Bolhas

O tema é recorrente. Um lado acusa o outro de viver numa “Bolha” de informação dócil à sua visão do mundo. “Eu” nunca estou numa bolha. O “outro”, sempre. “Eu” nunca sofro a mínima possibilidade de estar errado. O “outro” sempre.

Vou tentar tratar o fenômeno aqui sem me importar com quem seja o “Eu” e o “Outro”. Entendo que se eu quero fazer uma abordagem minimamente rigorosa do assunto, preciso fazê-lo sem me posicionar. É quase impossível e provavelmente vou fracassar, mas vamos lá.

A Minha Bolha

A tentativa de assassinato de Donald Trump, ocorrida dia 14/07/24 foi o estopim desse toró de palpite. Na famosa “mais antiga exposição rural do Brasil”, na minha cidade natal, Cordeiro, em visita à santa mãezinha, me deparo com primos, irmãos, e outros parentes, ainda sob o calor dos acontecimentos.

“Fake News”, diz um. “Atentado sim!” esbraveja outro. Eu, de minha parte, e fazendo coro com minha linha de pensamento, me expresso com um “Igualzinho à facada do Adélio” – com o que todos concordam – ou por acharem fake ou não.

O fato é que percebi que não adianta argumento. Nada vai demover um sujeito a achar “fake” e o outro a enxergar como uma tentativa de desestabilização da democracia. Mas a primeira coisa que me deixa apalermado é a incapacidade das “Bolhas” em esperar apurações para concluir.

A Globonews já do dia mostrava dois jornalistas – um brasileiro (defendendo que era fake news, orquestrada pelo próprio Trump) e um americano que, falando em português, disse que era no mínimo insensato discutir o assunto ali, mas que a alegação do brasileiro era risível e tendenciosa (não lembro dos termos exatos).

Há vídeos, vários, que vão apurar o fato sem sombra de dúvida. Já quanto à acreditar nas apurações, é mais difícil, seja qualquer que seja o resultado. A comissão Warren, que investigou o caso do assassinato de JFK em Dallas, não conseguiu apagar as teorias da conspiração ainda em vigor.

A Sua Bolha

Eu não leio o que você lê. Eu não me coloco no seu lugar. De nenhuma forma eu acredito que [Lula]/[Bolsonaro] (escolha sua alternativa) seja honesto. Deus me livre de achar que [Lula]/[Bolsonaro] fez algo que preste em seu(s) mandato(s). Certamente [Lula]/[Bolsonaro] é um calhorda da pior espécie e odeia os pobres, na verdade.

A sua bolha é a do ódio. O amor [venceu]/[perdeu]. A minha bolha não existe. A SUA sim. EU não vivo em uma bolha. Eu olho tudo, examino tudo e retenho o que creio ser certo. Você? Tá sempre “serto”.

Minha Bolha, Sua Bolha e a Verdade

Talvez a forma mais correta de abordar este problema – e na verdade, qualquer outro, é o Método Científico. Mas esse se presta mais ao que é exato do que ao que é opinativo. No entanto, a verdade existe. Claro, sempre há os caras que falam da “minha verdade” e “sua verdade”. De dentro da Bolha existe “minha verdade” e sua opinião, somente.

Embora este tipo de visão de mundo sempre tenha existido, estamos diante de um processo radicalização “diabólico”. Coloco o foco no “diabólico” porque o Diabo não é apenas um “nome”. É um conceito – significa DUAL, dois lados, duas mentes, duas opiniões. O diabo é que o Diabo mora nos detalhes, como diz o aforismo. Mas hoje em dia ninguém quer ler detalhes. Ninguém quer esmiuçar nada. O simplismo é a regra. Os Reels de 30, 40 segundos, os memes, e tanta coisa instantânea.

Um cara do meu lado no aeroporto me viu com um livro de papel, de umas 800 páginas, na mão (Signature in the Cell, de Stephen C. Meyer) e não resistiu: “você tem saco pra ler isso tudo? Eu nunca li um livro deste tamanho”… Ele nem era tão jovem assim, para que eu (caindo na tentação da hiperssimplificação) diga que são essas “novas gerações”. Mas certamente, foi honesto. Eu, com cara de paisagem, não sabia como responder. Minha esposa quase me crucifica por ficar com o focinho em livros dia e noite. E com razão, pois pra mim se tornou um vício mais, como alcoolismo ou drogadicção.

A verdade, ah, a verdade é um treco complicado. Jesus recebeu de Pilatos a famosa resposta “e o que é a verdade?” (João 18:38) quando disse que veio ao mundo para “dar testemunho da verdade” (João 18:37). Jesus não respondeu. Não que não soubesse, como diria um detrator da minha ou da sua Bolha. Eu acho que ele não respondeu porque não valia a pena. Melhor morrer (e ressuscitar) logo e deixar a posteridade decidir quem ia ser chamado Salvador, e quem seria um nome de avião, ou de método de exercício, ou ainda um cachorro brabo…

Quando eu tento julgar o que é verdade, tenho séculos de pensadores que, de uma forma ou outra, fizeram contribuições importantes ao processo. Um, famoso, que gosto muito, se chamava Wilhem of Ockham, e sua famosa “Navalha” diz algo assim:

“Nada se deve aceitar sem justificativa própria, a não ser que seja evidente ou conhecido com base na experiência ou assegurado pela autoridade das Sagradas Escrituras

https://pt.wikipedia.org/wiki/Navalha_de_Ockham

Em outros escritos, Ockham foca na “simplidade”: de todas as hipóteses para um problema, sempre devemos procurar apenas UMA explicação suficiente, e o mais simples possível (mas, parafraseando Einsten, não mais simples que isso).

Filosofada pra cá, filosofada pra lá, quem se propõe a analisar um fato, deve, antes de qualquer coisa, supor: a)que não sabe a verdade ainda; b)que está disposto a reconhecer a verdade, se e quando topar com ela; c)que poderá ficar chateado com a verdade.

O caso da Ciência e da Fé

Um dos casos mais emblemáticos de “Bolhas” em conflito se dá há quase 200 anos, entre religião e ciência. Houve um tempo em que o conflito não existia. Era um tempo em que a Igreja organizada fomentou a ciência. Na verdade, as universidades eram todas confessionais, em um tempo dado. Até por volta de 1780, ou por aí, a fé e a ciência caminhavam, aos trancos e barrancos, juntas.

De lá pra cá, grandes pensadores já declararam Deus como tendo falecido, já declararam os homens de fé (qualquer fé) como loucos ou burros, e já declararam que a Ciência estava a caminho de expurgar da humanidade a necessidade de crença (qualquer crença). Só restariam as evidências.

Fomos todos ensinados a deixar a fé numa caixinha à parte, que os verdadeiros cientistas condescendentemente nos deixavam ter, ainda, mas que em breve a luz da verdade se acenderia em nós, e nos livraríamos do obscurantismo que a fé representava.

A Bíblia e outros textos “sagrados” se tornaram contos da carochinha e só isso.

Pois bem, na medida em que a própria ciência foi progredindo, a dúvida voltou a pairar sobre a cabeça dos mesmos que julgavam que haviam resolvido tudo o que havia para ser compreendido. O impacto de descobertas como a Dupla Hélice do DNA, por Crick e Watson, nos anos 50, e, mais recentemente, a radiação de fundo e o Big-Bang, fizeram reacender discussões que haviam “morrido”. Essas descobertas colocam, dia após dia, “consensos” como a Teoria da Evolução em xeque. Hoje, cientistas antes céticos, começam a pensar de forma crítica sobre suas próprias conclusões. O livro que já citei (Signature in the Cell) é um relato fascinante, de um cientista ateu (ma non troppo…) que, se quisesse continuar a ser intelectualmente honesto, tinha que se render a evidências de “Design Inteligente”.

O lado “de cá” (uma das Bolhas) teve chiliques e pitis. Óbvio: é extremamente complexo sair da sua “bolhinha” e ver o mundo de uma forma diferente. O progresso da raça humana, no entanto, depende disso. De sairmos da zona de conforto e nos colocarmos “no sereno” da verdade, e no incômodo que ele produz.

A conclusão é a de que, embora um relato simplificado, há coisas no Gênesis que merecem atenção, e que, se expresso por um “Deus amoroso” precisaria mesmo ser simples: como explicar algo tão imenso em palavras que o pastor de cabras do sul do Sinai entendesse, bem como um ganhador de Nobel? Há que simplificar – sem perder a verdade implícita, mas de forma a contar a história.

Desprezo pela Verdade

A única coisa que vemos no nosso momento “diabólico” de hoje é um tremendo desprezo pela verdade. Ambas as bolhas se entreolham, e têm a certeza de que, se cederem à verdade contidas em determinados argumentos da parte contrária, serão expulsos pelos fanáticos de sua bolha.

