Elon Musk e Bolsonaro

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Hoje dei de cara com uma manchete que choca pela audácia do sujeito. No link acima, da Infomoney, Elon Musk, que ontem disse que tiraria a fábrica da Tesla da California para “Texas ou Nevada”, por conta do excesso regulatório que o estado dos ricos e descolados impõe aos cidadãos e aos negócios. Não é fácil ter propriedade ou negócios na Califórnia. É, talvez, o que mais se aproxima da Europa em termos de regulação, principalmente no que diz respeito a meio ambiente, direitos LGBT+, etc. Impõe um peso que ao longo dos anos tem gerado uma grande fuga de capital de lá.

Hoje, Elon Musk, mesmo proibido pelas autoridades municipais do condado (município) de Alameda, California, peitou todo mundo e diz que abre a fábrica sim, e que se alguém quiser, que venha prendê-lo, mas não aos seus empregados, que só estão cumprindo ordens: “Estarei na linha de frente com todo mundo. Se alguém for preso, peço que seja apenas eu“, escreveu Elon Musk em seu Twitter.

Então qual é o comparativo com Bolsonaro? Tanto lá quanto cá, há uma enorme/diametral diferença de opinião entre a imprensa e governos estaduais e o governo federal, sobre a imposição de lockdown. Lá a coisa é mais rígida do que aqui, na verdade. E Musk entende que a coisa foi longe demais. Trump tuitou que apoia Musk, “a fábrica tem que ser aberta AGORA”, uma vez que Trump deseja o isolamento social, seletivo, mas não lockdown completo.

Os EUA enfrentam uma situação muito pior do que a do Brasil, pois lá tem muito mais infectados e mortos, porque as fronteiras lá são mais “porosas” e tem muito mais cidadãos dos EUA e do mundo todo indo e voltando o tempo todo. Quando Trump decidiu fechar o espaço aéreo e limitar a entrada e saída de pessoas, já era tarde. Ele culpa, com razão, penso eu, a China por ter atrasado a informação sobre a COVID-19.

Aqui a coisa parece mais bem controlada, com uma briga política maior do que sanitária. Podemos acusar Bolsonaro do que for (e ele merece muito xingamento nosso, sem dúvida), mas ele é corajoso pra caramba. Ele está sozinho, contra todos os formadores de opinião, praticamente, apenas com um eleitorado que parece fiel ao seu lado (dentro dos quais não me incluo). Fato é fato – o cara não tem o menor problema de ficar sozinho contra todos. Coisa de ogro? Pode ser, mas que não se lhe negue a coragem. Idem pra Musk.

Quem tem razão no imbróglio? Quem quer lockdown acha que quem quer trabalhar é negacionista da ciência, ogro, bolsominion, burro, etc; quem quer trabalhar acha que o pessoal do “fique em casa” é insensível às necessidades da população mais carente, é “gente rica”, ou esquerdista que não se importa nem um pouco se o país vai pro buraco, “quanto pior melhor” e por aí vai.

Claro que o povo não tem condição, no momento, de ter uma ideia clara do que de fato é certo ou errado. Entendo que um presidente da república, com todo o aparato de inteligência por detrás, deva ter mais condições de tomar decisões sobre isso do que eu, você, ou a dona Maria do carrinho de pipoca… Elegemos o cara (a maioria ainda é a maioria) para ISSO. E em nome de uma suposta imbecilidade do cara (como todo mundo tá tomando decisão pra todo lado, com a única diferença de alguns terem mais verniz na língua do que outros), estamos de cara julgando que a atitude dele é errada, e todo o establishment está se movimentando pra jogar pedra no caminho do executivo a todo custo, usando a mídia toda pra isso, indecorosamente.

Entendo que deva haver uma cadeia de comando em qualquer lugar. O nome “executivo” advém justamente do termo “executar” (fazer, operar). A cadeia de comando está sendo minada a todo momento, por decisões que na melhor das hipóteses poderiam ser consideradas tão equivocadas, ou no mínimo sujeitas a crítica, quanto às tomadas pelo executivo.

Aqui na minha empresa sempre deixo claro uma coisa: pode discordar de mim à vontade. Vou ouvir, ouvir, mas quando tomar uma decisão, ela cabe a mim, pois é o “meu” que está na “reta”. O mesmo, em maior escala, ocorre no executivo. O STF tomou do executivo o poder de tomar várias decisões. Os governos estaduais NÃO estão se saindo melhor, nem pior, do que o executivo, de uma forma que se possa aferir minimamente. Portanto, houve uma quebra na cadeia de comando determinada pelo judiciário, numa incursão indevida em outro poder, pelo arbítrio e julgamento de um único juiz, sem qualquer crivo ou estudo, apenas para defender uma ideia que o tal juiz não tem qualquer condição de tecer juízo de valor com as informações que detém, mas apenas e tão somente por alinhamento ideológico ou de simples pensamento.

Elon Musk quer produzir; não quer matar empregados, não quer criar desastre. Não se sabe, neste momento, se isso vai ou não gerar mais ou menos COVID-19. Mas uma coisa é absolutamente certa e independe de opinião médica para ser verdade – se não produzirmos, morremos todos de inanição.

