Salmos da Modernidade – Salmo 1

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Bem-aventurado o cidadão que não entende que precisa seguir o vai-da-valsa das opiniões alheias, nem tenta ganhar discussão política em boteco, nem para pra apertar um na companhia de gente que acha todo mundo além dele está errado, manos ele..

Em vez de fazer asneira, ele pega Deus pelo pé, na Sua Palavra, e espreme os textos até que soltem sua substância mais sublime. E ainda faz isso sem parar…

O cara é como uma mão amiga que está sempre ali, pertinho, com opiniões boas; um cidadão de bem, que rala, paga imposto, e ainda sobra pra ajudar quem precisa. Trabalha focado, e sempre o que ele faz dá certo.

Sangue ruim não é assim. Sangue ruim é como uma mala sem alça, que não sabe de onde veio nem pra onde vai.

É por isso que sangue ruim vai se perder o juízo quando se perder no juízo – final; e quem faz o que não presta nunca vai bem aceito no meio dos sangue bão. 

Porque Quem Manda, quem viveu desde sempre, conhece os sangue bão; mas o futuro dos sangue ruim é o Ó.

Meu Necrológio

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Parece um tormento sem fim, ver a família partir, os amigos irem sem se despedir, a vida ir passando diante dos nossos olhos. Eu sou a última vítima da morte. O necrológico é meu, e não da minha prima-irmã, Kátia, que morreu hoje, aos 57 anos, às 12:12, no Rio. Não. a apologia post-mortem é feita de mim pra mim. Sou EU quem morri. Sou EU quem me sinto morto, pelo menos.

Como justificar a morte por câncer, essa maldição sem cura ainda, que alcança “justos e injustos” – mais justos que injustos, pois talvez o mundo ainda os tenha em maior abastança. Como justificar nós, que ficamos, chupando dedo por mais um papo, por mais uma rodada de vinho e discussões acaloradas sobre qualquer tema, resolvendo os problemas mundiais com uma facilidade que faria inveja ao próprio Jesus Cristo (se Ele a tivesse).

Como justificar a pesada dor da mãe de 86 anos que fica, de alma sensível, saúde frágil, mas forte como uma montanha de granito. Como justificar para ela que sua terceira e última cria se vai antes dela, deixando-a sem herdeiros, sem tranquilidade e o conforto que a filha lhe proporcionava, sem o ombro, e porque não dizer, a brigaiada que acompanha sempre os mais chegados e mais amados.

Fomos sempre unidos, nós, primos e irmãos. Não havia, nem há lá muita distinção entre primo e irmão na nossa doida família. Sempre fomos criados tão juntos que não poucas vezes ganhávamos um safanão de um tio ou tia por coisas erradas, como se filhos fôssemos – e ai de nós levar a bronca pros pais, pedindo apoio – apanhávamos 2 vezes.

Essa união se expressa naquela qualidade única de ligar num dia de noite e dizer “amanhã vou dormir aí na tua casa”, sem dar explicações, nem dar a mínima se ela estava com visitas ou não. Ora, era a NOSSA casa (a dela e a minha). Ninguém pedia nem pede muita licença. Essa união se expressava quando ela me dava com uma régua T na cabeça, por minha burrice ilimitada em entender uma porcaria de um problema de Cálculo no Louis Leithold (devidamente afanado da amiga Margareth Simões, uma das outras do “bando”). Enfim, essa união se expressava naquilo que as pessoas estão perdendo com um mundo que se fecha em brigas ridículas, sem sentido: na simplicidade de se amar e se aceitar de uma forma tal que não havia nem questionamento sobre o fato em si. Ora, é CLARO que nos amamos. A gente não briga igual cão e gato e dá risada 2 minutos depois? A gente não se sente tão perfeitamente à vontade com o outro que custa até se lembrar que tá na hora de voltar “pra casa”, já em “em casa” já estávamos?

Pois bem, 30 e poucos dias de batalha contra um câncer, e lá se vai uma vitoriosa da vida, com seu PhD e seu conteiner de diplomas, menções, papers, dissertações, teses, feitos e proezas. Lá se vai a estrela da festa, sempre capaz de fazer jus ao famoso apelido de “Narcisa Tamborindeguy Montechiari”, em homenagem à doida socialite capaz de desatinos bárbaros e sem qualquer noção. Lá se vai a estrela dos churrascos, capaz de criar celeumas enormes, por qualquer razão, só pra ficar olhando os panacas se digladiarem… e dá-lhe risada…

Lá se vai parte da alegria da vida… lá se vai parte da vontade de estar juntos… lá se vai parte do nonsense bacana, da falta de noção amigável, da opinião dada só pra provocar, do abraço expresso em bolinhos de bacalhau, bobós de camarão, moquecas e… abraços também. Muitos abraços, por sinal.

Estava há pouco com o Livro de Jó aberto, tentando encontrar sentido na dor, como o sujeito encontrou, todo ferrado, cheio de chagas, tendo perdido os filhos todos, as terras, a saúde… disse ao meu irmão Hirann que queria uma resposta decente de Deus antes de Jó 42:5 – “antes, eu ouvia falar de ti, agora, meus olhos Te veem”. Ora, essa conclusão Jó chegou sem Deus ter feito nada pra dar uma mãozinha que fosse… Parece vitória por WO, de Deus. Queria algo mais substantivo pra tapar minha dor, ou pelo menos pra que parasse de inchar meus olhos, já tão sem lágrimas, depois de tanto chororô que a vida me impôs.

Não é que a resposta veio? Escondida no mesmo livro de Jó, lá em 19:25 – “Eu sei que o meu Redentor VIVEEEEEE… e que por fim se levantará sobre a Terra” (a ênfase parece minha, mas acho que Jó deve ter sido ainda mais escrachado). O meu Redentor VIVE, o Redentor de Kátia VIVE, o cara que parece ter esquecido que o mau é mau, o corrupto é corrupto, o ladrão é ladrão, e que parece não punir ninguém pelos seus maus feitos… sim, ele VIVE e por fim se levantará sobre a terra. Vá saber se isso será hoje ou amanhã. Por FIM isso vai acontecer; por FIM veremos os maus serem devidamente recompensados, e talvez até perdoados e redimidos… coisa chata é a Misericórdia infinita de Deus… (fácil falar quando já se está do lado de CÁ, dela)…

Tudo isso aí em cima, bom ou ruim, saiu em 10 minutos na frente de um teclado, quase sem raciocinar, só sentindo, relembrando, arrumando como dá o chorro de sensações que vem como um vômito à boca do bêbado. Uma torrente de coisa que não dá nem pra imaginar que aconteceria um dia. Nem revisei erros de português, ou concordância. Nem vou.

É um necrológio, no fim das contas, pra MIM. Eu é que morri aqui, que estou morrendo por estar vivo sem minha amada prima e irmã. Cada vez mais é um necrológio pra mim, por todas as mortes que ainda estão por vim, e das quais Deus houve por bem livrar Kátia de vivenciar. Somos mais fortes do que ela? Somos mais necessitados de apanhar pra aprender? Não sei. Só sei que levando-a antes Deus parece dizer assim: “Fica na tua, Zé Ruela, porque de dor Eu entendo um tiquinho mais do que você”.

