Uma modinha?
Você sabe o que é NOLT? É um neologismo que surge agora nos EUA e países desenvolvido. Trata-se de um acrônimo para “New Older Living Trend” ou algo como “Tendência de Vida de Novos mais Velhos”. Se você, como eu, tem mais de 60 ou 70, está vivendo um momento complicado da vida: não está aposentado, na maioria das vezes, ou a aposentadoria é muito inferior às suas necessidades de manutenção do padrão de vida; tem um negócio ou empresa que depende – ainda – de você; sente-se em forma, mental e fisicamente, como um jovem de 35 ou 40 anos da década de 1980. Acorda disposto, ainda faz sexo, ainda corre, caminha, faz musculação, e, de cabelo pintadinho, nem parece ter os anos que tem.
Pois bem, me sinto NOLT, se você quiser saber. Não porque fiz algo para isso, mas porque provavelmente a nutrição, medicina e estilo de vida me fizeram viver até uma idade em que meus antepassados chamariam de “velhice” de uma forma bem menos comprometida, física, mental e espiritualmente.
Encruzilhada
É uma encruzilhada. Pode-se jogar nas cordas, como eu tenho a tendência a fazer, e perguntar a Deus se ainda há algo que eu deva fazer ou começar. Tem dias que quero mais é dormir até mais tarde, entrar na “caixinha do nada” como diz Aline, a esposa, ou maratonar umas séries ou livros. Pode-se, porém, fazer novos planos, traçar alguns projetos bacanas, evitar o ócio total (algum ócio é sempre muito bem vindo) e continuar a ter alegria no casamento, nos relacionamentos e junto de Deus (principalmente).
Alguém definiu ser NOLT como “não se aposentar de si mesmo”. Acho que é uma boa definição. Eu estou entre dois caminhos, muitas vezes. Aos 61 anos recém completados, paro em vaga de idoso (benefício é pra ser usado) mas cá entre nós me dá dor de consciência – ainda. Gosto de malhar (cada vez menos) e me manter mentalmente ativo, via trabalho, leitura, Sudoku e outros artifícios. Mas ao mesmo tempo vejo o meu neto, o Vicente (o famoso Vivico) e me dá vontade de não trabalhar, quando ele está em casa, e estar por ali, mesmo que não com ele no colo o tempo todo, só curtindo…
Eu não quero me aposentar de mim mesmo. Não quero enrijecer, envelhecer antecipadamente ou perder mobilidade e capacidade de ação. Não quero entregar os “bets”, como dizem os curitibanos, e deixar que meus sócios, da nova geração, assumam a dianteira sem minha participação.
Rearranjo para o Envelhecimento
O mundo envelhece a olhos vistos. Mesmo no Brasil, que tinha uma taxa de natalidade acima de 6 filhos por mulher, vê essa realidade cair para menos de 1,7. Outro dia estava fazendo contas na minha própria família – entre meus pais e tios, eram 16 (vingaram 14, como se dizia). A geração seguinte, entre nós todos, primos de 1o. grau, eramos 29 primos, o que dá uma taxa de natalidade de 2,8. Esses 29 tiveram 26 filhos, o que reduz a taxa de natalidade para 0,9, ou seja, abaixo da simples reposição.
Essa tendência não é exclusiva dos imigrantes italianos e suíços/portugueses mas da sociedade como um todo, aqui no Brasil e em quase todos os países do mundo. No Brasil, hoje em dia, profissões como geriatra e cuidador de idosos estão – e estarão – em alta. E são estão extremamente escassos e caros. Envelhecer está custando cada vez mais caro, e difícil.
Mas Deus e Sua natureza, em sua sabedoria, deixou que o homem aumente sua vida útil. Daí os NOLTs. Daí eu e você, amigo da terceira idade, que ainda se sente capaz de bons e grandes feitos, tem um compromisso social: a)de não morrer; b)de continuar ativo e produtivo; c)de tentar passar à nova geração um mínimo de capacidade de execução de coisas que, parece, estão se perdendo.
Há um limite
Obviamente que você não vai ser NOLT para sempre. Daqui há uns 10, 15 anos, os cidadãos de 60, como eu, vão se dar conta de que as juntas já não respondem, que a memória está definitivamente definhando e que no final, a proverbial muralha em que todos vamos bater de cara, a morte, está se aproximando. Nesse momento, é fundamental não parar de sonhar. Eu, por exemplo, decidi sonhar com o Céu, desde agora. Decidi que a Bíblia ainda é a melhor regra de vida, e que o Provérbio ainda continua válido:
“Ensina-nos a contar os nossos dias de maneira tal que alcancemos corações sábios”
(Salmo 90:12)
Que estejamos dispostos a continuar a sermos úteis ao outro e a nós mesmos; que desejemos ardentemente sonhar, e continuar sonhando, ainda que seja com o Céu (aliás, “ainda” não… sempre com o Céu). Que desejemos abençoar mais do que sermos abençoados.
Quero ser NOLT…