Não creio que nem Elon Musk nem Bolsonaro tenham por objetivo ferrar com seu semelhante. Mas as coisas estão tão poluídas, que nem o benefício da dúvida é dado a quem, no final das contas, vai acabar tendo o “seu” na “reta”… não a imprensa, não o STF, não os governadores, não o Congresso. Só o executivo.

Limites Constitucionais

Constituição Federal: muito falada, pouco conhecida

Li outro dia um post de um advogado, que me parece bem interessante. Não concordo com tudo o que está ali, mas no que tange a alguns aspectos constitucionais, sou forçado a concordar.

Direito de Ir e Vir

A Constituição preconiza a “liberdade de ir e vir” (artigo 5º, XV, da CF). Já o artigo 5º, II, da mesma Constituição diz que existem as “obrigações de fazer ou deixar de fazer determinado comportamento “somente em virtude da Lei”. Grandes conquistas. Como não sou advogado, mas contador e perito em causas judiciais aqui e ali, tenho que ir buscar conselho em quem entende (neste caso https://www.conjur.com.br/2020-abr-12/ricardo-marques-covid-19-nao-direitos#sdfootnote1sym).

O autor deste artigo é enfático em dizer que:

Chamou a minha atenção o fato de o presidente da República Jair Messias Bolsonaro, nessa sexta-feira da paixão, passear pelas ruas da capital federal, sendo massivamente criticado pela imprensa, que o classificou como delinquente social e irresponsável[2], diante das regras de governadores de estados que limitam a liberdade das pessoas e a atividade econômica. Mas, apesar da crítica ferrenha, outro fato despertou a minha atenção a frase do presidente: “Ninguém vai cercear meu direito de ir e vir”.“sua frase e, mais do que ela, seu direito, sob o ponto de vista jurídico’… ‘se ampara na tradição jurídica secular, da Carta Magna de João Sem Terra, às Revoluções Francesa e Americana.”

E aí? Que direito têm então, sem quebrar a Constituição, governadores e prefeitos de mandar fechar uma loja, prender o dono, mandar todo mundo ficar em casa sem exceção?

Ah, mas a Lei da Quarentena não prevê isso? Não. Prevê o isolamento somente de quem estiver contagiado (pessoas, bagagens, cargas, etc). “Ah…” – dirá você – “mas como é que vamos saber quem está contagiado ou não?”. Você pode argumentar que deveria haver medida mais dura na Lei. Existe, mas obviamente os políticos e o STF jamais daria essa moleza ao Bolsonaro – afinal, Estado de Sítio e Estado de Calamidade Pública, com o aumento de poderes presidenciais e dos militares, o que não interessa a ninguém do establishment político-jurídico (e aqui, sem crítica a esses poderes, e também sem preferência pelo executivo).

De quem são os espaços públicos?

A questão mais direta aqui lida com a “praia”. Esta é federal, faixa de marinha, sendo impossível, inclusive, construir nela sem expressa autorização. No Brasil, ao contrário de muitos países, não existe “praia particular”, exceto se por alguma “sorte” do dono do local, um acidente geográfico impeça a entrada normal de pessoas – mesmo assim tem que haver uma “servidão” (passagem).

Como é que se arvoram em prender gente na praia os governadores de alguns estados?

Qual é a questão

Não se trata de ser contra o isolamento, ou ser contra o lockdown. Nada disso. Trata-se apenas e tão somente de saber que limites existem. A questão fundamental é que evitar lockdown é apenas uma forma de manter a constituição, enquanto esta não for mudada. Infelizmente estamos fazendo, todos, parte de um grande experimento social, que pode até não “visar” eliminar liberdades, mas certamente dão a pista de como a sociedade vai responder em caso de uma ameaça real às liberdades individuais.

A Suécia disse algo mais ou menos parecido, para justificar o fato de que não iria colocar todo mundo trancado em casa, preferindo apelar para o bom senso da população, o que funcionou, em boa medida. E mesmo que tiver funcionado em escala menor do que em outros países, pelo menos não serviu pra criar uma determinada ruptura constitucional. Bom, cada país com suas leis, e em alguns casos, como nos EUA, é possível, por haver uma constituição mais enxuta e mais poder ao executivo.

Em suma, acima apenas dois problemas para os quais a mídia não deu nenhuma atenção, e que, gostemos ou não, tornam a posição do executivo mais entendível. Ao delegar aos estados, de forma monocrática, a responsabilidade pelas medidas de combate ao COVID-19, o STF criou ainda mais complicação jurídica numa seara já nebulosa. Ao tomarem as medidas que estão tomando, os governadores e prefeitos estão sendo frontalmente contrários à constituição. Se as medidas são boas e apropriadas ou não, não vem ao caso aqui (até acho que em boa medida o são).

