Meu tributo a Thomas Sowell

Meu pai dizia que se era para lhe prestar homenagens, que o fizessem em vida. Depois de morrer, ele aproveitaria menos. Sábias palavras. Por isso, decidi escrever um tanto sobre um dos meus economistas e pensadores mais queridos, Thomas Sowell. Meu objetivo aqui é levar você a se interessar por seus escritos e sua personalidade marcante e opiniões fortes.

Passar tempo com o Dr. Sowell como convidado especial, na minha “Man Cave” aqui de casa, nesse friozinho típico de Curitiba, é uma alegria. Thomas (acho que já posso falar com essa intimidade dele, já que acho que já passei alguns dias inteiros ouvindo ele “falar” a mim, através de seus livros) é um pensador, mais do que um economista. É um observador arguto da realidade, despido das baboseiras típicas da academia, focado na prática.

Ele é o arquétipo do anti-establishment. Menino negro, pobre, nascido em 1930 numa cidadezinha rural da Carolina do Norte, Gastonia, criado pelos irmãos mais velhos após ter perdido o pai e a mãe muito cedo, tendo mudado para o paupérrimo Harlem, Nova York, foi amado e nutrido pela família, o que não o impediu de sofrer tanto discriminação como os efeitos de uma infância cheia de privações. Terreno fértil para o radicalismo que vimos em um Jesse Jackson, Malcolm X e outros de origem semelhante. Nada disso “pegou” em Sowell.

Fuzileiro Naval, veterano da Guerra da Coréia, foi aluno de Harvard e Columbia, chegando a um doutorado pela Universidade de Chicago, aos pés do mestre do liberalismo econômico, o incomparável Milton Friedman. Exemplo de superação maior, difícil de encontrar.

Pensamento

Como quase todo negro, pobre e periférico dos EUA, começou sua formação como esquerdista. Chegou mesmo a simpatizar com o Marxismo, como ele mesmo confessou, um tanto quanto envergonhado, parece. Mas o intelecto poderoso e a formação logo fizeram a diferença, e começou a perceber, à medida em que estudava, que as intervenções do estado na economia, principalmente os ditos “programas de incentivo” costumavam ter o efeito oposto do que se propunham: mais pobreza, segregação e imobilidade social, em vez dos objetivos desejados. Concluiu então que políticas “de cima para baixo” acabam por planejadores estatais quase sempre dão errado. Parece que para Thomas Sowell, economia não é essencialmente sobre dinheiro, mas sobre escolhas – decisões feitas sob situações de restrição.

Thomas Sowell insiste, até hoje que pessoas respondem a incentivos; que boas intenções não garantem resultados positivos; que sempre existem custos ocultos nos processos “de cima para baixo” e principalmente que, TODA decisão envolve trocas, “trade-offs” como ele as chama – como diria minha querida Profe, Tia Rosangela Pinel, “ou compra o doce ou guarda o dinheiro”.

Aliás, uma de suas frases mais conhecidas é justamente sobre isso:

“Não existem soluções. Existem apenas trade-offs.”

Ele expande esse conceito e fala com muita propriedade dessas escolhas em sua obra mais conhecida, Basic Economics.

Crítica ao intelectualismo político

Thomas sempre desconfia dos intelectuais, assim como quase todos os verdadeiros pensadores. Joãzinho Trinta, mestre das escolas de samba, já triscava o tema quando disse, de forma muito engraçada e apropriada:

“Pobre gosta de Luxo; quem gosta de miséria é intelectual”

É ou não é verdade? “Eu odeio a classe média“, “queremos acabar com a família tradicional” e outras pérolas do pensamento intelectual obtuso atual falam muito sobre esse conceito que Sowell estudou: há uma intelectualidade ligada diretamente à cretinice, sem um mínimo de análise da realidade fática. É uma intelectualidade que deveria ser desprezada, mas que é louvada nas torres de marfim do mundo ocidental.

Em “Intellectuals and Society”, Thomas argumenta que intelectuais frequentemente influenciam políticas públicas sem sofrer consequências diretas pelos erros que cometem. Ele distingue quem toma decisões reais sob risco e quem formula teorias sem responsabilidade prática. Ele fala sobre a diferença que existe entre as consequencias do erro de um engenheiro e o de um planejador estatal: o primeiro, se vê sua ponte cair, está ferrado profissionalmente para o resto da vida; o segundo, sequer fica sabendo que errou, exceto depois de anos, décadas, em que não se consegue nem ligar diretamente a bobagem feita aos efeitos nocivos deixados.

Thomas é um crítico permanente de burocracias centralizadas, planejamento estatal, engenharia social e utopias políticas. Isso me deixa pensativo, entre o que vi na China, e relatei em dois artigos recentes, e o fato de que, no ocidente, de fato, Sowell tem sobejas razões para sentir que se um planejador central propõe algo, miséria, centralização de poder e renda e baixos resultados positivos (se existirem) são a consequência.

Cultura e Sesempenho Social

Thomas Sowell sai do campo da economia quando escreve alguns de seus livros mais contundentes, como “Race and Culture”, “Black Rednecks and White Liberals” e “Discrimination and Disparities”. Ele argumenta que diferenças de desempenho entre grupos humanos nem sempre decorrem diretamente de discriminação. Segundo ele, fatores culturais, históricos, geográficos e institucionais têm peso enorme. Esse ponto tornou Sowell figurinha carimbada nas rodas de “cancelamento” da esquerda dos EUA, especialmente em debates sobre racismo estrutural, ações afirmativas, desigualdade racial e educação pública, temos caríssimos aos “despensadores” da elite educacional daquele país. Vamos por partes.

Educação

Sowell criticou fortemente o sistema educacional americano. Ele defende a meritocracia, a disciplina acadêmica, padrões objetivos de avaliação e performance e a competição entre escolas como forma de aumentar o sarrafo da qualidade acadêmica. Ele ainda criticava e critica a politização do ensino, a queda de exigência escolar, a burocratização universitária e a substituição de conteúdo educacional por ativismo. Parece algo que tenhamos aqui no Brasil? ah, sério?

Questão Racial

Sendo negro, poder-se-ia dizer que Thomas tem “lugar de fala’, né? Mas um aspecto singular é que Sowell é um intelectual negro conservador num ambiente acadêmico predominantemente progressista e isso lhe rendeu destaque público, nem sempre positivo. Para setores conservadores, Sowell representa aindependência intelectual. Para seus críticos, suas posições minimizam problemas estruturais ligados à raça. Ele muitas vezes rejeitou a ideia de falar como “porta-voz racial”. Ele insiste em análises históricas e econômicas mais amplas, e que dão base a suas conclusões que, por acaso ou não, envolvam raça.

Estilo Intelectual

Ler Thomas Sowell é alegre e divertido. Ele escreve de uma forma que é bastante incomum para um acadêmico: linguagem simples, exemplos históricos bem fundamentados, muitos dados comparativos e pouca teoria excessivamente abstrata são sua marca. Isso “dói”, ou deve doer, em seus detratores. Ele não fala como um Paulo Freire da economia, de um jeito hermético e tão rebuscado que tira de jogada o objetivo. O exemplo Paulo-Freireano abaixo diz muito sobre o que Thomas de fato NÃO é:

“É na inconclusão do ser, que se sabe como tal, que se funda a educação como processo permanente.”

O que o infeliz quis dizer com isso? Não consegui saber até agora, e duvido que alguém, mesmo que tenha entendido, possa usar de forma prática para qualquer (QUALQUER) objetivo. Thomas Sowell vai na direção oposta:

“Pessoas que gostam de reuniões não deveriam estar no comando de nada.”

