Será que em Harvard acreditarão?

https://dash.harvard.edu/bitstream/handle/1/42638988/Social%20distancing%20strategies%20for%20curbing%20the%20COVID-19%20epidemic.pdf?sequence=1&isAllowed=y

Recebi o link acima de um amigo empresário que, como todo mundo com contas a pagar e sem um patrão-estado, está preocupado com o alongamento desta tranca imposta à população de forma indiscriminada, gostaria de transcrever abaixo, em tradução livro, um trecho do “paper” publicado pela Universidade de Harvard, cujo link pode ser facilmente acessado, acima, com acesso a todo o dito material. Depois, meus comentários:

“Para simulações com isolamento sazonal, o pico ressurgente pós-intervenção pode exceder o tamanho da epidemia irrestrita (Figura 2, Figura S5 [vide link acima]), tanto em termos do pico de prevalência quanto em termos de número total de infectados. O forte distanciamento social mantém uma alta proporção de indivíduos suscetíveis na população (grifo meu), levando a uma epidemia intensa quando R0 (N.T. “basic reproduction number”, ou número básico de reprodução) aumenta no final de outono e inverno. Nenhuma das intervenções pontuais foi eficaz na manutenção do prevalência de casos críticos abaixo da capacidade de cuidados intensivos.”


“O distanciamento social intermitente pode impedir que a capacidade de atendimento crítico seja excedida (Figura 3, Figura S6). Devido à história natural da infecção, há um atraso de aproximadamente 3 semanas entre o início do distanciamento social e o pico da demanda de cuidados críticos. Quando a transmissão é forçado sazonalmente, o distanciamento social no verão pode ser menos frequente do que quando R0 permanece constante em seu valor máximo de inverno durante o ano. O período de tempo entre medidas de distanciamento aumentam à medida que a epidemia continua, à medida que o acúmulo de imunidade a população retarda o ressurgimento da infecção. Sob as atuais capacidades de cuidados intensivos, no entanto, a duração geral da epidemia de SARS-CoV-2 pode ir até 2022, exigindo a adoção de medidas de distanciamento social entre 25% (no inverno R0 = 2 e sazonalidade, Figura S3A) e 70% (para o inverno R0 = 2,5 e sem sazonalidade, Figura S2C) desse período.”

E agora? O que pensar? O estudo continua:

“Um único período de distanciamento social não será suficiente para impedir que as capacidades de cuidados críticos sejam ultrapassadas pela epidemia de COVID-19, porque, sob qualquer cenário considerado ela deixa boa parte da população suscetível que um ressurgimento de transmissão após o final do período levará a um número de contágios que excederá essa capacidade. Esse ressurgimento pode ser especialmente intenso se coincidir com um aumento de inverno no R0. O distanciamento social intermitente pode manter a ocorrência de casos críticos de COVID-19 dentro das capacidades atuais do sistema. Essa estratégia, porém, pode prolongar duração total da epidemia até 2022. O aumento da capacidade de cuidados intensivos reduz substancialmente a duração geral da epidemia, garantindo cuidados adequados para quem estiver gravemente doente.”

Em síntese, a brilhante conclusão a que Harvard chegou, com método científico e uso de equações diferenciais, nos leva a concluir exatamente o que boa parte da população intuitivamente crê: que confinar indefinidamente, sem haver vacina, é contraproducente.

Além disso, o estudo coloca um peso enorme no clima, sobre as decisões. Como já disse em outro post, o hemisfério sul está em exata contraposição ao norte, onde esses estudos estão sendo feitos, e onde as “medidas que deram certo” (ou errado) foram tomadas primeiro. Em nossa sanha de não pensar por conta própria e não interpretar resultados antes de sair agindo igual doidos, esquecemos que rumamos para o INVERNO, e estávamos em pleno verão quando essa folia começou. Ou seja, fizemos o contrário do que Harvard preconiza, e que o demonizado presidente justamente dizia que éramos para fazer.

No mais, se alguém quiser brigar comigo, não o faça. Brigue com o estudo aí em cima.

O frágil equilíbrio econômico

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Photo by Muhammad Muzamil on Unsplash

Uma economia pujante é como uma vaca premiada. Ela dá muito leite, é bonita e dá retorno ao dono. Mas geralmente é um animal frágil. Qualquer economia, mesmo se ligeiramente maltratada, tende a murchar e morrer.

A vida econômica é como o sistema sanguíneo – um sistema de vasos comunicantes infinitos, cujo vai-vem de “nutrientes” que mantêm a vida. Qualquer interrupção nesse sistema provoca confusão, doenças e males que levam até facilmente à morte.

Independentemente de se você é contra ou a favor de restrições às movimentações de pessoas, #fiqueemcasa ou #obrasilnaopodeparar, o que escrevo aqui nada tem a ver com seu ponto de vista. É uma constatação às vezes difícil de engolir.

A história demonstra que a supressão de fluxos comerciais ou da circulação de bens e serviços, mesmo por curto período, sempre gerou catástrofes. Apenas para citar algumas:

  • O “grande salto adiante” (China, 1958-60) foi a tentativa chinesa, no início da dominação comunista, de criar uma indústria de base e uma agricultura de bases centralizadas. O planejamento feito em Pequim, por burocratas, deu tão errado que causou a morte de mais de 100 milhões de pessoas, de fome – produtos ruins e caros chegavam a uma população empobrecida;
  • O “Gosplan” (abreviação de Comitê Estatal de Planejamento) instituiu na União Soviética, os planos quinquenais, entre 1921 até a derrocada final do regime, em 1991. O sistema de planejamento quebrou a espinha dorsal da produção e levou a Rússia ao caos econômico e à sua ruína. Isso pra não falar o Holomodor, uma chacina de camponeses impedidos de produzir, que gerou quebras de safras e efeitos em cascata de fome e destruição;
  • Os planos de safra em Cuba – A criação do Ministério do Açúcar define bem o nível de dirigismo dessa economia, e por que a economia cubana dependeu tão profundamente da URSS. Ainda hoje os efeitos das quebras de racionalidade nas transações vindas daí cobram um preço no baixo crescimento da economia cubana (a despeito da propaganda em contrário e das estatísticas “oficiais”).

