Opiniões

Rolo Compressor

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Isso aí abaixo é um desabafo.

Não tenho dúvida de que vivemos debaixo de um rolo compressor, em nossa sociedade ocidental. Viramos o patinho feio de tudo o que é aspecto da sociedade moderna. Temos que pedir desculpas por tudo, a quem quer que seja, por qualquer coisa que tenha acontecido há 10 ou 200 anos atrás. Não temos escolha. Temos que ajoelhar quando um cabeludo, péssimo quarterback de time da NFL nos manda ajoelhar.

Temos que achar bacana coisas como Planed Parenthood (organização pró-aborto nos EUA), Femen, Movimento LGBTQ+, ESG ou qualquer outra moda que inventem e que possa ser colocada debaixo do manto da santidade politicamente correta. Dava cansaço. Agora dá irritação. Espero que não dê em banho de sangue.

Por outro lado temos que nos envergonhar por coisas que eram sinônimo de moral e bons costumes, como família nuclear, cis-genderismo, apreço à ideais democráticos, como liberdade de expressão e livre trânsito de ideias, livre trânsito de produtos, liberdade de cátedra, e outras abominações.

Esse é um rolo compressor que às vezes vem do alto de uma empresa mundial qualquer, por exemplo, informando que temos que fazer cursos de integração e reaprendizado LGBTQ+, ou “descolonialismo”. De repente vem um CEO ou ministro de estado dizendo que todo mundo tem que aderir a um determinado tipo de palavreado, e aceitar passivamente coisas como linguagem “neutre”.

Já não se pode discordar. Não digo atacar, vociferar ou discriminar. Digo apenas discordar, polidamente. Acreditar diferentemente. Ser independente nas ideias. Nada disso pode mais. Até palavras que tínhamos como tendo significado consagrado, estão sendo ressignificadas. Aliás, até a Bíblia tem tido defensores de sua reinterpretação e ressignificação. Com muito apoio inclusive dentro de comunidades cristãs “mainstream”.

Não existe mais nenhum ponto imutável de apoio. Nada mais é firme e constante. Nenhuma ideia ou opinião pode ser considerada não-efêmera, e somos constantemente levados a acreditar que algo que sempre tivemos por fundamento, como falar a verdade, examinar e pensar sobre algo antes de verbalizar, ou mesmo a forma como educar nossos filhos, já não vale mais.

Um novo capítulo está sendo aberto nessa sanha de compressão social: a prevalência do estado sobre os pais, no que concerne à criação e saúde dos filhos. Mais recentemente, estamos vendo-se perder a liberdade de escolha que temos que ter a responsabilidade de ter, sobre o destino dos nossos pequenos.

O rolo compressor me obriga a pensar que meu filho de 5 anos pode escolher perfeitamente o sexo que terá. Mas não pode ser responsabilizado, se matar alguém aos 16 anos. Ele pode decidir se vacinar por conta própria, mas não tem condição de dirigir aos 15 anos.

O rolo compressor está vindo numa velocidade cada vez maior. Não dá para saber (se você nunca leu Apocalipse, claro) sua origem e interesses. Manifestamente, o cristianismo e os valores da civilização ocidental são seu alvo. Nossos valores familiares são seu prato, a ser devorado e transformado em fezes.

Se você se sente debaixo de um rolo compressor social, cujos motoristas são uns poucos gatos pingados com excessivo poder – sabe-se lá quem o deu a eles – sinta-se abraçado. Um abraço bem forte, de quem está sendo esmagado junto. Aliás, estaremos cada vez mais juntos, até virarmos pasta de gente.

Salmos da Modernidade – Salmo 11

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Para: Líder da Banda de Louvor / De: Rei Davi

Quando o bicho pega, é debaixo da mão do Senhor que eu vou me esconder. Tem gente que diz pra si mesmo: “vaza… vai pro teu esconderijo”? Só porque do lado de fora da casa tem bandido com AK47 e Pistola .90, preparados pra mandar a gente mais cedo pra falar com Papai do Céu…
Se a gente deixa de fazer o que presta, o que Deus mandou a gente fazer, sobra o que pra nós? 
Deus está no Céu que Ele mesmo criou, bonito que só… está sentado atrás da escrivaninha de CEO daquele lugar todo… E não tem nada que o Chefe não veja, na hora, sem falhar… Tudo e todos estão na mira dEle. 
Na prática, Deus testa tanto o gente boa como o mala. Mas Ele, no final das contas, tem pavor de quem é violento. 
É… sobre essa gente Ele vai fazer chover canivete aberto, como diria meu pai. E vai jogar essa gente num fogaréu sem tamanho. 
Ninguém se iluda – Deus é justo, e tem pavor de injustiça. Quem anda com Ele um dia vai ve-lO cara a cara. 

Salmos da Modernidade – Salmo 10

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Esse aí é pro mestre de bateria… diz no pé!

Lá no fundo do meu coração eu sei bem que estar “Seguro”, mesmo, no duro, só se Deus me proteger… Então eu digo pra mim mesmo: Voa pra perto do seu refúgio, como um gavião? 
Sim… porque tem gente por aí querendo mais é matar esse gavião-gente com flechada. Vão ficar escondidinhos até acertar o pobre bicho entre as asas, logo ele, que é gente boa, e que Deus gosta tanto. 
A questão é – se a base da nossa vida vai pro brejo, o que é que pode fazer o povo que é de Deus? 
Deus está no Seu Santo Templo; Deus fez sua Sala do Trono nos céus, e ele sabe de tudo, inocente! 
Deus aplica vestibular pra vagabundo… e os caras normalmente não passam… 
Daí, nem adiante reclamar porque Ele vai trazer um toró de praga sobre eles, ou seja, gente que não dá bola pra Deus. 
Ele é justo – sabe “justiça”? Não essa daqui, mas a dEle, que nunca falha! Não importa o que achemos, quem é Do Senhor vai ver Seu rosto, mais cedo ou mais tarde. 

