelho-e-branco ou preto-e-branco, sem qualquer dificuldade. Samos, porém, distinguir um “Orok” de um boi moderno, ainda que saibamos intrinsecamente que um não é (mais) da mesma ordem que o outro.

Adão teve, de Deus, a habilidade de “classificar”. Então parece que a profissão mais antiga do mundo nem é “aquela” (que está no imaginário ocidental mas que não tem respaldo algum) nem agricultor, etc, mas taxonomista.

Taxonomia e Raciocínio

Então, a tal Imagem e Semelhança de Deus começou com dar nome aos animais, ou seja, fazer um imenso “cara-crachá”? Não consta escrita aqui até muitos séculos depois – por qualquer métrica que se tome, bíblica ou não.

Fato é que somos o que pensamos, e pensamos da forma como classificamos coisas. E, mais interessante, a cada bloco de conhecimento colocado pela ciência, mais o Gênesis se torna real.

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