Esses artificialismos econômicos não ocorrem só em países socialistas. Entendo que a OPEP é uma forma artificial de controle de preços que quebrou cadeias produtivas no mundo e gerou duas crises (choques do petróleo) de grandes proporções. Qualquer cartel é um artificialismo que gera pobreza. A política dos “campeões nacionais” de triste e recente memória no Brasil é outro exemplo trágico.

Independentemente de sua preferência durante esta crise da COVID-19, e independentemente do seu nível de hipocondria (que eu creio que direciona mais as ações e opiniões do que outros fatores), a economia continua sendo uma “vaca premiada”, que adoece por qualquer coisa e corre risco de morrer. As recentes intervenções na economia, começando pelos PNDs no Brasil (Planos nacionais de desenvolvimento), ainda nos governos militares, passando pelos planos de estabilização econômica, foram coroados nos anos Lula/Dilma pela intervenção maciça na economia, que nos levou a uma recessão que encolheu o PIB em mais de 10% em 2 anos, o que pode dar “2 Covids”.

Assim, dada a fragilidade das trocas econômicas, das cadeias de produção, dos fluxos de dinheiro em circulação (e em poder de quem precisa, a população de mais baixa renda, não empregados do governo), precisamos desesperadamente de deixar a economia fluir TANTO QUANTO possível. Claro, com todo cuidado, com prevenção e isolamento social (3 metros ou 30 Km dá no mesmo) deve ser tomado. Tem que ser absolutamente rígido nisso. No entanto, já vemos começar o esgarçamento do tecido econômico aqui e acolá.

Para se ter uma ideia do tamanho do problema econômico, os zilhões gastos até agora pelo Governo para tentar minimamente remediar a situação dos mais fragilizados não vai dar pra resolver a vida nacional por mais do que algumas semanas. E isso ocorrerá à custa de um aumento brutal no déficit público. O tamanho da economia é desproporcional à capacidade do governo – qualquer governo – em suprir a diferença gerada pela quebra de cadeias econômicas inteiras.

Por enquanto estamos rumando para dois tipos de caos – de saúde e econômico. Resta saber qual matará mais. Aposto no econômico (com tristeza por ambos)…

Imitadores, não pensadores.

O hemisfério norte está saindo do frio. O hemisfério sul está entrando nele. Há uma curva bastante bem demarcada de mortes totais na população, que aponta para um aumento crítico nos meses de inverno:

https://www.legacy.com/news/culture-and-history/yes-its-true-more-people-die-in-january/ – In “Yes, it`s true – more people die on January”.

Cada um dos “picos” acima se refere exatamente a Janeiro, ou Fevereiro de cada ano, no hemisfério norte. O “Janeiro” deles é o nosso Junho, e o “Fevereiro” deles é nosso Julho, em termos de sazonalidade das mortes.

A questão lógica que se propõe no Brasil é se estamos ou não certos em tentar empurrar a curva de contaminação da COVID-19 pra frente. Como sempre, copiamos sem pensar muito os modelos que “deram certo” no hemisfério norte, onde está a maior parte das nações desenvolvidas.

Ocorre que lá, empurrar a tal curva pra frente, achatar a curva, faz sentido. Aqui no hemisfério sul, não faz. E a explicação é bem simples: enquanto eles saem do inverno, nós entramos. Essa é inclusive uma das razões pelas quais o combate à COVID-19 no Brasil até o momento se demonstra relativamente mais efetivo do que em países mais desenvolvidos.

Há um racional, então, para o que estamos fazendo? Vamos relacionar as medidas que estamos tomando com o outro fator chave nessa equação, que é a economia: achatar a curva implica em trancar gente; trancar gente implica em trancar a economia; trancar a economia implica em criar diversos problemas estruturais e conjunturais para o país.

Assim, as medidas que o presidente Trump está tomando nos EUA, rigorosas e de lockdown, são medidas corretas, no sentido de que o país tem a “felicidade” de estar rumando para períodos mais quentes.

No Brasil, ou é tudo a mesma coisa – verão, inverno, etc, como por exemplo nos estados do N, NE e CO. A coisa complica mais um pouco no S e SE, porque o clima castiga um pouco mais.

Então, faz sentido o que estamos fazendo aqui? Aparentemente não. Promovemos um lockdown em alguns estados por razões açodadas e claramente de cunho político, e não cuidamos de entender com calma outras variáveis importantes, como essa meia dúzia de dados coletados, que incluí aqui.

Em síntese:

https://www.demogr.mpg.de/books/drm/003/2.pdf – In Seasonality of human mortality.

A reação do organismo ao clima, no Brasil, tende a ser menor do que no hemisfério norte. Estamos, portanto, usando medidas de contraciclo no meio do ciclo…

https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0225994

O gráfico acima, se tivessemos aqui (devemos ter…) seria um espelho quase que perfeito ao acima, que trata só do Norte do Equador. Assumindo que isto seja verdade, hoje estamos no “mês de setembro” do hemisfério norte, ou seja, um mês de relativa calmaria de mortes estatísticas. Em três meses estaremos no “dezembro” do hemisfério norte, rumando para os meses de caos, Janeiro e Fevereiro (nossos Junho e Julho).

