Ontem fomos todos tomados de surpresa por uma decisão do STF que é, para dizer o mínimo, insólita. A imagem abaixo, do Valor, conta a história com relativa exatidão:
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Vou dar as minhas razões particulares, como auditor independente, conselheiro e cidadão, do porquê acho isso tudo tão absurdo.
Insegurança Jurídica
A síntese desse “pagode” é relativamente simples, pelo que pude depreender: você é uma empresa, contribuinte, recebe uma multa, com ou sem razão (tsk, tsk…) e recorre em instância administrativa, e termina na instância judicial. Lá pelas tantas, o STJ, ou qualquer tribunal que seja considerado “definitivo” como corte decisória, te dá ganho de causa, ou seja, considera-se o assunto passado em julgado. Pois bem, com base nisso, a empresa passa a ignorar os efeitos financeiros da mesma – se estava provisionado o valor da contingência, reverte a provisão; se não estava (seja por falta de critério contábil ou por opinião favorável de seus advogados, aceitas por seus auditores independentes), mantém tudo como d`antes, fora dos livros.
Agora, por essa decisão, se o tal STJ deu uma decisão favorável e, após isso, o MESMO tribunal passa a decidir de uma forma oposta, o fisco terá o direito de te cobrar a dívida, antes considerada não devida, da mesma forma, a partir do momento em que o tal tribunal deu decisão em contrário.
Efeitos
Eu fico aqui me perguntando como vou proceder com meus clientes. O QUE vou ter que re-re-revisar, para tentar entender que “causos” foram já julgados no passado e considerados como sendo irrelevantes ou afastados do balanço da empresa, eu terei que dizer “sinto muito, provisione de novo porque o STJ reverteu – não a sua – decisão e agora você corre o risco de ver sua grana penhorada pelo fisco…“. Como diria Noel Rosa, “com que roupa / eu vou”. Não sei, e estou aqui matutando quais efeitos adicionais isso pode ter. Alguns deles abaixo, para raiva, medo frustração ou choro dos colegas e amigos.
Fusões e Aquisições
Processos de fusões e aquisições no Brasil já são uma dor de cabeça, justamente porque aqui no Brasil, o conceito de “responsabilidade solidária” atinge seu ápice mundial: se o seu predecessor, na sociedade, cometeu um crime tributário, você, que adquiriu a empresa – sabendo ou não do fato – é responsável pelo mesmo. O CNPJ é responsável. Não quem perpetrou o ato, do ponto de vista decisório. Com isso, os processos denominados de Due Diligence são muito mais complexos do que em qualquer lugar do mundo. Honorários de Due Diligence aqui costumam ser demasiado caros, em relação a (quase) qualquer outro país de mesmo porte.
E agora, o que dizer ao investidor? “Sabe a Due Diligence que eu fiz há 2 anos? Pois é, o “escrow” não é mais suficiente, sabe… e não é porque erramos a mão. É porque ressuscitaram um assunto morto e enterrado. Tanto eu quanto seus advogados concordamos que na época não havia qualquer risco aqui”…
Auditoria Independente
Nem sei por onde começar aqui. Imaginemos o caso mais rumoroso dos últimos tempos: PIS e Cofins na base de cálculo do ICMS, julgado em última instância pelo STF, que, em tese, colocou uma pedra na sepultura e selou a cal e canto. Todo mundo correu para recuperar a grana paga indevidamente ao fisco federal. Ora, cobrar 9,25% sobre, digamos, 12% de ICMS, implica em uma “super tributação” de 1,11% -impacto direto sobre preços e custos, e, necessariamente, sobre a atividade econômica fabril e comercial como um todo.
Empresas de todo o Brasil tiveram o direito de recuperar esses montantes, e nós, auditores independentes, diante de um fato consumado, nada mais temos a fazer senão concordar que já não há efeitos aqui, exceto aqueles contábeis advindos dessa recuperação do gasto tributário passado excessivo.
Suponhamos que amanhã, um “outro STF” decide julgar exatamente o oposto. Se entendi bem, o fisco federal, e seus supercomputadores Cray, vão imediatamente identificar todos os contribuintes que ganharam ações contra a Receita, e cobrar tudo de novo, com juros, multa e correção.
A questão é: o QUE considerar contingência e o que não? Para as demonstrações contábeis de 2022 (dezembro), sob auditoria neste momento, não sei ainda o que teremos que rever a ponto de saber o que terá que ser reconsiderado. Pode ser (ainda nem medi isso) que alguns clientes tenham ganho ações no passado que já tenham sido objeto de julgamento diferente.
Estado de Coisas
Parece coisa de “direitista radical”, “bolsonarista” ou coisa que o valha. Não é. Confesso que não sou lá tendente a teses de esquerda, conquanto concorde com algumas delas, en pasant. Mas o fato é que temos diante de nós uma situação que sequer sabemos onde vai nos levar como economia.
O “Estado de coisas” é de tal ordem movediço que faz a célebre frase atribuída a Pedro Malan – “No Brasil até o passado é incerto” uma verdade absoluta.
Leio regularmente um website chamado Quillette.com, e recomendo. É um site de ideias, um site de artigos compridos e muitas vezes acadêmicos demais para o ouvido não treinado, o que não apaga seu valor – principalmente num mundo em que mais de 15 segundos, ou 2 linhas, é uma eternidade. O “attention span” do adulto médio brasileiro, creio que deva andar pelos 5 minutos, o que coloca este meu artigo fora do esquadro para a maioria dos que me dirão que o leram.
Mas divagações à parte, hoje li com interesse um artigo que “falou ao meu coração”, pela tragédia intelectual que traz à tona. Traduzo uma pequena parte e gostaria que o meu eventual leitor apelasse para sua generosidade com minha prosa e lesse até o fim:
Vários anos atrás, no mundo pré-pandêmico das reuniões presenciais, um colega recém-contratado do Fashion Institute of Technology propôs um curso de sociologia com temática LGBT, antes da School of Liberal Arts. Este é um passo necessário para que o curso seja aprovado pelo comitê curricular da faculdade. Era a hora de darmos um feedback construtivo e ajustes ocasionais, antes da votação final do comitê. Era um bom curso. A proposta era clara e concisa, indicando não apenas um domínio da literatura relevante, mas uma sensibilidade aos interesses, expectativas e capacidade dos alunos para lidar com a carga de trabalho.
Notei, porém, um problema que parecia aparentemente menor e facilmente corrigível. Entre os resultados de aprendizagem listados estava a exigência de que os alunos desenvolvessem uma “maior aceitação das perspectivas e direitos LGBTQ+”.
