
Nas ciências da natureza costuma-se dizer que “tudo aquilo que não tem utilidade acaba por desaparecer“. Dizem que foi assim com os caninos, no homem, com o apêndice, entre outras coisas que achamos que a micro-evolução acaba por tornar obsoleto.
Algo que só existe para cumprir um papel irrelevante tenderia, por esta “lei” a desaparecer também. Parece que foi assim, ao longo da história, com diversos penduricalhos colocados à vida humana, como excesso de roupas e badulaques medievais, com gravata em climas mais quentes e com certas regras de etiqueta cujo uso acabou sendo extirpado da sociedade por não ter serventia alguma.
A Reforma Protestante, dentro do cristianismo, parece ter cumprido um grande passo em eliminar um intermediário entre Deus e a criatura – o sacerdote (fazedor de pontes). Foi um passo civilizatório, logo após de se constituir como uma verdade bíblica – “achegai-vos confiantemente ao trono da graça” (Hebreus 4:16).
As próprias regras medievais de corte e casamento foram simplificadas e em sua maioria, deixadas de lado, por pares de seres humanos que julgaram, corretamente, que sua felicidade não podia ser deixada ao capricho de pais e autoridades que nem sempre tinham o seu melhor em seus corações.
Pois bem, assim como na religião e no amor, se a regra continuar valendo, entendo que algumas coisas muito incômodas tendem a desaparecer também, embora pareça que estamos longe de nos desfazer delas. Eis algumas.
Governo Grande
Já houve um tempo em que fichas de papel, carimbos e arquivos de pastas suspensas eram a tecnologia que catalogava, selecionada e ditava a ordem social. O carimbador maluco, caricaturado no “Plunkt-plakt-zum” parecia ubíquo e todo poderoso.
De lá pra cá, os processos informatizados, a internet e, mais recentemente, a Inteligência Artificial, parecem ter tomado o lugar do burocrata de plantão. Num mundo em que as coisas ocorrem cada vez de forma mais autônoma e rápida, é de se perguntar que tamanho de governo precisamos ter, e por que um país como o Brasil possui tanto funcionário público, pago acima dos níveis de mercado, e que, no fundo, na maioria das vezes, parecem apenas como um quebra-mola, um obstáculo entre o cidadão e sua necessidade.
Escola Ideologizada
Vamos à escola para aprender a pensar e sobre o que pensar. Íamos à escola porque o estudo do idioma, da matemática, da lógica, da física, química, biologia, história e outras disciplinas careciam de tempo e instrução precisa e muito, muito tempo dedicado à leitura e resolução de exercícios.
Ao longo do tempo, a escola, principalmente o ensino superior, acabou se tornando caro, excludente e, francamente, mais ideologia do que conhecimento prático, para a resolução de problemas. Tornamo-nos participantes – os EUA que o digam – de um processo de quase deseducação. Vivemos e respiramos o resultado disso: gerações e gerações de recém formados quase inúteis, sem postura e sem garra são o resultado disso tudo.
Volto à minha recente viagem à China só para fazer um paralelo entre a educação e garra do jovem profissional chinês e nossa horda de deserdados da inteligência (claro, com as marcantes exceções de sempre). Ver chineses lançarem-se ao trabalho e à busca por eficiência com tal desejo de vencer me deixa com a nítida impressão de que não teremos nunca a menor chance de competir nem com os asiáticos (o mesmo é praxe entre coreanos, japoneses e outros orientais) nem com países do primeiro mundo. Aliás, não conseguimos competir nem com os vizinhos argentinos e uruguaios.
Religião Bastardizada
Talvez o que mais dê tristeza a alguém que, como eu, vive e respira o Evangelho e o amor a um Deus todo-poderoso seja a inutilidade, para o ser humano, da religiosidade atual. Não falo aqui das religiões não cristãs, cujo cunho básico é no máximo neutro quanto à formação do indivíduo, espiritualmente. Falo de um cristianismo bastardizado que invadiu o Brasil, e que, ao contrário de tantos outros casos, não transforma o ser humano como só Cristo transforma.
Trata-se de um “evangelho de prosperidade” que trata Deus como um servo do ser humano, cujos desejos devem ser atendidos, e para quem tristeza e provação são prova de desfavor da Divindade. Como se o exemplo do cristianismo verdadeiro, ao longo dos séculos, não tenha sido o “tomar a cruz”, e sofrer pela causa de Cristo.
Esse cristianismo bastardo, fácil, sem dores nem lutas, é outra criação humana cuja utilidade é nula, cujo efeito benéfico na sociedade é pouco ou nenhum, cuja melhora moral – que só o Evangelho costuma trazer – não existe.