Não preciso de mandar em Paz, prima Kátia… você sempre a teve, e apenas volta pra casa do Pai.

Escrúpulos

A minha tentação é a de generalizar. Tomar o todo pela parte, e sair batendo. Não funciona. Eu já começaria este post cometendo o mesmo erro que me proponho a desnudar, ou esclarecer (modestamente) que vejo no povo brasileiro. A falta de escrúpulos. Claro que temos um povo que em sua maioria tem vergonha de fazer algo que é moralmente condenável, ou literalmente na definição do Websters, que figura acima “o sentimento que evita que você faça alguma coisa que você pensa ser moralmente errada, e o faz ter incerteza sobre faze-lo“.

Mas o fato é que vivemos num país em que os “moral qualms” (dilemas morais) não estão na ordem do dia das pessoas. Aliás, o mundo segue o Brasil nessa via de mão única em direção ao caos. Desde furar uma fila ou colocar o carro pra rodar no acostamento, até jogar a moral de todo um país na lama pra ganhar uma eleição, o fato é que temos poucos dilemas morais. Antes tínhamos nossos pais e nossas igrejas e templos para nos lembrar da nossa responsabilidade de sermos mais polidos, pensar nos outros primeiro, e fazer o que é certo em qualquer situação. A recompensa era um “céu” ou um “bom carma”, ou ainda evitar um “pito” ou umas “correadas”. Positivas ou negativas, as motivações para andarmos na linha existiam e eram implantadas.

Via Expressa para o Caos

O país, e agora o mundo, começam a marchar na Via Expressa do Caos. Vamos a toda velocidade, ignorando a maior motivação positiva de todas – a civilização. Esta me parece ser a maior recompensa terrena do Escrúpulo. Só a existência de dilemas morais é que nos tira da rota de colisão com o Caos que se avizinha. E vamos todos alegremente repetindo toda e qualquer coisa que nos traga algum conforto pessoal, alguma vantagem, alguma posição de destaque.

O intelectual foi o primeiro e perder o escrúpulo, a bússola moral. Deveria ser o último. Afinal, é para a intelectualidade, para os pensadores, que se volta a sociedade em busca de compasso para suas dúvidas. Nossa intelectualidade abraçou com força e paixão a visão de mundo do “quanto pior melhor”, contanto que detenhamos a postura de pessoas bem intencionadas.

A Via Expressa vai afunilando e se tornando cada vez mais esburacada, cada vez que um intelectual, ou um famoso, a esburaca de propósito. Alguns exemplos recentes nos ajudam a refletir sobre isso.

Fique em Casa

Há quase 2 anos fomos instados a ficar em casa, pois que a “economia a gente vê depois”. O escrúpulo foi ali jogado às favas, por famosos, “influencers”, jornalistas e intelectuais. Políticos também, claro, mas deles sempre pudemos esperar qualquer coisa.

O debate aberto, claro, franco, e honesto foi substituído por um ruído estridente, que proibiu que se debatesse com calma e “ciência” (entre aspas para denotar seu inescrupuloso uso recente) sobre o assunto.

É lógico que daria para criar as medidas suficientes e necessárias para que continuássemos a trabalhar e produzir, sem aumentar a tragédia que já estava instalada entre nós. Prova disso foi a fantástica performance do agribusiness, que não parou, e acabou por salvar nosso pescoço e nossos estômagos, a despeito dos aumentos de preços.

A Guerra dos Absorventes

Mais recentemente, o veto presidencial a uma esdrúxula medida de prover absorventes higiênicos pagos pelo SUS para jovens e adolescentes de classes menos privilegiadas gerou uma gritaria desproporcional ao fato. Mais ainda por duas razões que poderíamos chamar de apavorantemente claras: não foi dito de onde sairia a grana para bancar isso e não se pensou antes nos dias de aula perdidos pelo Fique em Casa. O país que mais manteve alunos fora da escola agora clama por absorventes para supostamente evitar evasão escolar.

Não se trata aqui de dizer que o estado não deve dar este ou aquele item de higiene, saúde, etc. Trata-se de dizer que o Estado não deveria “dar” NADA a ninguém sob forma de subsídio ou “doação”, pois não há dinheiro público, mas só o nosso, o do pagador de impostos.

Se o Estado quer dar algo ao povo, que dê liberdade de empreender, trabalhar, produzir e ganhar seu próprio dinheiro para comprar seus próprios itens de higiene com orgulho e vergonha na cara, sem depender de ninguém.

O STF

Por último, por hoje, a falta de escrúpulos de homens e mulheres escolhidos para a mais alta corte do país, que deveria ser usada somente para solução de problemas constitucionais, no esclarecimento de pontos específicos e de quem propõe ações a ela, para atingimento de interesses próprios.

Partidos políticos passaram a usar nosso STF de forma a atingir objetivos específicos, principalmente no questionamento de temas que não deveriam ser sequer reconhecidos por esta Corte como sendo de sua alçada julgar.

E aí está o outro lado da falta de escrúpulos – por entender que precisa “fazer algo”, 11 ministros desvirtuam os objetivos da Corte e põem-se a julgar e avocar a si as coisas mais aberrantes, deixando ações que estão há décadas pendentes de uma decisão tomando poeira.

Existe maior falta de escrúpulo, menos bússola moral, do que colocar um ladrão do erário na rua por tecnicalidade? Existe falta de moral e compasso maior do que colocar traficantes de tóxico e chefes de facção em liberdade, por razões que sequer tenho a coragem de inferir aqui?

Que tipo de Corte Suprema se dá ao trabalho de imiscuir-se dia a dia nas obrigações de outros poderes? Que ministros são esses que não têm o menor dilema moral em votar e fazer algo frontalmente contra a própria constituição, como caçar um mandato e manter direitos políticos, ou começar seus próprios inquéritos ao arrepio do processo legal?

Efeitos

A falta de escrúpulos não veio até a sociedade, no atacado, sem antes passar pelo longo e penoso processo de permear o varejo. Antes de vermos governadores roubando em larga escala, vimos Brizola fazer acordos espúrios com o crime organizado, já nas eleições de 1982.

Antes de vermos Lula ser posto na rua “descondenado”, vimos todo um processo de difamação da Operação Lava Jato, constituído pouco a pouco, a ponto de gente razoavelmente inteligente dizer que “prefere Lula do que Bozo”, como se fosse uma escolha minimamente informada ou clara, com todas as informações puras, na mesa, passadas por uma imprensa livre e honesta.

Enfim, o processo que nos leva à Via Expressa do Caos começou pequeno, lá atrás, com o “Jeitinho Brasileiro” sendo louvado como sendo uma forma de adaptação, de flexibilidade. Nunca foi chamado por ninguém pelo que realmente é – falta de escrúpulo.

É óbvio que se resolvem problemas mais rápido sem se ter dilema moral. Engravidou? Não tem condição de criar? Mate a criança. Aborte. Não tem condição de ter um par de tênis de marca? A sociedade te tirou o direito ao bom e o melhor? Roube! É simples. Não consegue estudar para passar em medicina? Don`t worry – compre uma vaga.

A Ordem sobre o Caos era o mote dos Positivistas de onde vem o “Ordem e Progresso” da bandeira. O Caos sobre a Ordem parece ser o mote de qualquer um que deseje o poder neste país.