Isso me pareceu problemático. Acontece que penso que tal aceitação é uma coisa boa, mas estipulá-la como um resultado de aprendizagem levanta uma questão complicada. Se um aluno dominar o material do curso, entregar o trabalho exigido e passar nos exames, mas não exibir essa aceitação, ele será reprovado?
Depois de expressar minha admiração geral pelo curso, expressei minha apreensão da seguinte forma (e isso é quase uma citação exata):
“Precisamos ter em mente que somos uma universidade estadual. Nossa missão é buscar, averiguar e disseminar a verdade objetiva e equipar nossos alunos para fazer o mesmo. Por essa missão, não acho que podemos propor um resultado de aprendizagem que exija a aprovação dos alunos em uma questão de moralidade pessoal. Os outros resultados de aprendizagem são bons. Você não precisa disso, então eu simplesmente cortaria.”
Minha colega tinha acabado de sair da pós-graduação e ainda não havia se formado, o que (teoricamente) a colocava em uma posição vulnerável. No entanto, ela teve um ataque apoplético; com tanta raiva, na verdade, que ela teve dificuldade em pronunciar sua primeira frase. “Não acredito que as pessoas ainda pensam assim!” ela gaguejou. “A Queer Theory desconstruiu a objetividade!”. Suas palavras pairaram no ar enquanto eu olhava ao redor da sala. Nem um único membro do corpo docente, nem mesmo aqueles em matemática ou ciências, parecia perturbado por sua declaração categórica. Como eu era um professor titular, relutava em debater com um colega não titular durante uma reunião escolar. Então, deixei o assunto de lado. O curso foi aprovado sem revisão pela Escola de Artes Liberais, e passou a ser aprovado pela comissão curricular. E foi assim que minha faculdade entrou no negócio de ganhar convertidos.
Mark Goldblatt in https://quillette.com/2023/02/07/the-approaching-disintegration-of-academia/ – Grifos meus, tradução minha e do Google Translator…
Não estou aqui, como não está o autor, Mark Goldblatt, para concordar ou discordar com a proposição, nem mesmo com o que a professora chamou de “Queer Theory” (Teoria Gay, ou coisa que o valha). Não se trata nem de concordar nem discordar dessa ou aquela posição, no espectro de pensamento possível ao ser humano de qualquer espectro, raça, religião (ou falta dela). Trata-se da negação da POSSIBILIDADE DO CONTRADITÓRIO. O professor catedrático teve que se calar, ante a professora iniciante, tão somente para evitar um problema mais sério, devido ao fato de TODOS os outros acadêmicos presentes terem se omitido, ante a avassaladora pressão exercida por um conceito que sequer admite ser questionado.
Questionar é Preciso?
A pergunta fundamental é essa. Estamos proibidos de questionar? Sejam equações ou urnas eletrônicas, estamos diante de grupos organizados de pressão cada vez menos propensos a aceitar ser contraditados. E não apenas se sentirem afrontados pela mínima discordância, mas pessoalmente ofendidos. Independentemente de se tratar tão somente de um debate saudável de ideias.
O medo maior, no meu caso, é que tal postura está chegando em ciências exatas, o que será, certamente, a total abdicação do direito de inovar e quebrar paradigmas.
Desconstrução da Objetividade
Acho que neste “pormenor”, a professora da citação tem toda razão. A Queer Theory quer, de fato, “desconstruir a objetividade”. O que isso poderia significar? Uma banana pra realidade; uma figa pro senso comum? Não se sabe. O fato é que ao dizer que desconstruiu a objetividade, eu coloquei no lugar dela algo diferente – e necessariamente menos objetivo – subjetivo. Qual é o lugar que a subjetividade possui no meio acadêmico e científico? Em minha opinião, não deveria ter nenhum lugar. Nem mesmo em “ciências” consideradas menos exatas, como sociologia, psicologia ou mesmo teologia, a base é o sufixo “logia”, lógica, sobre a qual se baseia, ou deveria se basear, qualquer estudo sincero – nem vou dizer sério, porque o conceito de seriedade também pode ser considerado subjetivo. Sincero, porque se propõe a observar a realidade, e comprovar, de forma tão segura quanto possível, os resultados experimentais ou provas matemáticas/mentais.
Por lógico, descontruir a objetividade parece significar a inclusão de elementos menos palpáveis, ou comprováveis. Isso fica claro no uso que se dá à própria linguagem. A desambiguação da linguagem é o objetivo, por exemplo, dos dicionários e da linguística (e mesmo a filologia). Com as mudanças constantes de conceitos, baseadas em preferências e sensações, mais do que em fatos ou usanças, perde-se o referencial e o entendimento comum de um termo. Os grandes escritores do mundo ajudaram a “fixar a língua no tempo”. Shakespeare no inglês, Goethe e Schiller, no alemão, Dante Alighieri no italiano, Cervantes no espanhol ou Camões no portugues escreveram de forma tão magistral que ajudaram a transformar “sua versão” do idioma em “regra culta”, menos mutável, e por conseguinte menos sujeita a más interpretações.
Um tio querido, recém falecido, tradutor juramentado de alemão, sempre se gabava da superioridade desse idioma para definições de engenharia – só como um exemplo. É de tal ordem, e tão bem definido, o conceito de cada coisa, que é praticamente impossível a um engenheiro “não entender” ou “desentender” algo, devido ao detalhismo do idioma alemão com coisas para as quais temos uma só tradução como “alicate”, “arruela”, “fechadura”, “biela” e coisas que, se ambíguas, tornam um carro uma carroça.
Posso ir adiante falando do tema, mas como já perdi talvez 99,99% dos meus leitores, por enfado, deixo o texto à posteridade – ou pra mim mesmo no futuro, quando eu mesmo tiver saco para ler o que escrevi. Mas ao ler, saberei de forma precisa o que quis dizer – espero.
Ao longo da minha carreira profissional em Auditoria Independente, já fiz parte de uma firma de auditoria de Primeira Linha (Andersen) e várias firmas e alianças de “Segunda Linha” (Praxity, RSM, Russell Bedford). Indistintamente recebi críticas, de qualquer lado e sob qualquer posição, em qualquer das empresas. Uma porque “despejava um caminhão de estagiário” para fazer o trabalho de auditores, outras porque “não tinham o tamanho e não passavam ‘confiabilidade’ necessárias ao mercado”.