Até lá, teremos criado um estresse antecipado e em boa medida desnecessário, no momento errado e ficaremos sem munição para atravessar o momento mais agudo.

Não se trata de dar tempo de capacitar mais os hospitais. Isso a natureza já cuidou de nos dar, nos meses até maio pelo menos. Teríamos que ter tomado as mesmas medidas de aumetno de capacidade das UTIs, respiradouros, etc, mas SEM ter sufocado a economia por antecipação.

Como este país todo mundo se rege pela cartilha dos países do Norte sem fazer praticamente nenhuma reflexão, estaremos diante de um problema muito mais grave do que o necessário, e que começará a se tornar crítico em Junho, caso Deus não nos mande um milagre em forma de vacina ou outra cura antes.

Luzes da Ribalta

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Photo by Matt Chesin on Unsplash

Político não escolhe essa ‘profissão’ à toa. Ninguém chega a um cargo eletivo sem ter na personalidade um misto de animador de auditório e advogado; de artista de novela e orador. É uma profissão para poucos, no mundo, e no Brasil, para menos ainda, pois invariavelmente uma dose de cara de pau e disposição para o ‘vale-tudo’ é necessária. Tivemos grandes oradores em nossa história, desde Ruy Barbosa até FHC, passando por gente muito craque nesse mister, como o ex-presidente, reconhecidamente um dos melhores comunicadores que tivemos, em que pesem nossas opiniões sobre ele e seu caráter, ou falta dele.

Por que é assim? Por que uma pessoa estaria permanentemente em busca de ser notícia, de ter algo para falar, uma opinião ‘certeira’, uma frase de efeito… Ora, desde os tempos da Ágora grega, é preciso conquistar para o seu lado uma grande quantidade de pessoas disposta a depositar confiança em alguém através do voto. As formas de buscar essa popularidade que garante votos muda e evolui com o tempo. Subir num caixote de feira com uma corneta na mão já foi suficiente. Depois vieram os palanques com carros de som. Depois, a mídia televisiva. Agora, como nos ensinou a eleição passada, é a mídia digital que “manda”, associada com outras formas.

O que não muda é o desejo insaciável dos políticos por um holofote. É de pasmar… a expressão “papagaio de pirata” foi cunhada em homenagem a quem não resiste à tentação de aparecer na frente das câmeras, mesmo a custa de passar um ridículo ou outro.

A situação atual é o resultado dessa holofotefilia… De um lado, a esquerda se junta a governadores para fazer o oposto do que o governo federal faz. Qualquer oposto. Não importa. Se Bolsonaro pregasse lockdown horizontal, eles iriam na direção contrária. Se Bolsonaro achasse um absurdo administrar Hidroxicloroquina, eles achariam o máximo e defenderiam com ardor juvenil.

Mandetta, bom técnico e (parece) melhor político, pode não ter tido a intenção inicial, mas certamente está escudado numa posição de “força” e está super à vontade em frente aos holofotes diários, que o colocarão certamente como figura nacional, e com isso, destinado a vôos políticos mais altos. É a grande chance, há que se agarrar a ela. “Nada pessoal”, presidente, ele pode ter dito… e vida que segue. Até acabar a pandemia e o cara se tornar menos indispensável, talkey?

Pois bem, de outro lado Bolsonaro não parece a dividir o “reino” dele com ninguém, não acha prudente deixar o subordinado raposa-política aparecer. Ficou brabo, deve ter dado murro na mesa… Afinal, Guedes e Moro são outra coisa. Tudo, menos políticos. Creio que só depois de se convencer que Moro não tinha mesmo qualquer ambição política, mas, claro, quer um cargo no STF, foi que o presidente se tocou e parou de encher o saco dele.

Bolsonaro precisa pensar: a melhor forma de se utilizar dessa situação é fazer justamente o contrário: dar corda e levar parte dos louros. Afinal, a despeito das cretinices da imprensa, dizendo que Bolsonaro é “menor que seu governo”, isso obviamente é uma idiotice – Bolsonaro é do tamanho do governo que criou. Nem mais, nem menos. Cortou aqui e acolá qualquer político engajado em seu governo que quis colocar a popularidade acima da função, como foi o caso de Bebbiano, entre outros. Outros, demitiu por despeito ou intriga mesmo. Mas daí a dizer que o governo é ruim… vão algumas léguas.

A Holofotefilia não vai acabar nunca. É da natureza do animal da política. O que é importante é deixar claro que há uma linha traçada no chão pelo presidente – ou o cargo ou a popularidade. Os dois, ele não admite. O governo é dele, para bem ou mal, e os incomodados terão que se mudar. Não antes de criar muito caso e ao sair, se tornarem detratores do mandatário. Coisas da vida brasileira…

Liberdade é liberdade financeira

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Photo by Kristina V on Unsplash

Há anos, quando eu tinha uns 17 anos, meu tio Roberto, irmão da minha mãe, e o sogro dele, Frank, me deram uma carona, de carro, de minha cidade natal, Cordeiro, para o Rio de Janeiro, onde eu recomeçaria a estudar e começaria a trabalhar de balconista na farmário Biscaya, do meu outro tio, Aluízio.

No meio do caminho, paramos para comer um pastel num local chamado Cachoeiras de Macacu, e lá ouvi um conselho que não esqueci nunca, e que, na minha opinião, deveria ser a mola mestra da vida profissional, financeira e pessoal de qualquer pessoa – e, penso eu, de países também – “Sobrinho, liberdade é liberdade financeira. Só existe essa liberdade e todas as outras estão subordinadas a esta”.