Só por Deus…

Polarização – Eu e Luiz Felipe Pondé

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Todo mundo sabe quem é Luiz Felipe Pondé. Já eu, seria algo como “Zé Ruela Qualqué”, ou seja, um ignoramus. Contudo, ouvir e dar razão pelo simples fato de alguém ter notoriedade não parece muito esperto… Vide um tal imitador de focas, de altíssimo perfil público, mas a quem o desprezo intelectual parece justificado.

Pois bem… Pondé pondera (sem trocadilhos) que a polarização é um fato antigo, primeiro relacionando o conceito ao “culto ao mal”, que, segundo ele, vigorou antes do culto ao bem, e portanto há uma tendência à polarização que vem daí, se é que entendi bem.

Mais à frente em sua coluna diz que “a polarização especificamente política não é nova”. Ele então a remete ao início do capitalismo. Pois bem… e nós com isso?

Dois aspectos me vêm à mente:

Polarização é Necessariamente Ruim?

A impressão que fica, tanto do artigo, como da opinião comum, da imprensa e principalmente do Beautiful People, é de que a polarização é sempre, e necessariamente, ruim. Obviamente, a polarização dos outros, claro. A nossa, que não se confessa nem a pau, não é.

O Brasil sempre foi um país sem grandes polarizações, com muita gente num centro, meio “geleia geral“. Aliás era disso mesmo que a minha geração era acusada – de não tomar posição, não lutar por seus direitos, não se afirmar, ser “alienada”. Meus amigos da América Latina sempre acusaram o Brasil de ser um país de gente “blanda” (branda) e que não se posiciona. Culpam-nos por ter sido sempre complacentes, da turma do “deixa disso”. Ditadura aqui sempre foi “blanda”, briga aqui sempre foi apaziguada, com raras exceções. Fomos colocados em banho maria desde tempos imemoriais, como Homo Amabilis, que sempre fomos como nação.

O medo que está dando no povo é que o Homo Amabilis parece ter sofrido mutação, desde que a esquerda, em fins dos anos 80 do século passado, começou a dominar a cena acadêmica e cultural. Com o adentrar em campo de políticos proeminentes como FHC e Lula, e cujas posições, muito devagar, foram-nos empurrando para cantos separados, fomos nos “radicalizando”. Nos tornamos Homo Radicitus, ou radical.

Ocorre que o Brasil mais abrangente é o do Homo Amabilis, esse sujeito do interior, ou mesmo das capitais, mas que não se sente com o mínimo de vontade de brigar com ninguém, cujo salário contado, se permite uma cervejinha no fim de semana, com 1 Kg. de lombo agulha na brasa, já se satisfaz; é o cara do campo e das pequenas cidades, em paz com todo mundo, feliz por não ter que enfrentar neve ou terremoto (sem nem o saber), e que tem sua banana e sua abóbora no quintal, come bem e ainda distribui; vai na sua igreja, ora, reza, volta para casa, quer criar os filhos obedientes e honestos, enfim, o sujeito que não pegaria em armas, mas está sendo conduzido a isso.

Que não se confunda este sujeito com um imbecil lesado, massa de manobra pura e simplesmente. É alguém que, com limitações, consegue interpretar a vida de uma forma bastante razoável. Aliás, tem-se a tendência de subestimar quem não tem assim tantas letras como gente incapaz de pensar por si. Na minha experiência isso é burrice. Desde meus avôs e avós, com pouca escolaridade, mas com um bom senso fora de questionamentos, até os funcionários de vários níveis que já tive na vida, e ainda tenho, todo mundo tem uma fita métrica bem boa na cabeça, e é capaz de identificar o que é bom pra si e para o próximo.

É claro que a deseducação que vimos tomar conta do país nas últimas décadas contribuiu bastante para que, mais jovem a pessoa, menos capaz de bom senso seja, mas nem isso são favas contadas. O que há hoje é uma divisão clara (uma radicalização) entre gente extremamente bem informada e inteligente e uma minoria, eu diria, que abriu mão de pensar.

Se estamos hoje diante de uma massa de gente menos disposta a contemporizar com certas coisas, e sobre as quais a grande mídia não consegue mais exercer um comando como o fazia, se deve a duas coisas: a)a mídia deixou de ser razoável, em suas pressões por “mudança” sobre o cara comum, da esquina e; b)o cara comum, da esquina, já percebeu que não tem vez nem voto num país manipulado de pé a ponta. Ou seja, se há gente na rua aos milhões, gritando fora isso, fora aquilo, isto é o resultado da falta de bom senso de quem, de fato, obtinha sucesso relativo em manter um certo nível de conformação por parte do cidadão, que não consegue mais.

A corda parece ter realmente arrebentado com a Lava Jato, que expôs o Rei Nu, Lula, e seus asseclas, e tornaram o homem comum.

Polarização pode ser Necessária?

O ideal é que não haja nunca, necessidade de polarização. Mas o fato é que poucas vezes na vida há momentos críticos em que uma polarização não é somente necessária, mas caso de vida ou morte. Alguns exemplos vêm à cabeça e sempre com o ponto e o contraponto – o “radical” e seu “detrator” – Catilina (o carbonário) e Cesar (o estadista), Churchill (o radical) e Neville Chamberlain (o cara do Deixa Disso), e mais recentemente, Trump (o boquirroto) e Biden (o pacifista).

O que há de comum nesses casos todos é a tentativa de um “radical” em resolver um assunto, mesmo que pela força, e os “pacifistas”, cujas atitudes nos teriam levado ao caos, caso aplicadas. A mais flagrante delas certamente foi a atitude de Churchill, cuja retórica e radicalismo nos salvou a todos de estarmos até hoje sob a suástica.

Portanto, você, meu caro polarizado, que berra nas ruas e nas redes, reconheça-se como um caso de atavismo da espécie, espécie essa que se arrasta pelo mundo produzindo mitologias, inclusive políticas, que nada mais são do que formas empobrecidas de metafísica. Você é a pura inércia em ação. Sua substância é a violência.

https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/luiz-felipe-ponde/obsessoes-ancestrais/

Minha substância não é a violência, mas me sinto polarizado. Não porque eu tenha uma natureza “catilinária”, “carbonária”, mas porque estamos diante de algo maior do que o deixa-disso pode resolver. Assim, dizer que somos todos uma cambada de radicais, de um ou outro lado, sem enxergar a perspectiva de cada um (e confesso que algumas visões da esquerda – bem intencionada e não metida em rolos – são válidas) é cegueira, e lacração pura e simples.

Sinto que estamos num momento em que uma bela dose de polarização é desejável e necessária. Ou bem entendemos que estamos sim caminhando a passos largos para uma situação de exceção, ou deixamos tudo como está para ver como vai ficar. Fizemos isso em 1985, com o fim da ditadura. Acordamos anos depois com um congresso eleito por “puxadores de votos”, com partidos que não representam ninguém, com uma constituição parlamentarista para um país presidencialista, sem nossas armas, a despeito do resultado de um plebiscito, com milhões de funcionários públicos a mais do que o necessário e com salários mais altos do que qualquer outro setor, com uma dívida interna acima dos 80% do PIB, e para finalizar, na iminência de aceitarmos bovinamente ativismo da corte que deveria impedi-lo, em detrimento de nossa liberdade de expressão

Façam suas apostas. O mundo já se viu nessa encruzilhada antes. Quem “polarizou” conseguiu sobreviver. Quem não o fez, virou vítima de quem fingiu não ser. Melhor um fim com horror do que um horror sem fim.