Um STF minimamente alinhado com a Constituição teria dado indicações mais claras e ajudado a resolver um problema de segurança jurídica. Bolsonaro estará certo se sair pela tangente dizendo que “a responsabilidade foi assumida pelos governadores”…

Chá com arsênico

clear glass cup with tea near brown ceramic teapot
Photo by Manki Kim on Unsplash

Um dos episódios da vida pública que mais me agrada, pela mordacidade da pergunta e pela vivacidade da resposta, se deu em um trem de metrô em Nova York, em 1899, e relatada pelo Oswego Daily Times, recontada diversas vezes, uma delas com um suposto duelo verbal entre Winston Churchill e Nancy Astor, no parlamento inglês, mais ou menos assim:

“Meu senhor, se eu fosse sua esposa, colocaria arsênico no seu chá”… ao que o sujeito responde – “minha senhora, se a senhora fosse minha esposa, eu o beberia”…

Genial! Sem levar em conta quem o disse, se a dupla no Metrô de NYC, se Churchill e Astor em 1949, se Grouxo Marx em 1962, ou qualquer outro iluminado, o fato é que é muito interessante ver como uma troca de “insultos” pode ser tão bem concebida e finalizada. Só nos resta pensar numa possível resposta para a mulher, diante dessa pancada. Eu ainda não consegui. Minhas amigas feministas se resumem em dizer que a coisa foi ao contrário – a mulher teria respondido… o que não tem base histórica nenhuma, mas é “ben trovatto”…

Tudo isso pra dizer que estou topando beber arsênico diante de uma situação tão absurda como as opiniões de jornais e TVs da atualidade… Todo dia somos bombardeados com “fatos” jornalísticos da “maior relevância, como uma “notícia” (perdoem-me todas as aspas, mas como o entendimento sobre ironia está sendo perdido na população, creio que elas ajudam).

Ontem vi uma manchete “importantíssima” sobre o fato de que Bolsonaro, ao receber o empresário Luciano Hang, o teria abraçado. Pois é… ignomínia! Eu me pergunto se existe um bando de “focas” nas redações dos jornais, com mandato expresso de buscar qualquer coisa que seja sobre o governo, para apedrejá-lo. Não que eu ache que este governo esteja fazendo maravilhas. Longe de mim. Votei no Novo no primeiro turno, como já cansei de escrever, e em Bolsonaro no segundo, pois que votar no PT sempre foi para mim algo parecido com matar meus pais… Mas cá entre nós, a despeito dos auxílios luxuosos que Bolsonaro dá aos críticos, nada justifica o tratamento a ele dispensado pela mídia, pelo judiciário e pelo legislativo. A impressão que eu tenho é que o fato do cara ter colocado o dedo em muitas feridas ao mesmo tempo fez com que coisas sem relevância tivessem se tornado “the must”, enquanto coisa importante é varrida para baixo do tapete sem a menor cerimônia.

Mal comparando, “coisinhas” como se mijar em público em Davos, copular com a amante no avião presidencial sob o conhecimento de muitos dignitários, ou ainda assassinar a lógica e os idiomas em frente a câmeras de TV do mundo todo (desmerecendo toda uma população), ou ainda conchavar descaradamente por dinheiro, roubar desmesuradamente, tudo isso, parecem atos e palavras de somenos importância. Por favor…

Não há paz, não há tranquilidade para o executivo fazer NADA. Nem uma ação. Atos normais, irrelevantes mesmo, assumem um relevo de crime de lesa-pátria, enquanto atitudes que realmente matam a nação, como destinar zilhões a governadores irresponsáveis e eleitoreiros, espetando a conta nas cotas do governo federal, não têm a MENOR repercussão na mídia. Deixamos de ter um mínimo de caixa de ressonância, de imparcialidade, de clareza e correção no que ouvimos e vemos no noticiário.

Faz alguns dias que deixei de ver qualquer tipo de notícia, exceto econômicas e sobre a COVID, por razões profissionais. Não tenho mais estômago. E não falo de Globo, Band, CNN Brasil, nada disso. Falo de um mar de insinuações, provocações, maledicências, maldade pura e simples, geradas pelo fato de que o executivo se recusa a gastar em publicidade. Não importa a razão. Eu, se fosse o presidente, teria chamado as TVs e jornais, especificado que iria reduzir substancialmente as verbas, mas que iria continuar a manter uma comunicação mínima com a população via grande mídia. Bolsonaro decidiu pela via da confrontação, como aliás, é seu estilo, e que reprovo. Mas ao decidir isso, ele não poderia ter comprado contra si o ódio mortal sobre toda e qualquer iniciativa de governo, boa, má ou inócua. Não é possível ser visto sob um ângulo tão negativo todo o tempo.

O chá com arsênico foi servido pela grande mídia. Bolsonaro provavelmente vai bebê-lo. O fato é que ao fazer isso, e consequentemente, morrer, leva consigo a esperança dos votos de milhões de brasileiros, que queriam, e continuam querendo, ver um país menos corrupto, mais aberto ao mundo, menos comunista, menos paternalista, menos gastador, e menos inchado…

Não beba o chá, Bolsonaro. Mantenha-se vivo, mesmo que isso signifique transigir com essa gente, em termos republicanos, mas para manter-nos pelo menos um pouco, longe de uma guerra civil.

Brasil perde…

Com ironia, Sergio Moro volta a atacar divulgação de diálogos da ...
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Estou neste momento ouvindo o pedido de demissão do Ministro Sérgio Moro. Apalermado com o que estou ouvindo, só tive uma atitude – clamar a Deus por nosso país. Um momento como esse, com COVID e dezenas de problemas tão graves, não precisávamos deste problema. O pior, da forma como o Min. Moro colocou – pressão para que o presidente tenha acesso a inquéritos secretos e a “diálogo” com o diretor da Polícia Federal. Inacreditável!