Evolução

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Criação

Sou cristão, radical… Creio na divindade e na ressurreição de Jesus Cristo. Portanto, creio no “sobrenatural” de Deus. Não sou, porém, um desses cristãos que acha que a terra foi feita em 6 dias de 24 horas, e que no 7o. dia Deus descansou – literalmente.

Aliás, acho que a interpretação do termo hebraico “Yom” foi levada longe demais (que pode ser tanto “dia” como “período” como “era”) pelos tradutores da Bíblia da antiguidade, que nos legaram um termo que se não é inadequado, é incompleto. Quanto mais eu leio os primeiros capítulos de Gênesis, mais em me convenço de que estamos tentando fazer com que ele seja algo que o autor, Deus, via Moisés, nunca se propôs: que fosse um texto científico.

Como disse o radialista e filósofo judeu, Dennis Prager, “Se Deus tivesse se proposto a escrever um livro científico, traria talvez milhões de vezes mais informação do que toda a literatura técnica do mundo; precisaríamos de milhões de anos só para entender as equações que teriam que ser escritas para deslindar o mistério“.

Deus só seria justo se nos deixasse um livro que qualquer pessoa senciente pudesse minimamente examinar e encontrar eco na alma. De Albert Einstein a Forest Gump, todos temos que poder examinar a escritura e tê-la explicada de forma que a entendamos.

Imaginem explicar o mundo, e um universo de 14 bilhões de anos em meras meia dúzia de páginas de um livro. Dá pra entender que Deus pôs o mundo em marcha e o moldou com as próprias mãos, em “Yoms” (eras). Isso pra mim está correto, e ao mesmo tempo não importa muito. Deus criou o mundo etapas, que chamou de Yoms, seja lá que duração tenha o tal Yom. O fato inescapável é que Ele criou.

Com cristãos somos fustigados dia e noite pela aparente contradição entre criação e evolução. Por culpa nossa mesmo, judaico-cristãos, lançamos sobre nós a pecha de crermos no que nem mesmo as Escrituras dizem.

Eric Metaxas, em seu livro “Is Atheism Dead?” (“O Ateísmo morreu?” – ainda sem tradução em Português, creio) fala da quase total assertividade da sequência da evolução, e principalmente da chamada “Explosão do Cambriano” (período de poucos milhões de anos em que “surgiram” milhões de espécies no mundo).

Eu próprio dei de cara com essa análise – da impressionante assertividade do relato do Gênesis, quando um professor de Geologia entrou na sala e começou a escrever no quadro os dias da Criação segundo o Gênesis:

  1. No 1° dia, criou a luz e separou a luz das trevas.
  2. No 2° dia separou “águas das águas” e criou os céus.
  3. No 3° dia criou a terra, os mares, as ervas do campo e as árvores frutíferas.
  4. No 4° dia criou as estrelas do céu, e segregou o dia da noite.
  5. No 5° dia criou os grandes peixes do mar, os répteis “de alma vivente que as águas abundantemente produziram conforme as suas espécies” e toda as aves conforme cada espécie.
  6. No 6° dia Deus fez as feras da terra conforme a sua espécie, o gado, o homem à sua imagem – à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.).
  7. No 7o. dia Deus descansou…

As risadas enchiam a sala de aula. Era o auge, talvez, da descrença e do cientificismo acadêmico que desaguou na falta total de imaginação científica que vemos hoje. Na incapacidade de ver o que não é óbvio. O professor continua fazendo um paralelo com as eras geológicas:

  1. Aazóica – “Ausência de Vida” (Pré-Cambriana)
  2. Arqueozóica – “Vida Antiga” (Pré-Cambriana)
  3. Proterozóica -“Vida Anterior” (Pré-Cambriana)
  4. Paleozóica – “Vida da Pedra” (Explosão do Período Cambriano – Eras Cambriana, Ordoviciano, Siluriano, Devoniano, Carbonífero, Permiano)
  5. Mesozóica – “Vida Média” (Triássico, Jurássico, Cretáceo)
  6. Cenozóica – ” Vida Nova” (primeiros vestígios do Homem – Do Grego “Kainos”, novo e “Zoe” – vida)
  7. Neozóica – “Vida Nova” (era em que nos encontramos hoje – Do Latim, “Neo” e do grego “Zoe”).

Agora volte e compare os períodos… com poucas diferenças, nós temos uma descrição bastante acurada da Criação, por um pastor de ovelhas do deserto do Sinai, mais de 1.500 anos antes de Cristo… O que? Como é que o cara poderia ter uma ideia mínima dessa correlação tão marcante?

O professor termina (com silêncio sepulcral na sala) dizendo: “Não sabemos, mas aprendam a não fazer ciência com conclusões prévias no bolso do colete”, ou coisa que o valha).

Evolução

Na minha opinião “resolvemos” a questão básica das diferenças entre a Bíblia e a Ciência com essa constatação acima. Mas obviamente há a questão da evolução. Charles Darwin relutou muito em publicar seu livro A Origem das Espécies, pelo menos parcialmente por questões de fundo religioso, sua possível ou alegada relação com o cristianismo (tendo inclusive cogitado ser clérigo anglicano em certa altura da vida).

Independentemente disso, outros tomaram sua Teoria e lançaram-na contra a Bíblica com furor. Os líderes cristãos engoliram a isca com linha e chumbada, sem qualquer reflexão e passaram a tentar colocar a teoria numa espécie de ostracismo herético, o que somente fez com que parecessem ridículos aos olhos “iluminados” do mundo.