Reconhecer que existem apenas dois tipos de cromossomos, e portanto, dois gêneros, passa a ser anátema, em uma bolha.

Reconhecer que pode perfeitamente haver uma rede de proteção social bancada pela sociedade, sem que isso implique em quebra do sistema capitalista, também é anátema, na outra bolha.

Os exemplos se multiplicam e este (já longo) artigo, se tornaria um livreto se contássemos todos os causos.

A razão das Bolhas

Olhando o assunto da melhor forma que consigo, tendo a concluir que a razão da existência das bolhas é, de fato, satânico/diabólico: se eu não separo, se não segrego, não conquisto (Dividir e Conquistar). Se deixo alguém pensar, se não o sufoco com “provas” que me interessam, se não induzo a um determinado objetivo (meu), não chego no meu objetivo. Qual é? Há mais de um – dois, pelo menos.

A razão, de novo, na minha opinião, é a polarização em torno de uma figura central, uma “ideia” difusa ou não, mas sempre há alguém fazendo com que eu seja levado a pensar de um jeito que interesse a alguém. O fato de que alguém seja inteligente de estudado não faz dele imune à influência de uma das bolhas. Pelo contrário, alguns “fanáticos de carteirinha” são justamente pessoas de excelente intelecto e realizações, científicas, artísticas e sociais. Pessoas que nunca poderíamos esperar que se comportassem como trogloditas de mídia.

Já vimos esta situação em momentos de radicalização, diversos. A Revolução Francesa foi uma; o Outubro Vermelho foi outra; o Nazismo foi uma outra. Eu suponho que veremos momentos de maior radicalização ainda. Temo que o resultado seja o mesmo de antes: sangue nas ruas.

De novo, que Deus nos livre!

O Continuar do Mal

A Primeira República Francesa foi proclamada no dia 21 de setembro de 1792, através da Convenção Nacional, como processo da Revolução Francesa. Ela se organiza entre grandes grupos burgueses, tendo como uma das figuras de destaque, Robespierre. Ela marcou o fim da monarquia constitucional e o início do republicanismo como modelo político, que no próximo século passaria a vigorar em grande parte das nações. Durante sua existência, a Primeira República sofreu com intensas disputas pelo poder, que afetou em muito a vida dos franceses. 

Além da queda da hegemonia monárquica e da Convenção Nacional, o período pode ser compreendido também através do Terror, da criação do Diretório e do Consulado. Em 1799, Napoleão Bonaparte lidera o golpe conhecido como 18 de Brumário, que posteriormente acaba transformando a República no Primeiro Império Francês, no ano de 1804.”

Copiado de Verbete da Wikipédia

O Continuar do Mal *

Imagino, apenas imagino, ao citar como sendo o começo do mal, devido ao fato de ter a revolução ocorrido para sanar uma situação muito própria do período feudal, apesar de terem sido os impérios uma forma necessária temporal para unir desunidos espalhados pelos países europeus até então e, em especial, na França.

Quando ouvimos nos bancos escolares ainda crianças sobre a histórica Revolução Francesa, passamos rapidamente a admirar tais feitos e realizações, sendo que no Colégio Pedro II onde cursei o Ginasial, aprender a letra e a melodia do hino revolucionário francês nos levava ao êxtase.

Contudo, confesso que mesmo àquela época eu ficava intrigado com o fenômeno Robespierre, as guilhotinas que ceifavam cabeças de contrários à rodo e não só, como hoje se sabe, de reis, rainhas e suas gerações, e até mesmo, crianças.

As leis do Comitê e as políticas levaram a revolução para níveis sem precedentes, que introduziu o calendário revolucionário civil em 1793, fechou igrejas em torno de Paris como parte de um movimento de descristianização, julgou e executou Maria Antonieta, e instituiu a Lei dos suspeitos, entre outras. Sob a liderança de Robespierre, os membros das várias facções e grupos revolucionários foram executados, incluindo os Hébertistas e os Dantonistas, muitos dos quais eram amigos de Robespierre.”

Copiado de Verbete da Wikipédia

O que se viu a partir de Napoleão foi um Estado/Nação extremamente aguerrida, um exército diferenciado e valoroso que, rapidamente, passou a agredir seus vizinhos e dominá-los pela força bruta dos terríveis canhões franceses. Napoleão surgiu para o mundo como o General/Imperador capaz de estender o braço francês até bem próximo a Moscou, só não completando tal feito em razão do desprezo ao rigor do inverno russo e da resiliência dos seus opositores.

Pode-se enganar a alguns por muito tempo, contudo, nem a todos para sempre.

A História contada e requentada sempre foi e será perigosa para os pouco atentos. Existe aqueles que estão a solto e intocados, a margem da crítica paga, por interesses nem sempre verdadeiramente democráticos.

Enfim, “há perigo na esquina” como já foi dito por um bom compositor.

Kristallnachts da Vida

Meus 2 gramas de contribuição **

Diante de um mundo embasbacado pelo conhecimento “enciclopédico” preconizado por Voltaire, e cujo conceito tomamos partido nas citações acima, diante de um mundo que poucos anos depois estava sob o impacto do ultra terror, os expurgos e milhares de mortes, que anos depois viria a dar base “moral” (Sic!) para expurgos de Stalin, Mao, Pol Pot entre tantos outros, nos perguntamos quando é que começaremos a achar absurda a morte pela morte, as prisões sem julgamento, as suspensões “temporárias” do estado de direito, nas palavras de ministros do STF, ou seja, uma Noite dos Cristais à brasileira, tida em 8 de Janeiro de 2023. Essa Kristallnacht que até hoje justifica tanta barbaridade contra velhos, mulheres e jovens de vida pacata, cujo único defeito foi acreditar que viriam em socorro do país, num momento de agudização de uma ditadura tentada e não conseguida, há uns poucos anos, pela “falta de aparelhamento adequado das cortes”, como disse candidamente determinada eminência parda da esquerda.

Ou seja, existe justificativa para determinadas atrocidades (“uma boa bala, uma boa cova”, como disse um notório professor universitário, ao se referir ao “burguês”)? Não, não existe. Defender-se é uma coisa que legitima a violência. Defender-se não é assassinato. O mandamento, em Êxodo 20, em seu hebraico original não é “Não matarás”, mas, mais especificamente, “Não assassinarás”. Assassinar é a tal “boa bala”, “boa cova”.

Tanto aqui como em qualquer lugar do mundo, o devido processo legal e a igualdade perante a Lei são pressupostos de civilização. Ano passado, e ao longo deste ano, temos assistido a morte do processo civilizatório no Brasil. Que isso não prospere! Deus nos livre!

P.S. – entre a confecção deste texto e o dia de sua publicação vimos o atentado à bala contra Donald Trump num comício nos EUA. Embasbacado, fiquei (**) a meditar sobre qual seria a reação da mídia sobre o assunto. Um próximo artigo dará minha contribuição ao debate.

Parceria Arriscada:

*   Roberto Montechiari ** Wesley Montechiari

O Futuro de BAM – Business as Mission

As viagens missionárias do fazedor de tendas mais famoso da história…

Este pequeno artigo será, se Deus quiser, expandido para algo mais substancial sobre o modelo de futuro que creio que seja adequado para o movimento Business as Mission, BAM, ou na melhor tradução possível, “Missão Empresarial”, ou “Negócios como Missão”. Autores consagrados, como Mike Baer, Mats Tunehag e João Mordomo, entre vários outros teóricos de BAM, juntos conosco no 1º. Encontro do BAM Brasil, entre os dias 18 e 19 de Maio de 2024, nos brindaram com palestras fantásticas que versaram sobre a forma como nós, empresários, podemos e temos obrigação de olhar para nossas empresas e firmas com um olhar “sagrado”.

A principal mensagem, o principal “produto” que levei para casa deste congresso foi:

“Não há hierarquia entre o homem de Deus pastor, pregador ou missionário, e o homem de Deus empresário ou profissional liberal”.

Congresso BAM Brasil

A tendência que temos de olhar para os “clérigos” como gente mais próxima a Deus é absolutamente equivocada, e fruto de um mundo que começou a tratar coisas sagradas e profanas separadamente, relegando os negócios ao plano inferior. As razões são várias, e não vamos entrar nelas de cabeça, mas apenas resumindo, somos considerados mais profanos porque:

  • A cosmovisão católica que permeia boa parte do mundo hierarquizou e segregou o clero dos fiéis, sendo os empresários relegados à segunda categoria.
  • A visão de que lucro é pecado faz com que entendamos que o que fazemos é “arrancar algo de outra pessoa”. É uma visão deturpada da economia e das pessoas de forma geral. Estamos sempre ocupados em sublinhar o que de pior vemos nos outros.
  • A visão especificamente brasileira, em que um certo empresariado está sempre mancomunado com os governos, para obter vantagens indevidas, e mais, a visão de sonegação como um “mal necessário” à sobrevivência das empresas nos faz achar que empresário é alguém que vive num ambiente menos santo.