Depois de anos sendo roubados, pelo PT e seus satélites, estamos diante de um governo que até este momento, pelo menos pelo que podemos perceber, está fazendo trabalhos muito bons, com ministros bastante bons. Agora, isto… Não consigo entender o que leva um presidente fazer tanta bobagem, em momentos tão difíceis! Ora por favor!

Será que estamos fadados a viver num país de Maias, Lulas, Alcolumbres, Dilmas, Dirceus, e tantos outros? Como pode ser que não consigamos levar adiante uma agenda honesta e positiva? COMO viver em um país em que, de um lado a imprensa torce contra e distorce tudo, de outro temos um Congresso de ladões, majoritariamente, um STF incompetente e parcial? COMO seguir vivendo, fazendo negócios, se de um lado temos uma esquerda louca, ladra, radical, com uma agenda pró-China, pró-Cuba, e tantas outras excrescências, e de outro e de outro uma cambada de cretino, que quando não é desonesto (não acho que o Bolsonaro seja necessariamente desonesto) é burro (ou mal orientado).

Palmas, sim, para a clareza, honestidade e firmeza de caráter de Moro. Já o conhecíamos, conhecemos ainda mais. Bolsonaro deve ter julgado que Moro não teria “colhões” para seguir com a demissão. Perdeu, e graças a Deus. Não creio que Moro tenha qualquer motivo ulterior, seja político ou de qualquer outra natureza.

Me assusta, agora, o resultado dessa situação. Covid, demissões de ministros, etc. Quem, agora? Paulo Guedes? Melhor trocar o próprio Bolsonaro, dando espaço ao General Mourão, para tentar resolver o que foi criado pelo próprio presidente, por seus erros.

Fico triste pelo Bolsonaro. Ele me parece, ou parecia, um homem bem intencionado. Não sei mais.

Deixo claro aos meus amigos que não significa o atenuamento de meu horror com os anos negros do PT. NADA foi pior do que aquilo. Teremos muita dificuldade de ver uma situação tão grave como as do passado recente.

Não terei nunca o “meu Lula”, o meu “bandido de estimação”. Se ao fim de ao cabo Bolsonaro se revelar mau, não será porque ele usou discurso cristão que eu o vou apoiar.

Espero, também, que meus amigos não achem que Rodrigo Maia ou Davi Alcolumbre passaram a ser heróis da pátria. Muito menos os notórios do PT.

Estamos é num mato sem cachorro…

ONU versus ONU

brown concrete building under blue sky during daytime
Photo by Tomas Eidsvold on Unsplash

https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/coronavirus-pandemia-fome-alerta-agencia-da-onu/

A Gazeta do Povo de hoje repercute a matéria que já está na boca de muitos, por aí, e se refere à “guerra” entre a OMS e a PMA (Alimentos), por conta da crise do COVID-19. David Beasley, diretor do PMA – Programa de Mundial de Alimentos, da FAO, disse:

“Se não nos prepararmos e agirmos agora, para garantir o acesso, evitar déficits de financiamento e interrupções no comércio”, o resultado pode ser uma “catástrofe humanitária… em poucos meses”.


A ONU demonstra à ONU que a ONU está errada. A ONU do alimento mostra à ONU da saúde que há um erro grave de estratégia. Enquanto isso, na Bat-caverna chamada de Brasil, continuamos a brigar com o executivo por conta da simples “menção” a este fato…

Não que isso vá em nada ajudar aos contra e a favor de isolamento a pensarem “fora da caixinha”, como virou clichê, mas é importante dar elementos de julgamento para depois não vermos mudada, a golpes de tacape da imprensa mainstream, a narrativa em torno de “quem disse o que”, como fez recentemente João Dória, tomando posse, ou melhor, dando a posse a David Uip, e paternidade do uso de Hidroxicloroquina… Não que isso faça qualquer cócega na consciência de político, porque não ter consciência parece ser pré-condição para o sucesso na política, mas é preciso deixar registrada a linha da narrativa hoje, para que daqui há 12 meses alguém não assuma a paternidade da defesa da economia, vis-à-vis a pandemia, como certamente ocorrerá.

Quem viver (literalmente) para contar poderá revisitar o artigo (este e aquele) e comparar o que aqui e lá foi escrito com as palavras dos governadores, ora inclusive imbuídos, em boa maioria, de pichar “cartas abertas” e manifestos oportunistas, vergonhosos e contraproducentes.

O medo acima de tudo

pink and white victorias secret textile
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Acabei de ter um video-call com minha equipe de gerentes e diretores. Gente que priva da minha total confiança e que tem a “ousadia” de falar na minha cara, abertamente, o que pensam, sabendo que eu gosto mais de latir do que morder, como bom viralatas. A reunião era sobre a possibilidade de retorno às atividades normais, pouco-a-pouco, visto que estou em contato com centenas de outros empresários, e que há uma certa preocupação em fazer um retorno em condições razoáveis e ordenadas, tomados os devidos cuidados.