Estamos no meio de uma batalha entre biologia evolucionária e cristianismo? Não sei nem consigo enxergar assim. Tão somente vejo um nível alto de premissas sendo usadas como verdades reveladas por parte dos cientistas (biólogos, paleontólogos, etc) que não possuem mais validade intrínseca do que uma manifestação de fé qualquer.

Não vi ainda um único link entre uma e outra espécie ser comprovado. Apenas “uma” espécie aqui, e “outra” ali, com algumas características que podem ser consideradas complementares ou parecidas, mas sem uma continuidade que possamos comprovar. Perto desse nível de, digamos, evidência, a fé na historicidade de Jesus ou das Escrituras, como um todo, me parecem teorias bem mais sólidas, mantendo as devidas proporções e diferentes áreas do conhecimento.

O fato é que ninguém explica a tal “Explosão” do Cambriano, ou seja, o 4o. dia da Criação. Ninguém, na verdade, pode explicar a frase atribuída a Einstein que:

As coisas deveriam ser o mais simples possíveis, mas não mais simples do que isso

Albert Einstein

O que eu quero dizer com isso: ninguém, nem mesmo em condições absolutamente controladas em laboratório jamais conseguiu gerar algo vivo de componentes não vivos. Ninguém consegue desconstruir uma célula até seu nível molecular, atômico, e enxergar exatamente em que ponto algo não orgânico passa a se tornar “vivo.

Por isso, digo que não há nada que me proíba – nem creio que haverá jamais – de continuar glorificando a Deus por minha existência, por Sua Graça expressa através de Cristo, ou do fato de que Ele sustenta a vida na terra.

Fora disso, estamos apenas contrapondo Fé com fé. Só isso.

Hedonismo, Dor e Liberdade

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Sem mais preâmbulos, e indo direto ao que quero dizer…

Hedonismo

A Wikipédia traz a definição clássica de Hedonismo como sendo “aumentar o prazer e diminuir a dor”, que deriva da escola filosófica clássica iniciada por Aristipo de Cirene. Esse sujeito achava que não havia nada mais nobre do que ter prazer, e evitar a dor. Criou todo um conceito filosófico para justificar sua teoria. Deve ter sido imensamente popular… Bom, hoje seria.

Dor

Sobre a dor, é um fato da vida, e decorre de algo que nos chateia, nos incomoda, nos faz mal, ao corpo ou à alma. É algo que o ser humano foi criado para evitar. É algo que ninguém deseja para si próprio, em sã consciência.

Liberdade

Liberdade é um conceito extremamente complexo, e que ultimamente tem sido vendido como “não prestar contas a ninguém”, “não ter limites aparentes”, ou ainda “capacidade de tomar as próprias decisões”, ou mais objetivamente (creio), independência, autonomia e autodeterminação (como a mesma Wikipédia conceitua).

E daí? Onde quero chegar?

Não sou filósofo nem psicólogo. Lido com finanças e números a vida toda. No entanto, vejo uma relação umbilical entre Liberdade, Hedonismo e Dor. Se eu sou livre, mas pratico hedonismo, ou seja, só penso nos meus próprios prazeres, chegará o momento em que física e mentalmente estarei impedido de exercer liberdade. Seja por falta de condicionamento mínimo para caminhar num parque, ou sentar quieto, meditar, orar ou simplesmente prestar atenção em algo, perderei a liberdade pela via dos efeitos do hedonismo.

Por outro lado, se eu pratico exercício, a disciplina do alimento, do estudo, da concentração, eu necessariamente estou “me negando a mim mesmo” algo, em algum momento. Isso gera dor, seja física seja mental. A dor de cabeça do jejum tem a mesma natureza fundamental da dor muscular do exercício ou a dor de alma das horas passadas em meditação. Elas diminuem meu prazer, claramente. Eu, pelo menos, tenho zero prazer em caminhar ou correr, levantar peso ou mesmo orar – é uma disciplina que precisa ser exercitada, que gera dor antes de gerar prazer.

Se eu gero dor física ou mental/espiritual, perco algo de minha liberdade. Ou seja, no momento da dor me privo da liberdade, por exemplo, do descanso, ou do relax de uma boa comédia na TV.

Paradoxo da Liberdade

A liberdade, portanto, parece ser, e é, um grande paradoxo. Desde as definições sobre o “preço da liberdade” (eterna vigilância) até o conceito bíblico, a maravilhosa passagem em que Jesus nos informa que “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36), vemos uma liberdade que antes de ser um “estado”, é uma “ação” – estar livre, pois que perdê-la parece bem mais fácil do que conquistá-la.

Eu, por exemplo, perdi minha liberdade quando passei dos 120Kg. Não apenas isso, quase perdi meu fígado e minha vida para a esteatose (e depois, se deixasse minha vida “livre”, cirrose). Tive que acabar com minha liberdade de comer o que bem entendia e beber vinho mais liberalmente, e me submeter a um tratamento radical – uma cirurgia que me cortou 90% do estômago, e que até agora me tira a vontade de sequer tocar em comida (uma paixão).

Perdi minha liberdade “sendo livre”. Que paradoxo. Perdi a liberdade justamente por fazer tudo o que queria fazer com minha barriga, sem pensar em mais nada. Quão livre eu realmente era? Esqueci a parte da “eterna vigilância”. Vigiar não é nada bom, e tira o prazer. Vigias de bancos, de presídios, ou de acampamentos militares sabem da importância de uma boa vigilância para manter a liberdade – e o quão chato é o processo… a vontade de cair no sono e atender os desejos da “carne” podem ser o estopim da perda total da liberdade, e até da vida, em muitos casos.

Portanto, ser livre implica em boa medida em matar o hedonismo.