Vala Comum

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Uma vala comum foi encontrada durante as obras de expansão do aeroporto de Odessa, na Ucrânia. Oito mil pessoas pelo menos foram enterradas lá. Os trabalhos continuam, e podem ser mais do que essa quantidade, por si já absurda. Não se trata do Holomodor, a grande fome, provocada por Stálin, e que resultou na morte de milhões de ucranianos. Foi um abate sistemático de pessoas pela polícia secreta da então União Soviética.

“Uma boa bala, uma boa cova”, falou Miguel Iasi, deputado federal pelo PC do B há algum tempo, parafraseando Bertold Bretch:

“Nós sabemos que você é nosso inimigo, mas considerando que você, como afirma, é uma boa pessoa, nós estamos dispostos a oferecer o seguinte: um bom paredão, onde vamos colocá-lo na frente de uma boa espingarda, com uma boa bala e vamos oferecer, depois de uma boa pá, uma boa cova. Com a direita e o conservadorismo, nenhum diálogo, luta”

Bertold Brecht, poema “Perguntas a um homem bom

De novo, lá vamos nós, observando nossos arqueólogos da modernidade escavando, uma hora aqui, outra acolá, 10 mil ossadas, 3 mil ossadas… Ao todo já foram mais de 100 milhões de ossadas encontradas nos subsolos da utopia comunista.

Também há ossadas, claro, em outros regimes não comunistas, mas igualmente de força, como as 30 mil do regime militar argentino, 10 mil do chileno, e por aí vai, inclusive nossas quase 500, em 21 anos de nossa “ditablanda” (como dizem os hermanos latinos).

Tudo contra ossadas, se elas não estão perfeitamente identificadas em cemitérios e não tiveram sua morte comprovada e, se possível, de causas naturais. Tudo contra valas comuns de qualquer origem, sejam elas brasileiras, chinesas, russas ou do Khmer Vermelho.

O problema aqui é estarmos todos nós, brasileiros, flertando com mais um campo de ossos, ali na esquina, gerado por mais uma ditadura, seja de esquerda, de direita ou do judiciário. Neste meio tempo, o Sete de Setembro passa a ser, para alguns, motivo de medo, e não de júbilo.

Um Holomodor brasileiro, perpetrado há anos, nos deixa com uma sensação coletiva de que nada do que fomos ou somos valeu ou vale a pena. Tudo nesses 521 anos foi ruim, tudo patético, tudo substituível por algo “melhor”, segundo alguns, mesmo que para isso algumas novas valas comuns tenham que ser abertas.

Cansaço…

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Dei uma parada nas minhas discussões com amigos, e mesmo em troca de ideias mais simples. O motivo é meu cansaço intelectual, sem fim. Tem razão essa minha fadiga. É muito difícil se embrenhar num matagal só para convencer um índio qualquer de que “quod abunda non noscere” (o que abunda, não prejudica). Convencer as pessoas de que há que se separar os problemas em suas partes constituintes para depois examiná-los, um a um, dá um cansaço incrível…

Não desisti de tentar, mas estou parado no meu canto. Alguns, acostumados à minha combatividade e gosto pela esgrima verbal devem estar achando que eu estou sem argumentos ou ideias para defender meu conservadorismo e liberalismo econômico. Não. Tenho muitos, mas dá uma preguiça imensa, nos dizeres de G.K. Chesterton, “demonstrar que o céu não é vermelho” para quem o tem ao alcance dos olhos, num dia de sol. Dá preguiça, mas não se pode deixar esmorecer.

Aliás, uma das minhas dúvidas cruéis é de onde vem a resiliência e a energia que um exército de pessoas dos mais variados matizes e cultura põem na tarefa de defender posições inglórias, indefensáveis ou mesmo insanas. Complicado, e pretendo descobrir um dia. Deve ser uma patologia. Ou uma agenda escondida que não sei de onde vem.

O caso mais recente vem da questão das urnas. Meu Pai Celeste, que terrível é ver gente que tem origem em auditoria, como eu, achando que é “caro e desnecessário” ter uma porcaria de uma urna de acrílico e uma impressora, pro sujeito verificar se o voto dela foi o que realmente ela digitou na urna. Gasta-se Bilhões com fundão eleitoral e se recusa a tomar essa atitude simples e que seria, no final, conciliadora. Que cansaço…

A cegueira em admitir que ciência é algo que não se “determina” ou se confina a determinado “lado” da academia é algo também muito complicado e cansativo. Outro dia, o presidente do Conselho Federal de Medicina admitiu em uma live que a classe estava dividida ao meio, entre aqueles que creem e os que não creem no tal de tratamento precoce. Ora please… Será que somos tão obtusos assim a ponto de não compreendermos que a ciência progride na liberdade de experimentar, testar e concluir, e que “Vacas Sagradas” não podem existir em sua marcha? “Ciência!” berram alguns… “Terraplanismo” derramam-se outros… Vou falar uma bobagem enorme mas que acho que funciona, no que toca à liberdade de investigação – deixe os terraplanistas acharem o que quiserem! É direito deles acreditar na Taprobana e cair da cachoeira do fim do mundo. Não sou eu quem vai pegar na mão deles, coloca-los num avião e dar uma volta no globo…

Da mesma forma não serei eu quem vai obrigar alguém a se imunizar contra coisa alguma. Eu me imunizei, porque acredito em vacinas e sei que fazem muito mais bem do que mal, a despeito dos eventuais efeitos colaterais. O cara que não quer se imunizar, que pense como quiser. Não serei eu a infligir seu direito de pensar como quiser. Não serei eu a mudar sua cosmovisão.

Me encanta uma palavra da Bíblia sobre a ação de Deus no mundo:

“Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor”

Zacarias 4:6

Essa visão nos demonstra que ninguém tem o direito de forçar ninguém a pensar igual a si. O profeta Zacarias fala no contexto das suas profecias, e deixa entrever não apenas a impossibilidade, mas a inutilidade de mudar os outros, exceto que eles sejam convencidos pelo Espírito (aqui, você que não é cristão coloque o que for no lugar de Espírito, seja “a própria vontade” ou “bom senso”). Falta-me a capacidade, às vezes, de calar diante de certas posições.

Ora, isso quer dizer então que não devemos ser “apologetas” de nossas crenças? Não. Devemos esgrimar nossas ideias, mas sabendo que no fundo, não se convence ninguém. Só o Espírito o faz.

Serei eu a enfiar ideias goela abaixo nos outros? Eu não. Tenho preguiça.

Big Techs e a Liberdade de Expressão

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Existe uma discussão que a sociedade está “comendo pelas beiradas”, sem cair de cara no prato que está posto diante de todos nós. Mega empresas como FaceBook, Twitter, Instagram, entre outras, tem o direito de criar práticas de censura, ou equivalentes? Ou a sociedade deveria regular o que vai e o que não vai ali?