Saí da “reunião” espantado. Existe, claramente o aspecto pragmático, que só uma equipe eficiente tem (aliás, são todos, gerentes e diretores da equipe, mulheres). Os argumentos são válidos e variaram de um simples “precisamos distanciamento dentro do escritório, limpeza boa, máscaras, etc”, até considerações sobre a recente redução da jornada de trabalho, onde deixar os filhos, já que as creches não estão funcionando, uma infinidade de detalhes que, francamente, me passaram batido, como bom homem à moda antiga que sou (limitado, focado no objetivo somente, etc).

Mas o que me espanta mesmo são as conclusões a que cheguei sobre a situação em que estamos metidos, não só como país, mas como “mundo” e o que isso acarretará no longo prazo.

Medo Patológico

O nível de medo que pude detectar, medo sincero, nas pessoas, tanto da minha equipe como de outras, é impressionante. A paúra de que tem um equivalente a bicho-papão na esquina, e que VAI matar você, inapelavelmente, ou aos seus, é tão real que dá quase pra pegar com as mãos.

O medo se mostrou logo de cara, quando falei que eu, pessoalmente, pretendia ir retomando atividades no escritório, pois que estou ficando quase doido dentro de casa, apesar de estar trabalhando mais do que antes. A reação foi imediata, e variou desde “eu não” até “você tá doido” (ou quase isso).

Minha resposta foi uma simples pergunta, de volta: “Ah, ok. Ou seja, quanto mais o tempo passar, como é que vocês acham que essas reações serão?”. E é isso, exatamente, que me mete medo (sem trocadilho): a cada dia que passa nós aumentamos nosso grau de medo, e com certeza, de susceptibilidade a outros tipos de problemas, desde depressão a outras “patias”.

Incapacidade de Retomar

Começaremos a nos sentir incapazes de retomar as atividades normais? De interagir? Como vamos enfrentar o dia a dia normal? Qual será o motivador que me tirará da cama para “enfrentar o bicho-papão” na esquina? Será a geladeira vazia? Será a empresa se desagregando ou falindo? Será uma ordem do governo?

Não sou exatamente um cara depressivo, pela natureza, mas sinto a cada dia que estou mais encarquilhado. Com mais dificuldade de retomar o dinamismo, de fazer negócios, de interagir normalmente.

Será que “sairei do outro lado” normalmente?

O efeito da política

Ninguém está se dando conta do efeito pernicioso da briga política que está rolando neste país, e que envolve mais do que o presidente e o ex-ministro da saúde. A briga desceu para os andares de baixo, com ambos os lados se escorraçando publicamente, com os já típicos “vai estudar”, “fulano disse isso”, “beltrano apoia o confinamento”, “Globolixo”, etc… Ninguém mais parece querer aceitar um comando.

Por outro lado, o STF e a Câmara fazem o possível para tirar os poderes do executivo. Estamos sem comando central, e isso não se deve a essa ou aquela atitude ou palavra do presidente:

  • O STF decide que no Brasil os governadores têm mais autoridade do que o Ministério da Saúde (esqueçam o presidente por um momento);
  • A Câmara aproveita o momento tumultuado para passar emendas ao Plano Mansueto, e joga no colo do tesouro nacional a dívida impagável dos estados, tirando desses a responsabilidade por manter um mínimo de ordem fiscal na casa;
  • A oposição apoia todo e qualquer sujeito, com qualquer intenção que seja, e que fale contra o presidente, não importando o que ele fale;
  • A grande mídia, cercada de dívidas e com delirium tremens de falta de publicidade governamental, dá eco a toda e qualquer posição contrária ao executivo, mirando no presidente, “errando” a cabeça dos seus ministros, elogiando-os, como se o ministério tivesse aparecido por combustão espontânea na Esplanada, em Brasília.

Enfim, uma enorme piada de muito mau gosto, e que vai enchendo a cabeça de quem tem menos afeto à leitura mais extensiva das opiniões, contra e a favor de qualquer posição (quem chegou até aqui neste artigo entendo o que digo; quem é leitor de memes já parou faz tempo e não se dará conta do que escrevi).

Há um caminho do meio. Há a possibilidade de, racionalmente, tentar unir a população contra o virus, independentemente de governo, remando todos para um lado só. Mas certamente, Câmara, Senado, Oposição, STF e Imprensa NÃO têm essa intenção. Espero, por Deus, estar errado, mas como leio bastante, de tudo, em detalhes, não estou nada esperançoso.

Uma Nota Importante – escrevo antes de tudo como memórias, para mim mesmo. Um dia relerei tudo isso, e me questionarei “onde estava com a cabeça quando escrevi isso”, ou até me congratularei por uma coisa ou outra que escrevi. Portanto, não gostou? Critique (costumo dizer que as opiniões negativas são mais importantes que as positivas). Mas faça-o com civilidade e fundamento (ainda que eu não concorde, vou examinar seu arrazoado com atenção).