Tipo Corte Seco Tramontina – chega a não ser “acadêmico”, mas certamente presta um serviço ao entendimento da vida, em geral, e da economia, em particular. Fazer é melhor do que falar. Não tem nenhuma “inconclusão do ser” aqui.

Ele também utiliza frequentemente comparações internacionais e históricas para mostrar que fenômenos sociais semelhantes ocorreram entre povos muito diferentes.

Minha Gratidão

Deixo, assim, minha gratidão a esse monstro sagrado que, do alto dos seus 95 anos, ainda dando entrevistas lúcidas e válidas, como as recentes, ao Hoover Institution, continua a me inspirar. Alguém correria atrás de autógrafos de influencers ou personalidades caricatas da mídia, uma Xuxa, um imitador de foca qualquer. Eu confesso que atravessaria um aeroporto inteiro, só para tirar uma foto e pedir autógrafo em um livro (compraria qualquer um dele, numa livraria qualquer, só para esse fim), se soubesse que guardaria desse herói incomum e improvável, uma lembrança tangível do pensador que no ocaso da vida, insiste em ser uma voz da prática, da lucidez e do bom senso, num mundo quase perdido para a imbecilidade.

Toda Inutilidade Caduca

Nas ciências da natureza costuma-se dizer que “tudo aquilo que não tem utilidade acaba por desaparecer“. Dizem que foi assim com os caninos, no homem, com o apêndice, entre outras coisas que achamos que a micro-evolução acaba por tornar obsoleto.

Algo que só existe para cumprir um papel irrelevante tenderia, por esta “lei” a desaparecer também. Parece que foi assim, ao longo da história, com diversos penduricalhos colocados à vida humana, como excesso de roupas e badulaques medievais, com gravata em climas mais quentes e com certas regras de etiqueta cujo uso acabou sendo extirpado da sociedade por não ter serventia alguma.

A Reforma Protestante, dentro do cristianismo, parece ter cumprido um grande passo em eliminar um intermediário entre Deus e a criatura – o sacerdote (fazedor de pontes). Foi um passo civilizatório, logo após de se constituir como uma verdade bíblica – “achegai-vos confiantemente ao trono da graça” (Hebreus 4:16).

As próprias regras medievais de corte e casamento foram simplificadas e em sua maioria, deixadas de lado, por pares de seres humanos que julgaram, corretamente, que sua felicidade não podia ser deixada ao capricho de pais e autoridades que nem sempre tinham o seu melhor em seus corações.

Pois bem, assim como na religião e no amor, se a regra continuar valendo, entendo que algumas coisas muito incômodas tendem a desaparecer também, embora pareça que estamos longe de nos desfazer delas. Eis algumas.

Governo Grande

Já houve um tempo em que fichas de papel, carimbos e arquivos de pastas suspensas eram a tecnologia que catalogava, selecionada e ditava a ordem social. O carimbador maluco, caricaturado no “Plunkt-plakt-zum” parecia ubíquo e todo poderoso.

De lá pra cá, os processos informatizados, a internet e, mais recentemente, a Inteligência Artificial, parecem ter tomado o lugar do burocrata de plantão. Num mundo em que as coisas ocorrem cada vez de forma mais autônoma e rápida, é de se perguntar que tamanho de governo precisamos ter, e por que um país como o Brasil possui tanto funcionário público, pago acima dos níveis de mercado, e que, no fundo, na maioria das vezes, parecem apenas como um quebra-mola, um obstáculo entre o cidadão e sua necessidade.

Escola Ideologizada

Vamos à escola para aprender a pensar e sobre o que pensar. Íamos à escola porque o estudo do idioma, da matemática, da lógica, da física, química, biologia, história e outras disciplinas careciam de tempo e instrução precisa e muito, muito tempo dedicado à leitura e resolução de exercícios.

Ao longo do tempo, a escola, principalmente o ensino superior, acabou se tornando caro, excludente e, francamente, mais ideologia do que conhecimento prático, para a resolução de problemas. Tornamo-nos participantes – os EUA que o digam – de um processo de quase deseducação. Vivemos e respiramos o resultado disso: gerações e gerações de recém formados quase inúteis, sem postura e sem garra são o resultado disso tudo.

Volto à minha recente viagem à China só para fazer um paralelo entre a educação e garra do jovem profissional chinês e nossa horda de deserdados da inteligência (claro, com as marcantes exceções de sempre). Ver chineses lançarem-se ao trabalho e à busca por eficiência com tal desejo de vencer me deixa com a nítida impressão de que não teremos nunca a menor chance de competir nem com os asiáticos (o mesmo é praxe entre coreanos, japoneses e outros orientais) nem com países do primeiro mundo. Aliás, não conseguimos competir nem com os vizinhos argentinos e uruguaios.

Religião Bastardizada

Talvez o que mais dê tristeza a alguém que, como eu, vive e respira o Evangelho e o amor a um Deus todo-poderoso seja a inutilidade, para o ser humano, da religiosidade atual. Não falo aqui das religiões não cristãs, cujo cunho básico é no máximo neutro quanto à formação do indivíduo, espiritualmente. Falo de um cristianismo bastardizado que invadiu o Brasil, e que, ao contrário de tantos outros casos, não transforma o ser humano como só Cristo transforma.

Trata-se de um “evangelho de prosperidade” que trata Deus como um servo do ser humano, cujos desejos devem ser atendidos, e para quem tristeza e provação são prova de desfavor da Divindade. Como se o exemplo do cristianismo verdadeiro, ao longo dos séculos, não tenha sido o “tomar a cruz”, e sofrer pela causa de Cristo.

Esse cristianismo bastardo, fácil, sem dores nem lutas, é outra criação humana cuja utilidade é nula, cujo efeito benéfico na sociedade é pouco ou nenhum, cuja melhora moral – que só o Evangelho costuma trazer – não existe.

Quando se “abençoa a propina”, quando se recebe benesses de corruptos, quando se justifica o recebimento ilícito de uma concessão de rádio ou TV, ou outras ações terríveis por conta de um “fim justificável”, tem-se o caminho para a derrocada. Que isso (Deus nos livre) não nos leve a nós, que realmente cremos em Cristo e sabemos que o caminho dEle passa pelo trabalho árduo, honestidade, disciplina, oração e dores, a irmos junto com esse evangelho bastardo para a lata de lixo histórica.

Pseudo-Ciência

São vários os exemplos de pseudo-ciência que nos cercam e que, francamente, deprimem. Já li e ouvi sobre a “Matemática Inclusiva”, sobre as várias teorias críticas de Gênero, sobre outras aberrações que só acadêmicos ou intelectuais conseguiriam acreditar (parafraseando George Orwell).

Não apenas uma escola ideologizada, mas uma ciência que se curva a situações tão ridículas que é extremamente difícil até articular uma reação. Uma professora teima em não responder a uma pergunta objetiva de um senador, em uma comissão no congresso dos EUA. Este pergunta: “objetivamente, existem homem e mulher, do ponto de vista biológico?” ao que a intelectual promove uma dança de palavras sem qualquer intuito que não o de fugir ao mais fundamental conceito biológico: sim, são dois cromossosmos diferentes, X e Y, que performam um ser humano do sexo masculino, e dois iguais, X e X, que fazem o mesmo com alguém do sexo feminino. Só isso. É algo tão indefensável que seria pueril em qualquer outro século – exceto no nosso – ver alguém tentar defender algo diferente. Mas, ok… já vi alguém dizer que “2 + 2 = 4” ser algo pouco inclusivo, e muito radical. Não ter uma alternativa a isso é “bigotry”. Santo Deus…

Quatro exemplos, Governo Grande, Escola Ideologizada, Religião Bastardizada, Pseudo-Ciência, nos dão um vislumbre daquilo que um pouco de micro-evolução vai acabar por eliminar. Deus sempre dá um empurrão nesses processos; Deus sempre acaba por impulsionar a mudança para melhor. Sua Natureza, a criada por Deus, sempre acaba por empurrar as coisas para seus devidos lugares. Ainda que para isso coisas terríveis como fomes, pestes, guerras e outras tragédias tenham que, tristemente, intervir.