Ouvi isso com muito cuidado e respeito, e, como profissional, com uma doída pontada no fígado, por não expressar o que realmente existe na parte da Contabilidade que se chama Auditoria, e por que os resultados de nosso trabalho às vezes nos fazem dar com os burros n`água junto à opinião pública.
O fato mais clamoroso e mais recente diz respeito às Lojas Americanas (AMER3) e a “maior fraude contábil da história do mundo”, segundo alguns veículos de comunicação.
Mais recentemente, a Dra. Patrícia Punder, indicada como Perita para a AMER3, pelo juízo da Recuperação Judicial, declinou do trabalho pela via de uma argumentação enviesada e francamente (meu julgamento) exangue de conhecimento profissional:
Em entrevista a VEJA, ela apontou a falta de acordo financeiro e, sobretudo, a impossibilidade de trabalhar com uma das quatro maiores empresas contábeis especializadas em auditoria no mundo (Deloitte, EY, KPMG e PwC) como fatores determinantes para a decisão de abandonar o caso. Fora isso, ela também disse que temia por sua integridade física com o desenrolar das investigações contra os acionistas…
A advogada, que não sabemos que nível de conhecimento contábil e de auditoria, especificamente possui (não duvidamos que os tenha), informa que sem uma das quatro maiores firmas de auditoria do mundo não pode investigar os resultados do trabalho de… uma das quatro maiores firmas de auditoria do mundo.
Mais adiante continua da seguinte forma:
Segundo a advogada, a recusa das grandes empresas acende um sinal de alerta no caso. “Isso me preocupa muito, porque eu precisaria ter uma auditoria de primeira linha, pois o caso é muito complexo”, diz ela, afirmando que chegou a contatar auditorias de “segunda linha”, mas que, por questões de confiabilidade, o ideal seria trabalhar com uma das chamadas “Big Four”.
Idem
Dois aspectos fundamentais que eu gostaria de deixar registrado
Primeira ou Segunda Linha
Trata-se de uma demarcação não existente, do ponto de vista técnico, e muito menos no que tange à qualidade do que pode ser feito por uma auditoria “qualquer”, que detenha a técnica necessária. Esta técnica deriva do conhecimento das Normas Brasileiras de Contabilidade de Auditoria Independente de Informação Contábil Histórica (NBC TA) e das Normas Brasileiras de Contabilidade, que, no Brasil, administra (Lei 11.638/2007) o regramento contábil brasileiro, derivado dos IFRS -“International Financial Reporting Standards” (Ou Padrões Internacionais de Relatórios Financeiros).
Quando no Board da RSM, vivemos um embate, na Europa principalmente, contra cláusulas que se chamam “Big Four Only” – são cláusulas em que uma reserva de mercado é criada por agentes do mercado, a fim de que se reconheçam somente as auditorias de Big Four como sendo válidas para chancelar Demonstrações Financeiras/Contábeis.
Importante deixar claro que não há NADA, absolutamente, de minha parte, contra as Big Four – muito pelo contrário – imenso apreço técnico e amizade por vários sócios e profissionais dessas empresas, que realmente são usinas de fabricação de ferramentas de qualidade técnica. Apenas que não são as únicas, e nem sempre estão na vanguarda das inovações. Portanto, não estou aqui tratando de dividir o mercado em “eles” e “nós”. Estamos tratando da inadequada visão – do mercado – de que existe um abismo técnico intransponível entre as firmas e alianças denominadas “Mid-Tiers”, e as grandes firmas. Aliás, o “gap” de faturamento entre elas é cada vez menor em termos percentuais. Cá entre nós, dizer que uma firma de faturamento de USD 8 bilhões é “necessariamente pior” do que uma de (digamos) USD 30 bilhões é o mesmo que dizer que o carro “A” é melhor que o “B” porque a montadora “A” é 10 vezes maior do que a “B”, o que faz menos sentido, por exemplo, quando se tem um carro com um tridente em cima do capô, só pra ficar num exemplo.
Eu não ousaria chamar um advogado de “segunda linha” porque ele não pertence a um mega escritório. Aliás, a profissão de advogado, diferentemente da do auditor, não teve o nível de concentração inacreditável que temos hoje na nossa área. A razão é que os advogados não admitem determinadas práticas chamadas “comerciais” dentro de suas competências, e são zelosos delas, mundo afora. Ao contrário, talvez os maiores juristas do mundo não estejam debaixo de mega firmas, mas sob sua própria luz técnica. Nem por isso dizemos que são de segunda linha.
Caráter Personalíssimo
Um outro fato que talvez passe despercebido do respeitável público é o caráter personalíssimo dos trabalhos, tanto de advogados, como de contadores e auditores. O sócio responsável, e só ele, deveria responder por eventuais problemas e falhas técnicas, devidamente comprovadas. O caso da Andersen, no imbroglio da Enron, é um exemplo clássico dessa máxima. Nancy Temple e David Duncan, sócios da firma, foram apontados como tendo cometido o ato que levou toda uma firma centenária à bancarrota, por perda de sua reputação. A Andersen foi ainda condenada em primeira instância por destruição de provas, o que foi revertido pela Suprema Corte dos EUA anos depois, em 2005. Sob qualquer aspecto, me parece que se trata sempre da relação entre o Sócio Responsável e o Cliente.
É natural que clientes pressionem o auditor independente a ver as coisas sob o seu prisma. E cabe ao auditor independente refutar, quando aplicável, qualquer consideração que não tenha eco na técnica. Quanto a técnica é vaga ou interpretativa, existe latitude para pensar em um lado ou outro do espectro de decisão. Porém, nunca em detrimento da realidade – e, no caso Americanas, em detrimento da verdade a ser dita ao acionista e ao mercado (o próprio Arthur E. Andersen costumava falar seu “mantra” pelas esquinas da firma – “Think clearly, speak clearly” – pense com clareza, fale com clareza).