Será que em Harvard acreditarão?

https://dash.harvard.edu/bitstream/handle/1/42638988/Social%20distancing%20strategies%20for%20curbing%20the%20COVID-19%20epidemic.pdf?sequence=1&isAllowed=y

Recebi o link acima de um amigo empresário que, como todo mundo com contas a pagar e sem um patrão-estado, está preocupado com o alongamento desta tranca imposta à população de forma indiscriminada, gostaria de transcrever abaixo, em tradução livro, um trecho do “paper” publicado pela Universidade de Harvard, cujo link pode ser facilmente acessado, acima, com acesso a todo o dito material. Depois, meus comentários:

“Para simulações com isolamento sazonal, o pico ressurgente pós-intervenção pode exceder o tamanho da epidemia irrestrita (Figura 2, Figura S5 [vide link acima]), tanto em termos do pico de prevalência quanto em termos de número total de infectados. O forte distanciamento social mantém uma alta proporção de indivíduos suscetíveis na população (grifo meu), levando a uma epidemia intensa quando R0 (N.T. “basic reproduction number”, ou número básico de reprodução) aumenta no final de outono e inverno. Nenhuma das intervenções pontuais foi eficaz na manutenção do prevalência de casos críticos abaixo da capacidade de cuidados intensivos.”


“O distanciamento social intermitente pode impedir que a capacidade de atendimento crítico seja excedida (Figura 3, Figura S6). Devido à história natural da infecção, há um atraso de aproximadamente 3 semanas entre o início do distanciamento social e o pico da demanda de cuidados críticos. Quando a transmissão é forçado sazonalmente, o distanciamento social no verão pode ser menos frequente do que quando R0 permanece constante em seu valor máximo de inverno durante o ano. O período de tempo entre medidas de distanciamento aumentam à medida que a epidemia continua, à medida que o acúmulo de imunidade a população retarda o ressurgimento da infecção. Sob as atuais capacidades de cuidados intensivos, no entanto, a duração geral da epidemia de SARS-CoV-2 pode ir até 2022, exigindo a adoção de medidas de distanciamento social entre 25% (no inverno R0 = 2 e sazonalidade, Figura S3A) e 70% (para o inverno R0 = 2,5 e sem sazonalidade, Figura S2C) desse período.”

E agora? O que pensar? O estudo continua:

“Um único período de distanciamento social não será suficiente para impedir que as capacidades de cuidados críticos sejam ultrapassadas pela epidemia de COVID-19, porque, sob qualquer cenário considerado ela deixa boa parte da população suscetível que um ressurgimento de transmissão após o final do período levará a um número de contágios que excederá essa capacidade. Esse ressurgimento pode ser especialmente intenso se coincidir com um aumento de inverno no R0. O distanciamento social intermitente pode manter a ocorrência de casos críticos de COVID-19 dentro das capacidades atuais do sistema. Essa estratégia, porém, pode prolongar duração total da epidemia até 2022. O aumento da capacidade de cuidados intensivos reduz substancialmente a duração geral da epidemia, garantindo cuidados adequados para quem estiver gravemente doente.”

Em síntese, a brilhante conclusão a que Harvard chegou, com método científico e uso de equações diferenciais, nos leva a concluir exatamente o que boa parte da população intuitivamente crê: que confinar indefinidamente, sem haver vacina, é contraproducente.

Além disso, o estudo coloca um peso enorme no clima, sobre as decisões. Como já disse em outro post, o hemisfério sul está em exata contraposição ao norte, onde esses estudos estão sendo feitos, e onde as “medidas que deram certo” (ou errado) foram tomadas primeiro. Em nossa sanha de não pensar por conta própria e não interpretar resultados antes de sair agindo igual doidos, esquecemos que rumamos para o INVERNO, e estávamos em pleno verão quando essa folia começou. Ou seja, fizemos o contrário do que Harvard preconiza, e que o demonizado presidente justamente dizia que éramos para fazer.

No mais, se alguém quiser brigar comigo, não o faça. Brigue com o estudo aí em cima.

O frágil equilíbrio econômico

boy holding stock pot
Photo by Muhammad Muzamil on Unsplash

Uma economia pujante é como uma vaca premiada. Ela dá muito leite, é bonita e dá retorno ao dono. Mas geralmente é um animal frágil. Qualquer economia, mesmo se ligeiramente maltratada, tende a murchar e morrer.

A vida econômica é como o sistema sanguíneo – um sistema de vasos comunicantes infinitos, cujo vai-vem de “nutrientes” que mantêm a vida. Qualquer interrupção nesse sistema provoca confusão, doenças e males que levam até facilmente à morte.

Independentemente de se você é contra ou a favor de restrições às movimentações de pessoas, #fiqueemcasa ou #obrasilnaopodeparar, o que escrevo aqui nada tem a ver com seu ponto de vista. É uma constatação às vezes difícil de engolir.

A história demonstra que a supressão de fluxos comerciais ou da circulação de bens e serviços, mesmo por curto período, sempre gerou catástrofes. Apenas para citar algumas:

  • O “grande salto adiante” (China, 1958-60) foi a tentativa chinesa, no início da dominação comunista, de criar uma indústria de base e uma agricultura de bases centralizadas. O planejamento feito em Pequim, por burocratas, deu tão errado que causou a morte de mais de 100 milhões de pessoas, de fome – produtos ruins e caros chegavam a uma população empobrecida;
  • O “Gosplan” (abreviação de Comitê Estatal de Planejamento) instituiu na União Soviética, os planos quinquenais, entre 1921 até a derrocada final do regime, em 1991. O sistema de planejamento quebrou a espinha dorsal da produção e levou a Rússia ao caos econômico e à sua ruína. Isso pra não falar o Holomodor, uma chacina de camponeses impedidos de produzir, que gerou quebras de safras e efeitos em cascata de fome e destruição;
  • Os planos de safra em Cuba – A criação do Ministério do Açúcar define bem o nível de dirigismo dessa economia, e por que a economia cubana dependeu tão profundamente da URSS. Ainda hoje os efeitos das quebras de racionalidade nas transações vindas daí cobram um preço no baixo crescimento da economia cubana (a despeito da propaganda em contrário e das estatísticas “oficiais”).