Vamos agora ao que mais dá medo, por estar-se tornando não apenas inútil, mas pernicioso

Política

Não é de hoje que países enfrentam o dilema entre A Política e Seus Políticos. Quase todos entendemos que a política parece ser algo importante. Elegemos representantes para que, em um número menor, e devidamente proporcionais aos anseios da população, lhes outorguemos mandatos para falar em nosso nome de uma forma mais ordenada.

A democracia representativa e a república parlamentar são formas legítimas e na maior parte das vezes correta de fazer com que o povo seja representado adequadamente. Parece que ao longo dos anos, tanto a qualidade moral dos políticos quanto as manobras para mudar o sistema de representação, de equitativo e equilibrado em desproporcional e privilegiado tem tornado a política algo francamente odiada.

Tomemos por exemplo o Brasil. Ninguém hoje pode dizer que temos um sistema de representação parlamentar minimamente justo, ou conducente ao equilíbrio do que pensa o país. Hoje, dois caras, um presidente do senado, e outro da câmara dos deputados, possuem um poder desproporcional, que ninguém os outorgou, e que acaba por destruir o sistema de freios e contrapesos da República.

Outro exemplo claro é o poder detido por presidentes de partidos políticos, no processo de indicação de puxadores de votos. O sistema atual de “encaixe” de candidatos nas vagas, independentemente de sua votação pessoal, torna nosso congresso um lugar que, francamente, não espelha, para nada, o que pensa e aspira a população.

Até quando um punhado de pessoas dominará o interesse nacional? Até quando um punhado de autoridades vão, monocraticamente, desdizer decisões desse (já pessimamente representado) congresso e tomar para si o poder de definir leis não votadas?

Até quando, enfim, partidos sem representatividade real na população, dominar o congresso nacional com seus conchavos e tramóias?

É algo que cairá, certamente, em desuso. Antes de cair, porém, deverá trazer consigo alguma tragédia – normalmente acompanhada de sangue.

Cinco exemplos em que um Darwinismo social poderia ajudar a tornar inútil. Cinco tristes sintomas de que algo está muito artificial, muito ruim, em nosso planeta. Mais uma vez tenho que terminar com meu bordão, que uso de vez em quando: Deus nos livre!

Capitalismo versus Democracia na China

Uma consulta rápida em artigos acadêmicos e até uma pergunta complexa e bem formulada a uma IA me retorna alguns fatores que, em boa medida, posso comprovar pela minha recente visita à China, e que me está dando o que pensar.

O Pacto

Após a morte de Mao Tse Tung, e seu (na minha opinião) desastrosa política social, que levou milhões à morte pela fome, seu sucessor, Deng Xiaoping tratou de mudar o conceito da China moderna, com a inclusão da “burguesia” como fator de geração não somente de riqueza, mas de meios para sanar a miséria sistêmica dos anos de “Comunismo Raiz” de Mao.

Deng modernizou a China e, agora por cerca de 40 anos, o tal pacto continua forte, a despeito de muitas ameaças. Qual é o pacto, segundo a minha IA:

O Estado entrega:

  • crescimento econômico;
  • redução da pobreza;
  • estabilidade;
  • segurança;
  • infraestrutura;
  • ascensão nacional.

Em troca, a população aceita:

  • monopólio político do Partido;
  • restrições à liberdade de expressão;
  • ausência de eleições nacionais competitivas;
  • censura;
  • vigilância.

E de fato, nenhum país tirou tanta gente da pobreza como a China nos últimos anos. Claro que a entrada na Organização Mundial do Comércio (apoiada pelo Brasil, inclusive) foi o passo mais importante para tornar a China o que é hoje: fonte de 70% de toda a manufatura mundial e somente de 30% do consumo, ou seja, cerca de 40% da manufatura chinesa inunda o mundo, traz superávits comerciais enormes ao país e dá a condição de colocar comida na mesa de mais de um bilhão de almas.

O Dilema

Kissinger esperava que com a distensão com os EUA a China acabasse se tornando um país mais democrático. A crença ocidental, ou melhor, de boa parte dos governos ocidentais sempre foi a de que com a riqueza, a democracia representativa acabaria por prevalecer. Não aconteceu na China, por enquanto.

Xi Jinping aposta num fator chave: o fato de que o povo prefere a afluência ao voto, e que, no fundo, o sistema político chinês acaba por ser meritocrático, antes de ser democrático.

Convenhamos: a democracia do ocidente está em crise. Que digamos nós, brasileiros, submetidos a uma cleptocracia do executivo e do judiciário, somada a uma omissão quase total do legislativo. Os EUA se encontram rachados no meio em termos políticos. A Europa patina em bizarrices como dar casa e comida de graça pra imigrantes ilegais e francamente litigiosos contra os valores da EU. Qual foi a última vez que vimos o sistema político de algum país ocidental ser exaltado por suas qualidades, méritos e virtudes?

No Brasil, principalmente, fica claro que vai para a política, com a exceção possível do Partido Novo, gente desqualificada, capaz de tudo. Aliás, lembro bem da frase de Winston Churchil (creio) sobre o Parlamento:

“Metade deles é incapaz; a outra metade é capaz de tudo”…

Mas não nos iludamos. Não faz muito tempo víamos uma outra China. Lembro bem logo depois da morte de Mao quando sua viúva e vários outros “dignitários” (Jiang Qing, a viúva de Mao, mais Zhang Chunqiao, Yao Wenyuan, Wang Hongwen) formaram o que se convencionou chamar de “A Gangue dos Quatro”. Até bem recentemente os casos de corrupção abundavam na China, quanto Xi resolveu combater “tigres e moscas”, sendo “tigres” os grandes líderes e as “moscas” os burocratas menores corruptos. A mensagem era –
ninguém estaria imune ao processo de limpeza. Isso começou em 2012 e ainda continua acontecendo. Recentemente dois oficiais generais do Exército do Povo foram condenados à morte por corrupção.

O processo de mudança foi até ao comportamento diário do chinês (cuspir no chão, entre outras práticas) e atitudes ante o trabalho. Entre minha última ida ao país no início do Século e esta, vi algo extraordinário: uma mudança que eu nunca esperaria. Muitas coisas para melhor, nem todas.

Como ocidental, considero a liberdade um valor fundamental do ser humano, e eu não abriria mão da minha em troca de estabilidade política comida. Mas não vou julgar o próximo, pois não vivi o “grande salto adiante” e outros períodos da vida chinesa, que podem perfeitamente bem justificar a troca de afluência pela obediência.

O Medo do Ocidente

Sim, o ocidente tem medo da China, por várias razões – a belicosidade em relação a Taiwan, a agressividade nos negócios externos, entre outros fatores. A China por suas vezes, reluta em admitir adesões a valores do ocidente, mas não dá para negar isso em todas as esferas – que o diga a adesão a um sistema internacional de contabilidade, o IFRS, bastante claro e rígido, além de uma formação técnica de auditores e contadores com base nisso, que em muito excede, ou parece exceder, os padrões de formação exigidos desses profissionais aqui no Brasil, por exemplo.