Vida Moderna

O homem moderno foi levado ao hedonismo extremo por uma vida boa, conquistada pra nós nas trincheiras das grandes guerras, e pelos nosso políticos e estadistas menos populares, que nos exigiram sangue, suor, lágrimas, que nos instaram, a cada brasileiro, a “cumprir o seu dever” como o Brasil esperava. A dor de uns comprou a liberdade e o hedonismo de todos, ou quase todos.

Onde isso nos está levando? Pensando numa camada ainda mais alta na Escala de Necessidades de Maslow, criamos um nível superior, que poderíamos chamar de “Hedonismo Crônico”. É um estado em que temos o “direito” ao hedonismo, sem prestar contas a ninguém. A vida moderna nos chama ao direito, e nos quer afastar do dever.

A Equação da Vida Moderna

Vida Moderna = Hedonismo.

Direito = Prazer; Dever = Dor.

Eu mesmo

Pragmatismo

O resultado desse hedonismo crônico será fatalmente a perda da liberdade. E a perda da liberdade virá pela falta de um mínimo de pragmatismo. Por razões que só uma sociedade majoritariamente hedonista pode compreender, já há algumas décadas temos trocado o necessário pelo desejado, o correto pelo que nos faz sentir bem, o difícil e certo pelo errado e fácil.

Tem sido assim, por exemplo, com a teimosia da ideologia de gênero, que nos quer fazer esquecer o sexo biológico como não importante, a despeito da inescapável impressão digital biológica, do XX e XY no nosso corpo.

Tem sido assim também com relação às ideias de que temos direito a algo pelo qual não trabalhamos e não conquistamos; direitos que “nos são devidos” mas que alguém terá que pagar por eles. Tem sido assim com relação ao “capitalismo malvadão” e sua geração de riqueza e o consumo/confisco dessa riqueza por governantes que nunca descontaram uma duplicata ou pagaram uma folha de salários na vida.

Tem sido assim, mais recentemente, com física e matemática, cujos rígidos padrões lógicos não são “aceitos” por alguns, que adorariam que 2 + 2 fosse igual a 22… Tem um vídeo excelente sobre isso… procurem no YouTube.

Enfim, tem sido assim todas as vezes que a realidade impõe à sociedade algo duro de engolir. Qual avestruz, muitos escondem a cabeça na terra na vã tentativa de que o problema desapareça, independentemente do fato de que 2 + 2 = 4, independentemente de como me sinto com relação a isso.

Nossa sociedade perdeu a capacidade de ser pragmática. Foi o realismo, o pragmatismo, segundo Viktor Frankl, que permitiu a muitos prisioneiros de campos de concentração sobreviverem às terríveis condições impostas pelos nazistas. Os otimistas morreram logo; os pessimistas, logo depois. Acho que os hedonistas morreram antes de qualquer grupo desses.

A vida não coaduna com o hedonismo puro e simples. A liberdade não lhe paga homenagem.

Decerto, em mais 20 anos esse artigo mal escrito poderá fazer sentido para alguém que, depois de cismar com igualdade de sexos, ou sua inexistência, ou políticas sociais infinitas, tenha perdido a liberdade ou encontre-se na mais miserável existência.

Acordar antes do problema é melhor do que depois, ou não acordar mais.

Salmos da Modernidade – Salmo 10

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Por que, Senhor, você anda longe de mim? Será que é justo na hora do meu perrengue que você some? 
Os ricaços mal formados andam atrás de quem não tem nada, pra fazer com que eles fiquem ainda mais pobres… Deus do céu, que essa gente caia do cavalo. 
Gente má fica se gabando de cada coisa… ser mau, por exemplo. Tem mão-de-vaca por aí que vive falando mal do Senhor. 
Gente que se “acha” vive sem querer saber se Deus existe e se é capaz de operar dentro desse universo. Nem querem saber disso. 
E o pior é que quanto mais maus são, mais a vidinha deles dá certo. Parece que estão acima do bem e do mal. Gente que te odeia, Deus, parece que não tá nem aí pro Seu julgamento. Fazem pouco caso de Deus.
Lá dentro de suas cabecinhas de mamão dizem: eu, hein? Nunquinha que algouma coisa má vai me acontecer… pode passar o tempo, nada vai me deixar chateado. 
É gente que tá sempre falando mal dos outros, mentindo, enganando e fazendo maldade; só tem coisa ruim na boca dessa gente. 
Parece que ficar de tocaia nos bairros da periferia, pra pegar e roubar gente trabalhadora; vivem querendo fazer mal ao pequeno e ao pobre. 
É como se fosse um animal selvagem que dá um bote, de repente, e trucida o pobre infeliz que nem sabe o que o atingiu. 
É um bicho rasteiro, essa gente; pegam de surpresa quem já está na pior. 
Eles dizem, lá no fundo do coração (mesmo sem crer em Deus): Deus? Que Deus? Ele esqueceu desse povinho. Deus nunca vai cobrar a conta de quem faz o que nós fazemos. 
Por isso a gente pede – Vem aqui, Deus, faz pó dessa gente! Não esqueça dos pobres (aqueles que depois você mesmo disse que “nunca faltaria, entre nós”). 
Por que um cabra mau, que acha Deus uma piada de mau gosto, diz que Deus não se importa com a gente? 
Mas eu tenho certeza de que Você, meu Deus, tem visto o que essa gente faz; Você tá olhando a penúria que esse pequeno povo passa e a tristeza que vivem. Daí eu acho… acho não – tenho certeza: o Senhor vai pegar a gente no colo. Quem não tem nada, se entrega nos Seus braços; Você, Deus, que ampara o órfão… 
Você, Deus, quebra os braços dessa gente ruim, olha com microscópio a maldade toda que eles fazem, e anota tudo… tudinho. 
O meu Deus é um Rei que vive pra sempre. Ele, que é dono de todos os lugares do mundo, cria países como bem quer. 
O Senhor tem ouvido, que eu sei, os pedidos nossos, gente que pouco ou nada tem; o Senhor faz a gente sair da depressão que a gente vive. O Senhor vai nos acudir, 
E aí vai ter justiça pra quem perdeu os pais, pra quem está sendo massacrado. Depois disso tudo, pode deixar… nós, o povo oprimido não vamos mais ter medo de nada! Nada nessa terra vai nos meter mais medo. 