A questão passa por interpretar algumas perguntas importantes, antes:

  • BigTechs são “imprensa”?
  • BigTechs são “neutras, politica e ideologicamente”?
  • BigTechs são “monopólios”?
  • BigTechs substituíram a praça pública?

BigTech são “Imprensa”?

BigTechs são, antes de qualquer coisa, empresas privadas, com ou sem capital aberto em bolsa, e portanto, reguladas por regras de mercado. Como conservador de costumes e liberal em termos econômicos, tenho uma imensa dificuldade em enxergar o limite entre a liberdade de uma empresa privada fazer algo e as “contas” que essas devem prestar à sociedade.

A pergunta é – são “imprensa”, e como tal deveriam se comportar? Creio que a resposta mais simples é não. Embora alberguem notícias e milhares de “noticiosos”, a resposta é que até hoje estamos diante de um fenômeno que extrapolou o que conhecíamos antes.

Se não são imprensa, têm responsabilidades de imprensa? Ou seja, teriam o direito de julgar opiniões? Entendemos que não.

As BigTechs criaram para si (embora possa-se discutir se foram elas mesmas que o fizeram) as agências de checagem, a fim de dizer o que é e o que não é fake news. Todos sabemos que essas agências frequentemente conflitam opiniões umas com as outras, e francamente não sabemos se julgam fatos sem ou com viés ideológico. Ninguém sabe que metodologia usam nem são supervisionadas por ninguém (nem deveriam ). Deveriam pelo menos informar claramente quem teceu julgamento e quem

As BigTechs são “Neutras, politica e ideologicamente”?

A despeito do esforço para parecerem neutras, vemos claros vieses ideológico nelas, e que ficaram claramente expostos em diversas ocasiões, como no “cancelamento” de Donald Trump ou na exclusão de perfis conservadores, mesmo com a manutenção de perfis bem mais danosos, como de radicais muçulmanos, por exemplo.

Parece claro que mesmo que corporativamente não tenham uma diretriz ideológica escrita, os executores, os caras da mão na massa, o são.

BigTechs são Monopólios?

Partindo do pressuposto que elas dominam grandes nacos da comunicação mundial, FB, TWT, Insta, etc, são na melhor das hipóteses oligopólios. Qualquer tentativa de novas empresas se estabelecerem no mercado, como a natimorta Parler, sofrem perseguições econômicas escandalosas, como a negativa da Amazon em albergar o dito site (direito dela?).

Elas podem ser qualificadas como tendo tendências monopolistas, portanto, e comportamentos que são contra a liberdade de mercado. Ok, conseguiram isso graças a muito investimento e trabalho, e talvez mereçam ter bons nacos do mercado. Daí a concedermos a elas, como cidadãos, o direito de eliminar a competição, é algo a ser tratado com o devido respeito.

Por fim…

As BigTechs são a Praça Pública do presente?

As BigTech se tornaram de uma vez só um “marketplace”, fonte de informação (e portanto, parcialmente imprensa, pelo menos), e praça pública, onde pessoas se reúnem para fofocar e falar mal (e bem) de quase todo mundo. Só que agora, os “outros” são gente que não está do lado, na mesma aldeia, mas na “aldeia global”, preconizada por Marshall McLuhan em 1964 (ano em que nasci…).

As pessoas, principalmente em épocas de pandemia, se comunicam com o mundo e umas com as outras através das redes sociais. Trancados em casa, vejo pessoas como a avó da minha esposa, que aos 94 anos pediu um celular e está engajadíssima em ver e postar coisas interessantes, para ela, interagindo com o mundo. O crochê deixou de ser a única distração dela, sentada dentro de um apartamento. Já não simplesmente espera o tempo passar, mas passa pelo tempo curtindo coisas, interagindo, falando com parentes longe. Custou um pouco a dominar a telinha mas está indo muito bem.

Isso é positivo, claro. O que talvez não seja tão positivo é a forma que as BigTechs selecionam, filtram e publicam conteúdo, e a forma como somos praticamente obrigados a ler as coisas. Algoritmos veem o que lemos e clicamos, checam nossos likes e dislikes e decidem o que vamos ver a seguir.

Se falamos em pizza, em minutos aparecem propagandas na tela. A privacidade está por um fio e não sabemos a que ponto podem chegar as BigTechs, na invasividade.

Um teórico pontificou (ao The Economist) que talvez passemos a comprar conteúdo, e não mais recebe-lo de graça em troca de nossos dados. É uma boa e eu estou disposto a fazer isso. Mas talvez 99% da população não esteja, ou não possa, gastar dinheiro para preservar-se.

Se são praça pública, temos que cuidar de regras que vigiam NA praça pública:

  • Limpeza, organização e segurança
  • Respeito a todos e observação de limites
  • Submissão a uma autoridade externa, escolhida e paga por nós (na forma de policiais e fiscais) que aplicam leis votadas por nós para a tal praça
  • Certeza da inviolabilidade de nossa pessoa e nossa privacidade
  • Direito de ir e vir, entrar e sair da praça
  • Direito de ficar calado sentado no banco vendo “as modas”, sem perturbar nem ser perturbado
  • Manifestações na praça pública têm hora marcada e devem ocorrer em ordem, sem destruição do patrimonio nem ofensas às pessoas.

Ora, isso se aplica a um espaço público. E as BigTechs NÃO são espaços públicos. Aí está o grande nó. São espaços públicos na medida em que estamos expostos a elas, e somos influenciados por ela. Mas são propriedade privada, e estamos nela apenas porque alguém deixa.

Mas hoje, estar fora dela, é como perder um instrumento de trabalho. Ou seja, tornaram-se “bichos” difíceis de interpretar.

Regulamos ou Deixamos como está?

Deixamos. Sim… por mais que pareça triste e tenhamos a tendência de criticar, com razão, atitudes como cancelamento de pessoas, expulsões e suspensões, muitas vezes arbitrárias e injustas, devemos deixar o mercado seguir seu caminho.

Talvez a única providência prática seria facilitar a concorrência e criar condições de escolha ao público. Mais do que isso é complicado.

Mas a economia tem sempre uma forma de se impor, ou, em muitos casos, de se “vingar”. Atitudes desse tipo não vão longe e acabam criando reações. Novas redes surgirão, e as pessoas passarão a desistir de algumas, como muitos de nós estamos desistindo de TVs abertas ou fechadas que são verdadeiros “sovietes”. Eu mesmo adorava ver o Jornal Nacional, até que, de uns 10 anos para cá, as redações dele parece que foram tomadas de assalto por gente com ideologias contrárias não somente ao que eu penso, mas ao que a maioria do povo simples e conservador, brasileiro, pensa.

Deixemos como está. Aguentemos, e no momento correto, saiamos de algumas mídias sociais e migremos para outras que acabem por nos dar melhores condições. Acaba acontecendo. Houve um tempo em que não tínhamos escolha. Era Silvio Santos, Flávio Cavalcanti, Bolinha, e mais recentemente Faustão et caterva… O surgimento da TV por assinatura nos “libertou” por assim dizer. Depois, as mídias sociais acabaram o processo e tivemos acesso a conteúdos cada vez mais “customizados” e dinâmicos.

A nova onda talvez seja a criação de “novos grupos de comunicação” em multi plataformas, e diversificados por interesses, de forma a atrair por “tribos”, ou “bandos” que pensem parecido. Vai resolver? Não, mas pelo menos não seremos obrigados a engolir em seco algumas coisas sem termos o direito de devolver com a mesma efetividade e repercussão.