Mas cá entre nós, o ocidente tem mesmo que ter medo, quando o estudante médio chinês dá um couro em quase qualquer nação ocidental, em matemática e redação, por exemplo. Mais grave, reconhecem e combatem a tendência ocidental de trocar o que é fundamental (ciência, rigor de pensamento, clareza de ações) por “sensações” e “realização”, antes da comida na mesa. Não gosto nem um pouco de ver nossos “floquinhos de neve” derretendo quando exigidos mesmo que de leve, no cumprimento de suas funções. É extremamente preocupante ver que boa parte da juventude está mais interessada em Tik-Tok, em ser “Influencer” ou qualquer outra coisa, em vez de colocar o traseiro numa cadeira e pensar, estudar, criar e produzir.

O ocidente vê suas universidades invadidas por temas imbecis, por passeatas ridículas, por “ambientes seguros”, por não-me-toques e coisas absurdas, em vez de cultivar o saber. Universidade deixou de ser lugar de buscar-se a verdade e passou a ser um lugar de protestos risíveis, quase sempre para o lado errado.

Enquanto matamos bebês, os chineses acabram com as restrições à natalidade e a estão incentivando. O medo, portanto, é fundamentado, e para resolver o problema não devemos atacar os chineses. Exceto pela tal falta de liberdade, na conduta pessoal talvez devêssemos imitá-los.

A China que vi

Passei as últimas duas semanas em uma extensa e cansativa viagem ao outro lado do mundo. Shenzen, Shangai e Beijing, além de rápida passagem por Hong Kong, me deixaram pensativo sobre este país estranho (para nós), e fascinante.

Não foi minha primeira viagem para lá, mas poderia se dizer que sim. O país que encontrei em 2026 nada tem a ver com as versões de 1999 ou 2008. Não restou nada do smog (fumaça) nas cidades, do barulho do trânsito ou das cusparadas no chão que tanto davam nojo e irritavam. Ainda restam as cotoveladas (para ganhar espaço) e o relativo desrespeito pela fila. Cidades mais silenciosas, povo mais cordato, limpeza geral igual à Suíça, e, mais do que nada, muito, muito consumismo.

Surpresas Positivas

Não só a limpeza e silêncio gerado pelas scooters e carros elétricos, hoje a grande maioria da frota do país, fui surpreendido por um capitalismo que coloca muitos dos países ocidentais no chinelo. Barganhas ferozes entre compradores e vendedores, turismo interno intenso, um shopping mais bonito, maior e mais opulento que o outro, em quantidades novaiorquinas, entre outros indicadores de opulência e status de potência internacional.

Rodovias e ferrovias impecáveis, canteiros de plantas para onde se olha, e muita marca ocidental. Isso por si só nos levaria a pensar em um país quase que ocidentalizado, e que haveria rejeitado princípios do comunismo clássico. Não vou tão longe em dizer isso. No entanto vou citar quase que textualmente o que me disse um morador de lá (não cidadão chinês, mas que lá vive há anos): “A China deu a seu cidadão médio um padrão de vida mais alto do que em qualquer ponto de sua história. Será muito difícil retirar este padrão, ou baixá-lo, sem uma grande comoção social”. Se isso for verdade, se traduzirá em uma tendência a um capitalismo continuado, ainda que centralmente dirigido.

Surpreende mais ainda um Tributo sobre o Consumo de 9% (apenas) comparado com os 28% ou mais que nos será imposto quando da implementação total do novo sistema de IVA dual no Brasil. Ou seja, mesmo a China, teoricamente comunista, tem menos carga tributária sobre o cidadão do que o Brasil, teoricamente republicano.

Surpresas Sociais

Em nossa estada ali, fomos ciceroneados por muitos jovens profissionais, extremamente informados e interessados no ocidente. Mas com um orgulho de seu país que não condiz com uma situação tão repressiva quanto se poderia imaginar. Obviamente que se alguém corre algum risco social, vai se manter dentro de uma linha de conduta mais pró-governo, mas não posso afirmar que isso foi o que aconteceu.

Chamou a minha atenção o profissionalismo e interesse no futuro desses jovens. Aliás, o inglês deles e o conhecimento geral também são atrativos à parte. O contraste com um país como o nosso, em que a juventude está sendo alienada pela seu próprio processo educacional é gritante. O chinês médio parece estar agindo e trabalhando como nossos Baby Boomers. Duro e com um senso de missão que hoje parece que perdemos. Parecem ser pessoas mais pensativas e resilientes, mais dados a sacrifícios por uma carreira e futuro, mais senso de família, menos droga, menos desperdício de tempo.

A Quarta Estrela da Bandeira

Juro que regressei com um conflito entre o que vi e o que se relata aqui no ocidente. Passei a revisar, e continuo revisando, o que realmente se passa no nível de governo de lá. Creio que é claro que são controlados centralmente, e que hoje o comunismo está muito mais no nível do controle social do que econômico – coisa que até o Brasil poderia aprender – se imiscuir menos na atividade econômica e tributar menos, deixando o povo mais livre para empreender.

A bandeira chinesa possui uma estrela grande – o Partido Comunista Chines, ou, de resto, a própria China, e 4 estrelas menores, diz-se que representando o campesinato, os trabalhadores urbanos, a Burguesia urbana e a Burguesia nacional (não ligada ao “imperialismo internacional”). Deng Xiaoping, o arquiteto do atual desenvolvimento chinês, deu ênfase justamente à burguesia, considerando que sem ela, não há comunismo possível. Certo, sempre há que se ter quem espoliar, para poder manter o poder.

Então o comunismo deu certo na China? Duvido que se possa dizer isso. Mais certo seria dizer que o capitalismo permitiu a existência de um regime de planificação central. O que dá certo são regras claras (o que, a despeito de algum nível de desrespeito pelos direitos humanos, conforme nós o entendemos no ocidente, a China possui), o que dá certo é a certeza de que o cometimento de atos lesivos ao interesse coletivo serão punidos, sem direito à politicalha.

O que deu certo na China, desde que Xi Jinping ascendeu ao poder foi uma mistura de rigor contra a corrupção, foco na educação e liberdade para empreender.

Como é que existe propriedade privada num estado comunista? Pelo que ouvi e pude constatar, a China permite que áreas rurais sejam de propriedade privada. A razão para isso é para tentar trazer os trabalhadores de volta ao campo. A propriedade urbana, em tese, é do Estado. O estado não te “vende”, mas te permite usar por um período de 70 anos, renováveis (creio). Além disso, pode-se comprar e vender esses direitos a valores de mercado, renovando o período de posse. Ou seja, para a maioria dos seres humanos, isso é, na prática “possuir”. Somos “donos” de que, mesmo no ocidente? De nada, diria eu, exceto o direito de posse e de vender o ativo. Essa é toda a diferença? Não sei, mas continuo a estudar o assunto.

Não pretendo me tornar um Cinófilo, em nenhum dos dois sentidos – estudioso da China, nem grande amigo. Porém, dissipei alguns temores, e criei outros. O principal deles é que, a continuar a tendência, teremos uma “Idiocracia” cada vez mais no ocidente, com um nível de corrupção política indizível, e cidadãos deseducados, contra uma China bem gerida e com cidadãos pensantes.

Alea Jacta Est, ocidente.

Brazilianization

Acabando de chegar pra trabalhar, dou de cara com esse artigo que chama de “abrasileiramento” o fenômeno de empobrecimento (físico, moral, judicial) em países do primeiro mundo, que acabam por se tornar bem mais parecido conosco.

https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/brazilianization-como-o-brasil-deu-origem-a-um-termo-pejorativo-no-exterior/?utm_source=salesforce&utm_medium=emkt&utm_campaign=newsletter-bom-dia&utm_content=bom-dia

Empobrecimento

O primeiro aspecto do termo diz respeito ao empobrecimento gerado em locais como Canadá, Reino Unido e a Califórnia, para ficar em poucos exemplos, nos quais a população de classe média começa a minguar, dando lugar a uma quantidade grande de muito ricos e uma legião de pobres.