Salmos da Modernidade – Salmo 9

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Esse Salmo me toca o coração, pois trata do da melodia da morte, para o filho.

Meu Deus, do fundo do coração, eu vou falar pra quem quiser ouvir como é que Você faz coisas fantásticas! 
Vou ficar alegre, igual pinto no lixo, porque Você é meu amigo, porque Você, Deus, é digno pra eu cantar canções a Você! 
Não é só político que é meu inimigo. Não… tem um monte de gente que me preferiria morto… mas quando eles põem a viola no saco me deixam em paz, mesmo assim dão uns tropicões e caem, desarvorados, pela Sua presença; 
Isso é só porque Você, Deus, é que é meu advogado; minha causa tá entregue à Sua Banca. E porque, sendo Advogado e Juiz, julga como se deve, sem ferir a Constituição e sem aceitar suborno… 
Não importa qual é a Superpotência que tenta te meter medo. Não rola… não mesmo… Você destrói o pecador e vai demorar milênios, e tomar o trabalho de um monte de arqueólogo pra que o povo do futuro se lembre do nome da Nação que ousou te enfrentar – igualzinho “coisinhas” como Nimrod, ou os Hititas… 
Meus inimigos, bem, esses estão n`água até o pescoço… Não vai ter ninguém pra lembrar deles… vão “bater a papuela” (como diria o avô Armindo) e ninguém vai chorar no enterro. 
Mas Você, Deus, ahh… Você não tem quem vença. Seu trono é uma rocha imutável, feito pra julgar gente boa e gente má. 
Deus mesmo julga o mundo todo. Sem bobagem, sem tendência, sem palhaçadas recursais e regimentais. Com Deus não tem “ex-condenado”… Todo esse mundão acaba, no final das contas, prestando contas a Ele. 
Além disso, Deus é uma proteção fantástica pra quem está sempre na pior. É uma segurança quando o “povinho” mais humilde está passando apuro. 
Então é em Você, meu Deus, que a gente confia, isto é, quem crê e te conhece. O Senhor não tem o mau hábito de deixar na mão quem vai até Você pedir ajuda. 
Então vamos pegar os cavaquinhos, os bandolins, os pandeiros, e vamos cantar uma música ao Senhor, que mora lá no Céuzão de meu Deus. Vamos cantar que Ele só faz coisa boa e perfeita. 
Deus não esquece da choradeira de quem passa aperto sem razão, injustamente. Deus, que é o vingador não-mascarado, lembra sempre desse povo. 
Então eu te peço – tem pena de mim, Senhor. Eu mesmo vivo em tristeza. Gente ruim me calunia, e me acusa de coisa que não fiz… mas Você me levanta a cabeça; 
Assim, desse jeitinho, pra quem quando eu chegue na porta do Céu eu fale com a boca mais aberta do mundo que Você é “dez” e que eu me alegro porque estou aqui nesse lugar bacana! 
Tem país que se acha, mas que vai afundar no brejo que eles mesmos cavaram, e se prenderão na boleadeira que fizeram pra pegar os outros pelos chifres. 
Deus fica famoso sem fazer propaganda. É só as pessoas reconhecendo o que Ele fez de bom. Daí, o sujeito mau acaba com os chifres presos na boleadeira que falei acima. 
Tem um lugar feio, que Deus chamou de inferno, e que não tem a presença de Deus. Pois é pra lá que vai todo mundo que se esquece de Deus. Ele não vai nem mandar; esse povo vai pra lá com as próprias pernas. 
Gente que hoje passa aperto não vai ficar assim, na miséria, pra sempre. Tem esperança pra gente pequena desse mundo. Eles não vão ficar na pior pra sempre. 
Deus, mostra Sua cara. Não deixe o homem mau vencer. Que essa gente toda seja julgada no Seu tribunal. 
Mete medo nessa gente, Senhor. Mete medo mesmo – eles têm que aprender que não vão viver pra sempre, e que é bom botar as barbas de molho e mudar o jeito de ser. 

Atualizando a Bíblia

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Há uma enorme polêmica hoje em dia envolvendo pastores e padres sobre o conceito de que a Bíblia é um livro que precisa ser “atualizado”. Isso já rendeu pano pra manga, inclusive alguns desligamentos de ordens de pastores (no caso dos evangélicos) e excomunhões (católicos e ortodoxos). O fulcro é sempre o mesmo – o tempo passa, o tempo voa, e o tal do Livro Preto continua numa boa!?? Não precisaria mudar, para que o significado de alguns de seus pontos fosse mudado, ou “resignificado”?

Bom, o fato é que ao longo do tempo alguns aspectos da Bíblia tem sido de fato sido objeto de inúmeros debates e brigas. Até os anos 1500, havendo tão somente as igrejas Católica e Ortodoxa (grega), a interpretação da Bíblia era função exclusiva dos prelados dessas instituições.