A despeito de tudo isso, o movimento BAM tem avançado no Brasil e no mundo, fomentando uma nova geração de empreendedores focados em gerar riqueza, para si e para os stakeholders de seu negócio, de forma saudável, socialmente e ambientalmente responsável, mas, sobretudo, espiritualmente comprometidos em viver (mais do que falar) o Evangelho dentro de nossas organizações.

Nós mesmos dentro da VBR Brasil temos tido a oportunidade de ter um turnover bastante baixo nos nossos funcionários. Parte disso, eu creio, advém de um ambiente social e espiritualmente saudável, onde a competição não é estimulada, se leva outro a ser deixado de lado. A competição é estimulada no sentido do melhor esporte do mundo – o golfe – no qual a pessoa, no fundo, joga contra ela mesma, suas limitações e momentos. Um ambiente espiritualmente saudável parece ser conducente a um relacionamento saudável entre as pessoas. As gerações mais modernas parecem gostar disso mais do que de um salário um pouco maior.

BAM joga, então, com a formação de empresas que tenha o poder de impactar o mundo, a começar por seu ambiente de negócios mais próximo, para Cristo e o Seu Reino.

A questão aqui não é mudar nem criticar esta filosofia do trabalho BAM. Ela está perfeitamente em linha com o Novo Testamento e com a Grande Comissão. Ela deve continuar a ser estimulada. Empresas cuja propriedade seja de servos de Deus devem ser estimuladas a se tornarem empresas BAM, sérias com Deus e Seu propósito. Ele continua a querer receber Glória (Doxa, como adora dizer João Mordomo) entre as nações.

O que quero tratar aqui é do futuro de BAM, como forma de penetração nessas nações. O objetivo aqui é tratar do Fluxo de Capital intergeracional, e como isso pode afetar BAM e a atividade e missionária mundial. Temos algumas certezas sobre o mundo atual – social e econômico:

  • Ele jaz no maligno (1 João 5:19).
  • Ele exerce crescente perseguição sobre o povo de Deus (Ap. 2:10)
  • Ele tornará o livre acesso das pessoas ao Evangelho cada vez mais difícil (Rom 8:36).

Diante disso, chegará, em breve, o tempo em que a existência de missionários será restrita de tal forma que somente não-clérigos poderão estar no meio de determinadas populações. Quem serão esses? Nós hoje os chamamos de bi vocacionados, de fazedores de tendas e muitas outras formas. O fato é que o mais bem sucedido “não-clérigo” me parece ser aquele que tem interesses vestidos em empresas e países em regiões complexas, ou que, pela natureza de suas empresas, possuam alcance grande o suficiente para serem relevantes em um local remoto, a despeito de estar ou não lá (a internet pode ser bênção, com certeza).

Do OPEX ao CAPEX

Como me pronunciei durante o painel-entrevista entre mim, e a Lara, brilhante guria de 22 anos, já CEO de sua empresa BAM, e antenada na vida espiritual e empresarial (uma alegria de ver!) e o querido Danilo Brizola, BAMer e agitador profissional, acredito em uma mudança na forma de alocação de recursos para missões.

Estratégias Atuais – a primeira onda – o OPEX[1]

A principal estratégia missionária mundial atual data dos primórdios da BMS – British Missionary Society, criada pelo querido e famoso William Carey no Séc. XVIII ainda, e cujo sucesso é inegável. De lá para cá tem sido mais do mesmo: reunião de fundos via denominações e pessoas empenhadas em contribuir para o Reino. Esses fundos são então lançados sob forma de cobertura de subsistência de missionários profissionais (a palavra é inadequada, mas é uma que reflete o que de fato existe), e os resultados são de maior ou menor intensidade, a depender do local, do estilo de trabalho e outros fatores, muitas vezes incontroláveis.

Essa foi a estratégia vencedora, por exemplo, no Brasil. Mesmo em sendo um país nominalmente cristão, o estilo de cristianismo havido aqui sempre foi mais não-praticante, ou não “nascido de novo” (embora não possamos negar o caráter eminentemente cristão de muitas e muitas lideranças religiosas do país ao longo dos séculos). As denominações evangélicas do velho mundo e dos EUA, primariamente, identificaram o Brasil como uma potencial fonte de cristãos nascidos de novo, e despejaram recursos humanos e materiais aqui.

Eu mesmo sou fruto disso, pois minha família, originalmente italiana e católica, passou por um processo de profunda transformação, a ponto de sermos hoje identificados diretamente com o cristianismo evangélico já por 4 gerações.

Essa foi a onda do OPEX, que ainda é a mais usada por organizações missionárias e denominações.

Estratégias Atuais – a segunda onda – o CAPEX[2]

Em um ambiente de repressão e dificuldades, apenas a lógica econômica mais direta e atraente para o país receptor vai permitir que o jogo continue a ser jogado. É muito mais difícil recusar um visto a um CEO de uma empresa investidora estrangeira do que a um missionário, ou, como tem acontecido frequentemente, missionários travestidos de estudantes de idiomas ou outras funções.

A motivação econômica direta é ao mesmo tempo legítima e legitimadora dos cristãos que, independentemente de qualquer coisa, vão ganhar a vida em outro país, pelo meio do empreendedorismo e do trabalho árduo e honesto.

Para isso, antevejo a necessidade de uma mudança em direção ao modelo seguinte. Aqui, uma pausa para segregar um conceito já apelidado de Business FOR Mission (Negócios PARA Missão) e o que proponho agora. O “disclaimer” de BAM diferencia o conceito de BFM de forma inequívoca[3]

“Business as mission é diferente de… BUSINESS FOR MISSIONS

                Lucros de negócios podem ser doados para dar suporte a missões e ministérios. Isso é diferente de BAM. Alguém pode chamar isso de negócios PARA missões, ao usar negócios para prover fundos para outros tipos de ministérios. Reconhecemos que lucros de negócios podem dar suporte a “missões”, e que isso é bom e válido. De forma semelhante, empregados podem doar parte de seus salários para causas caritativas. Enquanto tal possa ser encorajado, nenhum de nós gostaria de ser operado por um cirurgião cuja única ambição seja a de fazer dinheiro para ofertar à igreja. Ao invés disso, esperamos que ele tenha as habilidades corretas e que possa operar com excelência, fazendo seu trabalho com total integridade profissional. De forma parecida, um negócio BAM deverá produzir mais do que produtos ou serviços a fim de gerar riqueza. Ele deve buscar cumprir os propósitos e valores do Reino de Deus através de cada aspecto de suas operações. O conceito de negócio BFM pode limitar os empresários a um papel de doadores aos “ministérios reais”. A despeito da doação ser uma função importante, BAM se trata de negócios com fins de lucro, mas focados no Reino.[4]

Entendi, então, que o que temos em mão se trata de algo diferente, cujo nome provisório (e conceito por trás dele) poderia ser “BUSINESS ON MISSION”, ou “BUSINESS ON MISSION BASE” (Bomb).

Trata-se aqui de uma forma de empreendimento imaginada, planejada, gestada e capitalizada para uma função legítima (gerar lucro, como BAM) e ao mesmo tempo, servir de veículo também legítimo para que cristãos possam espalhar a Boa Nova a povos não necessariamente alcançados, ou totalmente não alcançados.

Não falo aqui de enfiar evangelho goela abaixo de nenhum povo ou “colonizar” o outro, mas tão simplesmente viver a sua fé simples e forte, permitindo que outros “vejam a Cristo” em nós, ainda que sem qualquer proselitismo. É proibido fazer proselitismo? Não façamos, mas NÃO deixemos de viver a Palavra e exalar “o bom perfume de Cristo”.

Como?

A forma mais objetiva de BOM, ou BOMB (!!!) se baseia em transformar esse atual OPEX (ofertas para missões) em CAPEX (investimentos em missões). Dentro desse conceito, a que eu acho mais atraente e que pode dar os melhores resultados é a acumulação de capital no sentido de gerar  Fundos ou Entidades de Investimento legítimos, cujo objetivo é o lucro, mas cuja estrutura operacional crie oportunidade para que cristãos “raiz” se disponham a trabalhar como executivos em locais normalmente complexos, de forma legítima, mas com olho e tempo para a propagação do Reino, nesses locais.

Não advogo de nenhuma forma que levemos equipes inteiras para essas empresas e atividades. Ao contrário, a contratação de pessoal de base local é fundamental. Ajuda a criação de emprego no país destino, reforça a economia local, recolhe tributos de forma legal e correta, e, no fim das contas, permite que interajamos com os cidadãos locais, levando-os, sem colonialismo, mas com amor profundo, ao conhecimento de Cristo.