Não dá pra dizer que a existência pura e simples de ricos seja ruim em si, exceto que a inexistência de uma substancial classe média, típica dos países ricos, é, sim, um marcador importante de pobreza sistêmica, cuja tendência, se não revertida, faz um país realmente empobrecer.

Mas isso, na minha opinião, é resultado, não causa.

Favelização

“O abrasileiramento do Canadá já começou. Favelas e censura para todos”

Cosmin Dzsurdzsa

Acho que o autor da frase acima não se limita à menção de favelas mesmo, físicas. Obviamente que sabemos que mais de 10% da população brasileira vive em favelas ou bairros análogos. O Rio de Janeiro é o símbolo maior dessa situação. No meu tempo de jovem, locais como Vila Cruzeiro, eram bairros de classe média-baixa, mas não eram favelas. Tinham ruas razoavelmente retas e abertas, coleta de lixo e “fumacê” (mata-mosquitos). Hoje, locais onde ficava a fábrica de lingeries Poesi, por exemplo, estão dentro do complexo do Alemão.

Não para na favela física, creio, mas vai até a favela educacional:

“O presente dos Estados Unidos do Brasil se parece com o Brasil do passado, e o futuro dos Estados Unidos se parece com o presente do Brasil”, Green afirma, depois de mencionar que a Califórnia tem fronteiras porosas, ruas esburacadas, escolas comandadas por “analfabetos fanáticos”, prisões superlotadas, uma taxa de homicídios em alta e um governo corrupto.

“O presente dos Estados Unidos do Brasil se parece com o Brasil do passado, e o futuro dos Estados Unidos se parece com o presente do Brasil”, Green afirma, depois de mencionar que a Califórnia tem fronteiras porosas, ruas esburacadas, escolas comandadas por “analfabetos fanáticos”, prisões superlotadas, uma taxa de homicídios em alta e um governo corrupto.

Dominic Green, citado na reportagem da GP, acima mencionada.

Atenção à frase “analfabetos fanáticos”. É aí que está o grosso da destruição. Entregamos nosso sistema educacional a analfabetos na prática, mas com muito potencial destrutivo. Isso ocorre há décadas, e hoje colhemos os resultados. O que o artigo reforça é que o Brasil parece ter “exportado” essa tecnologia de destruição social a países do primeiro mundo. O estarrecedor é que esses países desenvolvidos tenham “comprado” as ideias e as colocado em prática.

Judiciário

Um judiciário como o brasileiro, caro, ineficiente e em boa parte, corrompido, não pode gerar efeitos educacionais (positivos) numa sociedade, qualquer que seja. O autor compara a situação vivida por países desenvolvidos com o que temos aqui: leniência com o crime organizado, e com relação às “elites” políticas da nação. Falta quase total de justiça para a população em geral. Um traficante mata um guri de 18 anos que pisou no seu pé (provavelmente sem querer). Não há qualquer pudor em matar, já que as consequências inexistem.

Além de caro, lento. O avô da minha esposa bem que tentou esperar para ver reparada a desapropriação de suas terras, num ilha no Rio Paraná, perto de Guaíra, para formação do lago de Itaipu, que acabou nem inundado nada. A ilha está lá, intacta, o avô da esposa morreu aos 94 anos de idade, sem que o judiciário se pronunciasse, em mais de 30 anos de processo indenizatório aberto. Lentidão na justiça e injustiça pura e simples, são a mesma coisa, creio.

Mais do que isso, a deterioração da qualidade acompanha um aumento violento de custos com o judiciário. Férias de 60 dias ou mais, por ano, auxílio isso, auxílio aquilo, verba disso, verba daquilo, fazem os togados verdadeiros rajás brasileiros. É de longe o judiciário mais caro do mundo.

Quanto à qualidade da legislação criminal, a falta de punição a quem mais precisa dela dá ao cidadão comum o senso de que não tem jeito, e não vale a pena lutar por justiça. Ao marginal, dá a plena segurança de que “tá tudo dominado” e que existe uma nova ordem em cidades como o Rio e São Paulo, uma ordem na qual o poder público não detém mais o monopólio da violência, e que, mesmo quando tem, prefere não exercer, trocando o encarceramento por medidas tão brandas que estimulam o crime.

Educação

Já toquei no aspecto educacional, mas aqui há mais a ser dito: não se trata de entender diferente a educação. Trata-se, pura e simplesmente, na negação dela à população, travestida de preocupação com a mesma. Matemática, Português, Biologia, Física, Química, História e Geografia são substituídas por “matérias” que ensinam a questionar a ciência, a torná-la tão relativa quanto possível, independentemente do fato de que não que qualquer pessoa com 2 neurônios não devesse discutir com uma equação.

Aqui, é importante frisar que a base da prosperidade de qualquer país é a qualidade de seu povo, do ponto de vista de saber fazer coisas, de criar outras coisas melhores, e de usar coisas com habilidade. Perdemos, dia a dia, e continuaremos a perder essas qualidades, na medida em que nossa educação serve mais para desestabilizar a geração de riqueza da nação do que criá-la.

De anão diplomático a exemplo de anti-desenvolvimento, vamos bem, nessa jornada rumo ao quarto mundo.

Green Brakes

My foreign colleagues in our practice (accounting, audit) frequently hit me with questions arisen from what they read in their media on the fact that Brazil does not follow a good Environmental Governance. Allegation as to how much we devastate on the Amazon, how we have such a poor administration of our environment frequently get under my skin, due to the lack of proper information and the ultimate bad faith of a league of media outlets that are either totally mistaken or willfully wishing to spread misinformation, at someone else`s expenses, and for someone else’s profit.

Environmental Code

Being born in a rural area in Rio de Janeiro State and directly linked to a family of original agricultures and dairy producers, I know for a fact that fulfilling the Brazilian Environmental Code (BEC for short) is a challenge. In the South/Southeast areas of Brazil, a minimum of 20% of the total area of a farm must be kept untouched; riversides are to be kept untouched for a minimum of 10 meters up to 100 meters in each side, depending on the width of the river. Knowing Brazil, and knowing the amount of rivers and creeks we have, you may imagine how much of native forest must be kept.

In the “Legal Amazon Area”, that corresponds to 59% of the total area of Brazil`s more than 8 million Km². It means that legally, at least 55.4% will never, ever be touched. In fact, as of today, Brazil keeps 64.7% of its original vegetation, as it was in April 22, 1500. This does not include the reforesting, an increasing and thriving activity, vital for the pulp and paper chain.

Energy

Here, a conundrum: despite of the fact Brazil has over 90% of its energy sourced from renewables.

In fact, renewables represents about 92% of Brazil’s energy generation in 2024. Hydropower remains the dominant source, contributing around 50% of the electricity supply, while wind and solar energy have also seen significant growth ()1

The primary renewable energy sources in Brazil’s matrix include:

  • Hydropower: Approximately 50% of electricity generation.
  • Wind Energy: Around 15% of electricity generation.
  • Solar Energy: About 10% of electricity generation.
  • Biomass: Contributing to the remaining share.

BTW, nuclear is not included in the quote from ChatGPT. It represents 2.2%. ChatGPT is right in not classifying nuclear as “renewable”. That does not mean it isn`t “clean”, in my opinion.

The Environmental Control Bureaus

Brazil has a myriad of environmental bureaus and bureaucracies. Each, with few exceptions, occupied by radical environmentalists with close to zero cares on the development of the country and the wellbeing of our population. We have 5 agencies of direct/indirect environmental control, at federal level, 27 such organisms at state level and, assuming we have over 5.5 thousand counties, at least half of them with environmental secretariats.