A Reforma Protestante

Com o advento da Reforma, em 1517, o que o monge Martinho Lutero quis, na prática, parece ter sido ressignificar ou reinterpretar a Bíblia. Estando eu do lado de cá da Reforma, ou seja, me identificando como Batista (que na verdade não é fruto direto daquele movimento), entendo que o objetivo de Lutero, Zwingli, Calvino & Cia não foi o de prover nada de novo significado ou “modernizar” o Livro Santo. Ao contrário, me parece que o que o protestantismo fez foi exatamente o oposto: retirar de cima do cristianismo séculos de balagandãs, penduricalhos e outras criações das instituições oficiais do tempo. Criações que não encontravam nem encontram respaldo na Bíblica, como Purgatório, por exemplo, para ficarmos apenas em uma delas. Nada contra os irmãos católicos e ortodoxos, que, sendo redimidos por Jesus Cristo, creem desta forma. Nada disso me parece fundamental à minha fé.

Portanto, quero apenas ressaltar o aspecto de que, na minha opinião, a Reforma Protestante não me pareceu um processo de atualização da Palavra de Deus, mas de retorno à origem da Palavra – “Sola Scriptura” como diria Lutero.

Tempos Modernos

Estamos diante de uma encruzilhada de caminhos, nesses últimos tempos, em que a tentação para dar um novo significado a algumas palavras do Novo Testamento, principalmente, é muito forte. Não se trata somente de correntes intra-cristianismo, tratando de mover-se por pensar ou fazer uma exegese diferente da Bíblia. Há uma intromissão cada vez maior de visões políticas dentro dos meios evangélico, católico e ortodoxo, e que leva alguns a interpretar a Bíblia de forma a adaptá-la à sua visão política.

Tanto Leonardo Boff como Caio Fábio o fizeram, e continuam fazendo. O ideário patrocinado pela esquerda, que em princípio não se coaduna muito com o conceito de liberdade de expressão e consciência:

“Ora, se invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um, portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação”

1Pedro 1:17 

Independentemente da intenção do coração de cada um desses teólogos, o fato é que temos (eu tenho, pelo menos) mais perguntas do que respostas. Assuntos como homossexualismo, casamento com pessoas do mesmo sexo, feminismo, e mesmo propriedade privada e porte de arma, entre outros, são bastante complexos e precisam ser tratados com o respeito intelectual devido, por não serem problemas banais. Tendo parentes e amigos queridos de tendências sexuais não correntes, digamos assim, tenho o maior amor e respeito por elas, mesmo não concordando (porque a Bíblia parece não concordar) com visões de mundo dessa natureza. Deixo claro, porém, que o meu amor tem que ser maior do que minha tentação a julgar quem quer que seja. Tendo amigos que portam armas (legalizadas) ou que entendem que um governo deve se intrometer o mínimo possível na vida privada, não posso tacha-las de armamentistas ou fascistas. Elas têm suas razões e deveriam ser livres para manifestá-las.

Confusão

O maior problema atual é a busca sincera por respostas, na Bíblia, e a constatação de que o pecado (o estado mal da alma humana) existe e precisa ser chamado pelo seu nome. A Bíblia continua atual e não vejo razão para “atualizações” de qualquer natureza. Mas essa é SÓ minha opinião. Eu, em meu exame da Palavra, toda vez que acho algo com o que não concordo na Bíblia, tenho a tendência e voltar-me, tão sinceramente quanto me é possível, para dentro de mim e refletir o quanto da minha discordância é fruto do meu erro. O resultado invariavelmente é “cale a boca e mude seu caminho, pois estás errado”.

O problema, vejo eu, é a confusão, e a briga, e a tendência de não escutar o outro. É, em suma, a falta de amor ao próximo, 2o. maior mandamento deixado por Jesus (Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo, COMO A TI MESMO). Se alguém ama o próximo como à sua própria carne, como sair condenando sem exame? Claro, se temos um câncer de pele, vamos ao médico, tentamos antes salvar a região afetada, como todo cuidado, e só descartamos e mutilamos o que está doente em último caso. Tudo isso deixa cicatriz, mas é importante lembrar que tudo tem que ser feito como se estivéssemos lidando com nossa própria carne.

O que dá nos nervos, porém, não é nem a falta de amor de forma geral. É a empáfia que alguns “sábios teólogos” tentam impor a todos nós sua irreflexão ou ainda suas justificativas, geradas mais para si mesmos do que para o respeitável público. Não é fácil conviver com o erro e sinceramente condena-lo – se este erro está em nós e é nosso. Mais fácil tentar achar uma teoria boa, que aplaque nossa consciência e nos faça absolver-nos do erro que cometemos, e ao qual somos apegados.

A confusão, o barulho, a briga, não servem a ninguém. Apenas ao capeta (sim, creio que ele existe e está aí pra encher o saco, mesmo). A falta de modos na argumentação, a falta de civilidade nas palavras machucam e não geram efeito positivo algum.

Por outro lado, palavras bacanas, ditas em vozinha branda, com tom acadêmico, ditas para tão somente empurrar goela abaixo conceitos maus, tampouco trazem algo de positivo. A voz branda, usada por qualquer pastoreco ou padreco que queira vender-se como espiritual, normalmente oculta uma mente sagaz, e que no fundo, sabe que está impingindo uma visão de mundo dissociada da Palavra de Deus.

É difícil, é espinhoso, é importante manter a civilidade, sempre, mas é importante não se curvar ao impropério dito com mansidão, à vileza disfarçada de doçura, à heresia oculta em manifestações de domínio próprio.

O Fundamento

Tenho para mim uma coisa como sentada em pedra: a Bíblia, se é a Palavra Inspirada de Deus, precisa ser acessível a qualquer um, analfabeto ou PhD, sábio ou não. Deus não seria justo se desse a esse Livro apenas para gente “sábia” interpretar. Não se propõe, e nunca se propôs, a ser um livro científico (se o fosse, teria que ter uns 10 trilhões de páginas). Mas não poderia ser furtar a dizer a verdade. A construção da Bíblia, sua coesão interna, sua capacidade de mostrar erros de pessoas “santas”, sua incapacidade de encobrir mal-feitos, dá a medida do caráter de Deus: pureza e simplicidade, que às vezes são interpretadas como algo “simplório”. De simplório não há nada na Bíblia. De simples, sim.