Esses artificialismos econômicos não ocorrem só em países socialistas. Entendo que a OPEP é uma forma artificial de controle de preços que quebrou cadeias produtivas no mundo e gerou duas crises (choques do petróleo) de grandes proporções. Qualquer cartel é um artificialismo que gera pobreza. A política dos “campeões nacionais” de triste e recente memória no Brasil é outro exemplo trágico.

Independentemente de sua preferência durante esta crise da COVID-19, e independentemente do seu nível de hipocondria (que eu creio que direciona mais as ações e opiniões do que outros fatores), a economia continua sendo uma “vaca premiada”, que adoece por qualquer coisa e corre risco de morrer. As recentes intervenções na economia, começando pelos PNDs no Brasil (Planos nacionais de desenvolvimento), ainda nos governos militares, passando pelos planos de estabilização econômica, foram coroados nos anos Lula/Dilma pela intervenção maciça na economia, que nos levou a uma recessão que encolheu o PIB em mais de 10% em 2 anos, o que pode dar “2 Covids”.

Assim, dada a fragilidade das trocas econômicas, das cadeias de produção, dos fluxos de dinheiro em circulação (e em poder de quem precisa, a população de mais baixa renda, não empregados do governo), precisamos desesperadamente de deixar a economia fluir TANTO QUANTO possível. Claro, com todo cuidado, com prevenção e isolamento social (3 metros ou 30 Km dá no mesmo) deve ser tomado. Tem que ser absolutamente rígido nisso. No entanto, já vemos começar o esgarçamento do tecido econômico aqui e acolá.

Para se ter uma ideia do tamanho do problema econômico, os zilhões gastos até agora pelo Governo para tentar minimamente remediar a situação dos mais fragilizados não vai dar pra resolver a vida nacional por mais do que algumas semanas. E isso ocorrerá à custa de um aumento brutal no déficit público. O tamanho da economia é desproporcional à capacidade do governo – qualquer governo – em suprir a diferença gerada pela quebra de cadeias econômicas inteiras.

Por enquanto estamos rumando para dois tipos de caos – de saúde e econômico. Resta saber qual matará mais. Aposto no econômico (com tristeza por ambos)…

Imitadores, não pensadores.

O hemisfério norte está saindo do frio. O hemisfério sul está entrando nele. Há uma curva bastante bem demarcada de mortes totais na população, que aponta para um aumento crítico nos meses de inverno:

https://www.legacy.com/news/culture-and-history/yes-its-true-more-people-die-in-january/ – In “Yes, it`s true – more people die on January”.

Cada um dos “picos” acima se refere exatamente a Janeiro, ou Fevereiro de cada ano, no hemisfério norte. O “Janeiro” deles é o nosso Junho, e o “Fevereiro” deles é nosso Julho, em termos de sazonalidade das mortes.

A questão lógica que se propõe no Brasil é se estamos ou não certos em tentar empurrar a curva de contaminação da COVID-19 pra frente. Como sempre, copiamos sem pensar muito os modelos que “deram certo” no hemisfério norte, onde está a maior parte das nações desenvolvidas.

Ocorre que lá, empurrar a tal curva pra frente, achatar a curva, faz sentido. Aqui no hemisfério sul, não faz. E a explicação é bem simples: enquanto eles saem do inverno, nós entramos. Essa é inclusive uma das razões pelas quais o combate à COVID-19 no Brasil até o momento se demonstra relativamente mais efetivo do que em países mais desenvolvidos.

Há um racional, então, para o que estamos fazendo? Vamos relacionar as medidas que estamos tomando com o outro fator chave nessa equação, que é a economia: achatar a curva implica em trancar gente; trancar gente implica em trancar a economia; trancar a economia implica em criar diversos problemas estruturais e conjunturais para o país.

Assim, as medidas que o presidente Trump está tomando nos EUA, rigorosas e de lockdown, são medidas corretas, no sentido de que o país tem a “felicidade” de estar rumando para períodos mais quentes.

No Brasil, ou é tudo a mesma coisa – verão, inverno, etc, como por exemplo nos estados do N, NE e CO. A coisa complica mais um pouco no S e SE, porque o clima castiga um pouco mais.

Então, faz sentido o que estamos fazendo aqui? Aparentemente não. Promovemos um lockdown em alguns estados por razões açodadas e claramente de cunho político, e não cuidamos de entender com calma outras variáveis importantes, como essa meia dúzia de dados coletados, que incluí aqui.

Em síntese:

https://www.demogr.mpg.de/books/drm/003/2.pdf – In Seasonality of human mortality.