All in all, a constellation of environmentalists, each willing to outdo and clickbait the other and show more “concern” on the environment.

Nothing against environmental control, of course. This is important and Brazil is doing its fair share on it. Just that it has shown relevant side effects that must be understood.

Side Effects

Once again, asking my patient reader to keep in mind that I am all for a good environmental stewardship, I just want to point out some absurd effects of it over the Brazilian society as a whole and how, even with all the burden carried by us, it seems that some countries are not satisfied with the results.

For we know that the whole creation groaneth and travaileth in pain together until now. 

Romans 8:22 (KJV)

My Bible tells me, more than once, that the human sin has put a tremendous strain on the environment, as above quoted from the Apostle Paul. Unnecessary to elaborate the fact that all mankind should be extremely environmentally concerned, without being idiots, of course.

That said, one side effect of the radical environmentalism, probably the most critical, is on infrastructure and mobility. From Curitiba, where I live, to the nearest beach, it is about 100Km, or 60 Mi. It takes from 1h 40min to reach there, but it often takes 3, 4 hours. The reason is that environmental agencies stop virtually all efforts to give better access to the beautiful shore. Good stewardship of infrastructure should be conducive to a larger appreciation of the environment; a stronger attachment to the beauties of the Atlantic Forest close to us.

One other example: the highway from São Paulo to the south of Brazil, the Regis Bittencourt highway, had a 30 Km portion in single lane, despite the quality of the rest of the road. The reason, environmental permits to duplicate that portion due to the existence of some families of “Mico Leão da Cara Preta” (Leontopithecus caissara) monkeys. A battle ensued and it took over 20 years to complete the duplication of the highway. Now the travel from Curitiba to São Paulo takes at least 1 hour less than 5 years ago. Nobody thought about the long line of trucks and cars expelling CO2 in the atmosphere for some many years. Something totally evitable.

Rivers and bays denied bridges and highways, due to “environmental impacts” (despite the reports telling the opposite, sometimes). Everybody in Brazil have experienced trips partially interrupted by long lines of cars/trucks waiting to be ferried over a bay or a river in ferryboats.

Whole communities in the northern Brazil have electricity for no more than 8 hours per day, diesel-based. The reason? A transmission line that links the north to the rest of the energy grid is deemed “harmful” to the environment. Let the diesel be used, let peoples’ quality of life be miserable, provided some unknown bureaucrat have its way (or the way some ONG directs them to apply).

Agendas

As usual in Brazil, a hidden agenda permeates the environmental decisions. Rationality, not a national sport among politicians by any means, becomes enraged platitudeness speeches of raging and red faced politicians, with prominent blue veins in the neck, from the tribune of the chambers of the legislative, uncapable of seeing the bad light that they unnecessarily bring to Brazil in the world.

This beautiful country will some day wake up and start doing the rational and right thing: to adequately plan and develop an infrastructure that will enable progress, boost eco-tourism and facilitate mobility, all at once, making our lives not only better, but more enjoyable.

I wish all my friends and relatives, those who follow me in the social media and here, a blessed Christmas and a very happy New Year, 2025!

  1. Source Brazilian Government, through ChatGPT ↩︎

Inflação e Déficit Público

Agorinha mesmo publiquei isso aí, no meu timeline do LinkedIn:

Uma das belezas do capitalismo está justamente na miríade de opinião que “puxam-pra-lá-e-pra-cá”, até que um consenso, digamos, estatístico, se impõe como médias das forças do mercado, e sua “mão invisível”. Esses dias, por exemplo, Luis Nassif, com a argumentação desenvolvimentista típica, diz que Bacen deveria diminuir os juros, não aumentá-lo, o que geraria crescimento, tributos, e, portanto, mais infraestrutura, etc. De outro lado, o sócio da Kapitalo, Bruno Cordeiro (https://lnkd.in/dRf967H4) diz que o Bacen deveria ir na direção oposta.

O fato é que há um único fator desconsiderado por quem é naturalmente desenvolvimentista: que a inflação está intimamente ligada ao déficit público, e que, no longo prazo, “aleija” a nação. É muito difícil que essas duas “bolhas” conversem, mas o fato é que o governo não consegue obter apoio do mercado para sua política do “gaste agora, pague se e quando puder”… É Sarney, é Dilma II de volta. Oremos!

Argentina

É fácil compreender este fato. É só ir aqui do lado, na Argentina, e ver como a corrosão social gerada pela inflação fez, ao longo dos anos, enormes estragos no país. Uma sucessão de governos grandes e perdulários, aliado a políticas fiscais de República de Bananas (o que aliás, a Argentina tradicionalmente não foi) fez com que a inflação se tornasse venezuelana, o crescimento português e a qualidade de vida do povo, sudanesa. Independentemente do alto grau de desenvolvimento humano e educação desse lindo país, o fato é que políticas estatais de tratamento do povo como um bando de crianças, que não podem fazer suas próprias escolhas, mas ser alimentados pela mão amiga do estado, deu no que deu.

Milei, exageradamente libertário na economia, deu um choque que Macri se recusou a fazer, anos atrás. Está causando recessão e perda de renda da população, mas está reduzindo a inflação e o peso do governo sobre a economia enormemente. Já se fala em abolir “jaboticabas portenhas” como controle de câmbio e tributação sobre exportações (!). No final das contas, vai ser a redenção da população, que, neste momento, não consegue ver os benefícios de longo prazo de se trocar um prato de comida pela capacidade futura de plantar, colher e comer por conta própria.

Brasil

Aqui, ao contrário, é “Dilma e Sarney” redivivos. É o governão com o balde de lavagem na mão e o povo atrás, e ainda agradecendo. Chico Buarque, no seu antológico livro Fazenda Modelo, mirou no que viu e acertou no que não viu. Com 40 e tantos anos de atraso, nos vemos, finalmente, na real Fazenda do Chico.

Ainda nem começamos a ver os resultados da intervenção indevida – muitas vezes, maldosa – na economia. Campos Neto ainda está lá. Haddad ainda tenta fechar as contas no zero, mesmo que aumentando impostos. Recessão à vista. O setor pecuário entre aos “campeões nacionais” de Lula, que ditam preço no mercado. Setor agrícola à míngua, com uma China fraca e uma dependência dela cada vez mais acentuada.

Sentimos mais a inflação (teoricamente baixa) do Brasil do que los hermanos sentem a Argentina, como um economista argentino recentemente disse.

Vamos de vento em popa – sabemos para onde.

O Continuar do Mal

A Primeira República Francesa foi proclamada no dia 21 de setembro de 1792, através da Convenção Nacional, como processo da Revolução Francesa. Ela se organiza entre grandes grupos burgueses, tendo como uma das figuras de destaque, Robespierre. Ela marcou o fim da monarquia constitucional e o início do republicanismo como modelo político, que no próximo século passaria a vigorar em grande parte das nações. Durante sua existência, a Primeira República sofreu com intensas disputas pelo poder, que afetou em muito a vida dos franceses. 

Além da queda da hegemonia monárquica e da Convenção Nacional, o período pode ser compreendido também através do Terror, da criação do Diretório e do Consulado. Em 1799, Napoleão Bonaparte lidera o golpe conhecido como 18 de Brumário, que posteriormente acaba transformando a República no Primeiro Império Francês, no ano de 1804.”

Copiado de Verbete da Wikipédia

O Continuar do Mal *

Imagino, apenas imagino, ao citar como sendo o começo do mal, devido ao fato de ter a revolução ocorrido para sanar uma situação muito própria do período feudal, apesar de terem sido os impérios uma forma necessária temporal para unir desunidos espalhados pelos países europeus até então e, em especial, na França.

