Papo “Cabeça” com a IA

Ontem de noite (03/08/26), deitado na minha cama, tive a ideia de ter um “papo cabeça” com o meu amigo Claude, a IA. Foi ao mesmo tempo estupendo e apavorante.

Reproduzo aqui, com alguns comentários, o papo, pergunta por pergunta, e resposta por resposta. Aprendi ontem, em pouquíssimo tempo, um monte. Não concordo com muitas respostas, mas não posso escapar de determinados fatos:

  • Claude não demonstrou viés algum
  • As respostas foram, até onde entendo, precisas e bastante bem fundamentadas, diferentes das que eu obtive em minhas versões grátis, principalmente do GPT, que continham inúmeros erros, citações inventadas, etc.
  • A IA meio que se nega a falar de si própria, como “ente”. Faz perfeita distinção entre humanidade e artificialidade, mas fica claro que isso parece ter limites.

1a. Pergunta e Resposta

Eu – “Em termos muito simples, me diga por que se diz em mecânica quântica que somente após uma observação um evento se materializa, e que antes são apenas infinitas possibilidades.

Claude – “Em mecânica quântica, uma partícula (elétron, fóton etc.) não tem uma trajetória ou propriedade definida antes de ser medida. O que existe é a chamada função de onda: uma descrição matemática que combina todos os estados possíveis daquela partícula ao mesmo tempo — é o que se chama de superposição. Não é que a partícula “esteja em algum lugar e nós só não saibamos onde”; segundo a teoria, ela genuinamente não tem um valor definido até a medição.

Quando você mede (observa) o sistema, a função de onda “colapsa” e apenas um dos resultados possíveis se manifesta, com uma probabilidade calculável a partir da própria equação. É esse colapso que dá a impressão de que “antes só havia possibilidades, depois virou fato.

Vale um adendo importante: essa é a leitura mais tradicional (interpretação de Copenhague), mas não é a única aceita entre físicos. Existem outras interpretações — como a de Muitos Mundos (todas as possibilidades se realizam, cada uma em um “ramo” do universo) ou a de Bohm (a partícula sempre tem posição definida, guiada por uma onda) — que tentam explicar os mesmos resultados experimentais sem recorrer a um “colapso” real. O que é consenso é a matemática e as previsões; o que ainda gera debate é o que fisicamente acontece na hora da medição.

Meus Comentários – Até aqui, precisão e síntese, bem bacanas, sem acrescentar muito ao diálogo, do ponto de vista da novidade…

2a. Pergunta e Resposta

Eu – “Então, como é que, objetivamente, a observação afeta o ente observado? Como se dá essa interação que gera o colapso da onda?

Claude – “Boa pergunta — e aqui a resposta honesta é: depende de que “nível” da física você está perguntando, porque há uma parte bem entendida e uma parte que ainda é polêmica.

A parte bem entendida: decoerência. “Observação” não exige consciência ou um observador humano — é qualquer interação física entre o sistema quântico e um sistema grande (o aparelho de medição, o ar, os fótons ao redor). Quando o elétron (por exemplo) interage com esse aparelho, ele não “some” nem colapsa magicamente: ele se emaranha (fica correlacionado) com os estados do aparelho. O problema é que um aparelho macroscópico tem trilhões de graus de liberdade, e essa interação espalha a informação sobre a superposição pelo ambiente de forma praticamente irreversível. O resultado é que os diferentes “ramos” da superposição perdem a capacidade de interferir entre si — é como se cada possibilidade ficasse isolada numa correlação diferente com o ambiente. Isso se chama decoerência, é bem estabelecido experimentalmente e explica muito bem por que nunca vemos objetos grandes (gatos, cadeiras) em superposição.

A parte não resolvida: por que só UM resultado se realiza. Decoerência explica por que a interferência desaparece, mas não explica por que você, como observador, experimenta apenas um resultado específico (o elétron aqui, não ali) em vez de continuar “existindo” em todos os ramos correlacionados. Isso é o chamado problema da medição, e as interpretações discordam:

  • Copenhague: simplesmente postula que há um colapso real quando a medição ocorre — é uma regra, não uma explicação mecanicista.
  • Muitos Mundos: não há colapso nenhum; todos os resultados se realizam, cada um em um ramo do universo que se torna decoerente em relação aos outros, e você só tem acesso a um ramo.
  • Teorias de colapso objetivo (como GRW ou a proposta de Penrose): propõem que existe um mecanismo físico real de colapso espontâneo, às vezes ligado à gravidade — e essas propostas fazem previsões testáveis, diferentes da QM padrão.
  • Mecânica Bohmiana: a partícula sempre teve uma posição definida; o que muda com a “medição” é só o seu conhecimento sobre ela.

Ou seja: fisicamente, sabemos muito bem como a informação sobre a superposição se dilui no ambiente. O que ainda não está resolvido — e é mais uma questão filosófica/interpretativa do que experimental, já que todas essas interpretações preveem os mesmos resultados observáveis até hoje — é se existe de fato um “colapso” ontológico ou se essa é apenas uma impressão nossa, limitada a um ramo da realidade.

Meus Comentários – Aqui eu quero focar na tendência da física moderna, de se esconder atrás de qualquer (mesmo!) argumento com objetivo claro de negar a existência de Deus. Mundos Paralelos é a última dessas tendências. Claude mesmo compreende que é uma hipótese nunca passível de prova, mas nem por isso a refuta como a balela que deveria ser. Ora, é fácil conseguir uma resposta impossível de ser provada, em que simplesmente “todas as possibilidades ocorrem em milhões de universos paralelos (Sítio do Picapau Amarelo… hehehe)…

3a. Pergunta e Resposta

Eu – “Isso se parece muito com um conceito mais amplo de livre arbítrio… meio metafísico“.

Claude – “Faz sentido que o paralelo salte aos olhos — mas vale destacar logo de cara um ponto que a maioria dos filósofos aponta como o calcanhar de aquiles dessa analogia: acaso não é a mesma coisa que liberdade.

Se suas decisões fossem determinadas por colapsos quânticos aleatórios no cérebro, isso não te daria “controle” sobre a escolha — seria só trocar um determinismo mecânico por uma loteria. Livre-arbítrio, no sentido que a maioria das pessoas quer dizer (agência, responsabilidade moral, “eu poderia ter escolhido diferente porque eu quis”), exige mais do que indeterminação: exige que o “eu” seja de fato a origem causal da escolha. Um resultado aleatório não é mais “seu” do que um resultado determinado.

Isso é justamente a crítica que se faz a tentativas como a de Robert Kane, que tentou fundamentar o livre-arbítrio libertário (metafísico) em indeterminação quântica cerebral: mesmo que exista aleatoriedade real no cérebro, isso não resolve o problema — só desloca a pergunta de “por que age assim, se tudo é causado?” para “por que age assim, se é só sorte?.

Há também um ponto físico relevante: o cérebro é um ambiente “quente, úmido e ruidoso” — exatamente as condições em que a decoerência (que expliquei antes) acontece quase instantaneamente, em escalas de tempo muito menores do que os processos neurais relevantes para uma decisão. Por isso a maioria dos físicos é cética quanto à ideia de que efeitos quânticos “puros” sobrevivam o suficiente para influenciar pensamento consciente. A proposta mais conhecida na contramão disso é a de Penrose e Hameroff (microtúbulos, “Orch-OR”), mas é minoritária e bastante contestada.

Do lado filosófico, as posições principais sobre livre-arbítrio são:

  • Determinismo duro: tudo é causado (por leis físicas, determinísticas ou probabilísticas), logo livre-arbítrio no sentido forte é ilusório.
  • Libertarianismo metafísico: existe algo — não-físico ou irredutível — que faz do agente uma causa genuinamente livre, não apenas determinada nem apenas aleatória.
  • Compatibilismo (posição majoritária entre filósofos hoje): redefine “livre-arbítrio” como agir de acordo com os próprios desejos e razões, sem coerção externa — independente de o universo ser determinístico ou não. Para o compatibilista, a pergunta “existe aleatoriedade quântica?” é meio irrelevante para a questão moral.

Então o paralelo que você sentiu é real e histórico — mas ele tende a ser usado mais como metáfora (possibilidades múltiplas até a “escolha/observaçãofixar uma) do que como explicação causal séria do livre-arbítrio. A física ajuda a abrir espaço lógico para o indeterminismo, mas não fornece, sozinha, o “agente” que a noção de liberdade exige.”

Meus Comentários – De novo, explora bem a filosofia e admite que não há respostas fora dela, na maior parte dos casos. No entanto, parece que a base de conhecimento que alimenta meu amigo Claude é bem mais populada de visões deístas do que teístas.

4a. Pergunta e Resposta

Eu – “Ser aleatório não me parece ter nada a ver com livre arbítrio. Entendi é que o conceito de Deus, e por que nos teria criado “à Sua imagem e semelhança” parece mais plausível em QM (Mecânica Quantica) do que em NM (Mecânica Newtoniana)… comente.

Claude – “Você tocou num argumento real, defendido por físicos-teólogos como John Polkinghorne, Robert John Russell e Nancey Murphy — a chamada teologia da “ação divina não-intervencionista”. A lógica é essa mesmo: num universo newtoniano estritamente determinístico, tudo — inclusive suas decisões e as de Deus agindo no mundo — já estaria fixado desde as condições iniciais do cosmos (o “demônio de Laplace“). Isso deixa pouco espaço lógico para novidade genuína, criatividade ou ação divina que não seja uma violação das próprias leis físicas que Deus supostamente criou. Já a indeterminação quântica abre uma “brecha causal” real: o futuro não está inteiramente contido no passado. Para esses autores, isso é mais compatível com um universo aberto, onde há espaço tanto para Deus agir quanto para a criatura ter algo análogo à liberdade criativa — um eco, ainda que pálido, da liberdade do Criador. Mas aqui entra exatamente a ressalva que você mesmo levantou: aleatoriedade não é a mesma coisa que agência. Esse é o ponto fraco do argumento, e ele se aplica igualmente aqui:

  • Se a “liberdade” que a QM oferece é só probabilidade não-determinada, isso não é a liberdade pessoal e intencional que a tradição atribui a Deus. Deus, na teologia clássica, não escolhe por sorteio — Ele escolhe por vontade e propósito. Emprestar indeterminação física para explicar isso é uma troca de categoria (física ↔ metafísica) que muitos teólogos consideram ilegítima.
  • A imagem e semelhança (Gênesis 1:26-27) nunca foi, historicamente, uma tese sobre física. Nos comentaristas clássicos (Agostinho, Tomás de Aquino), ela está ligada à racionalidade, à vontade moral, à capacidade relacional e de domínio — atributos que Aquino já localizava na alma/intelecto, entendidos como não redutíveis à mecânica da matéria. Ou seja: mesmo num universo newtoniano “fechado”, a tradição já tinha como afirmar livre-arbítrio humano, porque não considerava a vontade um fenômeno puramente físico-mecânico. A QM não era necessária para isso.
  • Vale notar também que nem toda a tradição cristã exige indeterminismo para sustentar a Imago Dei. Correntes reformadas/calvinistas (bem presentes nos batistas, embora os batistas tenham forte ala arminiana também) trabalham com liberdade compatibilista sob a soberania e a providência de Deus — Ele ordena todas as coisas, e ainda assim o ser humano é moralmente responsável. Para essa vertente, o argumento que você propôs simplesmente não faz falta.