Pressões
Talvez o que norteie a independência do auditor não seja (creio que não é) o tamanho da organização da qual participa, nem, como alegou a Dra. Patrícia Punder, a existência de tecnologia ou capacidade técnica para tecer julgamento sobre as contas de uma organização do tamanho da AMER3. Com o avanço das técnicas de Big Data, Data Warehousing e Screening de dados, basicamente qualquer auditor, ou grupo de auditores, tem condições de julgar saldos contábeis, independentemente de sua magnitude, dados o TEMPO e o ACESSO adequados. Disso não tenho dúvidas. Tampouco disputo competição técnica com colegas de Big Four. Creio que empresas de auditoria devidamente qualificadas para tal, sejam elas Big Four of Mid-Tier, detenham suficiente conhecimento para liderar – se disposição e incentivo tivessem- equipe de auditoria para cliente de quase qualquer tamanho. A única limitação a ser identificada e leva em conta é a capacidade de atendimento pela quantidade de profissionais disponíveis para tal. Lidero auditorias de alguns clientes com tipos societários como Sociedade por Ações de capital aberto e fechado, sociedades de grande porte, dou as ressalvas necessárias, e não me importo, nem deveria me importar, se um cliente vai me trocar por outro auditor mais bonzinho, por conta de ressalva em parecer de auditoria (conhecido como “parecer sujo”). Faz parte do jogo. Não disputo o fato, mas como Arthur E. Andersen, por volta de 1913 disse “não há dinheiro suficiente na cidade de Chicago pra comprar minha opinião”. Esse é o espírito que deve reinar na profissão.
Particularizando, eu hoje detenho em minha carteira, CNPJs que isoladamente não representam mais do que 5% da receita da minha firma. Se colocarmos grupos econômicos na jogada, talvez uns 7%. É uma exposição alta, talvez, mas nunca a existência sobre os ombros de alguns colegas, na qual um único cliente pode corresponder a 100% da receita comandada por este profissional. Isso sim é poder de pressão de cliente sobre auditor. E isso independente do tamanho da firma. O profissional está mais exposto.
ISQM1 – Recentes Decisões sobre Controle de Qualidade em Auditorias
Não é de hoje que as auditorias lutam com a necessidade de que um responsável técnico esteja sob o olhar atento de outro. Sempre há essa preocupação, justamente pela pressão que alguns clientes exercem sobre o auditor responsável (principalmente quando em problemas!). A recente norma ISQM1, (International Standard on Quality Management 1 (Previously International Standard on Quality Control 1) – Quality Management for Firms that Perform Audits or Reviews of Financial Statements, or Other Assurance or Related Services Engagements: Padrão Internacional de Gestão da Qualidade 1 (anteriormente denominada Padrão Internacional de Controle de Qualidade 1) – Gestão da Qualidade para Firmas que executam auditorias ou revisões de Demonstrações Financeiras, ou serviços relacionados) é o resultado da evolução do processo de controle interno, pelas firmas de auditoria, sobre os resultados exarados para o público.
Implicam na existência de um Sócio Revisor (em alguns lados chamados de Cold Reviewer, ou Revisor Frio), que não participou dos trabalhos, mas detém qualificação técnica e experiência para tal. Difícil dizer se um Revisor extra conseguiria, na maioria dos casos, identificar e trazer à luz casos que se ligam a fraudes, pura e simplesmente, como os casos da Enron, já mencionados, e escândalos ainda maiores, como o da WorldCom, Vivendi, ou mesmo o caso Petrobrás, que sequer foi tratado como escândalo contábil, e que não tiveram repercussões tão duras (o caso da WorldCom sequer tem mais o verbete, sob “Escândalo”).
A Norma NBC PA 400, “Independência para Trabalhos de Auditoria e Revisão”, Seção 410, fala exatamente sobre isso – independência para trabalho de auditoria e revisão. É só ver lá que ficará claro que o regramento existe e é claro suficiente como para permitir que os auditores façam o que é correto para que seu trabalho seja perfeito, tecnicamente.
O fato é que a profissão evolui e tentar evitar que casos como este aconteçam. No entanto, a profissão, como um todo, fica sempre desprotegida em casos de fraude, pura e simples, já que não é função de auditores independentes investigar fraudes, ou dar conta de situações nas quais foram levados a cometer erros não intencionais, por conta de malversação de dados ou fundos.
Falar com Clareza
Ao escolher falar com clareza, o auditor está sujeito a pressões de seus contratantes e dos seus pares, contadores, dentro das organizações. A alternativa, de ter uma auditoria totalmente “estatal”, como alguns apregoam, é ainda pior – vide o número de escândalos que o poder público é submetido, dia a dia, e a dificuldade de apura-los.
A outra alternativa, à francesa, de ter dois auditores independentes atuando simultaneamente, parece não ter surtido muito efeito ao longo dos anos. Vide o caso Vivendi, já mencionado, no qual dois auditores não conseguiram trazer a público os fatos, e falar com clareza.
O que não podemos como profissionais contábeis aceitar são as alusões a “pequenos” e “grandes” auditores, “primeira” e “segunda” linhas, como se fosse o tamanho de uma organização que determinasse sua capacidade de falar a verdade. Entendo que não o é. Ainda, nós auditores podemos e devemos defender as prerrogativas da nossa profissão, contra a predação constante de outros, interessados sempre nos resultados que a falta de clareza ao falar possa gerar de benefícios ao seus clientes – não falar de um passivo não registrado, não falar de uma ação cujo ganho é menos que certo, não falar que tal ou tal ativo está super ou subavaliado, entre outros casos comuns.
Lidar com pressão tem que fazer parte do treinamento do sócio responsável por uma auditoria. Existência de ressalvas também pode e deve ser parte da vida de companhias – inclusive de capital aberto, a fim de que o público possa julgar até que ponto detêm informações suficientes para tomada de decisões.
À Dra. Patrícia, apenas desejo que ela segregue os fatos em seu julgamento, e não submeta sua opinião ao público sem uma reflexão mais profunda. Sobre o medo pela própria vida e dos familiares, é algo pessoal e intransferível. Desejo a ela e a todos os profissionais nesta situação, muitas bênçãos e proteção.
O fato é que de quando em quando um escândalo financeiro vem à tona. E quase sempre tem um auditor chamado de corresponsável. Não que seja, ou nem sempre, mas minha profissão é ingrata, às vezes.
Os casos recentes de IRB e Lojas Americanas trouxeram de volta à memória casos anteriores, como ENRON, Vivendi, ou mais recentemente os escândalos envolvendo “pirâmides” como a do Madoff. Em todos eles, uma união entre interesses dos diretores, ou “C-Levels” como o Condado da Faria Lima os chama, e seus supostos guardiões: auditores, conselheiros de administração, conselheiros fiscais e auditores independentes.
Fico à vontade (na verdade, à vontade dentro da maior saia justa) para falar do assunto, pois tanto me sento em conselhos de administração, fiscais, como sou auditor independente em uma série de empresas. Convivo com a necessidade de emitir uma opinião sobre demonstrações financeiras, em empresas que muitas vezes tem problemas de avaliação de patrimônio e preciso dar uma “ressalva” (o termo técnico para dizer que algo não está como devia ser, no Balanço de uma empresa).