Eu estava naquele período da vida em que o adolescente briga com os pais por qualquer coisa, e isso irritava tanto a mim (que não sabia se queria cursar a faculdade de física que havia passado, para UFRJ) e meus pais (que francamente deviam estar felicíssimos de se livrar de uma mala sem alça resmungão).

Uma vez que comecei a ganhar meu meio salário mínimo por mês e morar num quarto alugado no conjunto residencial do IAPI da Penha, no Rio, comecei a dar mais valor ao que vinha às minhas mãos. Apesar de não ter me tornado um mão-de-vaca, na prática eu conseguia já vislumbrar a verdade do que me tinha sido dito – só tendo liberdade financeira podemos saborear as outras liberdades. Obviamente que estamos falando de uma sociedade livre e na qual podemos ter propriedade privada. Senão, não funciona…

O tempo passa, o tempo voa… já não há mais poupança Bamerindus, mas a vida, apesar de tantos problemas, e até mesmo uma tragédia familiar de grandes proporções, a vida continua boa. Aliás, com Deus, a vida é sempre boa, acho eu. Uma coisa não mudou – cada vez menos as pessoa se preocupam, de fato, com a liberdade econômica. Um amigo meu chama isso de “F#!ck you Money” – aquele dinheiro que dá a você o direito de mandar alguém para aquele lugar sem o medo patológico de consequências sobre sua vida cotidiana.

Tudo isso pra falar do ranking de liberdade econômica da Heritage Foundation, cuja edição de 2020 coloca o Brasil um pouquinho melhor que em 2019, mas ainda assim um pais “majoritariamente não livre”. A razão principal disso é nosso déficit público crescente. Até 2008 a coisa vinha bem, com o preço das commodities lá em cima, pré-sal, etc. Aí o país decide se tornar “o trapezista que acha que sabe voar”, e esquece que tem que pegar no próximo trapézio, senão se esborracha, pois que na vida não há rede de proteção…

Chegamos a 2016 numa situação lastimável nas contas públicas, e com um Estado de tal maneira inchada, que governo algum pode fazer nada, dado que o orçamento está 95% carimbado… chegamos no fundo do poço da falta de liberdade financeira, e tal como euzinho, com 17 anos, o país deu um basta em determinadas coisas (ligadas ao ciclismo, creio…) e começou, timidamente, a sair do fundo do poço.

Aí vem essa coisa de Covid. Isso é tipo praga do século, e não há como resolver isso sem medidas emergenciais. Apenas que, num país onde a liberdade financeira é pequena, e as reservas financeiras parcas, a solução custará mais caro.

A China, de onde o tal virus veio, e que diz tê-lo controlado, com sua economia mais livre do que a nossa, a despeito da liberdade de opinião e pensamento “zero”, tenderá a sair disso melhor do que nós, teoricamente ocidentais.

Submersos num lodaçal burocrático, ficamos à mercê de uma corja de político que está sempre em busca do próximo mandato, em busca da próxima eleição e de seu próximo cargo. Alguns dias atrás o presidente havia editado uma Medida Provisória com a possibilidade de redução de carga de trabalho e salários proporcional, para os tempos bicudos de Covid. A gritaria foi geral, e (como quase tudo o que se fala hoje) quase derruba o tal presidente.

Ontem, a Medida Provisória 936 faz exatamente isso. Ainda estou estudando os efeitos, mas parece que podemos reduzir até 70% dos salários e carga horária do pessoal, com compromisso de não demissão, com o Governo complementando parte das perdas de cada empregado.

E a tal liberdade econômica? Bom, o país vai endividar ainda mais as próximas gerações, em algo parecido com 5% do PIB, só este ano, mas se Deus quiser, sairemos dessa menos ensanguentados do que poderíamos estar. A raiz do problema está justamente na quase impossibilidade de tomar qualquer medida, dentro de uma empresa, sem que alguém, algum “avatar” nos diga que podemos.

Está todo mundo pasmo com o aumento do número de pedidos de seguro desemprego nos EUA. E por que o desemprego sobe tão forte e tão rápido lá? Porque demitir não custa, como aqui e na Europa. As empresas conseguem se manter vivas, minimamente. Os liberais-progressistas dirão “anátema”! Claro, é sempre mais fácil pensar no ser individual do que no coletivo. É mais doído e mais fácil empatizar com o Sr. João, que perdeu o emprego e tem 4 filhos, do que entender que, contrário-senso, a economia americana também será a primeira a se recuperar, e voltar a gerar empregos. Justamente pela facilidade e liberdade financeira.

Pra terminar, uma reflexão: se tivéssemos hoje mais liberdade econômica nacional, máquina pública menos inchada, menos arrasto aerodinâmico de salários altos e toneladas de aposentados públicos, estaríamos certamente livres para tomar decisões ainda mais generosas no sentido de preservar a vida e o emprego dos cidadãos, e a vida e continuidade das empresas. É certamente mais fácil tomar decisões quando se tem liberdade… financeira também…

Islândia e Banânia

Se o único assunto do mundo hoje é COVID, vamos de COVID… infelizmente…

Islândia e o Laboratório

A Islândia é uma ilha gelada e isolada perto do Círculo Polar Ártico. Tem 364 mil habitantes e está recém saindo do inverno (embora primavera e outono lá sejam invernos rigorosíssimos, mesmo para os padrões Curitibanos, e o verão, um “inverno paulistano” na melhor das hipóteses…). A Islândia decidiu testar toda sua população. Hoje vimos na Gazeta do Povo os resultados dos testes (https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/islandia-testes-coronavirus-populacao/). Nos testes já aplicados, mais ou menos 5% da população, tiveram 1132 casos e 2 mortes. Extrapolando seriam 653 mil casos no Brasil e 1.153 mortes. Uma taxa de contaminação maior e um número de mortes que “tende” a ser parecido com o que se espera aqui. Bom, isso depende da estatística e da “ciência” aplicada.