Esses fundos funcionariam mais ou menos assim[5]:

Transformar as “doações” em capitalizações para Fundos de Investimento (Private Equities, entre outras plataformas) com todas as salvaguardas, garantias e governanças das leis dos melhores países e jurisdições para tal.

  • Estabelecer para o Fundo: a)As regras de investimento As regras de assunção de riscos e retornos; b)As regras de reembolso e reinvestimento; c) As regras de segregação de retorno ao Fundo e à transformação de CAPEX (retorno) em OPEX (novos bi vocacionados e líderes de campo); d)Um Board com visão alinhada com BAM e com o Reino.

Desta forma, bons investimentos vão gerar bons retornos, que terão três virtudes:

  • Tornar o movimento autossustentável
  • Tornar o movimento menos vulnerável a governos e políticas religiosas de países.
  • Dar ao movimento condições de crescimento mais acelerado do que a mera arrecadação de doações, ofertas e compromissos.
  • Tornar a vida dos bi vocacionados, na ponta extrema do movimento, mais estável.

Política de Emprego e Liderança

Empresas BOMB, ao serem comandadas e coordenadas por uma liderança BAM, teriam necessariamente, como já disse, que empregar localmente o máximo de pessoas, mas manter a liderança ligada e alinhada diretamente ao Fundo, a BAM e aos princípios BOMB.

Isso implica e que, em algum momento, empregados locais convertidos e comprovadamente capazes, passarão a ocupar cargos de liderança, alinhados com os princípios do movimento. Obviamente que lideranças cristãs locais e capazes podem ser recrutadas de imediato, o que normalmente não parece ser tão fácil.

Em qualquer circunstância, é ser “sal e luz” que vai ganhar o jogo, e não fazer proselitismo ou impor um modo de pensar.

São apenas reflexões não teóricas, baseadas em conceitos mais “heróicos” do que acadêmicos, mas podem servir de reflexão aos pensadores do Movimento como um todo.

“Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor”


[1] Operational expenses, em inglês, ou “Despesas Operacionais”.

[2] “Capital Expenditures”, em inglês, ou Gastos de Capital.

[3] Aqui, o puxão de orelhas de João Mordomo me ajudou no avanço para o conceito que apresentarei a seguir.

[4] Extraído do manifesto de BAM, traduzido por mim.

[5] O Fundo IBEX, que eu mesmo invisto, trabalha quase exatamente neste modelo.

Amós o Profeta Social

Há alguns dias tive a honra de ter sido professor de Escola Bíblica Dominical, na Igreja Batista Essência, em Curitiba, sobre o livro de Amós, chamado de profeta, que não era “profeta” no sentido dado a Elias e Eliseu, por exemplo, mas que eu chamo por este epíteto. É profeta porque profetizou e ponto.

Minhas aulas contaram com a base luxuosa de um estudo do Pr. Paschoal Piragine, sempre muito bem fundamentado. O que eu quero chamar atenção aqui é para o paralelo infelizmente verdadeiro, entre o Israel de Jeroboão II, de 760 aC e o Brasil de hoje.

Pano de Fundo

Aquele era um Israel próspero, devido ao domínio, poucas vezes conquistado e mantido, da rota inteira de comércio desde a Síria até o Egito. Israel e Judá tinham, então toda a receita da tributação do comércio que por ali passava, suas caravanas e produtos. Isso enriqueceu os reinos da época e acabou por ser o estopim da derrota, pela invasão promovida pela Babilônia, ao norte, que queria esse comércio para si.

Em vez de promover o desenvolvimento e bem estar de seus súditos, esses reis, e a elite do país, fizeram o oposto, o que acabou por enfraquecer o cidadão comum e por consequência as defesas nacionais.

Violência

A primeira crítica de Deus, por Amós, à Israel e Judá da época diz respeito à violência. A condenação feita aos reis e líderes pelo pouco cuidado com aspectos violentos da sociedade, e mesmo a imposição de violência ao povo, dá o tom para a profecia e os “Ais” de Deus para o povo – prepare-se, porque uma liderança que permite a violência vai acabar por cair.

Vivemos momentos iguais aqui, com extrema leniência com quem é violento, e a inversão de valores típica dos moderninhos que são contra qualquer coisa que tente conter o agente da violência, e chama de violentos os agentes da ordem. Desde a moda do “Defund the Police” nos EUA aos ecos macaqueados aqui repetidos, vivemos uma época e um Brasil no qual a verdadeira violência é bem vista, e a suposta violência de quem quer cadeia pra bandido é colocada com horror frente a câmeras de TV.

Somos “violentos” quando nos colocamos contra o aborto? Somos violentos quando nos insurgimos contra injustiças cometidas por poderosos sem freio? Somos ruins, maus mesmo, quando somos contra o poder do narcotráfico e sua violência tanto física quando pelo efeito devastador que seus “produtos” geram?

Exploração

Amós fala da parte de Deus sobre a exploração que é imposto ao povo. É bem específico sobre um tipo de exploração se trata: extorsão via tributos, concentração de riqueza nas mãos de meia dúzia que nada produziam (não, isso não é capitalismo – é exatamente o oposto), extorsão via criminalização da atividade comercial.

Amós é específico nessa condenação (na verdade, Deus através de Amós).


“Ouçam esta palavra, vocês, vacas de Basã que estão no monte de
Samaria, vocês, que oprimem os pobres e esmagam os necessitados e dizem aos senhores deles: ‘Tragam bebidas e vamos beber'”…

Amós 4:1

O grande pecado da exploração é geralmente cometido pelo principal explorador do mundo – o governo. Quase qualquer governo age assim. Quanto maior o governo, maior o explorador, ou a tentação de explorar via o pode que este confere. Quem é o seu maior sócio? Quem é o seu maior dependente? Quem menos te dá em troca? Eu arrisco a dizer que é quem leva mais de 1/3 da riqueza de uma nação sem dar nada remotamente compatível em troca. Exploração, que já ultrapassou o “quinto dos infernos” (os 20% de tributos sobre o ouro, instituído por Portugal sobre o Brasil) em mais da metade.

A Corrupção

O terceiro ponto reprovado e descrito Deus, via Amós, é a maldição de ontem e de hoje, a corrupção.


“Eles não sabem agir com retidão”, declara o Senhor, “eles, que
acumulam em seus palácios o que roubaram e saquearam”

Amós 3:10

A corrupção aqui é “palaciana” e não velada. É, de certa forma, institucionalizada. Quem, como nós, vive sob tremenda corrupção, deveria ter aprendido a identificá-la e a se defender dela da forma mais simples possível: não participando dela nem sendo corrupto.

Nosso povo, como os judeus deste milênio antes de Cristo, parece padecer da mesma dificuldade.

A religiosidade vazia

O último item de reprovação de Deus, por Amós, foi uma religiosidade vazia. Não é que os judeus não cressem em Deus ou prestassem culto a Ele. É, talvez um excesso de religiosidade. Aquela coisa de crer em Deus mas acreditar que temos que pular sei-lá-quantas ondinhas no fim do ano para sermos bem sucedidos; de ir à missa ou ao culto, mas também fazer uma fezinha na mega sena, pois afinal, vai que dá certo…

Uma religiosidade vazia é uma postura de confiança “desconfiada” do Todo-Poderoso. É achar que o volante da Sena corre o risco de ocupar o lugar provedor de Deus. É acreditar no que não pode nos ajudar, no final das contas.

Em suma…

Tanto o livro de Amós como o de Miquéias, que estamos estudando agora, nos dão conta de advertências de Deus a Israel na época chamada “Pré-Exílio Babilônico”, quando os judeus foram desarraigados de suas terras, o Templo destruído, seus reis mortos ou aprisionados.

É um tempo muito parecido, moralmente com o que vivemos agora. Corrupção, Exploração, Violência, Religiosidade Vazia, compõem nossa sociedade. Não creio que Deus tenha mudado; não creio que o Brasil e o mundo de hoje sejam muito diferentes. Resta a nós esperar um exílio qualquer, numa Babilônia qualquer, até que, “purgados”, possamos voltar à Terra Prometida e, quem sabe, de uma vez aprendermos a viver.

Medo Social

Este é mais um daqueles meus posts que cumprirá um papel de me lembrar no futuro, de minhas conclusões sobre problemas do presente. E as conclusões estão um tanto longe do fato, tragédia, em si.

Assim como lá perto da minha terra, em Nova Friburgo, RJ, que em 2012 presenciou um “massacre” ambiental que levou a vida de mais de mil pessoas, por conta de chuvas tão avassaladoras que deixaram os meteorologistas de boca aberta, vimos esta semana o Rio Grande do Sul ser assolado por um fenômeno raro, e mais raro ainda deveria ser: uma queda de água sem precedentes, causada por um fenômeno que juntou uma massa úmida da floresta amazônica com um ar frio vindo da Argentina, como acontece todo outono. Como resultado, Porto Alegre ficou embaixo d`água, dezenas de mortos, milhares de desabrigados, gente sem água potável nem comida.