Convivo também, como conselheiro, com a necessidade de ser rigoroso e ao mesmo tempo simpático com as necessidades e dificuldades das empresas às quais sirvo. E só sirvo se for rigoroso. Se não o for, terei sido só um “cone” no ataque da seleção, como chamavam o pobre Fred, indevidamente… E cone não sou. Por isso é fácil comprar encrenca pra cima da minha carcaça. A depender do interesse de quem você audita, ou aconselha, a vida pode ser mais ou menos formosa.
Por isso, situações como as das Lojas Americanas me falam ao coração e me transmitem uma certa simpatia pelos seus auditores, lançados na fogueira da imprensa, inclusive por “crimes” que nem tipificados como tal o são, como o suposto crime de “fraude contábil”. Só falta chamar de terrorismo, como parece ser moda. Não quero, obviamente, compactuar com erros de quem quer que seja, colega ou não. Quero apenas dar às coisas as dimensões que têm, se e quando tiverem. A imprensa só tem certezas. A imprensa já fez sua análise contábil, já colocou seus experts em Normas e Procedimentos de Auditoria pra estudar o caso (com que dados, não sabemos) e já crucificaram tanto o auditor independente quanto os administradores.
Já nós, a classe contábil, só temos dúvidas. Eu, por enquanto, sou um poço de dúvidas. A menos que tenha havido, de fato uma enorme fraude, com “Fê” maiúsculo, não consigo (por enquanto) enxergar R$ 20 bilhões como faltando no balanço da empresa. Consigo, talvez, enxergar um valor de juros advindos de quebra de Covenants (que são os requisitos mínimos que os bancos exigem para que um empréstimo tenha uma determinada taxa de juros). Nada, por enquanto, me leva a crer que alguém tenha contabilizado juros “ao contrário” nas Demonstrações de Resultado. Me pareceria ignóbil demais, difícil de explicar e claramente impossível de esconder do auditor – exceto por conivência. Não acredito. Prefiro não acreditar, claro.
O que me “dana” a alma nesse caso todo é como tudo foi feito, e como tudo poderia ter sido conduzido totalmente diferente, e não foi. Não culpo ninguém, obviamente, mas um troço desse tamanho, hoje já chamado de “maior escândalo do país” e maior mesmo do que a nojenta ENRON, poderia ter sido objeto de maior reflexão, e contato entre as partes interessadas. Algumas vezes vi “Concordatas Brancas”, como se falava antigamente, em que uma empresa se via num problema e chamava as partes interessadas mais “agredidas” ou com maior potencial de perda no processo e discutia-se uma solução que não passasse por uma tremenda lavação de roupa suja nas páginas dos jornais. Aqui parece que o objetivo foi justamente o contrário: de jogar tudo no ventilador, da forma mais virulenta possível, e esperar a pior resposta possível da sociedade.
Temos que lembrar, ainda, que existe a possibilidade de que o procedimento ora denominado de “fraudulento” ou “criminoso” pela imprensa e por algumas vozes influentes, seja algo de uso muito mais comum, o que poderia levar o mercado, e a CVM, seu regulador, a um de dois caminhos: a)todo mundo de mão na parede, e revista corporal e algemas ou; b)se é “de mercado”, obviamente temos que criar uma forma de contenção, a fim de que não tenhamos na mão uma crise sistêmica com condão de matar todo um segmento, deixando o povo sem roupa barata, eletrodomésticos em 12 X sem juros, e por aí vai. Sem esquecer do impacto em toda a cadeia de fornecedores.
É um juízo de valor que não quero fazer. Mais do que essa situação toda, o “timing” me parece tremendamente (in)feliz – logo depois da troca de governo, e com o advogado do presi…dente como defensor. Tudo isso dá margem a um filme pra Hitchcock nenhum botar defeito.
Francamente espero que a técnica tenha sido aplicada, e que tudo acabe sendo um problema menor, para bem do mercado, das empresas e do seu auditor independente. Não creio que será, mas desejar não custa.
Desejo, porém, ardentemente, que as redações acabem com o amadorismo da peste que as ronda, e cerquem-se de gente que checa dados, e não detenha uma agenda abertamente anticapitalista, de “ser por ser” e que se dane a sobrevivência do outro.
Tenho duas pequenas figueiras no jardim da frente de casa. Uma é de figos amarelos, é mais velha, e dá entre 200 e 300 figos todos os anos. Após cada estação, eu podo a figueira de um jeito que um vizinho já achou que eu ia matá-la. Nada disso. Quanto mais podo, mais (e melhor) era flore e dá frutos, no ano seguinte. A outra figueira é ainda muito jovem e só este ano começou a dar uns figos roxos bonitinhos.
Quem, como eu, tem jardim grande, sabe que só tem boas flores, boas folhas e bons frutos se você cuidar, aguar e podar com regularidade e sem muito medo de matar a plantinha. O caso do Bonsai é ainda mais complexo e emblemático: nesse caso, ideal é não deixar a planta crescer, podar raiz, e mantê-la quase à míngua. Daí fica linda e faz jus ao nome “árvore de pote”.
Acho que os caras de Davos devem ter chegado à conclusão de que são “jardineiros” desse mundo, e que precisarão fazer algo radical, como um “Great Reset”, ou uma poda rasa, para que o mundo continue a florescer. Parecem ter tomado nas mãos a tarefa da “poda mundial”. Para isso, precisam passar essa ideia sob um tom menos ameaçador do que faria um Hitler, um Stalin, um Mao ou Pol Pot. Precisam revestir suas ações de uma verborragia benevolente.
Bill Gates já foi acusado de querer atingir esse objetivo por meio de uma “vacinação forçada” (dizem os fact-checkers que é mentira). Independentemente do que seja ou não verdade, ou esteja ou não no coração dos “esclarecidos”, ou como Thomas Sowell chamou, os “Ungidos”, o fato é que muita gente acha que 8 bilhões é gente demais e uma poda expressiva precisa ser feita.
Quem fará? Eu? Você? Algum governo esclarecido, “do bem”? Malthus achava que a população se autorregularia na marra, por meio de epidemias e guerras. O pós-segunda-guerra provou que isso pode não ser tão verdade assim. Ou pelo menos que um “ajuste malthusiano” pode acontecer de forma mais espaçada, e, por isso mesmo, muito mais radical. Malthus pode até estar certo, mas não disse que alguém faria isso de forma premeditada e racional: apenas que situações específicas forçariam as tais pestes e guerras.