A Islândia pode dar ao mundo um modelo “em escala” da força e perfil da pandemia, de formas a ajudar outros governos a tomar decisões. O que me “choca”, porém, é que a Islândia não fez lockdown (mesmo estando em condições mais propícias ao virus do que, por exemplo, o Brasil); a Islândia não fechou fábricas nem comércio, exceto os que, pela natureza, promovem o contato físico (baladas, bares, academias de ginástica, etc). Sequer fechou todas as escolas. Imaginem isso aqui.

A Islândia não deve ter um “cabo-de guerra” político tão forte como no Brasil. Aqui, traveste-se de jornalismo uma agenda oculta mal disfarçada de “volta ao passado” (em termos de receitas advindas do governo, pelo menos). Na política, perdedores (por incapacidade gerencial, pedaladas, mensalões ou petrolões) tentam impor sua vontade à maioria de eleitores, a um presidente que (até o momento) não cometeu crime de responsabilidade. Se cometer, que seja chutado do Planalto em grande estilo.

Ciência! (?)

O conceito de “científico” aplicado no Brasil depende da boca de que “otoridade” a informação sai e de que objetivos secundários (ou primários, em alguns casos) quer obter o vivente-falante. Tem cientista (bom, credenciado, renomado) falando de tudo. Ao dizer que o presidente “rechaça a ciência”, o falante quer se referir à ciência que ele desposa, e que de certa forma dá suporte às suas convicções. O presidente, por suas vezes, também usa a sua “ciência” para dar suporte ao que acha, e que deixa claro (aliás, se há uma coisa que não se pode reclamar do cara é que ele não seja transparente).

Pois bem, escolha sua ciência. Tome sua posição. O fato é que, para qualquer lado que se queira seguir, que se coloque a proa desse enorme transatlântico chamado Brasil pra algum lado e que não se mude de curso; qualquer curso; e que não se queira que a popa vá pro sul e a proa pro norte ao mesmo tempo, pois isso despedaça o navio.

Em tempos bicudos, a Grécia costumava chamar um “ditador” para cuidar da coisa até que a emergência passasse e a democracia pudesse retornar. Pois bem, aqui, o estado de calamidade deveria dar ao presidente a possibilidade de, certo ou errado, colocar a proa do navio pra um lado só. Não pode. O STF, cumprindo sua missão incansável de criar o caos jurídico, resolveu que a popa do navio pode ir pra um lado e a popa pro outro. Quebrou a espinha dorsal da embarcação. Corremos o risco de afundar todos, e não irmos nem pro norte nem pro sul.

Não se trata aqui de gostar do presidente, bozo, mito, ou o que quer que alguém possa estar inclinado a pensar dele. Trata-se de unidade de comando, coisa que num país dividido como o nosso, soa como militarismo. Ora por favor! Sejamos sensatos numa coisa pelo menos: NINGUÉM sabe ao certo, 100%, pule de dez, barbadinha, na bucha mesmo, o que dará mais certo ou mais errado. Então que se deixe o barco ser comandado. Só isso.

Quanto à equipe ministerial, a mesma imprensa que cobre o presidente de cacetada é prenhe de elogios ao ministro da saúde, da segurança e justiça, da economia… É como se tivesse havido um Darwinianismo nos últimos 15 meses e “apareceu” de uma “poça de aminoácido” a equipe ministerial presente. Ora, menos, né? O cara não tem nada a ver com esse ministério? “Ah, mas o Bozo fica com ciúmes do Mandetta”… Deve ficar sim… é natural. O cara não sai do carro de som da campanha. “Ah, mas o Bozo está indo contra a OMS…”. Ora por favor! Como se a OMS soubesse para onde quer ir! A OMS, no meio dessa crise toda, está tentando, como todo mundo, entender o assunto, protelar os efeitos o máximo para poder tomar medidas “menos ruins”.

O presidente da OMS, ontem, disse coisas que a imprensa disse que ele não disse. O presidente também disse coisas que eu particularmente acho que o presidente da OMS não disse. O fato inescapável, mesmo, é o seguinte – o cara disse claramente que os países são diferentes, e que precisam buscar soluções diferentes e que protejam seus cidadãos mais vulneráveis. O cara disse ainda que cabe aos países, entendendo suas características, tomar decisões mais sábias no sentido de criar o mínimo de desabastecimento, fome ou caos possível. Em síntese, como bom político (cientista o sujeito não é), ele mudou (sim!) de discurso, tirando a responsabilidade básica de cima de si e colocando em cada governante.

Na Islândia, isso funciona. Aqui, com governadores pregando uma coisa e o governo federal outra, a chance maior é partirmos o casco da embarcação e acabarmos todos no fundo do oceano…

Olhando de Lado

Photo by kyle smith on Unsplash

Esses dias de COVID-19 servem para muitas coisas. Afinal, estar em casa, trabalhando na frente do computador 10, 12 horas seguidas, próximo da família, longe dos colegas de trabalho, me deu tempo de notar umas coisas que me passariam despercebidas.