Quando ouvimos nos bancos escolares ainda crianças sobre a histórica Revolução Francesa, passamos rapidamente a admirar tais feitos e realizações, sendo que no Colégio Pedro II onde cursei o Ginasial, aprender a letra e a melodia do hino revolucionário francês nos levava ao êxtase.

Contudo, confesso que mesmo àquela época eu ficava intrigado com o fenômeno Robespierre, as guilhotinas que ceifavam cabeças de contrários à rodo e não só, como hoje se sabe, de reis, rainhas e suas gerações, e até mesmo, crianças.

As leis do Comitê e as políticas levaram a revolução para níveis sem precedentes, que introduziu o calendário revolucionário civil em 1793, fechou igrejas em torno de Paris como parte de um movimento de descristianização, julgou e executou Maria Antonieta, e instituiu a Lei dos suspeitos, entre outras. Sob a liderança de Robespierre, os membros das várias facções e grupos revolucionários foram executados, incluindo os Hébertistas e os Dantonistas, muitos dos quais eram amigos de Robespierre.”

Copiado de Verbete da Wikipédia

O que se viu a partir de Napoleão foi um Estado/Nação extremamente aguerrida, um exército diferenciado e valoroso que, rapidamente, passou a agredir seus vizinhos e dominá-los pela força bruta dos terríveis canhões franceses. Napoleão surgiu para o mundo como o General/Imperador capaz de estender o braço francês até bem próximo a Moscou, só não completando tal feito em razão do desprezo ao rigor do inverno russo e da resiliência dos seus opositores.

Pode-se enganar a alguns por muito tempo, contudo, nem a todos para sempre.

A História contada e requentada sempre foi e será perigosa para os pouco atentos. Existe aqueles que estão a solto e intocados, a margem da crítica paga, por interesses nem sempre verdadeiramente democráticos.

Enfim, “há perigo na esquina” como já foi dito por um bom compositor.

Kristallnachts da Vida

Meus 2 gramas de contribuição **

Diante de um mundo embasbacado pelo conhecimento “enciclopédico” preconizado por Voltaire, e cujo conceito tomamos partido nas citações acima, diante de um mundo que poucos anos depois estava sob o impacto do ultra terror, os expurgos e milhares de mortes, que anos depois viria a dar base “moral” (Sic!) para expurgos de Stalin, Mao, Pol Pot entre tantos outros, nos perguntamos quando é que começaremos a achar absurda a morte pela morte, as prisões sem julgamento, as suspensões “temporárias” do estado de direito, nas palavras de ministros do STF, ou seja, uma Noite dos Cristais à brasileira, tida em 8 de Janeiro de 2023. Essa Kristallnacht que até hoje justifica tanta barbaridade contra velhos, mulheres e jovens de vida pacata, cujo único defeito foi acreditar que viriam em socorro do país, num momento de agudização de uma ditadura tentada e não conseguida, há uns poucos anos, pela “falta de aparelhamento adequado das cortes”, como disse candidamente determinada eminência parda da esquerda.

Ou seja, existe justificativa para determinadas atrocidades (“uma boa bala, uma boa cova”, como disse um notório professor universitário, ao se referir ao “burguês”)? Não, não existe. Defender-se é uma coisa que legitima a violência. Defender-se não é assassinato. O mandamento, em Êxodo 20, em seu hebraico original não é “Não matarás”, mas, mais especificamente, “Não assassinarás”. Assassinar é a tal “boa bala”, “boa cova”.

Tanto aqui como em qualquer lugar do mundo, o devido processo legal e a igualdade perante a Lei são pressupostos de civilização. Ano passado, e ao longo deste ano, temos assistido a morte do processo civilizatório no Brasil. Que isso não prospere! Deus nos livre!

P.S. – entre a confecção deste texto e o dia de sua publicação vimos o atentado à bala contra Donald Trump num comício nos EUA. Embasbacado, fiquei (**) a meditar sobre qual seria a reação da mídia sobre o assunto. Um próximo artigo dará minha contribuição ao debate.

Parceria Arriscada:

*   Roberto Montechiari ** Wesley Montechiari

Às favas o Mercado

Reportagem de hoje do Infomoney:(https://www.infomoney.com.br/colunistas/lucas-collazo/lula-voce-nao-liga-para-os-banqueiros-vamos-ver-ate-onde-voce-aguenta-diz-sr-mercado/) dá conta de que a paciência do Mercado com Lula está se deteriorando rapidamente. Lula afirma (creio no que ele falou) que “não tenho que prestar contas a nenhum ricaço deste país”. Mas, segundo a reportagem, em seguida se reune com a equipe econômica e sai de lá dizendo que “equilíbrio das contas públicas é fundamental” ou coisa que o valha.

No mau e velho estilo Lula, ele erra trementamente o foco ao dizer que não presta conta a “ricaço”. Isso é música pros ouvidos de sua claque, mas não é a verdade. O fato é que por “ricaço”, leia-se, em sua maioria, uma miríade de pequenos e médios investidores, que escolheram o mercado de capital e financeiro para tentar manter suas economias de vidas inteiras à salvo de inflação e com poder de compra para uma velhice razoável (já que viver de INSS não é exatamente uma alternativa boa hoje, e no futuro, nem sabemos se será uma alternativa).

Às Favas?

O fato é que há, em minha opinião, uma grande chance de que o executivo atual, com suas manchas mal lavadas, não tenha a força de resistir às correntes que querem mandar, sim, o “mercado” às favas, e gerir o país fora da normalidade econômica – pouca ou muita – que temos hoje.

Há o caminho de Nicarágua e Venezuela, países com baixa ou nenhuma diversificação econômica e mercados financeiros que mesmo antes dos eventos ditatoriais já não eram relevantes. Esse caminho valeu-se, em ambos os casos, do rompimento da normalidade institucional. Mandou às favas, de forma direta, o mercado, assumindo o papel que aos mais radicais da esquerda, competiria ao estado (nem a poderosa China pensa assim, mas eles sim).

Há o caminho da Argentina, que, com economia mais diversificada e padrão de vida médio mais alto (renda per capital superior à nossa), uma dificuldade maior de impor uma ditadura “bolivariana”. A Argentina deu mostras, por duas vezes, na transição de Kirchner para Macri, e agora, de Fernandes para Milei, de que a despeito das diferenças de approach econômico, não houve total ruptura institucional, principalmente no judiciário, relativamente independente, e uma imprensa menos dócil.

O Brasil tem aspectos que beiram à dupla nada dinâmica – Venezuela / Nicarágua, principalmente quanto ao aparelhamento do judiciário e controle da mídia; possui, porém características argentinas, de uma economia ainda mais diversa, e com intercâmbios mundiais mais importantes (principalmente no Agribusiness, que Lula teima em demonizar, com apoio e aplausos de França, e até partes dos EUA e Canadá).

Quanto à qualidade do executivo, a despeito de seus muitos, e não reconhecidos, defeitos, montou uma equipe de ministros “meno male”. Até o momento isenta de grandes ortodoxias, e com o Banco Central, por enquanto, nas mãos competentes de Campos Neto, não deu tempo, nem teve condições políticas, de zoar a coisa toda. Está tentando, na minha opinião, mas a linha entre dar ouvidos ao “mercado” e aos radicais domésticos é tênue e, uma vez rompida, de difícil retorno à sanidade.