É uma tragédia. Mas para mim, não foi a tragédia de mais longo prazo. O Brasileiro, como sói acontecer, “caiu dentro”, apoiando, ajudando, fazendo doações, fretando aviões, levando água, comida, roupas e tudo o mais que a sociedade pode e deve dar nesses momentos em que nossos irmãos passam necessidade. Lindo de se ver, e independente de governos e autoridades. Mais rápido, voluntário, e certamente custando uma fração do que as “otoridades” conseguem fazer.

Medo

O depois está sendo mais doído e mais difícil de entender, mas posso concluir que deriva de uma parte da população que tem sido alimentada em um sentimento de direitos adquiridos indevido, e de certa forma, em detrimento da população em geral.

  • Grêmio – O clube de futebol abre as portas de seu lindo estádio para abrigar refugiados, apoia com água, comida, recebe as doações, faz o que é seu “dever cívico” (sim) mas com grande senso de dever social. O resultado é que parte, “aquela” parte da população cujo bem estar está acima de qualquer sentimento, invade as lojas do clube, quebra e rouba as vending machines, destrói cadeiras… talvez sejam torcedores do Inter, e achem isso “legal”. Mas é mais do que isso… certamente mais.
  • Saques – De novo, os “oprimidos” saem às ruas, enquanto a população se preocupa em salvar o que pode, para quebrar portas de lojas e mercados, e roubar. Comida? Pode ser também, mas as notícias dão conta de saques mais “seletivos”, de TVs, notebooks, e otras cositas más.
  • Assaltos – Uma organização cristã estava arregimentando gente pra ir apoiar no socorro a Porto Alegre. São homens, em sua maioria, e que fazem um treinamento intenso de sobrevivência, junto com uma jornada bacana pela fé em Cristo. Foram tomados de surpresa quando a liderança anunciou para “ir somente quem tem porte de arma” devido ao nível de bandidos à solta, cometendo crimes contra uma população já fragilizada.

Tá bom pra você? Ou acha sensacionalismo?

Repressão

A palavra acima suscita arrepios em correntes mais “libertárias” e “wokes” da sociedade, aqui e mundo afora. Reprimir, afinal, é o que dizem que a sociedade fez ao longo de séculos, criando um odiado patriarcado, e uma sociedade em que “é bom proibir”. Até que o “É proibido proibir” tomou conta da vida de todos nós.

  • Família – O pilar central da sociedade foi perdendo aos poucos o direito de educar, e dar uma boa palmada no traseiro de um filho rebelde. Claro, os exemplos de espancamentos são usados contra os pais que só querem, por amor aos filhos, faze-los sofrer menos no futuro. O resultado é uma família em que os filhos mandam (e mamam) nos pais. Os pais mandam então os filhos para o ponto seguinte do processo de “repressão” (segundo os wokes) sem um mínimo de respeito pelo outro, de respeito por si mesmos, e disciplina zero.
  • Escola – A escola então recebe um aluno que já tende a desrespeitar tudo e todos. Até um passado recente, a escola tentava tapar a lacuna de famílias desestruturadas e dar um pouco de disciplina e educação (no sentido não acadêmico) – falhar em provas, repetir de ano, ser levado ao “gabinete” do diretor, eram formas de tentar, ao menos, dar um mínimo de senso de convívio social. Não mais. Escolas se tornaram polos progressistas de transformação do que já vinha ruim, acabava por piorar
  • Governo – Todo governo, qualquer governo, que toma uma medida, meia boca que seja, no sentido de dotar a sociedade de meios de controle, é taxada de fascista, e ditatorial. O ex-ministro da justiça Sérgio Moro, em que pese sua burrice política extrema ao comprar briga com o chefe do executivo (convenhamos, não era também nenhum gênio), desfez um trabalho extremamente útil à sociedade, que foi o de acabar com uns tais “diálogos cabulosos” com a marginalidade. Por ego, talvez, colocou a perder o que teria sido seu maior legado: uma sociedade com menos poderes na mão de bandidos.

De novo – posso ser taxado de extrema direita pelas opiniões acima? Estou errado? Pode ser. Sempre estou disposto a admitir, desde que com boas razões. Não creio – neste momento de crise, pelo menos – que eu possa me sentir assim.

Legado

O resultado está diante de nós, na forma de uma sociedade cuja pior parte está armada, e pronta para cometer crimes contra uma maioria que só quer comer, dormir, trabalhar, procriar e fazer uma ou outra festa, quando der. Uma maioria esmagadora de gente que não está disposta a abrir mão de sua tranquilidade em troca de sensações de bem estar pessoal (leia-se, justiça própria).

Joaosinho Trinta dizia com propriedade que

pobre gosta de luxo; quem gosta de miséria é intelectual“.

Joãosinho Trinta, carnavalesco

Sabedoria vindo de onde menos se esperava, sob forma de um aforismo que, creio, todos deveriam ler corretamente: pobre gosta de luxo, de estar bem, de ter coisas boas; intelectual adora a miséria – alheia, e luta para ter uma plêiade de miseráveis a quem pastorear.

O resultado é uma sociedade dominada por minorias: de corruptos, de bandidos, de intelectuais pró-miséria, de artistas woke ganhando suas benesses à lá Rouanet, todos, sem exceção, apontando o dedo para o “pequeno burguês”, o “capitalistazinho selvagem” cuja principal preocupação é trabalhar duro e não perder, seja para ladrão, seja para inflação, o que consegue juntar ao longo da vida.

Como sempre, este post é dirigido a mim mesmo, mas compartilho com quem quiser ler. Depois de uma temporada de balanços patrimoniais, me volto a escrever um tantinho. Deprimido de tanto ver erro e mal feito, e esperando nada ansiosamente o momento em que serei “descoberto e cancelado” porque, secretamente ou nem tanto, gostaria mesmo é que todo mundo fosse paupérrimo – exceto a si mesmos.

Deus nos acuda!

Sobre amigos e envelhecer

Manchete do O Globo nos anos 20 lia: “Anciã de 42 anos encontrada morta em sua casa em Santa Teresa“. Pois é, acabei de cumprir 59 anos e falta unzinho pra eu me tornar oficialmente ancião, pelo menos apto a usar vagas de idoso, demarcadas pela Prefeitura de Curitiba.

Ninguém se iluda. No dia 17 de dezembro do ano que vem, se vivo estiver, entro no site da prefeitura e peço minha carteirinha, coloco no parabrisa do carro e vou frequentar vagas exclusivas nos shoppings da cidade, com muito orgulho.

Há várias razões para isso, mas listo duas que são mais caras para mim.

Amigos

A despeito de talvez não ser o melhor amigo do mundo, tenho grandes amigos; os melhores do mundo. Da minha mãe, meus irmãos, tias e tios, meus filhos, minha esposa, sobrinhos e amigos antigos e novos, sou feliz por não andar sozinho e ter a casa quase sempre cheia. Gosto disso. Não é nem que eu seja lá muito festeiro, mas porque gosto de ter gente em volta – festa ou não. É uma espécie de celebração da vida e do contato. Dizem que envelhecer sem amigos encurta a vida, e se for essa a razão, espero que Deus me dê muitos amigos novos e me mantenha os antigos. Lá na frente, os amigos véios vão morrer, como já morreu meu amado pai, já faz dois anos.

Amigo é coisa realmente pra se guardar. Às vezes a gente perde amigos. Recentemente perdi um, que amo muito, e ainda me indigno com o fato, e pelo fato de não ter tido a menor influência sobre o assunto, nem ter contribuído voluntariamente pra isso. De repente o amigo simplesmente achou que já não valia a pena andar comigo. Pena, muita pena, mas respeito à escolha alheia. Se voltar, encontrará o amigo cá, com muitos defeitos (talvez os mesmos que levaram à separação) mas com os braços abertos.

Normalmente – e diria em raríssimos casos – eu me desfaço de amigos. Eu acho que se amizade fosse um fator derivado de alguma vantagem que se leva por andar junto, teria outro nome. Tem que aturar mesmo, com dificuldades, chateações e bobagens que a existência de qualquer um de nós traz. Todo mundo tem bafo, às vezes, todo mundo mente às vezes, todo mundo tem algum tipo de vício (uns mais visíveis que outros), enfim, todo mundo pensa diferente aqui e acolá. Não se pode descartar alguém por defeitos – exceto, talvez, por traição ou maldade. Mas nem assim a Bíblia usa argumentos contrários à amizade:

Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão. 

Provérbios 17:17

E é isso aí… em todo tempo. Em meio a dificuldades, pensando diferente, crendo diferente.

Tenho certeza que com amigos minha velhice será mais suportável.