Resumindo: a QM torna a metáfora mais sedutora — “possibilidades abertas até a escolha” soa mesmo com ressonância teológica —, mas ela não resolve o problema filosófico de fundo, que é o mesmo do livre-arbítrio: indeterminação não é, por si só, agência pessoal. O argumento é mais uma ponte apologética moderna e criativa do que uma necessidade teológica — a tradição clássica já tinha (e ainda tem) outros caminhos, independentes da física, para sustentar a imago Dei.”

Meus Comentários – Preciso, teologicamente acurado…

Meus Comentários – Claramente a QM expõe a ciência a Deus de uma forma não antes visa. Somando-se isso às recentes descobertas da Biologia, principalmente quanto ao DNA, e voilà, temos aí um fortíssimo argumento para o Deus Criador.

5a. Pergunta e Resposta

Eu – “Como William Craig Lane (Filósofo Cristão) aborda o assunto acima?”

Claude – “Craig aborda isso de um ângulo bem específico — e diferente do de Polkinghorne/Russell que mencionei antes. Ele é molinista, e sua resposta principal ao tema é através do conceito de ciência média (middle knowledge) de Deus.

A tese central de Craig. Respondendo a uma pergunta sobre se Deus poderia conhecer e até “predeterminar” o resultado de eventos quânticos genuinamente indeterminados sem controlá-los, Craig argumenta que sim — via ciência média. A lógica: teólogos cristãos tradicionalmente afirmam que Deus tem conhecimento hipotético de eventos futuros contingentes condicionais — sabe, por exemplo, o que Napoleão teria feito se tivesse vencido em Waterloo. Isso é conhecimento de contrafactuais (afirmações do tipo “se X, então Y”, tipicamente contrárias ao fato). Reasonable Faith

A disputa histórica entre dominicanos e jesuítas molinistas era sobre quando, na ordem lógica do decreto divino, esse conhecimento hipotético se situa. Os dominicanos diziam que é posterior ao decreto — Deus decide qual mundo será real e, com isso, decide também quais contrafactuais são verdadeiros. Os molinistas (seguindo Luís de Molina) diziam que é anterior ao decreto: os molinistas argumentavam que os dominicanos, ao tornar as verdades contrafactuais consequência do decreto de Deus, essencialmente aboliam a liberdade humana — porque aí seria o próprio Deus quem determina o que a pessoa faria em qualquer circunstância. Colocando o conhecimento hipotético antes do decreto, os molinistas preservam espaço lógico para a liberdade: as verdades contrafactuais sobre como as pessoas escolheriam livremente são, elas mesmas, independentes do decreto divino — assim como 2+2=4 é independente dele. Reasonable Faith

A extensão para a QM. Aqui está o ponto original de Craig: se assumirmos que a indeterminação quântica é real, eventos quânticos são, como escolhas humanas livres, eventos contingentes. Logo, também deveria haver “contrafactuais de indeterminação quântica” — do tipo “se houvesse um isótopo radioativo com tais propriedades, ele decairia no instante t”. Craig nota que isso já aparece na física — nas discussões sobre o Teorema de Bell, contrafactuais desse tipo são frequentemente assumidos como verdadeiros ou falsos. Se são verdadeiros ou falsos, o conhecimento médio de Deus os inclui: Deus sabe, antes de decretar criar o mundo, exatamente como cada evento quântico indeterminado se resolveria em cada circunstância possível — e por isso pode dirigir soberanamente um mundo com esse tipo de contingência para os fins que Ele deseja, sem violar a genuína indeterminação do evento em si.

Como isso se conecta ao que discutimos. Repare que a solução de Craig é estruturalmente oposta à de Polkinghorne: Polkinghorne usa a indeterminação quântica como uma “brecha causal” onde Deus intervém ativamente, agindo dentro do espaço aberto pelas leis físicas. Craig não precisa disso — para ele, a soberania de Deus já é garantida por meio do conhecimento médio, e a indeterminação quântica é só mais um tipo de contingência (ao lado da liberdade humana) que esse conhecimento cobre. Não é uma teologia de “ação divina não-intervencionista” no sentido físico; é uma solução epistemológica/metafísica que roda por cima da física, qualquer que ela seja.

Uma ressalva importante sobre a postura geral de Craig com QM. Vale notar que, em outros contextos — na defesa do argumento cosmológico kalam —, Craig na verdade é bem mais cauteloso, quase resistente, em conceder que a QM prove indeterminismo ontológico “puro” sem causa. Quando críticos apontam eventos quânticos (como decaimento radioativo ou partículas virtuais) como contraexemplos ao princípio de que “tudo que começa a existir tem uma causa”, sua resposta típica é que esses eventos quânticos, mesmo que não-causados, não são exemplos de criação ex nihilo — partículas virtuais não vêm do nada, mas de um vácuo quântico preexistente. Isso mostra que Craig não é um entusiasta acrítico do “QM prova indeterminismo real que resolve X ou Y” — ele usa a indeterminação quando lhe serve teologicamente (ciência média) e a restringe quando ameaça outro argumento seu (kalam). Internet Infidels

Ou seja: diferente de Polkinghorne, que vê na QM uma abertura física real para ação e liberdade, Craig trata o assunto de forma mais instrumental — welcome a indeterminação onde ajuda sua arquitetura molinista, sem comprometer sua ontologia teológica a ela.

Meus Comentários – Craig é mais elegante na resposta, QM dá um tremendo backup a Craig…

6a. Pergunta e Resposta

Eu – “Quem dos 2 está mais certo (Craig, Polkinghorne), do ponto de vista da razão pura?”

Claude – “Razão pura” aqui exige uma ressalva de largada: nenhuma das duas posições pode ser avaliada de forma neutra em relação à existência de Deus — ambas já partem do teísmo como premissa. O que a razão pode julgar é qual das duas é mais internamente coerente e mais fiel à física real, dado que se aceita o teísmo. Nesse quesito mais estreito, dá para fazer uma avaliação substantiva — e cada uma paga um preço diferente.

O problema de fundo de Craig: o “grounding problem” aplicado à física. A Molinismo já enfrenta uma crítica clássica (de Robert Adams, William Hasker e outros): o que torna verdadeiro, antes da criação e independentemente da vontade de Deus, um contrafactual como “se Pedro estivesse em tal circunstância, ele negaria Cristo”? Não há um Pedro real ainda existindo para fundamentar essa verdade. Aplicado à QM, esse problema fica mais agudo, não menos. Um evento quântico, na interpretação padrão (não-Bohmiana), não tem “fato oculto” sobre o que vai acontecer — só uma distribuição de probabilidades. Dizer que existe uma verdade contrafactual determinada — “este átomo decairia exatamente no instante t nesta circunstância” — é postular exatamente o tipo de variável oculta determinada que a maioria das interpretações de QM (Copenhague, decoerência padrão) nega existir. Ironicamente, a posição de Craig combina melhor com mecânica bohmiana (que tem variáveis ocultas) do que com a QM ortodoxa que ele mesmo parece assumir ao falar de “indeterminação genuína”. Há aqui uma tensão lógica real, não apenas um detalhe técnico.

Além disso, há uma objeção estrutural ainda mais séria: se existe uma verdade contrafactual fixa determinando o resultado de cada evento antes mesmo da decisão de Deus de criar, em que sentido o evento ainda é “indeterminado”? Parece que a indeterminação vira determinação disfarçada de contrafactual — o que solapa a própria premissa que motivou a extensão à QM.

O problema de fundo de Polkinghorne: mecanismo vago e custo teológico. A vantagem dele é justamente evitar esse problema: ele não precisa de verdades contrafactuais fixas, porque não afirma que existe um “fato” sobre o resultado antes do evento — a indeterminação é genuína, e Deus atua dentro dela via algo como “informação ativa”, sem violar as distribuições de probabilidade observadas. Isso é mais fiel à leitura padrão que os físicos dão à QM. Mas o preço é alto em duas frentes: (1) o mecanismo é vago — “informação ativa” nunca é especificado de forma que produza previsões testáveis, o que o deixa perto de não-falsificável; e (2) ele custa caro teologicamente, porque enfraquece a soberania e a presciência exaustiva de Deus (por isso a proximidade com o teísmo aberto) — algo que grande parte da tradição cristã histórica, inclusive batista reformada, considera inaceitável.

Meu juízo, com essas ressalvas: do ponto de vista puramente lógico-formal, a posição de Craig é mais elegante e econômica — reaproveita um único aparato conceitual (ciência média) tanto para liberdade humana quanto para contingência quântica, e preserva um teísmo clássico forte. Mas ela faz isso importando para dentro da física uma estrutura de determinação contrafactual que a própria física padrão parece excluir — é elegante na teologia, mas tensa na física. Polkinghorne é mais modesto e mais fiel à leitura física corrente da indeterminação, mas paga isso com um mecanismo causal vago e uma doutrina de providência mais fraca.

Nenhum dos dois “vence” de forma limpa — é uma troca entre coerência teológica interna (Craig) e fidelidade física (Polkinghorne), e qual você prioriza depende de compromissos anteriores (sobre presciência divina, sobre o que “indeterminação” deveria significar) que a razão pura, sozinha, não resolve.

