
Li o relatório da organização sem fins lucrativos International Christian Concern (“Persecution.org”), denominado Global Persecution Index, publicado agora, para o resultado de 2024.
Os suspeitos de hábito
No topo da lista países como Coréia do Norte, China, Paquistão, Afeganistão, Somália, Nigéria, entre outras “potências” da perseguição. Em comum, o óbvio: o caráter ditatorial de seus governos.
No topo da lista de países mais perigosos para um cristão viver está a Nigéria, país que até pouco tempo era considerado majoritariamente cristão. Organizações desestabilizadoras, terroristas, como Boko Haram, conseguiram, nos últimos tempos, varrer quase todo o cristianismo do norte para o sul, com massacres, conversões forçadas, etc.
Os Novos Suspeitos
Entre os mais novos suspeitos, um país que está na região que, tecnicamente, menos persegue o cristianismo (de forma organizada, estatal): a Nicarágua. Em comum com os suspeitos de hábito, a necessidade de um tiranete de republiqueta de banana manter-se no poder. Esse país eu conheço. Já estive lá diversas vezes, a trabalho, nos anos do Sandinismo, quando o mesmo cretino estava encastelado no poder. Eram anos de intensa colaboração com Cuba (sempre ela) e um domínio quase total da sociedade, mas com certa leniência da Igreja Cristã, marcadamente a católica. Hoje, diferentemente disso, é justamente o catolicismo que tem pago o preço mais alto lá, com expulsão e prisão de padres e bispos.
O Cristianismo como alvo preferencial
Entendo que o cristianismo tem sido o alvo preferencial meramente por ter sido a religião de maior crescimento no mundo, por milênios, e por ser uma religião prosélita (que prega e quer fazer convertidos), diferentemente de várias outras e à semelhança dos muçulmanos, cuja “conversão”, com raras exceção, é obtida, digamos, de formas heterodoxas.
Sendo a religião dos maiores poderes do mundo, mormente ocidental, associa-se à ela as atitudes de governos ocidentais, o que quase nunca tem sido a regra. Claro que o catolicismo, com seu governo centralizado, no passado passou por situações em que sim, foi perseguidor (Inquisição Espanhola sendo o marco mais visível, corretamente) ou declarado perseguidor (Cruzadas sendo também marco visível, incorretamente, por se tratar de uma guerra de defesa, não de ataque, como comumente se diz nos livros de história).
Verdade é que governos, em algumas regiões, e em nome de “valores cristãos” perseguiram, por exemplo, judeus. Os pogroms são prova disso, assim como as conversões forçadas (cristãos-novos, dos quais parcialmente descendo). O holocausto não. Esse é fruto das ações de um maluco. De lá pra cá, o cristianismo tem insistido em emendar suas ações e, vezes sem conta, pedir perdão por atitudes que contrariam, antes de qualquer coisa, os dizeres do próprio Cristo (“amai vossos inimigos, orai pelos que vos perseguem”).
Governos raramente se dobram a preceitos religiosos. O cristianismo, sabedor disso, e sendo, originalmente, a religião dos perseguidos e dos párias, até Constantino, no século IV, pregou e ainda prega a segregação Estado X Igreja, o que não significa, como sobejamente dito por vários articulistas e pensadores, que o Estado deva ser “ateu”.
De fato, até recentemente, apenas católicos poderiam ser presidentes de alguns países, a Argentina entre eles. O fato é que essa tendência, entre os cristãos e ocidentais, praticamente acabou.
O cristianismo é, na minha opinião, alvo preferencial justamente por ter sido o alicerce intelectual do ocidente laico, progressista, conservador e democrático. Os EUA nascem sob a égide de Deus, na moeda e tudo, e assim continua, aos trancos e barrancos, tentando manter-se à margem das tentativas de cooptação do Estado para fins antirreligiosos. A eleição de Trump é uma prova cabal de que o americano médio, não-woke, prefere um cara meio doido na presidência do que um bando de pessoas desconectadas da crença e valores da maioria.
Por que é Alvo?
É difícil responder à pergunta acima sem adentrar nos princípios mesmos das crenças judaico cristãs. Somos alvo desde os imperadores romanos por diversas razões. Não dá para dissociar essas razões das ações de um inimigo (o diabo) que para a maior parte das pessoas não passa de um mito (assim como Deus, para quem não crê).
Somos alvo, e seremos cada vez mais, porque as Escrituras Cristãs assim nos contam. Não deveríamos estar espantados por isso, nem mesmo pelo crescimento da perseguição mundial a nós.
Quanto mais vocais formos, mais, e mais rápido, seremos perseguidos, seja moralmente, seja física e politicamente mesmo. Somos “de todos os mais rejeitados” como o Apóstolo nos ensina. O Apocalipse já nos contava, lá atrás, que seríamos objeto de tribulação, mas que seríamos vencedores dela.
Conto, portanto, com o crescimento, não a diminuição das perseguições a cristãos, e tenho apenas que agradecer a Deus pela perseverança e amor de cristãos Norte-Coreanos, Iranianos e outros, que, em meio a toda essa tempestade, conseguem deixar patente sua fé. Sem constranger; sem forçar; sem exigir; sem matar; sem silenciar.
PS: Após escrever este texto, vivemos um desses momentos de perseguição muito na carne, aqui do Brasil. Veja em anexo esta situação dramática vivida pela Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira, na Nigéria:

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