A outra razão para eu curtir envelhecer

O Lado de lá do Rio da Vida

Ou a gente envelhece ou morre antes. Essa já seria uma excelente segunda razão pra curtir envelhecer. Morrer antes, como a “anciã de 42 anos” não é uma coisa tão legal assim. Claro que hoje, aos 59 anos, tenho talvez uma saúde melhor do que tinha 10 anos atrás, quando tinha pressão alta, pré-diabetes e 130Kg. Claro que há quase 100 anos atrás, uma pessoa de 42 anos teria condições físicas e mentais talvez piores do que alguém de 70 anos hoje.

Malho 4, 5 vezes por semana, com parcimônia mas persistência, e a única coisa que me incomoda é gostar mais de vinho do que eu deveria… estou tratando do tema… eu e Deus.

Tenho ainda alguns anos de vida profissional pela frente, e anseio pelo dia em que poderei me aposentar do que faço hoje, e continuar a fazer basicamente o que faço hoje para Deus, exclusivamente, num ministério qualquer que Ele me dê. Mas não vou ficar esperando o tempo passar sem fazer nada. Não é do meu estilo. Estou talvez mais preguiçoso do que nunca, mas ainda não acho que eu tenha perdido a vontade de aprender, de ler, de pensar e escrever. Ainda consigo me indignar com o estado das coisas, do mundo, e tentar contribuir de alguma forma.

Mas o que realmente me dá alegria de envelhecer é que a cada dia que passo, estou mais perto de encontrar meu Salvador, aquele que me dá sentido à existência e me faz saber que sou amado, com um amor sem fim. Essa alegria passará o Rio da Vida comigo, quando estiver na hora de ir. De vez em quando me pego pensando no outro lado, em como o Senhor me receberá, as “broncas” que tomarei pelos zilhares de erros cometidos, e pelos acertos que também consigo identificar e me orgulhar por eles.

Essa perspectiva vai tomando forma, e em vez de me assustar, vai me moldando. A expectativa é grande pelo que ainda vou realizar aqui, seja em mais 1, 10 ou 100 anos (!), mas sei que o Outro Lado é muito mais bacana. Ver meu Senhor, rever meus amados, principalmente meu amado Ettore, o Tóia, filho que me dá uma saudade imensa, me acalenta o coração.

Não pensem que este pequeno escrito é triste. NÃO é. É extremamente positivo e alegre. Quero a cada dia, dos que me restam aqui, ser cada vez mais alegre, positivo e contente com o que Deus me dá.

Ontem na igreja (17/12/23) tive a oportunidade de falar à comunidade no momento do ofertório. Me veio à mente uma conversa que tive com o Pastor Marcelo logo antes do culto começar. A colocação do pastor é “como é que tem gente que sempre quer mais riquezas”… eu usei então a famosa frase do J.P. Morgan quando indagado por um repórter sobre “quanto era suficiente“. Ele respondeu, talvez com muita sinceridade: “só um pouquinho mais“. Sincero, porém certamente triste. O pouquinho mais toma nossa mente e nos escraviza. Eu quero o que o mesmo Salomão disse, agora e na velhice:

…não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus. 

Provérbios 30:8-9 

Isso também me libertará as mãos para conseguir me alegrar nos dias que serão certamente os mais desafiadores, fisicamente, mas quase certamente os mais recompensadores para a alma.

Em síntese, amigos, se Deus permitir, serão a minha luz diária para continuar vivendo, até que Ele queira que eu vá.

De novo, nada de soturno aqui, nem estou tentando lançar um véu de tristeza sobre o restante da existência. Ao contrário, uma posição bem mais leve e alegre do que tive até hoje da vida. So help me God…

Talentos, a Parábola

Ao andar pelos meus sites favoritos hoje na hora do almoço me deparei com este artigo. Como cristão, estranhei o teor totalmente cristão dentro de um site de economia liberar como o do Instituto Mises Brasil. Lá no meio do artigo o autor revela uma visão que vi pessoalmente nos EUA entre os meses de Outubro e Novembro do ano passado: milhares, literalmente, de ofertas de emprego em lanchonetes, restaurantes, transportadoras e outras, sem preenchimento.

Leia https://mises.org.br/artigos/1857/a-parabola-dos-talentos-a-biblia-os-empreendedores-e-a-moralidade-do-lucro

A razão é esta:

“Além de o governo proibir aqueles que aceitariam trabalhar por menos que o salário mínimo, ele também cria um incentivo perverso para se recorrer ao assistencialismo: ninguém aceitará um trabalho que pague pelo menos o mesmo que o seguro-desemprego.

Preocupado que estou com o rumo dessa prosa de emprego versus “vale isso”, “vale aquilo”, vejo que não estamos diante de um problema nacional, mas um que está tomando dimensões fantasticamente complexas para um mundo que, de um lado, vai vendo sua força de trabalho minguar, por envelhecimento da população, de um lado, e de outro, vendo as tecnologias tirar do ser humano a capacidade de reflexão mais profunda, sobre quase qualquer coisa.

Países tentam, cada um a seu jeito, ajudar o cidadão. Pelo menos é isso que vemos, com exceção dos suspeitos de hábito, cujo objetivo é tão somente torná-los mais dependentes de um estado-pai. Aceito perfeitamente a visão de um socialista honesto, intelectualmente, de que, na visão dele, o estado deve fazer um papel de proteção e extensão de uma rede social para que a sociedade não sofra. Entendo. Não concordo, mas entendo.

Também enxergo no capitalista intelectualmente honesto uma visão de que é o cidadão que deve se ajudar, primariamente, e que a sociedade, voluntariamente, deve se organizar em torno da criação da tal rede de proteção social. Vejo mais mérito nessa ideia, e no fato comprovado de que funciona melhor do que um estado-pai, inchado.

Mas ok, se o indivíduo for intelectualmente honesto, eu aceito discutir, argumentar, à exaustão. Isso não me cansa, mas me anima. O que cansa é ouvir ladainha, decoreba, de gente que não tem o valor (ou os neurônios) para argumentar, e, caso convencido, mudar de opinião. Ainda espero mudar de opinião caso convencido intelectualmente, e de forma livre, que um estado-pai é melhor para o cidadão do que um bom emprego ou liberdade de empreender.

Entendo o capitalismo como meu sistema nervoso periférico, que trabalha por mim 24 X 7, e produz resultados que eu não obteria se, conscientemente, tivesse que pensar em respirar, em tossir, em espirrar, em reagir ao quente ou ao frio, e todas as complexas operações que são feitas descentralizadamente por meus neurônios, deixando para meu sistema nervoso central, meu cérebro, as atividades mais nobres de refletir, tomar decisões e fazer acontecer. Um governo é eleito para pensar e fazer o melhor, deixando a sociedade agir dentro de um sem-fim de atividades descentralizadas que garantem o funcionamento do “corpo” (a nação) – água e esgoto, circulação, respiração, engolir e deglutir, são atividades que é melhor deixar pra periferia. Já estudar e decidir, pode ser feito centralizadamente, mas apenas para o “macro”.

Um governo não deveria ser maior do que uma cabeça, em relação ao corpo: uns 7 a 8% no máximo, e não os 34% que corresponde hoje ao naco que o governo leva da atividade total da nação. E olha que o cérebro usa 20% da energia, mesmo representando 7, 8% do volume total (aqui incluo a cabeça toda… o cérebro mesmo dá 2% do volume total).

Deus, o dono e criador do bom senso, não comete erros. Se fez um sistema nervoso que no total do corpo humano implica em 10% (vá lá) do total, é essa métrica que eu acho que seria correta para o bom funcionamento da “máquina”.

Mais do que isso: até 2 anos atrás em tinha mais de 130 Kg. Estava me matando de diabetes, pressão alta, etc. O corpo não aguentava levar tanto peso. Hoje tenho 87 Kg, e quero baixar ainda mais. Estou bem, feliz, animado e disposto. Peso demais, para a mesma estrutura, é causa de morte. É uma doença, uma inflamação. Com o estado, não é diferente. O estado está doente, e nós pagaremos o preço.

Oremos!

Sim, sou bobo

Minha conclusão, depois de ver tanta coisa nessa vida é que – “É… sou bobo mesmo”. Estava falando hoje com minha sócia e amiga de longa data. Somos um bando de tolos. Ajudamos até a quem não devíamos ajudar, e quanto mais ajudamos, mais as pessoas se sentem no “direito” de algo que não tínhamos qualquer obrigação de fazer.

Por bobos, ou tolos, me refiro àquela patética qualidade que Deus, através de Seu filho Jesus Cristo, nos ensinou a fazer. Elenco aqui algumas coisas espinhosas que nos foram ordenadas, no Sermão do Monte.

Sermão do Monte – Seja um “tolo

Concluam vocês mesmos como isso é ser idiota, no mundo atual:

Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo?  Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste. 

Mateus 5:43-48- Sermão do Monte

Perfeitos idiotas são esses caras aí de cima. Imagine! Amar a quem nos persegue? Fazer o bem a quem nos odeia?

Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita; 
Mat 6:4  para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. 

Mateus 6:3-4 – Sermão do Monte

Não podemos sequer falar do que fazemos. Temos que fazer e sequer reconhecer que fizemos algo. Tá ok.. tá ok… vamos lá, Senhor. Se nascemos pra Ti e vivemos pra Ti, precisamos cumprir isso tudo né?

Ou seja, devemos ser “bobos profissionais”, e ainda ouvir as pessoas dizendo que somos uns idiotas, e que é fácil nos enganar. É mesmo. O mais doído, porém, é quando a enganação surge de trás de nós, como um soldado que vê um companheiro de suas próprias trincheiras meter uma baioneta nas nossas costelas. É o famoso “fogo amigo”. Alguém que diz que crê nas mesmas coisas, que ama o mesmo Deus, que tem Jesus Cristo como Senhor e que por qualquer razão disputável, ou justificando o mal feito, nos coloca em posição indefensável, absolutamente, de joelhos diante de alguém cujo mau procedimento nos torna isso mesmo – perfeitos idiotas. Contra o “amigo” não temos defesa – alguém que não me lembro quem, fez uma interessante oração a Deus:

Senhor, protege-me dos meus amigos, porque dos inimigos cuido eu

Atribuído a Voltaire, segundo o ChatGPT (duvido)

Para ser um perfeito idiota, no sentido do Sermão do Monte, é preciso antes de tudo renunciar a si mesmo. Não significa que não temos que ser “astutos como a serpente”, ainda que mansos como as pombas, como diz o mesmo Senhor Jesus. Não é isso que nos torna idiotas perfeitos. O que nos faz tão perfeitos é o caráter voluntário que temos que aplicar à nossa idiotice – vou ser idiota para benefício do outro, em detrimento de mim mesmo.

Minha sócia fala com propriedade que poderíamos ganhar mais dinheiro se não fossemos propositalmente bobos algumas vezes. Ela está certa, claro. Mas eu prefiro não ganhar alguns dinheiros. Aliás, ao longo dos anos se eu tivesse aceitado algumas “proposições” feitas a mim, já teria parado de trabalhar e estaria vivendo de renda. Não farei. Já cometi erros no passado, e até hoje esses erros – que alguns veriam como esperteza – me doem, se eu os trago à memória.

Esperteza não é a mesma “astúcia” que Jesus nos pede – esta serve para sermos inteligentes o suficiente para abrirmos mão voluntariamente de qualquer vantagem, SE e QUANDO o Senhor o exigir de nós. Não significa nem se deixar roubar nem ser roubado sem saber. É aceitar que o mal feito do outro nos incomoda, nos fere, nos entristece, mas não nos fará azedar, amargar ou desfalecer porque no fundo nosso lugar não é aqui, mas junto a Deus, no céu.

Parece piegas? Parece burro? Você pode achar, mas deixe-me dizer uma lição que aprendi no módulo de História do Cristianismo, antiguidade, que terminei faz pouco: depois de muito serem martirizados, criticados e sofrerem atrocidades, os cristãos acabaram, mansamente, dominando e mudando o Império Romano de dentro pra fora.

Mais tarde, com a queda do Império Romano, as invasões bárbaras tomaram a Europa de roldão. Foi justamente o cristianismo e sua mansidão que acabou com as guerras internas, fraticidas, acabaram, o que liberou esforços da Europa para as Cruzadas (que foram uma forma de defesa, não de ataque, como seus professores de história dizem por aí). Daí por diante, com marchas e contramarchas, a Europa liderou o mundo no crescimento e prosperidade gerados desde o fim da Idade Média até agora.

Um país de bobos

Lembro bem como amigos meus achavam os americanos “bobos”. Na verdade eu também achava, até me dar conta do caráter deles, com relação à verdade, lisura e à palavra dada. Tanto os ingleses quanto os americanos, e nesta seara também alemães, holandeses e muitos outros de origem europeia, mas mais na Europa Evangélica, formaram uma sociedade baseada na palavra dada, no direito costumeiro e na confiança nas leis e nos contratos. Mas muito mais na palavra dada.

Um amigo meu, italiano, me disse uma vez que “minha palavra è una, sozinha”, ou seja, eu o havia alertado que ele havia me oferecido um carro a um valor abaixo do mercado, e ele disse que já havia dado sua palavra e ia mante-la, a despeito do “caixote” tomado. Quanta gente você conhece que é capaz disso? Quanta gente mantem a palavra e quanta gente distorce as palavras ditas até que se encaixem no seu desejo?

Quantos simplesmente não mantem a palavra, mentem descaradamente (a começar do chefe do nosso executivo) e acham que isso é uma baita esperteza? Quantas vezes teremos que ser enganados e escravizados até entendermos que a melhor coisa para uma sociedade é a verdade, a honestidade e a colocação do direito do outro acima do nosso? As palavras de Cristo, e seus ensinamentos, mudaram um mundo antes dominado pelo mais forte por um dominado por regras consensuais. Isso está acabando, até porque o capeta não ia mesmo ficar na sua.

O tal “país de bobos” está desaparecendo. No lugar dele está nascendo um país muito mais parecido com o nosso. Os EUA dos pais fundadores e o “farol em cima da montanha” está se tornando um paizeco de terceiro mundo, no qual vale tudo. Meu saudoso pai costumava dizer que “onde todo mundo é esperto, só tem burro”…

Continuarei a ser um bobão, como tantos brasileiros de valor, que se doaram pela sua pátria, e tantos outros “bobões” aqui e ali escorraçados pela mídia e chamados de otários – “perdeu, mané”. Perder? Perdi? Nada! Minha dignidade e minha honra estão intactas, bem como minha relação com o Justo Juiz, que há de julgar a todos.

PS – Em tempo – Sou auditor independente. Minha função é o chamado “ceticismo saudável”, ou seja, confiar desconfiando. Um leitor me questionou como eu poderia me identificar como “bobo” sendo auditor. Ora, é simples: eu tenho o direito de ser bobo com as minhas coisas, pois sobre elas posso voluntariamente abrir mão. Já quando auditor, opino sobre as coisas dos outros. Sobre essas não posso sequer pensar em ser tolo.

Independência ou Morte!

Dizem que Dom Pedro I não disse essa frase – “Laços fora… independência ou morte”, no Sete de Setembro, às margens do Riacho do Ipiranga. Tanto faz. É mais do que comum os progressistas quererem desfazer do passado de um país, tachando tudo de mito. Desde a dentatura de madeira de George Washington até a luta de João Paulo II contra o comunismo, nas mãos de certos historiadores tudo vira lenda.

Não importa. Parafraseando Monteiro Lobato, “Um país se faz com homens, livros e histórias inspiradoras”. É algo que inspira a todos nós, termos tido um país livre, com pouquíssimo sangue derramado. Uma nação fundada na paz, num território impressionantemente contíguo, com uma língua comum, costumes estranhamente parelhos, para tanta gente distinta que o formou, e paz, muita paz, ao longo de sua história, ainda que pontilhada por guerras aqui e acolá.

Tanto é assim, que o sombrio período militar, descrito como uma era negra, de prisões autoritárias e tortura, não contabiliza, na ponta do lápis, mais do que 400 vítimas – boa parte dela sabendo dos riscos que suas ações representavam. Uma vítima já seria muito, claro, principalmente se a vítima é você, mas cá entre nós, na estatística Staliniana, 400 pessoas é algo que nem conta.

Assim, nossa grande guerra foi a do Paraguai, na qual os feitos de Caxias, Tamandaré e outros são “descontruídos” pela historiografia oficial (deles), houve uma defesa territorial, apoiada pela Inglaterra, a grande potência da época. E daí? Todas as guerras de todos os tempos tiveram interesses difusos, de algum império, o que não tira delas a justiça – pelo menos de um dos lados, o do defensor. A França apoiou os EUA em sua guerra de independência contra a mesma Inglaterra, e ninguém chama a França de “imperialista”.

Mas voltando à efeméride em si, sou tremendamente grato a Deus por ser brasileiro, amo essa nação e tenho pelo minha bandeira um sentimento quase religioso. Sou cidadão dos céus, como a Bíblia me chama, o que não me tira o direito de amar meu país, e, por decorrência cristã, todos os outros, cada um à sua maneira, respeitando povos e culturas, ainda que não concordando com muita coisa. Há impérios, há soft power, hard power, tudo isso. Há dominações, há mutreta, há diplomacia inválida, há de tudo. Nada disso impede que eu seja apaixonado pelo meu país, a ponto de enxergar claramente o perigo que nos ronda, por meio de um internacionalismo pregado pela Internacional Socialista desde sempre.