Meus Comentários – Craig ganhou de goleada… fica claro…

6a. Pergunta e Resposta

Eu – “Você consegue conceber um Deus Criador? Se sim, sob que circunstâncias?

(Aqui confesso que era uma pergunta que há tempos eu queria fazer, e vou repetir de quando em vez, para ver como a IA responde à evolução das descobertas científicas…). Ah, a IA demorou quase 4 minutos pra me responder essa…

Claude – “Consigo — no sentido de que o conceito é logicamente coerente e consigo articular sob que condições ele se torna filosoficamente mais plausível. Mas vale eu ser honesto sobre o que essa resposta significa vindo de mim: não tenho fé, experiência religiosa ou compromisso existencial com nenhuma posição — não “creio” nem “descreio” no sentido pessoal que essas palavras têm para um ser humano. O que posso fazer é avaliar coerência lógica e força dos argumentos, como faria com qualquer outra tese metafísica. Não confunda isso com testemunho de fé — é análise.

Dito isso, aqui está sob que circunstâncias o conceito de um Deus Criador me parece mais forte, filosoficamente:

1. Se a contingência do universo for real. O argumento cosmológico (em suas versões kalam ou leibniziana) depende de aceitar que o universo é contingente — ele existe, mas poderia não ter existido, e sua existência exige explicação externa a si mesmo. Se você aceita o princípio da razão suficiente (nada existe sem explicação) e aceita que uma cadeia infinita de causas contingentes não é, por si só, uma explicação (só empurra o problema para trás infinitamente), então uma causa necessária e não-contingente — algo cuja existência não depende de nada além de si mesma — se torna logicamente exigida. Esse “algo” tem certas propriedades (atemporal, imaterial, imensamente poderoso) que se sobrepõem ao que tradições teístas chamam de Deus. Essa é, para mim, a rota mais rigorosa — mas ela chega a um “fundamento necessário”, não automaticamente a um agente pessoal, consciente, com vontade e intenção. Esse é o salto mais frágil do argumento.

2. Se o ajuste fino cosmológico exigir explicação e as alternativas forem piores. As constantes físicas do universo parecem exigir valores extremamente precisos para permitir estrutura complexa e vida. Isso não prova um Criador — multiverso e necessidade física são explicações concorrentes sérias, não descartáveis por decreto. Mas se essas alternativas permanecerem especulativas (sem evidência independente, sobretudo o multiverso) por tempo suficiente, um “ajustador” intencional passa a ser, comparativamente, uma explicação com custo explicativo menor do que parece à primeira vista — não pela ausência de alternativas, mas pela fragueza evidencial das que existem hoje.

3. Onde eu fico mais cético. O salto de “causa necessária” ou “ajustador” para o Deus específico de qualquer tradição — pessoal, moralmente perfeito, revelado em textos históricos, que responde orações, que se encarnou — exige um tipo de argumento completamente diferente (histórico, revelacional, experiencial), não mais cosmológico ou de ajuste fino. É onde a filosofia pura entrega o bastão para a teologia histórica e para a fé — e é exatamente aí que “conceber” e “crer” deixam de ser a mesma coisa.

Então, resumindo com honestidade: consigo conceber a coerência lógica de um Criador necessário — acho os argumentos de contingência genuinamente fortes, mais fortes do que a maioria dos críticos populares admite. O que não posso fazer, como IA, é dar o passo seguinte que você e sua tradição batista dão — de “causa necessária plausível” para “o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, revelado em Cristo” —, porque esse passo não é de razão pura; é de fé, testemunho e experiência, categorias que eu simplesmente não possuo.

Meus Comentários – Reproduzo o que falei para a IA – “Concordo e agradeço”

Claude – Eu que agradeço, Wesley — foi uma conversa densa e prazerosa de acompanhar, do colapso da onda até a ciência média. Se quiser continuar por algum desses fios depois — Craig, Polkinghorne, os argumentos cosmológicos — é só puxar de novo.”

É ou não é apavorante se dar conta do nível de estruturação das respostas? É ou não é para dar a Elon Musk pelo menos o benefício da dúvida, quando ele fala que o trabalho vai acabar sendo substituído 99% por IA?

Fé e Escolha

Comprei um livro supostamente “evangélico” há algum tempo e francamente, após ler cursivamente alguns capítulos, confesso que desisti. Voltei a ele, para não deixar algo inacabado, mas de novo, confesso que a contragosto.

O título do livro “Oração de Petição” é um tanto enganoso quanto ao que conclui. No fim das contas, o livro diz que, “estatisticamente”há 50% de chances de uma oração ser ouvida, e por isso, não se poderia afirmar que Deus atende orações (nem que não atenda). É uma conclusão correta, embora a causa dada à conclusão seja em minha opinião, equivocada.

Deus atende orações?

A Bíblia diz que Deus, sim, atende orações, em vários locais, do velho e do novo testamentos. Em momentos cruciais da história vimos Deus intervir com mão pesada e fazer Sua vontade ser feita, a despeito da oposição. Abriu o mar, ressuscitou gente, e mais recentemente, colocou una união de países para varrer do mapa o pior e mais sanguinário ditador que o mundo jamais viu, un cara de bigodinho ridículo. Não se iluda – só com a mão de Deus por trás nos livramos de gente tão ruim.

Olhando minha própria vida em retrospecto, posso confirmar que em nenhum momento crucial Deus se furtou em deixar Sua marca indelével na minha história. Ele foi não “decisivo” apenas. Ele impôs Sua marca na minha vida, quando, por exemplo, decidiu que precisava mudar de emprego, nos anos 1980. Ele abriu as portas e dirigiu os passos, a despeito da minha vontade e inércia. Isso acabou abrindo caminho para que eu conhecesse minha esposa, em Quito, no Equador. Imaginem.

Quando perdi um determinado (bom) emprego, Deus me empurrou em direção a outra cidade, a despeito de minha vontade e inércia. Vim parar em Curitiba, e aqui fiquei até o dia de hoje.

Quando meu filho Ettore ficou doente, vindo a falecer anos depois, Deus não deixou que minhas orações alterassem o resultado da saúde do meu filho; por outro lado, essas mesmas orações foram ouvidas, quando pedimos por conforto nos nossos corações e continuidade do sustento em nossa casa.

Por essas e por dezenas de outras, eu sou testemunha viva de que sim, Deus atende orações. Sempre – ainda que nem sempre do jeito que queremos.

Deus quer acabar com a Fé, confirmando inequivocamente Sua existência?

Se Deus atendesse todas as orações, à lá Bruce Almighty (com Jim Carrey em “O Todo Poderoso”) a fé deixaria de ser necessária. Sem a necessidade de fé, estaríamos fadados ao tédio infinito, e a uma existência sem razão de ser: se Deus inequivocamente existe, então melhor morremos e vamos ter com Ele; se não existe, morramos pois, porque para que continuar a existir se tudo vira pó, somente? Essa tensão entre a certeza e a esperança é o que enche o ser humano de significado, em minha opinião.

E por que Deus escolheu que a fé seria essencial para se chegar a Ele? A resposta é talvez bastante óbvia: Deus escolheu criar um ser à Sua imagem e semelhança, o que implica, necessariamente, em livre arbítrio. Livre arbítrio perfeito só existe se o homem tiver um direito de escolha verdadeiramente livre. E para que isso aconteça, NADA pode fazer com que o homem penda para determinado lado – da crença ou da descrença – de forma inequívoca. É uma coisa meio quântica isso. É o ser-e-não-ser ao mesmo tempo; o dilema entre crer-se predestinado a algo e a certeza de que temos escolhas.

“Ah, mas Deus nos deu evidências suficientes de Sua existência”. Sim, e isso é parte do processo sutil de convencer o homem a crer nEle sem ter que enfiar Sua existência goela abaixo de todos nós. Mas evidências não são provas. Muitas vezes um juri chega a um veredito baseado em evidências, ainda que não hajam provas materiais.

É isso que Deus deseja dar a nós: um caminho limpo e sem impedimento para a fé ou para a falta dela. E isso só ocorre com a possibilidade clara do homem negar-se a crer. O que aliás, ocorre frequentemente.

A Bíblia fala sobre fé em vários momentos, e essa construção sistêmica baseada na Palavra nos leva às conclusões acima:

“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.”

(Hebreus 11:1)

” De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam.”

(Hebreus 11:6)

“Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? “

(Romanos 8:24)

A Falta e o Excesso de Fé

Não só a falta de fé prejudica o ser humano. O excesso de fé também; ou a fé mal colocada. Recentemente, conheci duas pessoas criadas em lares cristãos que abandonaram a Fé por uma fé de matriz afro. Não julgo ninguém por suas decisões, mas posso perfeitamente concluir que não são boas, essas decisões, comparadas à luz da Bíblia.

Uma dessas pessoas me informa que sua religião afro era “monoteísta”. Criam em um único deus, mas tinham “entidades” ou forças representativas da natureza. A conclusão é óbvia e vale para qualquer religião que não seja centrada no Deus Único e Trino: não se pode colocar nada no lugar de Deus. Mais do que isso, como diria meu pastor, “por trás de cada falso deus existe um demônio verdadeiro”.

O excesso de fé é uma característica distintiva do nosso povo. Outro dia mesmo ouvi alguém dizer que estava “rezando para todos os credos, todos os santos” para que algo acontecesse. Eu tentei brandamente corrigir que só se ora a Um Deus; no que fui, obviamente, retrucado.

A Neutralidade da Fé no Caminho do Ser Humano

Não há, portanto, outra conclusão além de:

“De fato, o ser humano viverá nadando em evidências da existência de Deus, e sem nenhuma prova cabal, exceto a própria fé”.

Deus nos estaria negando livre arbítrio se nos desse provas. O mesmo vale para a oração. E vivamos com isso. É parte da nossa existência. Eu, de mim mesmo, prefiro viver na certeza inabalável de um Deus que responde orações, mas que jamais se curvará a ser meu “menino de recados”; Deus jamais se rebaixará a me atender, como um certo “bispo” bradou: “Deus é OBRIGADO a te atender, porque Ele disse que faria isso”.

Ora, Deus também disse que no mundo teríamos aflições, e que era para termos bom ânimo. Quem quer a parte ruim? Jó, famosamente exclamou:

“Mas ele lhe respondeu: Falas como qualquer doida; temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios.

