Escolha suas Batalhas


Generais, ao longo de toda a história, exemplificaram como é trágico escolher erradamente os conflitos de que participar.

Napoleão decidiu invadir a Rússia ao mesmo tempo em que estendia uma batalha com Ingleses, então o poder dominante (o Império onde o sol não se punha, e onde a marinha governava as ondas do mar).

Deu no que deu, e as tragédias que seguiram permitiu que ele chegasse prematuramente a um primeiro exílio, uma fuga espetacular e a Waterloo, de onde saiu para um outro exílio do qual não saiu mais.

Hitler fez mais ou menos o mesmo. Invadiu uma Rússia à traição, por julgá-la incapaz de enfrentar as poderosas divisões Panzer. Deu no que deu. Não aprendeu com Napoleão e cometeu um erro grotescamente semelhante.

Batalhas erradas

Batalhas são ocasiões críticas. São momentos em que a diplomacia foi vencida pelo atrito, e o bom senso pulou pela janela. Há que se lidar com a guerra e isso nunca é algo que se faz, ou se deva fazer, alegremente.

Napoleão não precisava ter aberto dois fronts. Hitler, menos ainda. Um misto de excesso de confiança com uma tendência de subavaliar o adversário criou, em ambos os casos, derrotas pavorosas. Mas o desastre não é para os celerados que as geraram, mas para o pobre soldado que, sem mais escolhas, tem que marchar, lutar e morrer por algo que ele nem consegue entender.

A lição é que não se deve entrar numa briga que não se tenha a certeza, pelo menos, de uma disputa equilibrada (justa, uma guerra jamais é, exceto se de defesa).

A batalha contra os EUA

A existência dos BRICs, e a teimosia brasileira de tomar partido contra os EUA, e contra boa parcela do ocidente, choca pela similaridade com Napoleão ou Hitler. É o tipo de embate em que é fácil a bravata, e muito, muito difícil, um resultado meramente neutro: que dirá positivo.

Nosso governo federal se alinha automaticamente com gente não confiável, gente que crê em guerras ofensivas; gente que crê que o outro não tem direito de existir, como nação ou povo; gente que se vê como tendo direito a um império maior do que o que já tem, e que sequer consegue controlar.

Em síntese, uma insanidade. Recentemente vi uma análise sobre o tema que me chocou pela simplicidade e facilidade de entender o quão frágil é o Brasil, neste ambiente

GPS

GPS – Sistema de Posicionamento Global, como é bem conhecido, não é algo em que tenhamos soberania. Dependemos do sistema americano para isso. Ou seja, em caso de guerra, os EUA desligam nosso GPS no ato, e quebra (literalmente) nossa economia. “Ah…” dirá o incauto… “que nada…”. Bom, como disse o entrevistado da Jovem Pan Curitiba, do qual extraí esse exemplo, cortando-se o GPS, tanto nosso sistema de posicionamento acaba na hora como nossa agricultura para, nossos taxis (uber) param, bancos, e praticamente toda atividade econômica.

China, Índia e Russia tem seus próprios sistemas de GPS. O Brasil, não (deveria ter!). Levando em conta essa restrição, qual é o tipo de batalha que estamos escolhendo ter, com os EUA? Uma que só temos um resultado possível: derrota.

Que Batalha Escolher?

O ideal é sempre evitar batalhas. Mas é impossível, na prática. Assim, há batalhas que podemos e devemos escolher. Que alinhamento temos, que interesse temos, em nos alinharmos com uma ditadura como o Irã? No que o Irã nos interessa tanto que nos leva a comprar uma briga alheia a nós? Por que voltar as costas a Israel?

Claro, não vale a pena brigar com a China, devido à nossa dependência dela. Também vale a pena nos mantermos longe da Rússia, do ponto de vista de brigas; embora valha a pena nos mantermos próximos deles como fornecedores de matérias primas, principalmente fertilizantes e fosfatados. Só.

A Índia é um país que já nos inspirou chacotas – quem não se lembra do termo “Belíndia”, cunhado por Edmar Bacha, um dos pais do Plano Real, no qual éramos Bélgica, nos nossos aspectos mais desenvolvidos, e Índia, nos mais atrasados?

Pois bem, a Índia é hoje um parceiro, e um país que fez o dever de casa e se tornou extremamente relevante no mundo, não apenas economicamente, mas também militarmente e em termos de tecnologia. Não sei, de verdade, o que a Índia faz nos BRICs. Talvez somente compor o acrônimo. Talvez tenha razões políticas para andar próximos aos vizinhos. Na prática, a Índia é um país muito mais alinhado com os EUA e UK, por exemplo.

As Batalhas Futuras

Não dá para esperar deste governo algum tipo de programa formal, algum sentido comum em termos de política externa. É uma colcha de retalhos ideológica, que se vale do melhor corpo burocrático do país para implementar insanidades.

Uma dessas insanidades é tomar o lado de uma iniciativa como uma “moeda alternativa” ao dólar americano. Por que? Como isso nos beneficia? Que risco corremos? Trump dá, a cada semana, sinais de impaciência com os BRICS. Hoje ainda anunciou que haverá uma tributação adicional de 10% sobre países que apoiem políticas dos BRICs. Será que isso implica, automaticamente, que o Brasil já está sobretaxado nesses 10%? É somente bravata dele?

Se é bravata ou não, o mercado acabará por precificar essa reação. Não precifica mais ainda pelo simples fato de que nosso mercado financeiro não se dá conta de quão próximos estamos de uma linha divisória entre o papo de boteco e a contestação, pura e simples. Já passamos da bravata, como país, e já “merecemos” reações mais grossas dos EUA. Esperemos que não. Como brasileiro, não devemos nem podemos torcer pelo pior.

Mas fatos são coisas teimosas, como disse John Adams, 3o. presidente dos EUA. O problema é que nosso executivo adora factóides, e odeia fatos.

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Uma resposta para “Escolha suas Batalhas”

  1. Brasil e guerra são duas aberrações. Aliar-se a doutrinas e idéias caóticas e retrógradas com países com os quais sequer se conhece direito é pura demonstração de desinteligência. Guerra cultural é pura tolice para quem não tem nem o primário. Vivenciamos o Vale das Mortes. Nossa aeronave está sem freios, sem tripulação confiável, o radar olha apenas para o chão, a velocidade despenca, o precipício já é visível para os passageiros que ainda conseguem separar o joio do trigo. A recuperação do tombo ao final de toda a loucura ocupará mais de uma geração…

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