Quando se “abençoa a propina”, quando se recebe benesses de corruptos, quando se justifica o recebimento ilícito de uma concessão de rádio ou TV, ou outras ações terríveis por conta de um “fim justificável”, tem-se o caminho para a derrocada. Que isso (Deus nos livre) não nos leve a nós, que realmente cremos em Cristo e sabemos que o caminho dEle passa pelo trabalho árduo, honestidade, disciplina, oração e dores, a irmos junto com esse evangelho bastardo para a lata de lixo histórica.
Pseudo-Ciência
São vários os exemplos de pseudo-ciência que nos cercam e que, francamente, deprimem. Já li e ouvi sobre a “Matemática Inclusiva”, sobre as várias teorias críticas de Gênero, sobre outras aberrações que só acadêmicos ou intelectuais conseguiriam acreditar (parafraseando George Orwell).
Não apenas uma escola ideologizada, mas uma ciência que se curva a situações tão ridículas que é extremamente difícil até articular uma reação. Uma professora teima em não responder a uma pergunta objetiva de um senador, em uma comissão no congresso dos EUA. Este pergunta: “objetivamente, existem homem e mulher, do ponto de vista biológico?” ao que a intelectual promove uma dança de palavras sem qualquer intuito que não o de fugir ao mais fundamental conceito biológico: sim, são dois cromossosmos diferentes, X e Y, que performam um ser humano do sexo masculino, e dois iguais, X e X, que fazem o mesmo com alguém do sexo feminino. Só isso. É algo tão indefensável que seria pueril em qualquer outro século – exceto no nosso – ver alguém tentar defender algo diferente. Mas, ok… já vi alguém dizer que “2 + 2 = 4” ser algo pouco inclusivo, e muito radical. Não ter uma alternativa a isso é “bigotry”. Santo Deus…
Quatro exemplos, Governo Grande, Escola Ideologizada, Religião Bastardizada, Pseudo-Ciência, nos dão um vislumbre daquilo que um pouco de micro-evolução vai acabar por eliminar. Deus sempre dá um empurrão nesses processos; Deus sempre acaba por impulsionar a mudança para melhor. Sua Natureza, a criada por Deus, sempre acaba por empurrar as coisas para seus devidos lugares. Ainda que para isso coisas terríveis como fomes, pestes, guerras e outras tragédias tenham que, tristemente, intervir.
Vamos agora ao que mais dá medo, por estar-se tornando não apenas inútil, mas pernicioso
Política
Não é de hoje que países enfrentam o dilema entre A Política e Seus Políticos. Quase todos entendemos que a política parece ser algo importante. Elegemos representantes para que, em um número menor, e devidamente proporcionais aos anseios da população, lhes outorguemos mandatos para falar em nosso nome de uma forma mais ordenada.
A democracia representativa e a república parlamentar são formas legítimas e na maior parte das vezes correta de fazer com que o povo seja representado adequadamente. Parece que ao longo dos anos, tanto a qualidade moral dos políticos quanto as manobras para mudar o sistema de representação, de equitativo e equilibrado em desproporcional e privilegiado tem tornado a política algo francamente odiada.
Tomemos por exemplo o Brasil. Ninguém hoje pode dizer que temos um sistema de representação parlamentar minimamente justo, ou conducente ao equilíbrio do que pensa o país. Hoje, dois caras, um presidente do senado, e outro da câmara dos deputados, possuem um poder desproporcional, que ninguém os outorgou, e que acaba por destruir o sistema de freios e contrapesos da República.
Outro exemplo claro é o poder detido por presidentes de partidos políticos, no processo de indicação de puxadores de votos. O sistema atual de “encaixe” de candidatos nas vagas, independentemente de sua votação pessoal, torna nosso congresso um lugar que, francamente, não espelha, para nada, o que pensa e aspira a população.
Até quando um punhado de pessoas dominará o interesse nacional? Até quando um punhado de autoridades vão, monocraticamente, desdizer decisões desse (já pessimamente representado) congresso e tomar para si o poder de definir leis não votadas?
Até quando, enfim, partidos sem representatividade real na população, dominar o congresso nacional com seus conchavos e tramóias?
É algo que cairá, certamente, em desuso. Antes de cair, porém, deverá trazer consigo alguma tragédia – normalmente acompanhada de sangue.
Cinco exemplos em que um Darwinismo social poderia ajudar a tornar inútil. Cinco tristes sintomas de que algo está muito artificial, muito ruim, em nosso planeta. Mais uma vez tenho que terminar com meu bordão, que uso de vez em quando: Deus nos livre!