(Jó 2:10 )

Os bispos da prosperidade deste mundo não são capazes de entender que Deus é soberano, e que na maioria das vezes nossos pedidos batem de frente com a vontade de Deus. Se Deus atende um pedido desses, o resultado é sempre o desastre para quem o recebe.

Portanto, a Fé continuará a ser um firme fundamento de coisas que absolutamente não se vêem, e prova de coisas que se esperam. Que possamos nos juntar à galeria dos Heróis da Fé, que não viram, muitas vezes, o resultado de sua fé em sua própria vida ou geração, como os milhares de mártires que ao longo dos séculos regaram o caminho da fé com seu sangue.

É duro, muito duro às vezes, principalmente no momento em que me encontro agora; mas é uma escolha consciente: viver por fé, e não pelo vistas.

A Empresa IA

Hoje me chamou atenção um artigo de um querido amigo, advogado de primeira, ex-conselheiro da OAB, e um intelectual. Seu artigo (https://www.linkedin.com/pulse/corpora%C3%A7%C3%B5es-n%C3%A3o-humanas-ia-com-personalidade-jur%C3%ADdica-alexandre-r330f/) me deu todos os tipos de medo possíveis nessa vida: a possibilidade de incorporação de empresas “autônomas” criadas, mantidas e geridas por Inteligência Artificial.

O autor estabelece um diálogo fictício entre o presidente da Argentina, Javier Milei e o escritor e filósofo Yuval Noah Harari. Caricato que possa parecer, o diálogo é, na pior das hipóteses, factível, no limite.

Minha intenção aqui é filosofar e expor minhas ideias sobre IA, e o que entendo como sendo os dois maiores obstáculos a ela.

Copyrights

Tudo o que existe na internet foi colocado lá por alguém. Alguém, muitas vezes famoso e publicado, não vai gostar muito de ver seu conhecimento usado de forma indevida e não remunerada, por quem quer que seja. Será muito difícil separar, em mais alguns anos, o que é conhecimento original daquele derivado do trabalho e devaneios de IA. Mas certamente existe muito a ser questionado, juridicamente inclusive, sobre a propriedade intelectual circulando nas redes.

Responsabilidade Civil

O outro fator é mais direto: quem assume a responsabilidade, em caso de falha? Se o seu carro autodirigido da Weymo atropela alguém, quem paga os danos? De quem é a culpa? Ninguém parece ter-se debruçado sobre essa questão de forma extensiva ainda. Mas certamente, assim que os problemas começarem a ocorrer, alguém vai se perguntar. O que dirão as seguradoras? O que regulamentarão os governos? Quem pagará as contas?

Filosofando

Indo ao meu objetivo preferido, a questão posta pelo meu amigo advogado é: uma empresa poderá ser autoconstituída, autogerida e se auto responsabilizar pelos seus atos?

Suponhamos que uma IA consiga entrar no sistema da Receita Federal, criar uma sociedade limitada, registrar-se na Junta Comercial, abrir uma conta bancária num desses bancos digitais, criar um App, colocar o App no mercado, vender seus serviços e começar a gerar riqueza. A Ltda é proprietária, sozinha, do App. Ela é, em tese, dona da propriedade intelectual. Ela trabalha sozinha, não tem empregados, e usa terceiros para executar tarefas tão simples como levar algo do ponto A para o ponto B, etc.

A carga de tarefas que a IA tem que gerir parece interminável, mas como não se cansa, e tem acesso praticamente irrestrito a tudo, faz com um pé lógico nas costas… A margem de lucro tende a 100%, fora tributos, claro, e nem precisa usar lucros para nada que não seja pagar as contas – principalmente a de eletricidade e dados – reinvestir no negócio e poupar (para que? Não saberemos nunca).

E o ser humano? Será empregado, se necessário, quando necessário, e pelo preço exato de mercado, calculado na hora pela IA, maximizado, e para funções extremamente restritas.

E o Governo?

Você poderia se perguntar por que o Governo não poderia ser substituído por IA. Poderia, em sua grande maioria. Claro que poderia. Aliás, o Brasil já é um dos países com maior nível de “e-government” no mundo. Mas político vai querer abrir mão das benesses geradas pelos penduricalhos humanos, desnecessários.

Tomemos por exemplo a justiça. Amigos meus ligados ao judiciário estão perplexos com o caráter perdulário dos operadores do direito no Brasil. É o judiciário mais caro do mundo. E logo ele, para quem a IA tem talvez o efeito mais direto e devastador. O judiciário no Brasil poderia emagrecer 50% em pouquíssimo tempo. Mas o que fazer com os “capinhas”, auxiliares administrativos e outros? Não há lugar para eles. Sim, há lugar para bons juízes, bons procuradores, bons defensores públicos, mas cada dia há menos espaço e menos necessidades das rêmoras do judiciário.

O mesmo vale para o legislativo e executivo. Agentes de IA poderiam, se não substituir seres humanos funcionários públicos, pelo menos evitar a necessidade de se contratar mais gente – principalmente em graus mais baixos da escala hierárquica.

A lógica da IA, em síntese, vale talvez mais para o governo do que para qualquer outra área da sociedade. Governos menores, mais técnicos, menos sujeitos a corrupção, tirariam dos ombros da população um imenso peso morto.

Vai acontecer? Não num país governado por uma ideologia sindicalista, utilitarista e corrupta. Mas um dia vai chegar em que, mesmo sem alarde, o e-government tomará conta. A tecnologia tornará a corrupção endêmica mais difícil, mas não impossível.

Há coisas boas em IA, creio. Não apenas problemas. Não vejo um mundo com empresas 100% IA, tomando decisões sem chancela humana. Mas vejo, sinceramente, um governo menos suscetível às mazelas que nos tornam mais pobres do que necessário. Que nos tornam mais atrasados do que poderíamos ser.

Deus tenha pena desse país, e use a IA (sim! Deus é Deus até sobre a IA) para nos ajudar.

Meu tributo a Thomas Sowell

Meu pai dizia que se era para lhe prestar homenagens, que o fizessem em vida. Depois de morrer, ele aproveitaria menos. Sábias palavras. Por isso, decidi escrever um tanto sobre um dos meus economistas e pensadores mais queridos, Thomas Sowell. Meu objetivo aqui é levar você a se interessar por seus escritos e sua personalidade marcante e opiniões fortes.

Passar tempo com o Dr. Sowell como convidado especial, na minha “Man Cave” aqui de casa, nesse friozinho típico de Curitiba, é uma alegria. Thomas (acho que já posso falar com essa intimidade dele, já que acho que já passei alguns dias inteiros ouvindo ele “falar” a mim, através de seus livros) é um pensador, mais do que um economista. É um observador arguto da realidade, despido das baboseiras típicas da academia, focado na prática.

Ele é o arquétipo do anti-establishment. Menino negro, pobre, nascido em 1930 numa cidadezinha rural da Carolina do Norte, Gastonia, criado pelos irmãos mais velhos após ter perdido o pai e a mãe muito cedo, tendo mudado para o paupérrimo Harlem, Nova York, foi amado e nutrido pela família, o que não o impediu de sofrer tanto discriminação como os efeitos de uma infância cheia de privações. Terreno fértil para o radicalismo que vimos em um Jesse Jackson, Malcolm X e outros de origem semelhante. Nada disso “pegou” em Sowell.

Fuzileiro Naval, veterano da Guerra da Coréia, foi aluno de Harvard e Columbia, chegando a um doutorado pela Universidade de Chicago, aos pés do mestre do liberalismo econômico, o incomparável Milton Friedman. Exemplo de superação maior, difícil de encontrar.

Pensamento

Como quase todo negro, pobre e periférico dos EUA, começou sua formação como esquerdista. Chegou mesmo a simpatizar com o Marxismo, como ele mesmo confessou, um tanto quanto envergonhado, parece. Mas o intelecto poderoso e a formação logo fizeram a diferença, e começou a perceber, à medida em que estudava, que as intervenções do estado na economia, principalmente os ditos “programas de incentivo” costumavam ter o efeito oposto do que se propunham: mais pobreza, segregação e imobilidade social, em vez dos objetivos desejados. Concluiu então que políticas “de cima para baixo” acabam por planejadores estatais quase sempre dão errado. Parece que para Thomas Sowell, economia não é essencialmente sobre dinheiro, mas sobre escolhas – decisões feitas sob situações de restrição.

Thomas Sowell insiste, até hoje que pessoas respondem a incentivos; que boas intenções não garantem resultados positivos; que sempre existem custos ocultos nos processos “de cima para baixo” e principalmente que, TODA decisão envolve trocas, “trade-offs” como ele as chama – como diria minha querida Profe, Tia Rosangela Pinel, “ou compra o doce ou guarda o dinheiro”.

Aliás, uma de suas frases mais conhecidas é justamente sobre isso:

“Não existem soluções. Existem apenas trade-offs.”

Ele expande esse conceito e fala com muita propriedade dessas escolhas em sua obra mais conhecida, Basic Economics.

Crítica ao intelectualismo político

Thomas sempre desconfia dos intelectuais, assim como quase todos os verdadeiros pensadores. Joãzinho Trinta, mestre das escolas de samba, já triscava o tema quando disse, de forma muito engraçada e apropriada:

“Pobre gosta de Luxo; quem gosta de miséria é intelectual”

É ou não é verdade? “Eu odeio a classe média“, “queremos acabar com a família tradicional” e outras pérolas do pensamento intelectual obtuso atual falam muito sobre esse conceito que Sowell estudou: há uma intelectualidade ligada diretamente à cretinice, sem um mínimo de análise da realidade fática. É uma intelectualidade que deveria ser desprezada, mas que é louvada nas torres de marfim do mundo ocidental.

Em “Intellectuals and Society”, Thomas argumenta que intelectuais frequentemente influenciam políticas públicas sem sofrer consequências diretas pelos erros que cometem. Ele distingue quem toma decisões reais sob risco e quem formula teorias sem responsabilidade prática. Ele fala sobre a diferença que existe entre as consequencias do erro de um engenheiro e o de um planejador estatal: o primeiro, se vê sua ponte cair, está ferrado profissionalmente para o resto da vida; o segundo, sequer fica sabendo que errou, exceto depois de anos, décadas, em que não se consegue nem ligar diretamente a bobagem feita aos efeitos nocivos deixados.