Por fim, lembro aqui de um caso bem mais prosaico, e menor, de um confeiteiro americano que foi obrigado pela justiça estadual, nos EUA, a fazer um bolo de casamento para uma casal gay. O dito confeiteiro se recusou e sofreu um processo judicial que só terminou quando a Suprema Corte americana disse que ele poderia se recusar, baseado em “questões de consciência” e religião.

Ora, é uma empresa privada, o sujeito tem o direito de fazer o que quiser. O mesmo vale para as BigTechs. Pense nisso na hora de acessar FB, YouTube, Insta, Twitter, etc. Você está ali de convidado, comporte-se como tal, mas NÃO dê a eles a soberania sobre o que você deve ou não pensar.

Envelhecer

man standing beside wall
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São muitas as frases e as análises sobre o processo de envelhecimento. Pablo Picasso dizia que

Leva muito tempo para nos tornarmos jovens.

Pablo Picasso

E não é que é? A capacidade de rir de mim mesmo inexistia, entre meus 12 e 40 anos. Foi o processo de ver a comédia de minha burrice que me fez rir do que faço. Isso não foi ensinado a mim. Foi fruto dos anos de janela, vendo a banda passar.

Na mesma toada, George Bernard Shaw dizia

A juventude é uma coisa maravilhosa. Pena ter que desperdiçá-la com os jovens!

G. Bernard Shaw

Aqui e acolá vemos gente velha e talvez ressentida deixando claro que a juventude que viu e vivenciou foi desperdiçada, ou não apreciada devidamente, exceto quando a tal banda já passou.

Talvez por conta dessa falta de humor, de se levar demasiado a sério, ou por pura inexperiência, a frase seguinte cabe bem para os dias atuais, e para todos os dias, desde que o grande cisma social foi (artificialmente) criado:

Quem não foi comunista aos 18 anos, não teve juventude; quem é, depois dos 30, não tem juízo

Atribuído a Carlos Lacerda

Hoje, lendo matérias de jornalistas mais experientes, pude ver o amargor deles com os profissionais do jornalismo de hoje, os mais jovens, em seu afã de SER parte da notícia, em vez de CONTAR a história, como ela ocorreu. Um deles conta como o fato de estar de câmera em punho, diante de manifestantes, fez reacender um conflito já pacificado pela polícia.

Outro conta como o apreço a causas “libertárias”, de esquerda, majoritariamente (mas nem só) faz com que a objetividade pule pela janela das redações do país e do exterior.

O pior é a dificuldade de argumentar com jovens devidamente doutrinados. Eles não escutam, não argumentam mais racionalmente, não fatiam os problemas para estudá-los, não usam (não todos, obviamente) de racionalidade em suas análises, normalmente mais rasas do que deveriam, para que se chegue a conclusões minimamente corretas.

Assisti outro dia um comediante num desses “Late Shows” dos EUA falando que passando na rua, ouviu um “buuum” e de repente começou a chover chocolate. Como estava do lado da fábrica da Hershey, ligou os pontos e pensou “explodiu algo na fábrica e o chocolate foi pelos ares, e agora cai sobre nós aqui na rua”. Ao falar isso, viu-se cercado de pessoas dizendo que não, que obviamente a fábrica não explodiria, e que havia outra explicação. Talvez o governo tivesse jogado gotas de chocolate de helicópteros, pra adoçar a vida da triste população…

Ele emenda, dizendo que na cidade que possui o Centro Wuhan de Estudos do Coronavirus ocorreram os primeiros casos de… Coronavirus. Mas não… logicamente a razão NÃO é o tal Centro de Coronavirus. A razão deve ser outra… Um virus desse não vazaria de um laboratório tão seguro! Nunca! Nós devemos procurar explicação em outro lado.

Pois é. A juventude embarca toda numa explicação dessas, quando a relação de causa-efeito parece tão óbvia. Alguém com a veia do pescoço saltada me dizia aos berros que eu estava sendo “terraplanista” por acreditar numa evidente bobagem dessas, criada pelo Trump somente pra culpar o regime Chinês, que nada tinha a ver com isso.

Barbaridade, pensei… e me calei.

Se a juventude já é em si insegura, se se leva a sério demais, se convive com a sombra dos pais e avós, e precisa lutar ainda para assegurar seu lugar ao sol, imaginemos essa mesma juventude sendo propositalmente manobrada e ensinada a NÃO pensar? Sabe aquela qualidade mental que só apreciamos depois de sermos surradas por ela, a habilidade matemática, que mais do que fazer contas, parece que nos dá uma habilidade secundária de medir efeitos… sabe ela? Coloquemos a matemática de lado, pois dá um trabalhão, e passemos a falar como nos nos “sentimos” sobre os números.

Sabe a gramática, aquela que meu pai, professor de Português, lutou a vida toda para enfiar em cabeças jovens? Aquela que é cheia de regras, que odiamos a vida toda? Ela também parece ter um efeito colateral de “freio de arrumação” na nossa lógica e entendimento do que está escrito… algo que só damos valor quando passamos pelo processo disciplinador do aprendizado duro e tenso, das provas e “sabatinas”.

Os jovens, por culpa de muitos adultos, desperdiçavam sua juventude preocupados demais com o amanhã, em ganhar dinheiro, casar, ter filhos… perdiam (ou nem chegavam a ter) bom humor. Hoje, ao contrário, essa carga foi tirada dos ombros dos jovens. Pode-se ser o que quiser. Pode-se trabalhar, ou não… estudar, ou não… pensar, ou não… e não há qualquer consequência sobre isso.

Envelheci um tanto, muito (se Deus quiser) falta ainda por envelhecer. Estou tentando me preparar mentalmente para as restrições impostas pela saúde, mobilidade e perda de agilidade mental da maneira como acho válida, e que vai me dar um pouco de alegria mesmo velho. Pensar, estudar, dar risada, fazer bagunça com os filhos (e às custas deles, muitas vezes!!! Haha!) e quem sabe, em alguns anos, com os netos.

Só não quero ser acusado do que já o fui quando jovem – carranca excessiva, se levar à sério demais, viver pra si mesmo, querer sucesso quase a qualquer custo, ser levado “em roda” por qualquer vento de ideologia, enfim, as tragédias normais que cercam todo adolescente e jovem.

Que venha a velhice, pero en forma de chiste!

O Idiota em mim, e em você

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Se sentir um completo idiota é uma coisa que deve, na minha opinião, ocorrer com cada um de nós pelo menos uma vez por dia, senão mais. Não que eu queira, ou que algum de nós queira ser um idiota, ter cometido uma idiotice ou faça algo com consequências graves, ou não, de sua inépcia, insensatez ou idiotice mesmo. Tenho o dever de me sentir idiota, para que não seja sem saber.

Mas o fato é que reconhecer que fez algo idiota já é algo bom. Pelo menos a gente está ligada no que faz, acha que poderia ter feito melhor, ou reconhece quando algo não está à altura do que é preciso ser feito. É uma sensação horrível, de incompetência, mas ao mesmo tempo libertadora, pensando bem, por pelo menos eu saber que entendo o que fiz errado.