Os Limites: Temporal e Econômico

Até o momento, Lula ainda consegue reconhecer o limite, e, de certa forma, manter-se aquém da tragédia. A possível ascenção de Garópolo ao Bacen pode sinalizar outro “meno male” importante, mas até aqui ainda temos uma incógnita. Em evento recente no BTG, um palestrante diz que conhece Garópolo e que ele é um adepto do equilíbrio financeiro e realismo de juros e câmbio. Se terá valor ou espaço para manter sanidade no Bacen é outra conversa, mas é melhor do que Mercadante ou Mantega. Ideal seria manter o Campos Neto lá, mas isso, Lula interesse suficiente em fazer. Não conseguirá reconhecer a necessidade.

As palavras de Lula fazem cada vez menos sentido, tomadas no geral. Estão, na minha opinião, sendo cada vez mais ditas a públicos cativos, e nem podemos cravar que sabemos o que realmente informam ou não. Não esperaríamos Lula dizer que sim, respeita e valoriza a palavra de “ricaços”, ainda que saiba que eles dão parte dos empregos e do capital de investimento do país. Não seria tolo suficiente de excluir uma fatia importante do seu eleitorado, ao se declarar franco favorável ao Agro. Não seria corajoso o suficiente para deixar de fora da Petrobrás figuras que detém o “caminho das pedras” daquela mina de ouro.

A encruzilhada se aproxima, sob o apelido de Janeiro de 2025. Vejamos se manteremos um mínimo de racionalidade econômica.

Da República Romana a El Salvador

Um livro comprido, meio chato, mas de fundo histórico inegável (“Patrician of Rome”) li sobre o cerco de Roma pelos bárbaros Volsci, ainda no nascedouro da República Romana, por volta de 384 aC. e a sua defesa heróica pelo patrício (nobre) Senador Marcus Manlius “Capitolinus”. O nome “Capitolinus” foi, inclusive, uma honraria garantida pelo Senado romano ao defensor justamente do Monte Capitolino, onde ficavam os órgãos do governo da Roma republicana, a Curia (Senado), os templos, as cortes de justiça etc.

Menos de 4 anos depois, esse mesmo Senador Manlius Capitolinus era lançado de cima da Rocha Tarpeia, local de execução reservado aos criminosos mais terríveis, e traidores da pátria. A razão era simples: considerado o primeiro “populista” por Suetônio, o historiador romano da antiguidade, Capitolinus havia se aliado à “plebe” na restituição de seus direitos básicos, retirados durante os duros anos pós destruição de Roma pelos Volsci. A plebe havia se endividado junto aos usurários da cidade e seus senadores mais ricos, e haviam sido ajudados por Capitolinus a sair das dívidas, com a venda, inclusive de seu patrimônio pessoal.

Os moradores dos “Mons” (montes ou colinas romanas) eram os patrícios. A plebe morava na planície entre os montes. Quem visita Roma conhece bem essa geografia linda. Os patrícios (não todos, uma minoria, na verdade) eram muito ciosos de seus “direitos” sobre a plebe, e a extorquia, pela via da usura, dos altos preços do trigo e outros alimentos. Um par de Consules (sempre eram dois, eleitos a cada ano) passavam legislações que lhes beneficiava muito. Se uniram a gangues de regiões mais obscuras da cidade, como a Subura (que voltou às telas recentemente numa série de TV), e deixavam que essas aterrorizassem a população, exceto os ativos e negócios dos senadores. A cobrança de tributos passou a ser de tal forma desigual, que, somada à insegurança e à falta de incentivo para trabalhar e empreender, gerou uma revolta da plebe.

Olhando de fora, parece algo bem similar ao que ocorre hoje em vários países do mundo. Elites “senatoriais” se unem a bandos armados de foras-da-lei, deixando-os aterrorizar uma população desarmada (sim, era proibido portar armas na Roma antiga). O resultado foi um “El Salvador” da antiguidade – acabaram por eleger um “Ditador” (por ironia, via Senado). O velho general e senador Marcus Camilus, chamado “o segundo fundador de Roma”, pela derrota pós invasão dos Volsci pelas legiões sob seu comando. O general acabou por resolver dois problemas – acabou com a revolta da plebe, que de fato nunca aconteceu exceto verbalmente (como certos eventos recentes no Brasil) e acalmou os ânimos do Senado, colocando lá nomes melhores. A história, bastante difícil de precisar, devido à falta de dados históricos de qualidade, dá aos dois nomes posições de destaque. Os senadores opressores, de nomes Lucius Valerius Potitus Poplicola e Marcus Furius Camillus, passaram à história como o lado negro da força.

Em tempos de crise, tanto na Roma antiga como na Grécia Clássica, tempos difíceis ensejavam a escolha de um “Ditador” para conduzir o país sem ter que prestar contas a milhares de burocratas. Era um imperativo do momento de crise. Como bem definido por Maslow, e hoje, claramente, descrito pelo articulista Luciano Trigo no seu texto O exemplo de El Salvador (https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/luciano-trigo/o-exemplo-de-el-salvador/), o povo salvadorenho fez uma opção daquelas que não há justificativa moral para recriminar: entre viver e morrer, é preferível viver, afastando momentaneamente todas as considerações de caráter menos imediatas, como comer, obter auto-realização, entre outras. El Salvador acaba de retomar essa mesma atitude, reelegendo o estranho Bukele com 85% dos votos, para raiva e desespero de uma mídia que, não se entende bem por que, exalta mais a criminalidade do que seu combate.

As semelhanças dos dois locais, separados por 2,5 mil anos de história e uns 10 mil Km de distância são marcantes. Bukele é, para todos os efeitos, um ditador, escolhido por uma população amedrontada, para por fim a um reinado de terror imposto pelo narcotráfico desde 1987. Pode-se não gostar, mas é bastante revelador do momento que vários países da América Latina vivem. Pergunte a qualquer carioca de classe média ou média baixa, ou mesmo muitos de classe média alta ou alta, se não concordariam com mais segurança, mesmo que isso significasse mais presídios e mais condenações, menos saidinhas de fim de ano e outras benesses, e verão que a lógica é a mesma.

Bukele encarna um ditador que traz soluções aos males imediatos. E com a queda do número de homicídios de 100 para 7, por cada cem mil habitantes, é reveladora do nível de eficiência alcançado. Bukele chama alguns governantes da região de “amigos de bandidos”, e tem razão. Temos amigos de bandidos em muitos locais. Os senadores romanos eram amigos de bandidos, já em 384 a.C. Poderosos sempre tenderão a se aliar a bandidos, se isso os beneficiar. Para alguns tipos de pessoas, aparentemente não há nunca dinheiro suficiente, ou poder suficiente. Mais é sempre mais, e sempre justificará quase qualquer atitude, por mais errada que seja.

Tivemos nosso momento “ditatorial” segundo alguns, na pessoa do ex-presidente Bolsonaro. Não me parece que foi minimente hábil como para se reeleger. Cometeu quase todos os erros da cartilha política, e cedeu, em momentos cruciais, ao establishment, como aliás, fez Macri, ex-presidente da Argentina, o qual, igualmente, pagou com a derrota na tentativa de se reeleger.

De ditador, pouco tinha. Mas assim ficou marcado pela narrativa que ora atribui a ele até mesmo o desastre de Chernobil, ou a Covid-19. Esperamos o nosso “ditador”? Eu preferiria que o bom senso e o equilíbrio entre poderes seja retomado no país, e que independentemente de ideologias, a paz e a segurança sejam restabelecidas, assim como uma justiça minimamente sã. Difícil acreditar nisso a curto prazo.

Vivamos com a esperança de que um ditador não seja necessário, e que momentos que levam a uma ditadura não sejam vividos. São coisas tristes demais para serem sequer cogitadas, mas às vezes inescapáveis.