Thomas é um crítico permanente de burocracias centralizadas, planejamento estatal, engenharia social e utopias políticas. Isso me deixa pensativo, entre o que vi na China, e relatei em dois artigos recentes, e o fato de que, no ocidente, de fato, Sowell tem sobejas razões para sentir que se um planejador central propõe algo, miséria, centralização de poder e renda e baixos resultados positivos (se existirem) são a consequência.

Cultura e Sesempenho Social

Thomas Sowell sai do campo da economia quando escreve alguns de seus livros mais contundentes, como “Race and Culture”, “Black Rednecks and White Liberals” e “Discrimination and Disparities”. Ele argumenta que diferenças de desempenho entre grupos humanos nem sempre decorrem diretamente de discriminação. Segundo ele, fatores culturais, históricos, geográficos e institucionais têm peso enorme. Esse ponto tornou Sowell figurinha carimbada nas rodas de “cancelamento” da esquerda dos EUA, especialmente em debates sobre racismo estrutural, ações afirmativas, desigualdade racial e educação pública, temos caríssimos aos “despensadores” da elite educacional daquele país. Vamos por partes.

Educação

Sowell criticou fortemente o sistema educacional americano. Ele defende a meritocracia, a disciplina acadêmica, padrões objetivos de avaliação e performance e a competição entre escolas como forma de aumentar o sarrafo da qualidade acadêmica. Ele ainda criticava e critica a politização do ensino, a queda de exigência escolar, a burocratização universitária e a substituição de conteúdo educacional por ativismo. Parece algo que tenhamos aqui no Brasil? ah, sério?

Questão Racial

Sendo negro, poder-se-ia dizer que Thomas tem “lugar de fala’, né? Mas um aspecto singular é que Sowell é um intelectual negro conservador num ambiente acadêmico predominantemente progressista e isso lhe rendeu destaque público, nem sempre positivo. Para setores conservadores, Sowell representa aindependência intelectual. Para seus críticos, suas posições minimizam problemas estruturais ligados à raça. Ele muitas vezes rejeitou a ideia de falar como “porta-voz racial”. Ele insiste em análises históricas e econômicas mais amplas, e que dão base a suas conclusões que, por acaso ou não, envolvam raça.

Estilo Intelectual

Ler Thomas Sowell é alegre e divertido. Ele escreve de uma forma que é bastante incomum para um acadêmico: linguagem simples, exemplos históricos bem fundamentados, muitos dados comparativos e pouca teoria excessivamente abstrata são sua marca. Isso “dói”, ou deve doer, em seus detratores. Ele não fala como um Paulo Freire da economia, de um jeito hermético e tão rebuscado que tira de jogada o objetivo. O exemplo Paulo-Freireano abaixo diz muito sobre o que Thomas de fato NÃO é:

“É na inconclusão do ser, que se sabe como tal, que se funda a educação como processo permanente.”

O que o infeliz quis dizer com isso? Não consegui saber até agora, e duvido que alguém, mesmo que tenha entendido, possa usar de forma prática para qualquer (QUALQUER) objetivo. Thomas Sowell vai na direção oposta:

“Pessoas que gostam de reuniões não deveriam estar no comando de nada.”

Tipo Corte Seco Tramontina – chega a não ser “acadêmico”, mas certamente presta um serviço ao entendimento da vida, em geral, e da economia, em particular. Fazer é melhor do que falar. Não tem nenhuma “inconclusão do ser” aqui.

Ele também utiliza frequentemente comparações internacionais e históricas para mostrar que fenômenos sociais semelhantes ocorreram entre povos muito diferentes.

Minha Gratidão

Deixo, assim, minha gratidão a esse monstro sagrado que, do alto dos seus 95 anos, ainda dando entrevistas lúcidas e válidas, como as recentes, ao Hoover Institution, continua a me inspirar. Alguém correria atrás de autógrafos de influencers ou personalidades caricatas da mídia, uma Xuxa, um imitador de foca qualquer. Eu confesso que atravessaria um aeroporto inteiro, só para tirar uma foto e pedir autógrafo em um livro (compraria qualquer um dele, numa livraria qualquer, só para esse fim), se soubesse que guardaria desse herói incomum e improvável, uma lembrança tangível do pensador que no ocaso da vida, insiste em ser uma voz da prática, da lucidez e do bom senso, num mundo quase perdido para a imbecilidade.

Toda Inutilidade Caduca

Nas ciências da natureza costuma-se dizer que “tudo aquilo que não tem utilidade acaba por desaparecer“. Dizem que foi assim com os caninos, no homem, com o apêndice, entre outras coisas que achamos que a micro-evolução acaba por tornar obsoleto.

Algo que só existe para cumprir um papel irrelevante tenderia, por esta “lei” a desaparecer também. Parece que foi assim, ao longo da história, com diversos penduricalhos colocados à vida humana, como excesso de roupas e badulaques medievais, com gravata em climas mais quentes e com certas regras de etiqueta cujo uso acabou sendo extirpado da sociedade por não ter serventia alguma.

A Reforma Protestante, dentro do cristianismo, parece ter cumprido um grande passo em eliminar um intermediário entre Deus e a criatura – o sacerdote (fazedor de pontes). Foi um passo civilizatório, logo após de se constituir como uma verdade bíblica – “achegai-vos confiantemente ao trono da graça” (Hebreus 4:16).

As próprias regras medievais de corte e casamento foram simplificadas e em sua maioria, deixadas de lado, por pares de seres humanos que julgaram, corretamente, que sua felicidade não podia ser deixada ao capricho de pais e autoridades que nem sempre tinham o seu melhor em seus corações.

Pois bem, assim como na religião e no amor, se a regra continuar valendo, entendo que algumas coisas muito incômodas tendem a desaparecer também, embora pareça que estamos longe de nos desfazer delas. Eis algumas.

Governo Grande

Já houve um tempo em que fichas de papel, carimbos e arquivos de pastas suspensas eram a tecnologia que catalogava, selecionada e ditava a ordem social. O carimbador maluco, caricaturado no “Plunkt-plakt-zum” parecia ubíquo e todo poderoso.

De lá pra cá, os processos informatizados, a internet e, mais recentemente, a Inteligência Artificial, parecem ter tomado o lugar do burocrata de plantão. Num mundo em que as coisas ocorrem cada vez de forma mais autônoma e rápida, é de se perguntar que tamanho de governo precisamos ter, e por que um país como o Brasil possui tanto funcionário público, pago acima dos níveis de mercado, e que, no fundo, na maioria das vezes, parecem apenas como um quebra-mola, um obstáculo entre o cidadão e sua necessidade.

Escola Ideologizada

Vamos à escola para aprender a pensar e sobre o que pensar. Íamos à escola porque o estudo do idioma, da matemática, da lógica, da física, química, biologia, história e outras disciplinas careciam de tempo e instrução precisa e muito, muito tempo dedicado à leitura e resolução de exercícios.

Ao longo do tempo, a escola, principalmente o ensino superior, acabou se tornando caro, excludente e, francamente, mais ideologia do que conhecimento prático, para a resolução de problemas. Tornamo-nos participantes – os EUA que o digam – de um processo de quase deseducação. Vivemos e respiramos o resultado disso: gerações e gerações de recém formados quase inúteis, sem postura e sem garra são o resultado disso tudo.

Volto à minha recente viagem à China só para fazer um paralelo entre a educação e garra do jovem profissional chinês e nossa horda de deserdados da inteligência (claro, com as marcantes exceções de sempre). Ver chineses lançarem-se ao trabalho e à busca por eficiência com tal desejo de vencer me deixa com a nítida impressão de que não teremos nunca a menor chance de competir nem com os asiáticos (o mesmo é praxe entre coreanos, japoneses e outros orientais) nem com países do primeiro mundo. Aliás, não conseguimos competir nem com os vizinhos argentinos e uruguaios.

Religião Bastardizada

Talvez o que mais dê tristeza a alguém que, como eu, vive e respira o Evangelho e o amor a um Deus todo-poderoso seja a inutilidade, para o ser humano, da religiosidade atual. Não falo aqui das religiões não cristãs, cujo cunho básico é no máximo neutro quanto à formação do indivíduo, espiritualmente. Falo de um cristianismo bastardizado que invadiu o Brasil, e que, ao contrário de tantos outros casos, não transforma o ser humano como só Cristo transforma.

Trata-se de um “evangelho de prosperidade” que trata Deus como um servo do ser humano, cujos desejos devem ser atendidos, e para quem tristeza e provação são prova de desfavor da Divindade. Como se o exemplo do cristianismo verdadeiro, ao longo dos séculos, não tenha sido o “tomar a cruz”, e sofrer pela causa de Cristo.

Esse cristianismo bastardo, fácil, sem dores nem lutas, é outra criação humana cuja utilidade é nula, cujo efeito benéfico na sociedade é pouco ou nenhum, cuja melhora moral – que só o Evangelho costuma trazer – não existe.

Quando se “abençoa a propina”, quando se recebe benesses de corruptos, quando se justifica o recebimento ilícito de uma concessão de rádio ou TV, ou outras ações terríveis por conta de um “fim justificável”, tem-se o caminho para a derrocada. Que isso (Deus nos livre) não nos leve a nós, que realmente cremos em Cristo e sabemos que o caminho dEle passa pelo trabalho árduo, honestidade, disciplina, oração e dores, a irmos junto com esse evangelho bastardo para a lata de lixo histórica.

Pseudo-Ciência

São vários os exemplos de pseudo-ciência que nos cercam e que, francamente, deprimem. Já li e ouvi sobre a “Matemática Inclusiva”, sobre as várias teorias críticas de Gênero, sobre outras aberrações que só acadêmicos ou intelectuais conseguiriam acreditar (parafraseando George Orwell).