Deus deu, como costumo dizer, a Bíblia tanto ao Einstein como a Forest Gump. Qualquer que seja seu QI, não é ele que vai determinar a capacidade da Bíblia em te levar ao conhecimento de Deus.

São os famosos 50cm de separação entre a crença e a dúvida, que só são atravessados por meio da fé – fundamento de algo que positivamente NÃO se vê, nem nunca será visto. Deus escolheu nos dar milhares de evidências de Sua existência mas nenhuma prova objetiva – nem de Sua existência nem do contrário, de sua inexistência. Por isso, tanto ateísmo como cristianismo são dois aspectos de Fé, e só Fé.

Assim, se o Livro de Deus tem que ser acessível a qualquer um, como legar sua interpretação a uns inspirados? Mas por outro lado, como jogar pela janela algumas afirmações muito claras e atemporais?

Não dá… claro. Mas também é impossível se dizer cristão, salvo por Jesus, sem amor profundo no coração, e a certeza de que, entre ganhar uma discussão, e amar alguém, devemos sempre ficar com a segunda opção.

Commodities e Crescimento Mundial Pós-Pandemia

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Me caiu às mãos um artigo da Bloomberg, EUA, que traça linhas muito interessantes sobre o que afetará, de fato, a economia mundial pós-pandemia (se Deus quiser!). Começa dizendo que se a gente pensar somente nos efeitos do estímulo financeiro do FED (Banco Central Norte-Americano), ou na indústria da construção civil chinesa (em palpos de aranha) ou na montanha russa política, dos preços de petróleo da OPEP, precisamos incluir nesta lista o Bolsa Brasil. Sim… o programa de auxílio do governo federal brasileiro, de R$ 400 mensais.

Confesso que tive que ler e reler para entender a ligação entre o Bolsa Brasil e o comportamento das commodities, a Bloomberg começa se perguntando sobre os efeitos que a ruptura da “camisa-de-força” do teto de gastos terá sobre a economia brasileira; faz alusão ao liberal (Chicago Boy) ministro Paulo Guedes e como o compromisso com a austeridade fiscal ficou estilhaçado, após passar mais da metade de seu mandato debaixo da Espada de Damocles da Covid-19 e seus efeitos devastadores. O Real desvalorizado é atribuído à política desleixada, digamos, com o orçamento nacional.

Com trocadilhos engraçadinhos (“Bean There”), a revista realça então a importância capital do Brasil no mercado internacional de Commodities, a começar pela mais óbvia, a Soja:

USDA via Bloomberg

Um trocadilho mais tarde (“Turning Chicken”) e estamos diante de outras duas commodities fundamentais, essas secundárias (soja e milho entram antes nessa folia), carne e frango, e como a queda de poder aquisitivo da população brasileira, aliada à alta dos preços da arroba do boi, acabaram causando uma virada em direção ao frango:

USDA via Bloomberg

O artigo continua a discorrer sobre commodities menos sensacionais no momento, como minério de ferro (o artigo chama a Vale de “estatal”, numa defasagem de informação de alguns anos já) e o café.

O artigo termina fazendo uma observação bem interessante:

Essa é uma aposta ousada. A turbulência fiscal no Brasil e a queda [no valor] da moeda já estão agitando e elevando os mercados de soja, carne bovina e frango. Não se surpreenda se isso repetir o truque do café.

Bloomberg – in https://www.bloomberg.com/opinion/articles/2021-11-28/brazil-s-anti-poverty-program-will-rock-commodity-markets

Bom, a partir daqui, minhas considerações:

Relevância do Brasil no mercado de Commodities

Em 2010 estive num evento da ACG – Association for Corporate Growth, em Chicago nos EUA. Eu era um dos panelistas dentro de um evento que contou com a presença ilustre do então embaixador do Brasil nos EUA, João Almiro, que discorreu sobre o “Advento das Commodities”, e por que o mundo deveria deixar de considerar o Brasil um país de “produtos primários”. O tamanho da população mundial, e sua necessidade cada vez maior de produtos de várias naturezas, aliado à tecnologia embarcada, enorme, no Agro brasileiro, fazia do Brasil um player importante no mercado mundial, pela via que o mundo havia quase abandonado entre os anos 50 e 60.

Ali, em meio à “onda verde amarela” que Lula tão bem surfou, de bons ventos nos preços das commodities e no então recém descoberto petróleo do pré-sal, o Brasil era a vedete do momento.

Mas não se iluda o respeitável público. O tal governo tratou de criar tantas situações absurdas, inclusive a eleição de Dilma Rousseff, logo depois, que rapidamente o castelo e a empáfia do governo brasileiro de então desmoronaram. Eu ali, chamei Dilma de ex-guerrilheira e, sem saber, predisse que o Brasil não consolidaria sua posição de crescimento constante, por conta justamente da postura política do país. Quase apanhei dos brasileiros ali, que até me chamaram de “fascista” num avant-première do uso do epíteto hoje tão conhecido. Nem liguei, como não ligo até hoje em nadar contra a corrente, se estou seguro do que estou falando (não é sempre que isso ocorre, mas apostar contra a inteligência e o bom senso da esquerda é sempre seguro).

O fato é que após isso, vimos o país desmoronar diante da corrupção e da queda dos preços internacionais de soja, milho, etc. Mas NÃO, e nunca, na representatividade do Agro brasileiro para o mundo. Aprendi ali a respeitar o que tinha sido doutrinado a desprezar – o campo e sua potência. Hoje sabemos que o Brasil não é só Agro-Tech-Pop-Tudo. Agro é força política, que o Brasil sempre teve uma espécie de vergonhazinha de de usar.