Podar milhões, ou mesmo bilhões de seres humanos, gente como nós, não deverá ser algo a ser feito sem uma reação grave, de quem está sendo “podado” ou que não crê nessa poda.
Eu, se for “podado”, não pretendo ir sem uma boa briga. Podar, não vou. O tal “ama teu próximo como a ti mesmo” não deixaria. Mas vá lá: no reino vegetal, pelo menos, uma poda é essencial. No reino animal, a poda é individual, e mais doída, por levar a totalidade do ser pro brejo. Mas suponhamos que necessária. Como escolher quem vai? Quem executa a poda, e com que instrumentos? Quem decide quem fica? Quem é mais importante que fique? Os bonitos? Os inteligentes? Os ricos?
Sob qualquer aspecto, o nível de julgamento a ser exercido, só Deus (“O” Deus) poderia saber. Mas ele já disse que uma poda virá, e já nos deu até as bases para o corte. Eu não preciso me preocupar nem escolher um lado para estar. Claro que, pudesse escolher, escolheria ser podado, antes que podar.
Países cujas populações passaram a decrescer, estão morrendo. O Japão é um exemplo. Portugal teve seu pescoço demográfico salvo por uma infusão de estrangeiros maciça. Outros, europeus, e mesmo a China, estão em declínio populacional (a China, somente este ano começou a encolher). O Brasil perdeu seu bônus populacional e agora envelhece a olhos vistos. É vítima de ter perdido a juventude antes de ganhar a riqueza.
Então a poda é necessária? Nunca foi, nunca será, e, pior, nunca seria algo moral. Seria sempre algo demoníaco, como aliás, tudo o que está acontecendo diante de nossos olhos é: o mundo jaz no maligno, diz a Bíblia, e em nenhum momento da história isso foi tão real como agora. Nunca o “diabo” foi tão presente na história – diabo significa “dois lados”, “duas facções”. O mundo nunca esteve mais polarizado, e as partes nunca se ouviram e tentaram se entender tão pouco quando hoje em dia.
O pior é que estou seguro de que ambos os lados do espectro ideológico parecem querer fazer o bem. Mas enxergam o outro lado sempre como sendo “do mal”. Somos incapazes de ventilar ideias e fluir palavras com a única intenção de melhorar o entendimento sobre um assunto, e sobre o outro.
Parece que um grupo de “demônios” fica direcionando um conflito sem fim, entre essas partes radicalizadas e isoladas uma da outra, colhendo os frutos que podem nos levar a tentar “podar” a outra parte. Malthus do Capeta parece que pode levar à poda.
What we have seen in Brasília this last Sunday was a shameful exhibition of poor exercise of citizenship. Even worse that the Capitol Hill invasion, Brasília`s invasion of the government facilities was the result of acts of undeniable banditry. Point.
That said, it is quite easy to “be solidary” to Brazil and to “express regret on the terrorist acts” that happened in Brazil`s capital, without examining the situation that led to this tension. Some points must be made clear so that you are not fooled by the mainstream media and its immediate goals.
First of all, bear in mind that each and every other rally or manifestation held by the so-called “right” in Brazil, since 2019 and before, was considered totally peaceful and clean (people insisted in gathering their own trash after them, as to avoid negative comments from the left). Not one bus station was vandalized and no one hurt. You could have your cell phones with you all the time without fear of being robbed.
Last Sunday`s riots are being considered by many as having “infiltrators”, which they call “faded shirts” (due to a red shirt under the mandatory Brazil`s soccer team year jersey wore by almost all participants). They claim, and some pictures show it beyond doubt, that radicals infiltrated the manifestations with the purpose of creating the chaos we have seen, and justify the further actions taken by Pres Lula and the Brazilian Supreme Court. It is difficult to control herd behaviors, once the started. Mainly in a mass of humanity of thousands upon thousands.
Mounting Tension Started in 2019
What we see in Brazil now is the result of tensions that started with the election of President Bolsonaro. Upon his inauguration in January of that year, a huge wave of bad news started mounting against him, with and without cause – mostly without. The man was titled as tyrant, genocide, fascist and a whole lot of other unsavory epithets without cause. His defect is twofold: a)he is loudmouth and most of the time uncouth. He speaks his mind and cares nothing for its repercussions. Along the last four years it has become clear that it is all bravado and no bad intentions. A deadly characteristic in a politician; b)he decreased the public funds destined to mainstream media by 90, 95% (not sure). That certainly hurt, in a segment of the market already hit hard by the decrease in income of traditional media.
At the time of President Bolsonaro`s election, the now president Lula was under arrest, at the facilities of the Federal Police, convicted in 2 lawsuits under the Car Wash Operation, confirmed by 3 levels of justice (entry level, circuit court and Justice Supreme Court – STJ – the 2nd highest level of the Brazilian 4 level judiciary system). His crimes are well documented and he served over 500 days of a sentence of close to 12 years in jail.
Brazilian Supreme Court (BRSC)
Add to this the unequivocal actions of Brazilian Supreme Court (BRSC) that have added tremendous, and unnecessary tension to an already divided country. BRSC has created something called (by one of its retired justices, Marco Aurélio Melo) the “End-of-the-World Inquiry” (Inquérito do Fim do Mundo): a non-existing piece of public prosecution started within the BRSC itself, without the provocation of the Public Attorneys. It is also a “secret” inquiry to which no lawyer has had access to. Under this forged mantle of legality, BRSC has performed the most heinous acts of illegalities such as censorship (including against free speech of (of all citizens) elected house representatives, journalists, businessmen and bloggers. Anyone with an opinion that in any aspect “hurt” the beliefs of the justices of BRSC were silenced. In this enquiry, the justices, mainly its leading judge, Alexandre de Moraes, is the offended party and the judge. He commands a process started by other Justice, with a heavy hand no publicity on his acts.
How were they silenced? The then president of PTB was put to jail and remained there form months, without a formal accusation. One house representative was arrested, because of his (admittedly strong and wrong) opinions on the BRSC itself. One blogger was arrested, and when in jail had an “accident” and became paraplegic. One news outlet, O Antagonista, was censored. The whole Brazilian population was informed they could not call Lula a “thief” (one very popular motto of the rallies against him was “Lula, thief, your place is in jail”). The cases go on and on and I would need a War and Peace style romance just to tell a few words on each of them.
But perhaps the most insidious and nefarious aspects of the BRSC actions were the three decisions (monocratic, which is allowed by BRSC itself) taken by Justice Facchin and BRSC`s 2nd judgment chamber.