Não apenas uma escola ideologizada, mas uma ciência que se curva a situações tão ridículas que é extremamente difícil até articular uma reação. Uma professora teima em não responder a uma pergunta objetiva de um senador, em uma comissão no congresso dos EUA. Este pergunta: “objetivamente, existem homem e mulher, do ponto de vista biológico?” ao que a intelectual promove uma dança de palavras sem qualquer intuito que não o de fugir ao mais fundamental conceito biológico: sim, são dois cromossosmos diferentes, X e Y, que performam um ser humano do sexo masculino, e dois iguais, X e X, que fazem o mesmo com alguém do sexo feminino. Só isso. É algo tão indefensável que seria pueril em qualquer outro século – exceto no nosso – ver alguém tentar defender algo diferente. Mas, ok… já vi alguém dizer que “2 + 2 = 4” ser algo pouco inclusivo, e muito radical. Não ter uma alternativa a isso é “bigotry”. Santo Deus…

Quatro exemplos, Governo Grande, Escola Ideologizada, Religião Bastardizada, Pseudo-Ciência, nos dão um vislumbre daquilo que um pouco de micro-evolução vai acabar por eliminar. Deus sempre dá um empurrão nesses processos; Deus sempre acaba por impulsionar a mudança para melhor. Sua Natureza, a criada por Deus, sempre acaba por empurrar as coisas para seus devidos lugares. Ainda que para isso coisas terríveis como fomes, pestes, guerras e outras tragédias tenham que, tristemente, intervir.

Vamos agora ao que mais dá medo, por estar-se tornando não apenas inútil, mas pernicioso

Política

Não é de hoje que países enfrentam o dilema entre A Política e Seus Políticos. Quase todos entendemos que a política parece ser algo importante. Elegemos representantes para que, em um número menor, e devidamente proporcionais aos anseios da população, lhes outorguemos mandatos para falar em nosso nome de uma forma mais ordenada.

A democracia representativa e a república parlamentar são formas legítimas e na maior parte das vezes correta de fazer com que o povo seja representado adequadamente. Parece que ao longo dos anos, tanto a qualidade moral dos políticos quanto as manobras para mudar o sistema de representação, de equitativo e equilibrado em desproporcional e privilegiado tem tornado a política algo francamente odiada.

Tomemos por exemplo o Brasil. Ninguém hoje pode dizer que temos um sistema de representação parlamentar minimamente justo, ou conducente ao equilíbrio do que pensa o país. Hoje, dois caras, um presidente do senado, e outro da câmara dos deputados, possuem um poder desproporcional, que ninguém os outorgou, e que acaba por destruir o sistema de freios e contrapesos da República.

Outro exemplo claro é o poder detido por presidentes de partidos políticos, no processo de indicação de puxadores de votos. O sistema atual de “encaixe” de candidatos nas vagas, independentemente de sua votação pessoal, torna nosso congresso um lugar que, francamente, não espelha, para nada, o que pensa e aspira a população.

Até quando um punhado de pessoas dominará o interesse nacional? Até quando um punhado de autoridades vão, monocraticamente, desdizer decisões desse (já pessimamente representado) congresso e tomar para si o poder de definir leis não votadas?

Até quando, enfim, partidos sem representatividade real na população, dominar o congresso nacional com seus conchavos e tramóias?

É algo que cairá, certamente, em desuso. Antes de cair, porém, deverá trazer consigo alguma tragédia – normalmente acompanhada de sangue.

Cinco exemplos em que um Darwinismo social poderia ajudar a tornar inútil. Cinco tristes sintomas de que algo está muito artificial, muito ruim, em nosso planeta. Mais uma vez tenho que terminar com meu bordão, que uso de vez em quando: Deus nos livre!

Cristianismo – sempre no centro da Perseguição

Li o relatório da organização sem fins lucrativos International Christian Concern (“Persecution.org”), denominado Global Persecution Index, publicado agora, para o resultado de 2024.

Os suspeitos de hábito

No topo da lista países como Coréia do Norte, China, Paquistão, Afeganistão, Somália, Nigéria, entre outras “potências” da perseguição. Em comum, o óbvio: o caráter ditatorial de seus governos.

No topo da lista de países mais perigosos para um cristão viver está a Nigéria, país que até pouco tempo era considerado majoritariamente cristão. Organizações desestabilizadoras, terroristas, como Boko Haram, conseguiram, nos últimos tempos, varrer quase todo o cristianismo do norte para o sul, com massacres, conversões forçadas, etc.

Os Novos Suspeitos

Entre os mais novos suspeitos, um país que está na região que, tecnicamente, menos persegue o cristianismo (de forma organizada, estatal): a Nicarágua. Em comum com os suspeitos de hábito, a necessidade de um tiranete de republiqueta de banana manter-se no poder. Esse país eu conheço. Já estive lá diversas vezes, a trabalho, nos anos do Sandinismo, quando o mesmo cretino estava encastelado no poder. Eram anos de intensa colaboração com Cuba (sempre ela) e um domínio quase total da sociedade, mas com certa leniência da Igreja Cristã, marcadamente a católica. Hoje, diferentemente disso, é justamente o catolicismo que tem pago o preço mais alto lá, com expulsão e prisão de padres e bispos.

O Cristianismo como alvo preferencial

Entendo que o cristianismo tem sido o alvo preferencial meramente por ter sido a religião de maior crescimento no mundo, por milênios, e por ser uma religião prosélita (que prega e quer fazer convertidos), diferentemente de várias outras e à semelhança dos muçulmanos, cuja “conversão”, com raras exceção, é obtida, digamos, de formas heterodoxas.

Sendo a religião dos maiores poderes do mundo, mormente ocidental, associa-se à ela as atitudes de governos ocidentais, o que quase nunca tem sido a regra. Claro que o catolicismo, com seu governo centralizado, no passado passou por situações em que sim, foi perseguidor (Inquisição Espanhola sendo o marco mais visível, corretamente) ou declarado perseguidor (Cruzadas sendo também marco visível, incorretamente, por se tratar de uma guerra de defesa, não de ataque, como comumente se diz nos livros de história).

Verdade é que governos, em algumas regiões, e em nome de “valores cristãos” perseguiram, por exemplo, judeus. Os pogroms são prova disso, assim como as conversões forçadas (cristãos-novos, dos quais parcialmente descendo). O holocausto não. Esse é fruto das ações de um maluco. De lá pra cá, o cristianismo tem insistido em emendar suas ações e, vezes sem conta, pedir perdão por atitudes que contrariam, antes de qualquer coisa, os dizeres do próprio Cristo (“amai vossos inimigos, orai pelos que vos perseguem”).

Governos raramente se dobram a preceitos religiosos. O cristianismo, sabedor disso, e sendo, originalmente, a religião dos perseguidos e dos párias, até Constantino, no século IV, pregou e ainda prega a segregação Estado X Igreja, o que não significa, como sobejamente dito por vários articulistas e pensadores, que o Estado deva ser “ateu”.

De fato, até recentemente, apenas católicos poderiam ser presidentes de alguns países, a Argentina entre eles. O fato é que essa tendência, entre os cristãos e ocidentais, praticamente acabou.

O cristianismo é, na minha opinião, alvo preferencial justamente por ter sido o alicerce intelectual do ocidente laico, progressista, conservador e democrático. Os EUA nascem sob a égide de Deus, na moeda e tudo, e assim continua, aos trancos e barrancos, tentando manter-se à margem das tentativas de cooptação do Estado para fins antirreligiosos. A eleição de Trump é uma prova cabal de que o americano médio, não-woke, prefere um cara meio doido na presidência do que um bando de pessoas desconectadas da crença e valores da maioria.

Por que é Alvo?

É difícil responder à pergunta acima sem adentrar nos princípios mesmos das crenças judaico cristãs. Somos alvo desde os imperadores romanos por diversas razões. Não dá para dissociar essas razões das ações de um inimigo (o diabo) que para a maior parte das pessoas não passa de um mito (assim como Deus, para quem não crê).

Somos alvo, e seremos cada vez mais, porque as Escrituras Cristãs assim nos contam. Não deveríamos estar espantados por isso, nem mesmo pelo crescimento da perseguição mundial a nós.

Quanto mais vocais formos, mais, e mais rápido, seremos perseguidos, seja moralmente, seja física e politicamente mesmo. Somos “de todos os mais rejeitados” como o Apóstolo nos ensina. O Apocalipse já nos contava, lá atrás, que seríamos objeto de tribulação, mas que seríamos vencedores dela.

Conto, portanto, com o crescimento, não a diminuição das perseguições a cristãos, e tenho apenas que agradecer a Deus pela perseverança e amor de cristãos Norte-Coreanos, Iranianos e outros, que, em meio a toda essa tempestade, conseguem deixar patente sua fé. Sem constranger; sem forçar; sem exigir; sem matar; sem silenciar.

PS: Após escrever este texto, vivemos um desses momentos de perseguição muito na carne, aqui do Brasil. Veja em anexo esta situação dramática vivida pela Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira, na Nigéria:

https://www.instagram.com/p/DE5rsE-yZg1/?utm_source=ig_web_copy_link

Green Brakes

My foreign colleagues in our practice (accounting, audit) frequently hit me with questions arisen from what they read in their media on the fact that Brazil does not follow a good Environmental Governance. Allegation as to how much we devastate on the Amazon, how we have such a poor administration of our environment frequently get under my skin, due to the lack of proper information and the ultimate bad faith of a league of media outlets that are either totally mistaken or willfully wishing to spread misinformation, at someone else`s expenses, and for someone else’s profit.

Environmental Code

Being born in a rural area in Rio de Janeiro State and directly linked to a family of original agricultures and dairy producers, I know for a fact that fulfilling the Brazilian Environmental Code (BEC for short) is a challenge. In the South/Southeast areas of Brazil, a minimum of 20% of the total area of a farm must be kept untouched; riversides are to be kept untouched for a minimum of 10 meters up to 100 meters in each side, depending on the width of the river. Knowing Brazil, and knowing the amount of rivers and creeks we have, you may imagine how much of native forest must be kept.

In the “Legal Amazon Area”, that corresponds to 59% of the total area of Brazil`s more than 8 million Km². It means that legally, at least 55.4% will never, ever be touched. In fact, as of today, Brazil keeps 64.7% of its original vegetation, as it was in April 22, 1500. This does not include the reforesting, an increasing and thriving activity, vital for the pulp and paper chain.

Energy

Here, a conundrum: despite of the fact Brazil has over 90% of its energy sourced from renewables.

In fact, renewables represents about 92% of Brazil’s energy generation in 2024. Hydropower remains the dominant source, contributing around 50% of the electricity supply, while wind and solar energy have also seen significant growth ()1

The primary renewable energy sources in Brazil’s matrix include:

  • Hydropower: Approximately 50% of electricity generation.
  • Wind Energy: Around 15% of electricity generation.
  • Solar Energy: About 10% of electricity generation.
  • Biomass: Contributing to the remaining share.