Fomos ensinados ao longo de toda a vida a olhar as pessoas nos olhos. Não “fitar” longamente, pois isso pode deixar o outro desconfortável, mas mover os olhos entre testa e boca, num movimento contínuo de familiaridade; sorrir ou menear a cabeça, tudo isso deixa o outro mais à vontade e transmite uma linguagem corporal de atenção e convalidação do outro.

Pois bem, hoje, na era dos dois, três monitores, olhar nos olhos, esses olhos virtuais, meio espectrais que nos enxergam do outro lado de uma linha de dados de alta velocidade, ou nem tanto, se tornou um exercício mais para o pescoço do que para os olhos. Estou lutando para aprender a manter um mínimo de etiqueta nessas reuniões virtuais que tenho tido às pencas.

Olho o outro nos olhos, ele vê meu pescoço; ele olha meus olhos, eu vejo a traseira do seu computador, cheia de fios, clipes, post-its e até um esquecido cotonete usado. Não está sendo fácil entender o outro pela linguagem “não falada” do dia a dia. Ou olho os olhos, ou olho a orelha. Falar nisso, tem gente com orelha feia, sabia? A minha por exemplo, pude ver que não é grande coisa. Tem até uns pelos nela que preciso arrancar. Ainda bem que tenho tempo…

Há um caráter nisso tudo que vai acabar por mudar nossa forma de olhar o outro. Sim? Não? Eu temo voltar para o escritório e começar a olhar os brincos, as orelhas, a gola, o alto da cabeça de pessoas. E será interessante perceber que o outro não vai ligar muito. Afinal, depois de tanto tempo olhando erraticamente, é possível que ele esteja acostumado a fazer o mesmo.

No meu caso, em particular, acho que vai acontecer algo muito diferente: vou olhar fixamente para a pessoa… já que antes eu é que estava sempre de lado, ouvindo a pessoa falar, retendo metade, enquanto olho o “Zap”, enquanto vejo um e-mail. E o outro lá… olhando minha orelha…

No fundo pode ser um aspecto bom desse confinamento!

Variadas formas de dar uma Notícia

https://opiniao.estadao.com.br/noticias/notas-e-informacoes,dia-de-panico-exceto-em-brasilia,70003226370

Outro dia um colega de profissão disse uma pérola – “podemos interpretar isto assim, ou diametralmente oposto para isso, com fundamentos para ambas as coisas”… Eu tenho que discordar, se é que eu, tendo por profissão contabilidade e auditoria. Não posso admitir nada remotamente parecido com isso. Mas o fato é que, do ponto de vista da argumentação é isso que temos visto dia sim, outro também na mídia.

A mais recente face desse mal, que podemos chamar de Síndrome de Imprecisão, está fazendo residência permanente onde menos devia – a imprensa. Claro, é possível ter opinião e ser jornalista, mas não “o jornalista” do fato específico. O Editorialista, o dono do veículo, até pode ser, mas o cara que foi enviado para ser objetivo, repórter, não deveria ter viés de nenhuma natureza. Mas tem tido. Desde 1988 temos visto o fenômeno, para um lado, para outro lado do espectro político, e (talvez menos perceptível mas igualmente danoso) para o lado dos interesses do próprio veículo de comunicação.

O editorial do link acima é um desses casos. Ora, o que é que o Estadão poderia querer do Ministro Guedes? Que entrasse na “pilha” do mercado e viesse a público dizer que “é isso mesmo, o mundo tá mesmo acabando… salve-se quem puder”? O que é o ministro geraria com isso? Mais caos e confusão num dia particularmente cheio de especulador tentando extrair o máximo da situação, sem se importar com a verdade, sob qualquer ângulo.

Eu tenho alguma dificuldade em entender por que a imprensa não criticou quando Lula, no auge da crise (essa verdadeira) de 2008 foi pra TV dizer “… aí eu falei pro Bush… ô Bush, vê se segura essa onda aí, porque no Brasil vai acontecer só uma marolinha”… De fato, comendo o capital acumulado nas vacas gordas, sem crise de subprime ou qualquer outra coisa parecida, avançamos como se não houvesse amanhã, vimos o governo de então “fazer o diabo” para se manter lá no pináculo, e nos levou a uma crise muitas vezes pior do que a própria crise de 2008, em 2014 em diante… À exceção dos “suspeitos de hábito” (como em Casablanca), não houve quem pudesse ter uma voz dissonante forte o suficiente pra mandar Lula calar a boca – “por que no te callas!”.

Ontem o mundo acabou… hoje o mundo está ressurgindo, com a bolsa subindo forte. Claro. O mundo, quando acabar de vez, será tomado de tal surpresa que nem jornal vai dar tempo de editar – “como o relâmpago que sai do oriente e se mostra no ocidente”. Mas ontem, pelo menos, só acabou pra quem acredita em bobagem.

Aliás, falo isso porque já fui vítima do mesmo mal. Às vésperas das eleições de 2001, que acabaram por eleger o ora condenado Lula, com o dólar indo a R$ 4,00, insisti com antigo presidente da empresa que eu então era CEO, para comprar dólar… Que imbecilidade. Acontece, e acontece sempre no meio do “Hipi-hurra”… quando a capacidade de se manter sereno vai pela janela.

Ontem o mundo não acabou. Creio que vai acabar um dia, e como cristão torço para que seja logo. Mas enquanto não acabar, é melhor analisar os fatos com imparcialidade, e contar com uma imprensa que possa minimamente fazê-lo.