The first decision was taken by the BRSC as a whole miraculously (and unconstitutionally) changing the precept of “final sentence”. As we said, Lula was duly convicted after 3 instances and some 12 judges considered him guilty. Therefore he was sentenced to be arrested, and served over 500 days in jail. Once this principle was changed (from a condemnation at the second level to another principle, that you are duly sentenced only upon BRSC says so), Lula was free from jail, although still guilty. Out of jail, and with all his political clout, he started moving the pieces to change his guilty status – and obviously, one of unable to be elected to public office.
It is important to inform that in Brazil a sentence is passed by a Circuit Court, as in most of the civilized nations. The 3rd level is just to correct infra-constitutional aspects of the case and, in some cases, correct the size of the sentence. The 4th level is the BRSC itself, that should only act to correct aggressions to the constitutional text. It is clear BRSC has changed that role entirely.
The second one “revoked” the condemnations of Lula on the ground of “wrong ZIP Code”. Some explaining is needed due to the sheer stupidity of it – Justice Facchin considered, after 5 years of Car Wash operation`s procedures and inquiries, that all was very well, and condemnations were correctly applied by the 3 lower instances of justice. Just that the lawsuit should have been done in Brasília, and not in Curitiba, as was confirmed several times by Circuit Court and STJ (the 2nd highest instance) and by BRSC itself. All of a sudden, Lula had his cases dismissed. Not because he was innocent, but because the ZIPO Code of the lawsuit was wrong. This rendered to Lula the epithet of “Discondemned”, instead of “Innocent” by part of the population.
The third one was the
The Elections
Once the candidacy of Lula was duly made legal by BRSC, the elections procedures started. Brazil has a separate “elections court” (the Tribunal Superior Eleitoral, or Electoral Superior Court – TSE). It is one of those things that exist almost exclusively in Brazil. Regardless of the TSE`s importance or role, fact is that it is presided by one of the Justices of BRSC, and is therefore, an extension of it.
The polemic of the ballot machines
Since the 90`s, Brazil has basically the same balloting machines (Diebold) with few updates. Pres. Bolsonaro started personally questioning the balloting machines as unreliable. This is something we cannot ascertain, but fact is that the Constitution foresees a secondary method of recounting the votes, which was never implemented. He (and his electors) started pushing for this secondary method of counting, as a printing machine in which the voter check the ballot visually, not touching it, and the machine deposits it in an acrylic repository, for later recounting, if necessary.
This was vigorously opposed by BRSC as unnecessary and some time later started sanctioning anyone challenging the validity of the system and its impermeability to hackers. Well, that was faced and a ruse, once 6 months earlier a hacker was discovered inside the TSE`s system, in which he/she had been meddling for 6 whole months, unnoticed. Too much for safety.
We personally don`t think the Balloting Machines are necessarily rigged. Nevertheless, the position of the BRSC, denying the debate, made it a “gimme” to many of the thinking heads in Brazil, that something was off. How can something, in a democracy, not be subject to open debate? That put fire in the discussion even more.
The Censorship of Media Outlets and “Demonetizing”
The critics of the balloting machines in the social media were silenced by BRSC (through the “End-of-the-World Inquiry”). BRSC determined to the social media companies to block the social media of journalists, bloggers and critics of the system. Therefore, the amount of fuss over the system was reduced, under the unchecking eyes of the mainstream media. Nothing was too bad, in terms of individual freedom, that mainstream media should be afraid of, it seems.
Media Outlet O Antagonista (The Antagonist) was silenced, and denied publication of certain articles and reports that went against Lula and his supporters. That much is clear, I think (although BRSC can view this opinion as democracy threatening and cancel our social media).
Other bloggers, such as “Te Atualizei” (I Update you) and Osvaldo Eustáquio (the guy that went to jail and suffered an accident while there) were not only excluded from social media, but “demonetized” – yes, they had their banking funds frozen and all of a sudden became in need of other people`s support and charity.
Most recently two traditional journalist and writers of renown, Rodrigo Constantino and Guilherme Fiúza were banished from Social Media and “demonetized”. We are not talking of backwater bloggers here, but best-selling authors with a huge following.
The Answering Rights
During the elections, Lula received 90% of his answering rights from TSE, and ended up grabbing most of Bolsonaro`s TV time. The reason for that was the use of terms like “Thief” to qualify Lula and other specific situations deemed “unfair” by TSE and BRSC. This was badly received by Bolsonaro`s supported, but also by most of the undecided voters.
Automatic Vote Counting
The system in Brazil enables that a couple of individuals in a room in Brasilia “count” the votes without the scrutiny of the parties. This, added to the impossibility of recounting the votes made for a huge wave of protests, which culminated in last Sunday`s horrors.
The Armed Forces Denied Requests
The technology branch of the Armed Forces of Brazil was invited by TSE to participate in the elections checking. Even before the elections, and afterwards, the AFs requested the Original Code of the system, to analyze it. This request was denied to them, without further explanation.
Of course in the imagination of the populace, this added wood to the already growing fire.
Where are we Now?
After the lamentable depredations of last Sunday, Pres. Lula decreed “federal intervention” in the Federal District. After that, and almost immediately, Justice Alexandre de Moraes, maybe the larger perpetrator against the constitution of them all, in the opinion of several jurisconsults, decreed that the governor of the Federal District, Ibnaneis Alves, to be suspended from his office.
Right after that, Lula (through his Justice Minister, Flavio Dino) named an interventor, which is a Communist Party of Brazil (PCdoB) member, as is the Justice Minister, a man with no expression and no knowledge of security affairs, to that office.
Again, almost simultaneously, a clear message was passed to all other governors – suppress any manifestations or run the risk to loose your position. The message was well understood and as of today, 10 of January, 2023, all (or almost all) governors of Brazil are in Brasilia to pay homage to Pres Lula and the BRSC, despite their terrible misdeeds.
Some fear Brazil is no longer a democracy. Many have started to hedge their assets against the economical stupidities that they believe will come.
Ontem consolidou-se a estratégia de tomada do poder, sob os olhos horrorizados do mundo, que não tem ideia do que está acontecendo aqui: uma manifestação maciça em Brasília. Nada de mais – antes disso houve dezenas, centenas, sem UM ÚNICO incidente, e nem lixo na rua. Ontem, diferentemente, houve um cenário de pavor, indesejado por qualquer democrata. A novidade foram os chamados “Desbotados” – gente com camisa da seleção e, por debaixo uma camisa vermelha, que dá um tom misto, de vermelho desbotado à vestimenta. Foram encontrados às pencas, mas não aparecerão jamais.