A reação do organismo ao clima, no Brasil, tende a ser menor do que no hemisfério norte. Estamos, portanto, usando medidas de contraciclo no meio do ciclo…

https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0225994

O gráfico acima, se tivessemos aqui (devemos ter…) seria um espelho quase que perfeito ao acima, que trata só do Norte do Equador. Assumindo que isto seja verdade, hoje estamos no “mês de setembro” do hemisfério norte, ou seja, um mês de relativa calmaria de mortes estatísticas. Em três meses estaremos no “dezembro” do hemisfério norte, rumando para os meses de caos, Janeiro e Fevereiro (nossos Junho e Julho).

Até lá, teremos criado um estresse antecipado e em boa medida desnecessário, no momento errado e ficaremos sem munição para atravessar o momento mais agudo.

Não se trata de dar tempo de capacitar mais os hospitais. Isso a natureza já cuidou de nos dar, nos meses até maio pelo menos. Teríamos que ter tomado as mesmas medidas de aumetno de capacidade das UTIs, respiradouros, etc, mas SEM ter sufocado a economia por antecipação.

Como este país todo mundo se rege pela cartilha dos países do Norte sem fazer praticamente nenhuma reflexão, estaremos diante de um problema muito mais grave do que o necessário, e que começará a se tornar crítico em Junho, caso Deus não nos mande um milagre em forma de vacina ou outra cura antes.

Luzes da Ribalta

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Photo by Matt Chesin on Unsplash

Político não escolhe essa ‘profissão’ à toa. Ninguém chega a um cargo eletivo sem ter na personalidade um misto de animador de auditório e advogado; de artista de novela e orador. É uma profissão para poucos, no mundo, e no Brasil, para menos ainda, pois invariavelmente uma dose de cara de pau e disposição para o ‘vale-tudo’ é necessária. Tivemos grandes oradores em nossa história, desde Ruy Barbosa até FHC, passando por gente muito craque nesse mister, como o ex-presidente, reconhecidamente um dos melhores comunicadores que tivemos, em que pesem nossas opiniões sobre ele e seu caráter, ou falta dele.

Por que é assim? Por que uma pessoa estaria permanentemente em busca de ser notícia, de ter algo para falar, uma opinião ‘certeira’, uma frase de efeito… Ora, desde os tempos da Ágora grega, é preciso conquistar para o seu lado uma grande quantidade de pessoas disposta a depositar confiança em alguém através do voto. As formas de buscar essa popularidade que garante votos muda e evolui com o tempo. Subir num caixote de feira com uma corneta na mão já foi suficiente. Depois vieram os palanques com carros de som. Depois, a mídia televisiva. Agora, como nos ensinou a eleição passada, é a mídia digital que “manda”, associada com outras formas.

O que não muda é o desejo insaciável dos políticos por um holofote. É de pasmar… a expressão “papagaio de pirata” foi cunhada em homenagem a quem não resiste à tentação de aparecer na frente das câmeras, mesmo a custa de passar um ridículo ou outro.

A situação atual é o resultado dessa holofotefilia… De um lado, a esquerda se junta a governadores para fazer o oposto do que o governo federal faz. Qualquer oposto. Não importa. Se Bolsonaro pregasse lockdown horizontal, eles iriam na direção contrária. Se Bolsonaro achasse um absurdo administrar Hidroxicloroquina, eles achariam o máximo e defenderiam com ardor juvenil.

Mandetta, bom técnico e (parece) melhor político, pode não ter tido a intenção inicial, mas certamente está escudado numa posição de “força” e está super à vontade em frente aos holofotes diários, que o colocarão certamente como figura nacional, e com isso, destinado a vôos políticos mais altos. É a grande chance, há que se agarrar a ela. “Nada pessoal”, presidente, ele pode ter dito… e vida que segue. Até acabar a pandemia e o cara se tornar menos indispensável, talkey?

Pois bem, de outro lado Bolsonaro não parece a dividir o “reino” dele com ninguém, não acha prudente deixar o subordinado raposa-política aparecer. Ficou brabo, deve ter dado murro na mesa… Afinal, Guedes e Moro são outra coisa. Tudo, menos políticos. Creio que só depois de se convencer que Moro não tinha mesmo qualquer ambição política, mas, claro, quer um cargo no STF, foi que o presidente se tocou e parou de encher o saco dele.

Bolsonaro precisa pensar: a melhor forma de se utilizar dessa situação é fazer justamente o contrário: dar corda e levar parte dos louros. Afinal, a despeito das cretinices da imprensa, dizendo que Bolsonaro é “menor que seu governo”, isso obviamente é uma idiotice – Bolsonaro é do tamanho do governo que criou. Nem mais, nem menos. Cortou aqui e acolá qualquer político engajado em seu governo que quis colocar a popularidade acima da função, como foi o caso de Bebbiano, entre outros. Outros, demitiu por despeito ou intriga mesmo. Mas daí a dizer que o governo é ruim… vão algumas léguas.

A Holofotefilia não vai acabar nunca. É da natureza do animal da política. O que é importante é deixar claro que há uma linha traçada no chão pelo presidente – ou o cargo ou a popularidade. Os dois, ele não admite. O governo é dele, para bem ou mal, e os incomodados terão que se mudar. Não antes de criar muito caso e ao sair, se tornarem detratores do mandatário. Coisas da vida brasileira…