Foi dia de pânico, exceto em Brasília? Deveríamos agradecer por isso. Afinal, bom senso e cabeça fria não estão sendo muito comuns, nem no governo, muito menos no STF, Congresso, imprensa, e por aí (não) vai…

A impossibilidade de obter uma informação econômica fidedigna

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Um do canal Rural Business e me inspirou a escrever sobre o fato de que, sinceramente, não sei mais dizer, dentro do noticiário econômico, quem fala a verdade e quem apenas quer atingir um objetivo específico. Já não é mais possível saber com imparcialidade o que esperar da economia. Não é possível saber sequer se coisas do passado tem uma determinada interpretação ou seu oposto.

O vídeo trata da suposta manipulação que está havendo em torno do coronavírus, em como isso está sendo usado para gerar um pânico na população e baixar o preço de commodities, o que é de interesse especial da China, que deseja baixar sua inflação, que começa a sair do controle.

Falando em impossibilidade de saber a verdade, o caso do coronavírus é mesmo emblemático. Cada um dá sua visão, mas, mais do que qualquer outra coisa, tenta influenciar o máximo de pessoas possível para agirem de acordo com seus interesses específicos. A agenda oculta no bolso do colete está cada vez mais ativa, e já não se fica mais com a cara vermelha, ao expressar opiniões “abalizadas”, “de expert” em frente a câmeras que contrariam o bom senso ou a observação prudente.

A falta de curadoria na imprensa aprofunda sua crise e nos joga num lodaçal de opiniões carregadas de “significado”. Não sei se se dão conta, mas a quantidade de “experts” que vêm ao vivo dar sua opinião é cada dia maior. Âncora nenhum, de jornal nenhum, praticamente, fala algo que foi analisado pela redação e crivado pelo editor responsável. Tudo é jogado nas costas desses experts, que falam com sotaque carregado, do lado a que defendem, ou dos interesses das empresas para as quais trabalham.

É mais fácil se esconder por trás de um “expert” do que de fato submeter o fato ao escrutínio de alguém que cheque a validade do argumento e conclua algo. A tal curadoria… Pois bem, além de estarem escondidas atrás desses “especialistas”, as redações têm feito pior – têm buscado os “especialistas” que lhes interessa, e dado a esses a tarefa de papagaiar o que desejam atingir como objetivo tático. Uma guerra da informação está em curso, e os “especialistas” são agora a arma favorita no arsenal de fake news a que somos submetidos diariamente.

Acabei de cancelar minha assinatura do Estadão, de tantos anos. Não dá mais. Francamente, o Estadão fazia um bom contraponto com a Folha de SP (mais conhecida como Pravda, ou Gramma). Já não faz mais. Por que? A política do atual bufão residente no Planalto está ajudando os jornais a irem para o brejo de forma mais acelerada. Não que não não estivessem indo pro buraco de qualquer forma. Apenas apressou-se o passo da queda. Cancelei o Estadão porque não consigo mais acreditar nele. Os editoriais passaram a ter um tom tendencioso e de inconformismo.

Não vou manifestar em rua nenhuma no dia 15, mas apoio veementemente o direito de quem quiser ir, e mais, acho que realmente estamos diante de um golpe que envolve dois palhaços travestidos de presidentes de casas congressuais, e pelo menos uns 8 palhaços adicionais aboletados como deuses no Olimpo da mais alta corte da nação. E dá-lhe fisiologismo… e dá-lhe acobertamento de bandido!

O tal bufão do Planalto é realmente um cara que fala demais, desmedidamente e, como diz o “classudo” FHC, falta-lhe postura presidencial, mas cá entre nós, depois de ver aberta a caixa preta das gestões de FHC, prefiro o bufão (eu achava FHC um bom governante, por conta do Plano Real, mas concluo que ele apenas fez o mínimo e nos deixou com caixa pra 2 dias de operação no Tesouro, na sua saída).

O tal bufão do Planalto esperneia e insurge-se contra Lula e Dilma, e com “santa” razão. Essa dupla realmente é do barulho – e barulho sem semântica. Um, animador de platéia, quer nos fazer crer que não roubou nem um centavo (ora, por favor!), a outra, sequer consegue articular duas frases com sentido claro. De novo, prefiro o bufão. Não que ele seja meu sonho de consumo, para a posição de presidente, mas porque, a despeito de todos (os seus MUITOS) defeitos, os quais reconheço, tem uma virtude raríssima – justamente por não ter tanto verniz, nem ser animador de auditório, fala algo que dá pra perceber que realmente “quis dizer”.

Quando ele diz que “você não merece ser estuprada”, com relação à deputada, ele realmente cria (e ainda deve crer) que ela não mereça (mulher alguma merece); quando ele diz que o sistema de pontos das CNHs é punitivo e ridículo, ele realmente acha isso. Quando ele diz que nasceu de novo e que Deus lhe deu um novo começo depois da facada, ele realmente parece crer que foi Deus que fez o milagre.

O mesmo se dá com o General Heleno, auxiliar mor do bufão. Quando ele disse que “F..-se” e que “esse pessoal faz chantagem conosco”, ainda mais porque colhida sem seu conhecimento, traduz, de fato, o que Helenão pensa. E isso deveria ser bem examinado por nós todos: ele REALMENTE enxerga um processo de chantagem contra o executivo. Alguém duvida que ele esteja certo? Eu não. Mas em que medida ele está certo? Sob que aspectos? Ora, tornar o executivo refém do congresso, sem um mínimo de espaço de manobra orçamentário, quer governar no lugar do presidente. Isso não é brincadeira. Quando o legislativo se dá vantagem em cima de vantagem, na cara do povo brasileiro, sofrido, como plano de saúde pra filhos até 33 anos de idade, troca de carros oficiais, milhões em verbas para mordomias mil, etc, eu me pergunto se estamos diante de algo que se pode chamar de chantagem ou se na verdade é pura e simples extorsão mediante sequestro (de verbas).