O mote hoje é o desrespeito às nações. Já não se canta o hino do país sede na Champions League, mas um pavor orquestral e vocal que pra mim soa como “Lasanhaaaa… Lasanhaaaa... Lasaaaaaaanhaaaaa“, toda vez que ouço. Carregar uma bandeira nos ombros depois de uma medalha olímpica, ou de uma vitória na Copa, está se tornando “brega”.

Meu país é este aqui. Sete de Setembro de 1822, portanto há 201 anos, nos tornamos um país soberano, e há muito que comemorar. Se um país de 210 milhões de habitantes, com quase 9 milhões de Km de território soberano, um idioma, que alimenta mais de 1,1 bilhão de bocas diariamente, que produz quase tudo que precisa, que possui o território mais intocado pelo homem até o momento, um país que jamais iniciou qualquer ato bélico (nem unzinho sequer, como umas Malvinas, etc). Um país que criou uma doutrina de não intervenção na soberania dos outros, que é lindo por natureza, ou seja, se NÓS, a 7a. maior economia do mundo não temos o que comemorar, QUEM tem? Será os EUA, que “já chegaram lá” e são a maior nação do mundo? Será a China com sua voracidade de gafanhoto? Será a Rússia e seu czar e política briguenta? Será o Japão, que perde milhões de habitantes por ano, por estar “murchando”?

Meu país é minha copropriedade. Me sinto responsável por ele. Por isso eu quero bem a ele. Quero pagar impostos com justiça, mas pagá-los; quero as ruas limpas, e por isso guardo papel de bala no bolso; quero autoridades honestas, por isso nem penso em subornar guarda de trânsito pra evitar multa; quero preservar o meio ambiente, por isso não apoio iniciativas de desmatamento; quero um país rico, por isso não apoio que simplesmente se deixe a Amazônia sem exploração racional; quero um país educado, por isso dou minha quota de participação, escrevendo com um português minimamente aceitável; quero um país fraterno, por isso apoio os imigrantes que aqui chegam sem ter o mínimo para subsistir; e, por fim, quero um país Cristão, e por isso falo do amor de Jesus Cristo por cada pessoa. Mas mais do que tudo isso, entendo que sou voluntário nesse processo civilizatório. Não preciso nem quero sem empurrado para o bem. Quero fazê-lo porque no fundo me fará mais feliz.

Amo meu Brasil, a despeito do assalto às instituições que está sendo perpetrado debaixo do nosso nariz por gente que no fundo o odeia com todas as forças. Amo meu Brasil e por isso sou favorável a instituições fortes, democráticas e honestas. E é justamente por amar meu país que eu me sinto impelido a expor o que eu penso, e aceitar tudo o que venha de visões diferentes, com liberdade, sem censura, sem arbítrio.

Deus abençoe esse país imenso, lindo, pacífico e cristão!

Argentina e a Revolta de Atlas

Semana passada, em uma viagem ao Chile, um amigo querido me lembrou do livro da filósofa russa/americana Ayn Rand chamado A revolta de Atlas. Gosto mais do título em ingles, Atlas Shrugged (algo como “Atlas deu de ombros” – sabe aquele gesto de “tô nem aí”)… significa que o Gigante que carrega o mundo nas costas, o tal Atlas, acabou se chateando com tudo e “deu de ombros”… como o mundo está nos ombros dele, imagino que o mundo deve ter caído “no chão” e se espatifado em milhões de pedaços.

Hoje, lendo a epopeia argentina de autodestruição econômica, me lembrei do tal livro, que comecei a reler (havia lido há muuuuitos anos atrás). Dando de cara com manchete da Gazeta do Povo –https://www.infomoney.com.br/economia/pacote-argentino-preve-400-bi-de-pesos-para-linha-de-credito-alem-de-bonus-a-trabalhadores/ – não tive como conter a sensação de que os Atlas argentinos acabaram dando de ombros para o seu país.

Mas antes preciso fazer uma breve resenha do livro Atlas Shrugged para deixar todo mundo na mesma página. Para facilitar, e para ilustrar a todos como o ChatGPT é esperto, recorri a ele. Em vez de gastar alguns minutos fazendo minha própria resenha, passo a descrever o que um simples questionamento como “qual é a mensagem central do livro Atlas Shrugged” retornou, na tal IA:

Em resumo, “A Revolta de Atlas” é uma obra que promove o individualismo, o capitalismo, a razão e a criatividade enquanto critica o coletivismo, o altruísmo extremo e a opressão do governo. É uma obra polêmica que gerou discussões intensas ao longo dos anos e continua a influenciar debates políticos e filosóficos.

Chat GPT para dummies… (eu)

“A Revolta de Atlas” (Atlas Shrugged) é um romance filosófico escrito por Ayn Rand e publicado em 1957. A mensagem central do livro pode ser resumida em várias ideias interconectadas:

  1. Individualismo e Capitalismo: O livro promove fortemente o individualismo e o capitalismo laissez-faire como sistemas morais e econômicos superiores. Ele defende a ideia de que os indivíduos têm o direito de buscar seus próprios interesses e que isso é fundamental para o progresso da sociedade.
  2. A importância da mente criativa: “A Revolta de Atlas” celebra os criadores, inovadores e empreendedores como motores da economia e da civilização. Ele argumenta que a produtividade e a criação de valor são lideradas por indivíduos talentosos e criativos.
  3. A crítica ao coletivismo e ao altruísmo excessivo: O livro critica severamente sistemas políticos e econômicos que sacrificam os indivíduos em nome do coletivo. Ele argumenta que a busca do bem comum não deve ser feita à custa da liberdade individual.
  4. A defesa da razão e da lógica: “A Revolta de Atlas” valoriza a razão como a principal ferramenta do ser humano para entender o mundo e tomar decisões racionais. Ele critica a irracionalidade e o coletivismo que muitas vezes surgem quando a razão é negligenciada.
  5. A resistência à opressão do governo: O livro narra a história de indivíduos talentosos e produtivos que decidem “desaparecer” em resposta à crescente opressão do governo e às políticas de redistribuição de riqueza. Eles se recusam a ser explorados e fogem para criar uma sociedade própria.
  6. Ética da autossuficiência: Ayn Rand enfatiza a importância da autossuficiência e da independência individual. Ela argumenta que as pessoas devem buscar seus próprios objetivos e não depender excessivamente do Estado ou de outras instituições.

No livro, um grupo de intelectuais resolve fazer uma “greve” e negar à humanidade sua produção. Os tais “Homens que pensam” resolvem que vá todo mundo se lascar. Não querem viver nas costas de quem produz? Então comecem a produzir… e o pau quebrou. O legal é a definição dada a essa situação, frente à postura dos grevistas: governo centralizador e “paizão” é tão, mas tão ruim, que ele quebra a economia e acaba caindo por seus próprios deméritos. Tudo o que se tem que fazer é deixar que façam o que fazem melhor – bobagem.

O que tem isso a ver com a Argentina? Tudo. A Argentina é o exemplo mais perfeito e acabado de como uma série de governos semi-ditatoriais, ou abertamente ditatoriais, que privilegiam “o social” em detrimento do indivíduo e suas escolhas individuais podem fazer para acabar com um país maravilhoso, fértil e de gente educada. Nada me parece mais próximo da fábula de Ayn Rand do que o Brasil de hoje, a Argentina de hoje (e de sempre), a Bolívia de hoje, o México de AMLO, e o Chile… opa… o Chile nem tanto.

Vindo de uma palestra sobre o Chile na semana passada, dada pelo meu ilustre colega de Praxity, Ignacio Gepp, percebi que ali a “guinada à esquerda” acabou não sendo o que pareceu ser. Parece que lá, Sebastián Piñera, que havia saído da presidência com 8% de aprovação (ou seja, um Temer da vida) volta à cena como a terceira opção em um novo pleito presidencial. Além disso, a tal nova constituição que parecia muito com uma colcha de retalhos de ideários de esquerda foi rejeitada menos de 1 ano depois da eleição do atual presidente, Boric, por nada menos que 62% da população – lá, diferentemente daqui, a população tem que aprovar a nova Carta Magna no voto.

Uma nova constituição está sendo elaborada, por um congresso menos à esquerda, e parece que incorporará alguns temas caros à sinistra, mas com manutenção do bom senso econômico que tem caracterizado o Chile há décadas, e que o coloca como o maior PIB per capita da América Latina já há algum tempo.

Síntese do babado todo: não adianta correr. Pode dar a economia à esquerda à vontade. É questão de tempo até quebrarem tudo, e devolverem em frangalhos ao povo. “Ah… mas e a China”… bom, a China é um exemplo de aprendizado confucionista: melhor ficamos com o poder político mas deixemos a quem entende a iniciativa privada. Não que eu creia que isso vai durar. Acho que não. Assim que a China se sentir “dona do mundo” ela retornará ao ideário de dominação também econômica, além de política, e o caos sobrevirá.

Deus nos ajude e dê vontade de não querer fazer greve de ideias… vontade dá.