Aposta na Alta de Commodities

Ensina Warren Buffet que se você entende e confia nos fundamentos de uma empresa, invista nela e esqueça que a grana existe. Os resultados vão aparecer. A longo prazo, mas vão.

Pois essa é a aposta mais certeira do mundo, exceto se grupos de interesse conseguirem reverter a tendência de crescimento da população nos próximos 30, 40 anos, quando deverá atingir seu máximo, e se manter lá por mais uns, digamos, 100 anos. Exceto se o mundo se tornar predominantemente assexuado, abusar de contraceptivos e aborto, ou se tornar um lugar no qual a população conclua que não vale a pena colocar filho no mundo, commodities tenderão a crescer em termos de preço. Incluo aqui o famigerado petróleo – nem mencionado pela revista.

É de se crer que se cada cidadão do mundo tiver um bocado decente de comida na boca, pelo menos 3 vezes por dia, a população pode parar de crescer agora que o consumo de commodities agrícolas continuará a crescer muito (não fiz conta, não posso afirmar quanto) nos próximos 40 a 50 anos.

Então por que a Demonização?

Se o campo é necessário, se a população cresce, se tem ainda um montão de gente passando fome no mundo, sem casa, sem água, luz, etc, por que países como a França, Alemanha, entre outros, teimam em demonizar nosso Agronegócio? Por que falam como sendo a pior coisa do mundo, quando sabemos que usamos relativamente pouca terra para produzir, e que somos, no final das contas, muito mais eficientes, tanto por questões locais, climáticas, quando de avanço técnico, para colocar um prato de comida na mesa de mais de 1,2 bilhão de pessoas no mundo todos os dias?

A resposta como sempre é econômica, mas no nosso caso, como parece que sabemos, travestida de preocupação ecológica. Acho que o público brasileiro está cansado de saber que tanto a visão do Brasil como “devastador de florestas” como de “carbono positivo” são grandemente manipuladas e exageradas, em detrimento dos próprios mal-feitos de países, principalmente a França, neste pormenor (pormaior?).

E os Preços?

Com o Real desvalorizado, e com os preços das commodities nas alturas, o Agro brasileiro vai ganhando em relevância em relação a outras atividades, na composição do PIB. O Centro Oeste vai se tornando um “Center West” (Illinois, Ohio, Iowa, etc) em termos de riqueza e produtividade. Populações inteiras antes atraídas pelas luzes das cidades e pelo ar do mar, agora não querem mais saber de sair de suas cidades cada vez mais confortáveis e seguras.

Agricultores antes quase que obrigados a vender suas safras ao primeiro que aparecesse, ou correr o risco de perde-la por não ter onde guardar, agora possuem silos e mais silos de armazenamento, e podem escolher quando, e se vender, e a que preço. Isso por si só demonstra a força do agricultor brasileiro e sua influência no preço global das commodities. Não se trata de matar o mercado com preços altos – isso, na minha opinião, fazem muito bem os EUA e a UE. Se trata, isto sim, de produzir cada vez mais barato, melhor, e com margens mais adequadas. Por isso o Brasil, na minha opinião, nunca terá uma moeda supervalorizada (aliás, a última vez que isso aconteceu foi justamente no início do fim da prosperidade que o populismo nos brindou). Sempre precisaremos ter, no limite, uma moeda “competitiva”. Torço por um mercado de câmbio realista, o que hoje não acontece (acho nosso Real muito desvalorizado).

Concluo por dizer que com liberdade no campo, liberdade cambial, e com ajuda de Deus (São Pedro, se você é católico), o Brasil só terá a ganhar com commodities, agora, como foi no passado, e será sempre.

Salmos da Modernidade – Salmo 8

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Um sambinha ao mestre sala (de canto), baseado no maxixe “As Fábricas de Azeite de Oliva”.

Não tenho nem como dizer, Meu Senhor, como você é maravilhoso e como Seu nome faz toda a terra uma maravilha! Você criou esse mundão todo e deixou patente, nos céus, a sua majestade (sim, porque o povo pode até não reconhecer, mas e daí? O Senhor é Rei, e ponto). 

Gente grande não te dá bola, muitas vezes, mas Você, meu Deus, demonstra a Sua Força mostrando pra nós a força de pequenas crianças, de colo, gente miúda mesmo. Desse jeito você acaba dizendo: “olhem pra essas crianças – podem lutar contra mim o quanto quiserem; mas se eu quiser, vocês não podem nem com essas criancinhas que parecem tão frágeis!). Cale a boca, inimigo de Deus!

Eu fico completamente pasmo quando olho os céus que Você fez, com suas próprias mãos (Deus tem mãos celestes, que não têm 5 dedos em cada uma, mas mãos com zilhões de dedos). Olho a lua, olho esse mundaréu de estrelas e me pergunto:”Que raios você vê em nós, gente burra, obtusa e que não consegue nem enxergar Você?” … “Quem somos nós pra Você sequer se lembrar da gente?”

Mas apesar da gente ser tão pequeno, lá na Bíblia diz que somos um pouco menores do que os Anjos, e que Você nos deu uma coroa de glória e honra. 
Você nos colocou lá atrás num tal Paraíso, e nos deu o controle sobre esse mundão inteiro – tudinho mesmo, ficou pra nós: ovelhas e bois, a bicharada da roça e da floresta, os passarinhos e passarões do céu, a peixarada do mar, e todos os bichos das profundas do oceano que a gente nem sabe que existe (ainda). 

Não tenho mesmo nem como dizer – Meu Senhor, como você é maravilhoso e como Seu nome faz toda a terra uma maravilha!