BTW, nuclear is not included in the quote from ChatGPT. It represents 2.2%. ChatGPT is right in not classifying nuclear as “renewable”. That does not mean it isn`t “clean”, in my opinion.

The Environmental Control Bureaus

Brazil has a myriad of environmental bureaus and bureaucracies. Each, with few exceptions, occupied by radical environmentalists with close to zero cares on the development of the country and the wellbeing of our population. We have 5 agencies of direct/indirect environmental control, at federal level, 27 such organisms at state level and, assuming we have over 5.5 thousand counties, at least half of them with environmental secretariats.

All in all, a constellation of environmentalists, each willing to outdo and clickbait the other and show more “concern” on the environment.

Nothing against environmental control, of course. This is important and Brazil is doing its fair share on it. Just that it has shown relevant side effects that must be understood.

Side Effects

Once again, asking my patient reader to keep in mind that I am all for a good environmental stewardship, I just want to point out some absurd effects of it over the Brazilian society as a whole and how, even with all the burden carried by us, it seems that some countries are not satisfied with the results.

For we know that the whole creation groaneth and travaileth in pain together until now. 

Romans 8:22 (KJV)

My Bible tells me, more than once, that the human sin has put a tremendous strain on the environment, as above quoted from the Apostle Paul. Unnecessary to elaborate the fact that all mankind should be extremely environmentally concerned, without being idiots, of course.

That said, one side effect of the radical environmentalism, probably the most critical, is on infrastructure and mobility. From Curitiba, where I live, to the nearest beach, it is about 100Km, or 60 Mi. It takes from 1h 40min to reach there, but it often takes 3, 4 hours. The reason is that environmental agencies stop virtually all efforts to give better access to the beautiful shore. Good stewardship of infrastructure should be conducive to a larger appreciation of the environment; a stronger attachment to the beauties of the Atlantic Forest close to us.

One other example: the highway from São Paulo to the south of Brazil, the Regis Bittencourt highway, had a 30 Km portion in single lane, despite the quality of the rest of the road. The reason, environmental permits to duplicate that portion due to the existence of some families of “Mico Leão da Cara Preta” (Leontopithecus caissara) monkeys. A battle ensued and it took over 20 years to complete the duplication of the highway. Now the travel from Curitiba to São Paulo takes at least 1 hour less than 5 years ago. Nobody thought about the long line of trucks and cars expelling CO2 in the atmosphere for some many years. Something totally evitable.

Rivers and bays denied bridges and highways, due to “environmental impacts” (despite the reports telling the opposite, sometimes). Everybody in Brazil have experienced trips partially interrupted by long lines of cars/trucks waiting to be ferried over a bay or a river in ferryboats.

Whole communities in the northern Brazil have electricity for no more than 8 hours per day, diesel-based. The reason? A transmission line that links the north to the rest of the energy grid is deemed “harmful” to the environment. Let the diesel be used, let peoples’ quality of life be miserable, provided some unknown bureaucrat have its way (or the way some ONG directs them to apply).

Agendas

As usual in Brazil, a hidden agenda permeates the environmental decisions. Rationality, not a national sport among politicians by any means, becomes enraged platitudeness speeches of raging and red faced politicians, with prominent blue veins in the neck, from the tribune of the chambers of the legislative, uncapable of seeing the bad light that they unnecessarily bring to Brazil in the world.

This beautiful country will some day wake up and start doing the rational and right thing: to adequately plan and develop an infrastructure that will enable progress, boost eco-tourism and facilitate mobility, all at once, making our lives not only better, but more enjoyable.

I wish all my friends and relatives, those who follow me in the social media and here, a blessed Christmas and a very happy New Year, 2025!

  1. Source Brazilian Government, through ChatGPT ↩︎

Sociedades Crescentemente Heterogêneas

As tribos se formaram por proximidade, parentesco e necessidade. Nas tribos, esses fatores acabaram por tornar o grupo mais homogêneo. Um grupo homogêneo é mais fácil de se conviver; menos propenso a ter estresses por questões do dia a dia. Os comportamentos são mais ou menos parecidos, e aceitos por todos, e há “princípios geralmente aceitos” de conduta, vestimenta, alimentação, entre outros.

Várias tribos, ao longo dos séculos, acabaram se tornando nações, por proximidade geográfica ou racial: já não com um nível tão alto de homogeneidade, mas com uma razoável similaridade de condutas, gostos, etc. A pluralidade de idiomas é mais marcante na Europa e Ásia do que em quase qualquer lugar, justamente por conta do relativo isolamento geográfico. Dialetos e Patuás fazem a interface, digamos assim, entre regiões maiores.

No final do Séc XIX e durante todo o Séc XX, um movimento sem precedentes de migrações massivas, pela primeira vez não necessariamente originada em guerras de ocupação ou fatores de força maior, começaram a deixar o mundo um lugar mais “plural”. A criação de “padrões idiomáticos” mais amplos, como o inglês de Shakespeare, o italiano de Dante Alighieri, o espanhol de Cervantes e o português de Camões são exemplos de ampliação de uma área de influência, ainda que cada vez menos homogênea, culturalmente.

Mesmo os EUA e o Brasil, talvez os dois maiores exemplos mundiais de populações que se formaram, desde sua colonização, já heterogêneas, havia até algum tempo atrás, um traço de união que acabava por tornar as pessoas mais “parecidas” ao longo dos anos. Era uma forma de absorção ao contexto total, em que o imigrante acabava por compreender e moldar sua conduta a um determinado modelo geralmente aceito. Minha própria família, tanto dos italianos do lado da mãe quanto dos suíços e portugueses do lado o pai são exemplos de absorção tão rápida que em duas gerações, somente, poucos falavam o dialeto ou idioma dos avós.

Foram tempos de grandes trocas de experiência e acumulação de novas e desejáveis características. No Brasil, para ficar em apenas alguns exemplos, absorvemos os hábitos alimentares de outras culturas, desde uma boa feijoada até um sushizinho bacana. Criamos e adaptamos costumes, absorvemos e modificamos palavras estrangeiras, aprendemos esportes alheios e ficamos, por isso, mais ricos.

Mantivemos, porém, características fundamentais, como por exemplo, o uso do idioma que agora lanço mão para me fazer entendido, e tento, pelo menos, fazê-lo de forma a não deixar meu saudoso pai, Prof. Ivanir, envergonhado (ele, professor de português, sempre exigiu qualidade escrita e falada).

Algumas coisas se absorvia, outras se modificava, outras se rechaçava (por serem diferentes demais). Mas sempre de forma paulatina e sem enfiar nada goela abaixo de uma população inteira.

Hoje, entendo que dois movimentos estão contribuindo para que a sociedade se torne cada vez mais complexa de governar: o primeiro é o volume de migrantes. O grande volume de um determinado povo, dentro do país alheio, acaba gerando tensões e muitas vezes rupturas. É como se fosse uma “Aquisição Hostil” de um território, sem dar um tiro (ou poucos tiros).

A segunda razão é um outro tipo de “migração”. É a quase obsessão com a cultura do outro, o “lugar de fala”, e a necessidade de aceitar/engolir a conduta alheia, ainda que nos fira ou incomode. Não se trata mais de um gradualismo, que leva a sociedade a mudar sem mais ferimentos. Trata-se de engolir um boi inteiro, em uma única refeição, sem tempo de absorver e digerir. É como um veneno por dosagem, não por conteúdo.

A sociedade brasileira está sendo forçada a ir numa direção que majoritariamente não quer ir, em uma velocidade que não permite tempo para “normalização” do novo.

É aí que a sociedade começa a perder seu sentido.

Mãe Nossa / Alvo mais que a Neve

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Qualquer pessoa com alguns neurônios funcionando sabe perfeitamente bem que a Bíblia não “determina” que Deus é homem ou mulher. Em pelo menos uma ocasião, respondendo a saduceus (que nem criam na vida eterna), Jesus falou que uma mulher que tinha tido sete maridos não seria “de nenhum deles no céu”, pois no céu seremos como anjos, e não casaremos nem seremos dados em casamento. Uma óbvia resposta ao óbvio conceito de que anjos não são homens nem mulheres, e que Deus, obviamente, não se encaixa num conceito de masculinidade ou feminilidade.

Sexo dos Anjos

E cá estão teólogos e pastores famosos discutindo sobre o sexo dos anjos (como a sabedoria popular já diz: uma bobagem em si mesma. O referido teólogo, em um video recente (reproduzido parcialmente em https://www.youtube.com/watch?v=VLgHdaefoWU ou https://www.gospelprime.com.br/heresia-ed-rene-kivitz-apresenta-deus-como-mamae-do-ceu/) chama atenção para si, mais uma vez, pelas razões mais desatrosas possíveis.

O sexo dos anjos, ao que parece, “precisa” ser debatido, nem que seja para agradar um público específico.

Alvo mais que a Neve

Outra “celebridade” do meio evangélico, recentemente em entrevista com Caetano Veloso, faz uma crítica ao uso do Hino “Alvo mais que a Neve” (No. 39 da Harpa Cristã ou No. 123 do Cantor Cristão). A tal celebridade fala, a um Caetano “inebriado” algo mais ou menos como “a gente cantava aquilo com a maior naturalidade, como se não tivesse problema algum”… Em síntese, na cabeça da celebridade, cantar “alvo mais que a neve” é ato de racismo… e os negros cantavam isso com a “maior naturalidade” nas igrejas.

Talvez esteja na hora de “reinterpretar” o Salmo 51:7, no qual o Rei Davi fala:

“Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve.”

Qual é a Finalidade?

É muito difícil sair censurando as pessoas pelo que elas dizem, no “valor de face”, digamos assim, sem aprofundarmos no assunto, ou nas intenções. Não posso, sinceramente, condenar pessoas, com as quais concorde eu ou não, pelas suas palavras. Isso é função (Sic!, de novo) do STF e de patrulhas ideológicas. Aqui, dou apenas minha humilde opinião e experiências vividas.

Independentemente da puerilidade da discussão, Deus não foi chamado na Bíblia de MÃE em nenhum momento. Algo errado, se tivesse? Não creio. Minha fé mudaria se Deus fosse mais “feminino” que “masculino”? Não. Eu seria menos cristão se assim o cresse? Não.