Adoro atribuir ao Apóstolo Paulo uma frase que ele nunca disse (pelo menos que eu saiba) mas que tem toda a cara dele:

Bem aventurado aquele que sabe aquilo que ignora

Apócrifo

Como é bom olhar algo e ter certeza absoluta de não saber nada, zero, a respeito. Eu estou em busca de expandir o limite da minha ignorância (ou melhor dito, daquilo que conheço), a fim de ignorar cada vez menos. Mas é muito difícil.

Nelson Rodrigues dizia com muita propriedade que

Os idiotas vão tomar conta do mundonão pela capacidademas pela quantidadeEles são muitos.

Nelson Rodrigues

Somos mesmo muitos…

Mas a razão de eu falar de tanta “idiotice” é menos filosófica e mais prática. Existem várias “bolhas”, como se diz por aí. Fala-se muito em “fazer algo repercutir fora da bolha”, e coisas parecidas. Eu costumava não me achar encerrado em em nenhuma delas. Mas francamente, já não sei não. E falo da bolha política, mas também da bolha dos costumes, do politicamente correto/incorreto e todas as outras, que os tempos de Mídias Sociais parece que reforçaram. Eu começo a achar que eu talvez esteja olhando o mundo com óculos errados. Afinal, amigos meus, grandes amigos, deram de ralhar comigo, à vera, por conta de certas posições minhas. Não são necessariamente posições políticas, mas são posições que tem um profundo impacto no que eu penso ser o meu modo de viver ideal.

Já escrevi várias vezes que me identifico como um conservador, cristão e que tento ser racional. Por isso, assuntos como a liberdade de cátedra, a inviolabilidade do direito de opinião, e o caráter absolutamente iconoclasta da ciência tendem a ter muito eco no que eu penso e faço. Assuntos que eu julgava que não mereceriam mais do que um olhar superficial, como por exemplo, a realização ou não de um campeonato de futebol de 30 dias, com sei lá, 16 seleções, sem público, todo mundo testado pra Covid, estão gerando tanto problema que eu chego a me encolher diante de opiniões de amigos que eu julgo inteligentes e sábios.

Outra feita, é uma tal CPI da Covid, que eu não entendo como é que alguém em sã consciência pode dar a mínima credibilidade, ganha tanto espaço e é considerada tão fundamental pra sociedade, neste momento de pânico e suspense: como uma comissão que é presidida e relatada por dois sujeitos desqualificados, moral e legalmente, pode ser levada adiante sob holofotes do Brasil e do mundo, sem qualquer questionamento.

Devo estar priorizando somente um lado da opinião, e isso não gosto de fazer. Deve haver, então, algo errado, e é COMIGO. Afinal, gente que considero muito melhor do que eu enxerga razoabilidade nisso tudo. Desde discutir por conta da tal Copa como assistir uma CPI como se fosse um seriado da NetFlix.

Desde o início desse processo de pandemia eu tenho pensado em muitas coisas que em outros tempos não teriam qualquer repercussão, como o uso ou não desse ou daquele comprimido disso ou daquilo, do tempo que o comércio deve ficar aberto ou fechado, do tanto de transporte coletivo que temos que ter, do atraso de dias, ou meses (dependendo da fonte) para obtenção de vacinas… Tudo o que tenho visto parece formar parte de uma curva de aprendizado sobre algo que nenhum de nós têm a menor experiência, e cujos erros certamente foram cometidos. São patentes, mas não são mais do que isso mesmo – erros, inadequações, idiotices. É o Galípoli, do mesmo Churchill que nos salvou da ameaça nazi-fascista, anos depois. É a tragédia de uma situação que ninguém poderia dizer-se preparado para enfrentar.

Meus amigos, que realmente (não é ironia) são melhores e mais sábios do que eu fazem coro com boa parte da população que bate sem parar no governo (vou fazer aqui a ressalva de sempre – votei e votaria de novo em Bolsonaro em 2018, mas não voto nele se houver alternativa conservadora minimamente capaz de vencer uma eleição).

Um dos meus esportes preferidos é dividir problemas em partes e tentar raciocinar sobre cada uma das partes. Coisa de gente limitada – como eu tenho dificuldade com variáveis múltiplas, busco isolar cada uma e resolvê-las separadamente, e tentar assim chegar a uma conclusão sobre o todo. É isso que tenho tentado fazer ao longo da vida, com algum nível de sucesso.

Mas estou apavorado comigo mesmo. Não sei se estou numa bolha tão, mas tão fechada, que não consigo enxergar algumas coisas que outros veem por óbvio. Eu realmente não consigo “fechar questão” sobre alguns assuntos que uns têm por certo. Eu não consigo achar defeito grave numa economia que conseguiu cair, com Covid e tudo, menos do que entre 2013 e 2014, sem nada, exceto o fato de termos tido um péssimo governo.

Além de tudo isso, tenho uma visão de que no final das contas, o mercado consegue, com seus milhares de interações diárias, de milhares de cabeças pensantes, indicar o que realmente está acontecendo, quando as câmeras e microfones são desligados e os políticos voltam pros seus sepulcros caiados.

Enfim, terminando, outra citação de Nelson Rodrigues, que pretendo manter na mente, justamente por tudo o que já escrevi acima:

Nada mais cretino e mais cretinizante do que a paixão política. É a única paixão sem grandeza, a única que é capaz de imbecilizar o homem.

Nelson Rodrigues

Estados Disfuncionais

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A Wikipedia tem um verbete enorme sobre o assunto dos “Estados Disfuncionais”. Chamo de Disfuncionais porque a tradução exata do inglês é “Estados Falidos” ou “Estados Falhos”, que não faz jus ao que realmente se chama de “Failed States”. Se tiver curiosidade, veja emhttps://en.wikipedia.org/wiki/Failed_state#:~:text=Examples%3A%20Syria%2C%20Somalia%2C%20Myanmar,the%20expense%20of%20other%20groups).

A definição, que é o conceito que interessa aqui, é a seguinte, numa tradução livre, minha, da versão em inglês do verbete:

Um estado falido é um corpo político que se desintegrou a tal ponto que as condições e responsabilidades básicas de um governo soberano não funcionam mais adequadamente … Um Estado também pode fracassar, se seu governo perder sua legitimidade, mesmo que esteja desempenhando suas funções de maneira adequada. Para um Estado estável, é necessário que o governo goze de eficácia e legitimidade. Da mesma forma, quando uma nação se enfraquece, e seu padrão de vida diminui, ela traz sobre si a possibilidade de um colapso governamental total. O “Fundo para a Paz” (ONU) caracteriza um estado falido como tendo as seguintes características:

O texto segue caracterizando o que faz um Estado um corpo Disfuncional:

  • Perda de controle de seu território ou do monopólio do uso legítimo da força física
  • Erosão da autoridade legítima para tomar decisões coletivas
  • Incapacidade de fornecer serviços públicos
  • Incapacidade de interagir com outros estados como membro pleno da comunidade internacional

Alguns países são classificados como em grupos de risco, variável, em relação ao seu grau de aproximação do ponto de ruptura, ou declínio do Estado até se transformar em Disfuncional. Figuras, ó Brasil, florão da América, em posição desconfortável, em péssima companhia, como segue a classificação atual

  • Países com aumento de conflitos de grupos comunitários (étnicos ou religiosos) – Síria, Somália, Mianmar, Chade, Iraque, Iêmen, República Democrática do Congo, República Centro-Africana, Libéria, Iugoslávia, Líbano, Afeganistão, Sudão, Sudão do Sul.
  • Predação estatal (corrupção ou desvio de recursos às custas de outros grupos) – Nicarágua, Venezuela, Brasil, Filipinas, Croácia, Sudão, Sudão do Sul, Nigéria, Eritreia, Zimbábue, África do Sul, Coreia do Norte, Arábia Saudita, Rússia, Catar, Líbano.
  • Rebelião regional ou guerrilha – Líbia, Síria, Iraque, Afeganistão, Iêmen, Congo, Colômbia, Vietnã.
  • Colapso democrático (levando à guerra civil ou golpe de estado) -Libéria, Madagascar, Nepal.
  • Crise de sucessão ou reforma em estados autoritários – Indonésia (sob Suharto), Irã (sob o Xá Rheza Pahlevi), União Soviética (sob Gorbachev).