Voltando ao assunto, a imprensa, com exceções, não tem mais a menor capacidade de informar o grande público. Está perdendo a relevância e continuará perdendo. Eu estou aqui fazendo uma espécie de grito de alerta, de um cidadão cansado: imprensa, abre teu olho, porque você está encurtando sua vida útil, em vez de tentar ser mais relevante, mais verdadeira, mesmo que isso implique em você dar crédito a alguém que no fundo tenta te tirar receita.

A verdade não pode ficar refém da agenda da imprensa!

Duas velhas águias

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Se tem dois jornalistas que conhecemos de anos, décadas, esses são Alexandre Garcia e J. R. Guzzo. São “macacos velhos”, gente que já dirigiu as mais importantes redações do país, gente que foi figura de proa em decisões sobre o que publicar e o que não publicar, gente conhecedora profunda dos bastidores do poder, gente “de Brasília”, águias de outros carnavais, enfim, verdadeiros vencedores em suas carreiras.

Recentemente vemos essas duas águias, junto com meia dúzia de jovens jornalistas e colunistas, como Rodrigo Constantino, entre outros, se insurgindo contra (quase) todo o restante dos profissionais de imprensa, ficando firmes do lado de um governo popular-impopular: popular junto ao povo, impopular junto à academia, aos jornalistas, aos intelectuais. Por que?

É de pensar mesmo. Por que estariam, como são exemplos as matérias da Gazeta do Povo https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/video-conclama-povo-apoiar-bolsonaro-dia-15/ e https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jr-guzzo/povo-ruas-protesto-contra-parlamentares-culpa/ , “tão” do lado de Bolsonaro? Bom, em primeiro lugar, não parecem estar “do lado” de Bolsonaro. São, sim, conhecedores profundos da dinâmica do poder, tanto em Brasília, quanto nas redações. São profissionais hoje muito mais independentes tanto financeira quanto intelectualmente, e podem se inscrever no círculo dos realmente “livre-pensadores”, que decidem fazer suas ideias conhecidas, tomando bom proveito de sua enorme popularidade.

Foram, e são, os profissionais cujas colunas e entradas “…de Brasília, Alexandre Garcia…” temos lido, visto e ouvido ao longo de décadas, seja criticando governos militares, Sarney, Collor, FHC, Dilma, Temer, Bolsonaro e tutti quanti. Aprendemos a respeitar a curadoria feita por eles e expressa em suas ideias e palavras.

Pois bem, por que, então, fazem uma aparente defesa da posição de Bolsonaro, motivo da briga da semana, das manifestações cuja gestação começou com o áudio capturado sem querer, do Ministro Heleno, dando um “f8da-se” maiúsculo a parlamentares a quem acusa de querer pressionar indevidamente o executivo? A razão mais óbvia é a mais correta, provavelmente: porque realmente, conhecendo o congresso, e conhecendo as figuras que dominam o legislativo, sabem que Heleno tem razão. Realmente há uma permanente tentativa de chantagem ao governo. Não engoliram, nem engolirão tão facilmente, a falta de negociação pelas posições chave em ministério, e a colocação de figuras melhores, administrativa e tecnicamente, nos lugares antes reservados aos “flanelinhas” dos cargos, nomeados por Suas Excelências.

Minha crença é a de que, creia-se ou não na totalidade do que está fazendo Bolsonaro (e eu descreio em mais da metade), há a arraigada sensação de que o Brasil está sendo manipulado a pensar que estamos diante de uma ruptura da ordem democrática, e, vejam só, por conta justamente de… um ato democrático… uma manifestação.

Jornais e TVs, de um modo geral, abriram guerra a Bolsonaro quando esse endureceu o jogo com relação a verbas de publicidade, condenando à morte um setor que já andava muito mal das pernas. O Governo Federal, e os governos estaduais, são as únicas tábuas de salvação num mar econômico revolto, balançado pelas ondas da Web. Sem a conivência financeira do governo, estão fadados a falir mais rápido do que se anteviu. Ora, por que, como em situações anteriores, não apelaram para a bajulação pura e simples? Por que resolvem bater de frente? Usando um pouco de lógica argumentativa, entendo que a decisão só pode advir do fato de que entenderam não ser possível conquistar algo com a bajulação, e, portanto, só restou o confronto. O restante da (ainda grande) influência junto aos formadores de opinião os coloca numa posição de tentar fazer o governo se curvar, ou sair. Para isso, todas as Veras Magalhães, todas as Miriams Leitão, todos os Gerson Camarottis, são colocados à serviço desse propósito. E como não são nenhum Guzzo, nenhum Alexandre, não tem alternativa a não ser assumir o papel de torturador…

E o congresso, que desde o primeiro dia desse governo vem sido atropelado por decisões tomadas sem “consulta” (sic!), sabe que o caminho é mesmo o do “parlamentarismo branco”, regime rejeitado nas urnas do plebiscito de 1993. Sabemos, todos, de que matéria são feitas suas excelências. As exceções estão cada vez mais claras, para fazer contraste com os “donos” do congresso. Parlamentares como Marcel van Hattem, Oriovisto Guimarães, para ficar apenas em duas estrelas de primeira grandeza, são como manchas brancas em um lençol cinza escuro.

Pra concluir, eu fico com o conhecimento de décadas, acumulado por esses dois caras fantásticos, à alternativa de me curvar a uma suposta ameaça à democracia, cuja bandeira é desfraldada pelas Veras, Miriams, Maias e Alcolumbres da vida nacional.