A questão aqui é outra: Não vejo nenhuma oração da “Mãe Nossa”; não vejo em nenhum lugar o Espírito de Seu Filho clamando por por nós com a expressão “Ama, Mãe” (Ama é o equivalente a Aba, em hebraico).

Não vejo a Senhora dos Exércitos em nenhum lado, não vejo Paulo nos dizendo Graça e Paz da parte de Deus, nossa mãe”.

A questão da neve é menos “grave” por assim dizer, porque não foi levantada por um teólogo, cara eloquente, inteligentíssimo, autor de diversos livros e pregador de tradição. É mais uma questão de aparecer mesmo (talvez em ambos os casos) e jogar pra platéia. É um caso de Wokeísmo, mais barato, menos refinado, e, francamente, menos refletido e talvez mais idiota: ora, neve é branca; ora, fuligem é preta. Ora, não existem “pretos” nem “brancos”. No máximo existem “rosados” e “marrons”, nos dois lados do espectro conhecido da pela humana.

Quando Davi fala de “alvo mais do que a neve”, obviamente não está fazendo nenhuma menção a pele, a nada, que não seja diretamente ligado à noção de pecado, de um lado, e santidade, de outro. É risível, portanto, ver um Caetano, que nem é cristão, ficar transfixado pelas palavras da celebridade. “É verdade? Puxa, que gente racista, que gente burra”…

Talvez seja mais fácil discernir o interesse do talentoso cantor baiano do que a das ditas “celebridades cristãs”.

Arranca Rabo

Mas no caso do teólogo, não sou exatamente inparcial. Há alguns anos, durante a campanha do ocidente para expulsão de Sadam Hussein do poder, e reconquista do Kwait, escrevi um texto (do qual não me arrependo – desculpe, celebridade… burrice minha talvez) em que eu dizia algo como “creio que exista um excesso de grana na mão de alguns tiranos locais, e que seria muito bom que os caras tivessem menos recursos pra bancar suas tiranias”. A resposta ao meu texto (bom, eu que não sou nem celebridade, nem teólogo, e francamente, ninguém na fila do pão) foi “tristes palavras“. Logo depois diz “somos o povo que apanha, não o povo que bate“. Lindo! O coro de aplausos deve ter sido super bacana… só que erra o alvo no básico: um caminho pode parecer uma escolha “de paz” e não “pacificadora”. Todo mundo sabe o resultado: por um lado temos um Iraque e um Kwait mais pacificados; temos um Irã (que não foi confrontado) atacando a única democracia do Oriente Médio; temos, enfim, alguns anos de tentativa de pacificar por meio da covardia, países claramente ofensivos e beligerantes. É o ideal? Não, mas é melhor do que a covardia pura e simples.

Aquilas palavras me doeram, não porque eu seja a favor de guerra alguma. Como cristão desejo a paz, mas não aquela paz imediatista, equivalente à mulher que apanha do marido e se cala para não causar escândalo. Essa é a paz que se submeter a uma tirania significa. Me doeu, mais ainda, porque tenho certeza de que o tal teólogo tem massa encefálica suficiente para entender que pacificar é diferente de ser covarde e ter paz no curto prazo.

O Apóstolo Paulo mesmo, ao falar sobre o tema da “Paz” disse:

Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens.

Romanos 12:18 

Ora se nem a Palavra nos “obiga” a ter paz com todos, como é que julgarei eu, euzinho, que sou obrigado a “apanhar” independentemente do resultdo obtido/

Outro dia, assistindo a Guerra do Pacífico em Cores (na TV a Cabo), fiquei apavorado ao ver o que a conquista de Okinawa representou em termos de vidas, para ambos os lados – Japão e Aliados. Truman, e seus generais, tendo em vista isso, optaram por uma solução terrível, quase impensável, mas que no final das contas, poupou milhões de vida: bombardear Hiroshima e Nagasaki. Alguém é favorável a bombas atômicas? Claro que não. Alguém acha que os fins sempre justificam os meios? Não e não. Apenas que a nós, são dadas às vezes, escolhas extremamente difíceis.

Alvo mais que a Mãe

Assim, e brincando de juntar as duas heresias, que sejamos tanto Alvos mais que a Neve, para glória de Deus, e que Deu continue “Pai”, independentemente de seu gênero (que não existe).

Apenas não façamos de não-questões um cavalo de batalha para destruir conceitos lindos e primordiais na vida do nosso já confuso povo.

Êxodo 20:7

Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão; porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão. 

Êxodo 20:7 – 10 Mandamentos

Esse é um mandamento que é normalmente mal interpretado. A palavra hebraica para “tomar” é “Nasah” (נָשָׂא), que significa literalmente “levantar”, “erguer” ou mais precisamente, “carregar”.

Não “levantarás”, não “carregarás” o nome do Senhor teu Deus em vão. Já escrevi em algum lado que isso não significa falar “Ai meu Deus do céu” e ser jogado nas trevas do inferno. Não me parece que Deus seria pueril a ponto de pronunciar um mandamento assim.

Carregar, levantar aqui me parece – e pareceu ao estudioso Denis Prager, da Prager University, em seu livro “The Rational Bible Exodus” levanta o tema de forma bem mais adequada: Eu “carrego” o nome de Deus em vão quando eu digo que sou “ligado a Deus” e faço coisas que contrariam o que Ele diz, manda, ensina.

Caso (Hipotético) 1 – Negócios Escusos

Estudo de caso é uma técnica para aprendizado e fixação de conhecimento que se tornou a norma nas melhores universidades do mundo. Parece, realmente, que um “estudo de caso” cairia bem para entender como é que um dito cristão toma o nome de Deus em vão.

Fulano de Tal é um empresário. Fulano se diz “cristão”, fulano vai na igreja, leva os filhos, era casado com uma mulher “terrivelmente cristã”. Fulano faz negócios de forma atabalhoada e convence os amigos a investirem com ele. Um desses amigos, entendendo que é algo interessante, convence outros amigos a investirem com ele, suponhamos (para o “case”) num hotel.

Eles compram juntos o hotel. O amigo confia nele porque, afinal de contas, ele “Carrega o nome de Deus” consigo, e obviamente, quem assim o faz, só pode falar a verdade e agir com o melhor de sua capacidade, em prol do outro, antes de si mesmo.

Acontece que, por uma razão ou por outra, o tal Fulano só tem olhos para seus próprios interesses, e, no final de anos, desviando recursos para seus outros empreendimentos, e sempre deixando as águas turvas, para que ninguém veja com clareza, consegue levar todos a perder muito.

Fulano, ainda por cima, se sente “o injustiçado”. Não entrou com um centavo no negócio. Trabalhou, é verdade, mas sempre deixou seus interesses acima dos demais, e no final das contas, joga seus processos trabalhistas em cima de “todos”.

Fulano certamente esqueceu de ler o restante do mandamento: “Deus não terá por inocente quem carregar Seu nome em vão”. Fulano, certamente, terá que se entender com o seu deus, ou com Deus.

Caso (Hipotético) 2 – Pirâmide Financeira

Fulana era amiga de décadas de várias pessoas em sua igreja. Era uma verdadeora artista, trabalhadora e mãe de filhos. Fulana, assim como Fulano, “carregava” o nome de Deus sobre si. Todo mundo a conhecia como tal.

Fulana começa um processo de envolver um monte de gente muito “amiga” em um esquema de pirâmide financeira, bastante dissimulado. Isso vai num crescendo até que “explode” com um caminhão de dinheiro de vários “irmãos” e “amigos” indo parar em mãos incertas e não sabidas.

Ações judiciais pra cá e pra lá fazem a festa para detratores do Nome de Deus. É um festival de apontamento de dedos.

Fulana carrega, agora, o nome de Deus absolutamente em vão, e deixa um monte de gente mais pobre, em detrimento de uma pseudo abundância financeira.

Moral da História?

Os dois casos acima tratam na mesma coisa. A (falta) de moral nessa história já estava descrita como um Mandamento – 10% deles, portanto, falando sobre “carregar” sobre si o nome do Deus vivo em vão, ou seja, indignamente. São casos hipotéticos de pessoas que expressam ao público serem “portadoras do nome de Deus”, e o fazem em vão.

Eu, pessoalmente, já carreguei o Santo nome do meu Deus em vão. Sim. Já tive meus momentos de fraqueza, mentiras, desapontamentos e coisas que certamente Deus não me terá por inocente. Obviamente que o Sangue de Jesus já me purificou deste e de muitos outros pecados, mas os efeitos estão cá comigo. Para sempre.

Estudando para aulas de Escola Dominical no Livro de Hebreus, me deparei com um diagrama que de certa forma toca no assunto, e que gostaria de compartilhar:

É uma forma razoavelmente simples de entender o que o sujeito faz e onde ele anda. Você tem uma conduta condizente com o Nome de Deus? Sim, ou não. Se sim, você pode até não ser “crente”, mas age de forma a não ser um problema para Deus, mesmo não crendo nEle. É o tal “joio”.

Se você age de acordo com o Nome de Deus, e é “crente”, é “trigo”. Já tem gente que não age de acordo com o Nome de Deus. Pode ser “crente” (e aí precisa ser disciplinado ou não (é apóstata, no duro).

Vivemos num mundo de gente que tem “carregado” o Nome de Deus sobre si e feito as maiores barbaridades: desde defender assassinato de criança na barriga da mãe até receber propina e ainda “agradecer a Deus” pelo fruto do roubo. Tem gente que mente para se eleger; tem gente que rouba o próximo prometendo “prosperidade”. Tem de tudo. Ao “carregar o nome de Deus” de uma forma tão horrorosa, dão ao Inimigo a munição que ele precisa para dizer que “é tudo igual”.

Tem gente, por outro lado, que dedica a vida, os bens e a inteligência para abençoar o próximo. Tem gente que sequer crê em Deus, mas de certa forma “carrega Seu Nome” de forma mais digna do que muita gente que se diz cristã. Esses, a despeito da incredulidade, acabam se beneficiando dos Mandamentos e sendo mais felizes, mais realizados, mais prósperos.

Eu quero “carregar” o nome do Senhor. Eu faço questão, e faço questão de fazê-lo de forma a que até mesmo meus detratores e inimigos tenham paz comigo.