A lista deve ter já alguns anos, provavelmente se remetendo à época de governos de esquerda, no Brasil, ou antes da total derrocada do Estado nacional Venezuelano, sob Nicolás Maduro. Estar na incômoda posição de equivalente a uma Venezuela, Coreia do Norte ou Nicarágua certamente NÃO é legal. A lista é certamente pré-pandemia de Covid-19.

Importante é que percebamos o QUE nos leva a essa situação. Onde estamos hoje e que circunstâncias leva um país moderno, em termos de gestão (tecnologia aplicada), formação sócio-econômica (PIB per capita) e até mesmo educação (básica) a figurar como um Estado Falido ou Disfuncional?

Perda de controle de seu território ou do monopólio do uso legítimo da força física

O Brasil, não é de hoje, perdeu sua autoridade sobre parte dos seus territórios. O livro “O Império e os novos Bárbaros” (de Jean-Christofe Ruffin, de 1989) mostra com destaque como o Brasil perdeu parte de seus territórios para as milícias e grupos de crime organizado. O livro é excelente. Pena que a edição que tenho contenha um prefácio (bem plagiado, creio) de Collor de Mello…

Além da perda de controle de favelas e áreas semi-conflagradas no país, o Brasil possui outras áreas, significativas, de seu território que de fato não controla. As reservas indígenas, não por sua característica de proteção às etnias, mas pelo domínio exercido sobre elas por ONGs e nações estrangeiras, são território de novos bárbaros. As terras de garimpo no Norte são outro exemplo, facilmente verificado toda vez que vemos um carregamento de toneladas de ouro ser descoberto, contrabandeado, por algum cartelzinho ou facçãozinha, lá na França.

Já sobre o uso legítimo da força, o STF, com sua decisão de bloquear a atividade policial em favelas, criou pelo menos 2 anos de “trégua” aos “donos” dos morros, reforçando os Estados-dentro-do-Estado (ou a barbárie), sobre os quais não temos nenhum controle como sociedade.

Erosão da autoridade legítima para tomar decisões coletivas

A tomada de decisões coletivas é feita por consenso, numa sociedade funcional. Este consenso se chama Eleição, e suas ramificações chegam aos três poderes pela via do voto – a)do executivo, de forma direta e majoritária, dando ao eleito, em qualquer nível, direito de estabelecer sua política e diretrizes, vencedoras nas urnas; b)do legislativo, também de forma direta e proporcional, a fim de que os eleitos possam não somente fiscalizar o executivo como propor e votar o consenso das decisões, que, se cremos na qualidade do sistema de representação, implica necessariamente numa decisão coletiva; c)no judiciário, por vias indiretas, e não tão de consenso, porque alguns níveis do judiciário são escolhidos ao arbítrio do governante (STF, STJ). Mesmo assim, a maioria do judiciário pode-ser dizer ter sido escolhido por consenso, já que um concurso público foi a forma votada e aprovada por legisladores, para a formação do judiciário.

Onde esta faculdade está erodida no país? Quando o executivo perde sua capacidade de implantar as políticas vencedoras nas eleições, por interferência direta de outros poderes, por exemplo. Quando a câmara não pode tomar decisões saudáveis e independentes, por haver outro poder comprando ou dominando o processo, seja por pressão financeira seja por pressão derivada dos muitos rabos presos.

Incapacidade de fornecer serviços públicos

Seja nos ambientes controlados pela nova barbárie, seja em regiões tão remotas como os fundões da Amazônia legal, o fato é que o Estado brasileiro tem falhado em prover o mínimo, que faz de uma nação um país “de todos” e para todos.

Mas até aí vamos, sem tanta crítica, pois que houve inegável avanço, seja em alfabetização seja em moradia e renda mínima, principalmente entre os anos de 1960 e 1980. Os anos Lulla também mostraram, por vias controversas e com intenções inconfessas, que o boom das commodities do início dos anos 2000 foi suficiente para gerar tanto excedente que mesmo a pior pilotagem possível nos levou a um porto razoável. Os anos Dillma nos levaram ao caos gerado pela incapacidade de enxergar que o boom havia acabado, e os gastos públicos (e a dívida pública) tinha mais que duplicado, com os resultados inevitáveis que vimos.

Hoje, sabemos que só parcerias público-privadas ou a iniciativa privada, isoladamente, podem resolver problemas como saneamento e infraestrutura de transporte e energia, já que o Estado, sitiado e sobrecarregado por corporações, não faz grana nem pra pagar os cidadãos de primeira classe que lá residem.

Incapacidade de interagir com outros estados como membro pleno da comunidade internacional

Aqui também não temos muito do que nos orgulhar. O Anão Diplomático continua vivo e incólume, desde os tempos de Collor, passando por todos os governantes posteriores, sem exceção. Não vamos extrair da lista de “nanicos” os recentes governos Temer ou mesmo Bolsonaro. Aliás, este último protagonizou um nanismo que foi na contramão de tudo o que se tinha por pilar da diplomacia, desde Rio Branco – tomar partido, se aliar a governos de ocasião no exterior, em vez de se manter neutro e independente de rixas e eleições que não nos competem.

Resumão

Por pelo menos três das quatro razões acima, somos um Estado Disfuncional. Mas nada, absolutamente, se compara ao show de horrores protagonizado pela nossa Suprema corte.

Enquanto isso, os bárbaros (do PCC e Comando Vermelho aos partidos albergados sob togas do STF até os movimentos sem-isso e sem-aquilo, que criam áreas não alcançadas pelo Estado, passando pelas ONGs de interesses obscuros) tomam cada vez mais nacos importantes do nosso território, seja urbano seja rural.

Somos corretamente tachados de estado de “Predação Estatal”. Claro que há mais ilustres “cumpanhêru” que não estão listados ali, como a notória Argentina, que abriu mão de sua liberdade e reconvocou a esqueda de lá pra voltar ao poder e terminar de quebrar a nação irmã.

Somos predados pelo tal “mecanismo”, que, segundo li em algum lado, quer manter o estado sempre vivo, mas no limite da consciência, para que continue a ser sugado.

Deus tem mesmo que sarar nossa terra, como diz a Bíblia, pois que as chagas aumentam.