Luto

Em tempos de perdas e frequentes visitas a velórios e cemitérios, me dei ao trabalho de pensar sobre ir ou não visitar o túmulo dos amigos que recentemente se foram. Pensei, aliás, pensamos, Aline e eu, sobre a amiga amada, Angely, e refleti sobre as visitas que fiz ao local de enterro do meu amado pai, Ivanir, do amigo de infância, Rodrigo Thomaz, do querido Opa Schmidtke (avô da Aline), mas principalmente do filho tão amado, Ettore (Tóia), entre outros tantos.

Daí sai-me com um soneto esquisito, que registro para a posteridade.

Luto (09/07/2026)

Não vá visitar o meu corpo

Que já terminou a jornada

Visite mais bem minha alma

Que pois sim, merece uma olhada

 

Visite uma casca vazia

E lá não terás bom proveito

Após Deus levar o Espírito

Guarde pra si seu respeito

Não faça da tumba turismo

Não chegue tarde até mim

Não espere, e me veja caído

Não haja entre nós um abismo

Não espere da vida o fim

Pra ter inútil luto sofrido

Em tempos de perdas tão doídas, prefiro ir ver o espírito do que ver uma lápide…

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