De fato é… uma coisa é “ganhar” eleições (palavra correta – ganharam mesmo, de presente, tanto do Bolzo quanto do TSE). Outra é conquistar o poder, como candidamente falou Zé Dirceu a um jornal espanhol, lá, bem antes da eleição (se não me falha a memória, antes mesmo de Lulla ser solto).
Ibaneis Rocha, o governador do DF, é substituído no poder por alguém do PCdoB, indicado por Flávio Dino, também daquela legenda (ou era, pelo menos). Alguém bem à esquerda, à feição de quem “toma o poder”. Não ganhou eleições, esse substituto, mas ganhou o poder. Perdeu, Mané de Brasília…
Perdemos todos… Hoje cedo, fogo em pneus e fechamento do Rodoanel em SP. Tarciso corre aflito para condenar o ato. Os perpetradores fogem do local (encapuzados, sem serem identificados). Ninguém é preso, mas certamente são “Bolsonaristas”. Quem duvida? A essa altura, nem os super bem informados repórteres de O Globo ao New York Times. Todos são unânimes em já declarar os culpados. Tarciso corre o risco de perder o mandato conquistado nas urnas, depois de décadas de PSDB no comando (da capital), sem nem bem dizer a que veio. Bola dentro pra nova ordem brasileira.
Perdeu Mané (Tarciso) – não sei se ocorrerá logo ou mais tarde, mas parece (ninguém tem bola de cristal pra afirmar) que é pule de dez… favas contadas. Questão de tempo.
Quem defenderá a causa dos que não gostam ou não acreditam que ter um ladrão como presidente seja coisa boa? Ninguém… Perdeu, Manézada… TODOS nós perdemos. Somos em tese 58 milhões de perdedores. Nas contas de alguns, somos, sei lá, 80, 90 milhões de perdedores – entre possíveis votos mal-contados e gente que achou que estava votando num democrata e “está com medo”, como o Mané-mor, Armínio Fraga, do alto de sua alva inocência. Pelamor, né…
E vamos que vamos. Cenas dos próximos capítulos ocorrerão logo – mais uma invasão, mais um quebra-quebra, e como consequência, mais uma intervenção federal, mais um governador destituído (por 90 dias que durarão 4 anos?), e mais um comunista sem experiência alguma em gerir coisa alguma, no poder de um estado que “jamais deveria ter saído do controle de determinado partido”…
Vaticínio não levado a sério por ninguém, quase, “tomar o poder é diferente de ganhar eleições” – seja antes, durante ou depois do pleito.
Vamos trabalhar, Manezada, porque temos que pagar as contas dos “vencedores”…
É uma obra de ficção, portanto não adianta procurar similares ou reflexos de vida real. Depois da “obra”, vamos tentar estudar uns fatos:
“Seeker”
“Carros elétricos acabam se tornando MagLevs, que podem ser carregados e impelidos usando supercondutores magnéticos de baixo custo nos carros e nas ruas. Nessa taxa, os novos tipos de carros vão deixar obsoletos os Teslas, SpaceX e qualquer outra montadora de automóveis, sem exceção, dentro de uma década. A ordem mundial, pelo menos no que tange a tecnologias, foi relativamente estável por milênios. Mas nos tempos modernos, indústrias nascem e morrem à uma taxa furiosa. Mesmo tecnologias que pareciam interligadas no tecido social foram relegadas à lata de lixo da história num piscar de olhos. Em 1996, Eastman Kodak era uma força motriz com 140 mil empregados e um valor de mercado de USD 28 bilhões. Mesmo com tudo isso, meros 16 anos depois a companhia dava entrada com pedido de falência. Um Tiranossauro-Rex que falhou em imaginar o poder disruptivo que a revolução da fotografia digital criaria.
Em contraste com a Kodak, enquanto esta estava dando seus últimos suspiros, um pequeno grupo de empreendedores fundava o Instagram, um serviço de compartilhamento de fotografias que rapidamente atraiu algo como 800 milhões de usuários. Apenas 18 meses depois de sua fundação, no mesmo ano da falência da Kodak, esses poucos fundadores do Instagram haviam vendido sua empresa por USD 1 bilhão.”
“Seeker” (tradução minha), de Douglas E. Richards.
Os fatos acima são reais, a despeito do contexto de ficção desse cara aí, que é best seller. A questão a abordar é o quanto isso é verdade e os efeitos disso no mundo. Onde vamos parar? Ou melhor, vamos parar? Ou vamos continuar acelerando? Indefinidamente? Onde isso vai nos levar?
Empresas Grandes, Empresas de Vida Curta
O que o autor acima conclui é que estamos vivendo em um mundo de mudanças tão drásticas e rápidas que daqui a pouco não teremos mais condição de nos manter sãos.
Eu concordo, em parte. Acho que a despeito disso estar acontecendo, e que haja de fato uma mortalidade alta nas empresas, um fato é mais importante e talvez nos leve na direção exatamente oposta: o tamanho cada vez mais paquidérmico das empresas, e suas características de oligo-monopólio.
Caminhão sem Freio
Ao mesmo tempo em que alguns advogam pelo tempo de qualidade e de família, equilíbrio entre negócios e lazer, e outros, mais ainda, querer “resetar” o planeta pela via da mudança completa da forma de se conduzir a vida, outros criam em cima de criações de outras criações nessa espiral tresloucada.
Não dá para nos acostumarmos com uma tecnologia; outra vem e nos deixa obsoletos. Tenhamos nós 8 ou 80 anos de idade. Eu me sinto obsoleto dentro de minha própria profissão, apesar de ter ajudado a criar algumas tendências, ao longo dos anos. Não há como conter isso, como não há como conter um motor cujo cabo de acelerador travou, e o cabo do freio partiu. É aumentar o giro até que exploda. E vai explodir, é claro.
Essa constatação de “caminhão sem freio ladeira abaixo” por um lado cega os “adrenaline junkies” e deixa os medrosos mais apavorados do que o normal. Não fui, nunca, um viciado em adrenalina, mas tampouco me conto com os medrosos. Me conto, isso sim, no “centrão“, por assim dizer. Mesmo eu estou apalermado com a velocidade do nascimento e morte de empresas, e onde isso vai nos levar.
Dinâmica de um Mercado com uns poucos Donos
Cada vez que volto aos EUA eu fico mais apalermado com a “Corporate America” e como tudo foi dominado por um pequeno número de empresas com imenso poder financeiro e capacidade de estar em todo o país de forma “ubíqua”.
CVS e Walgreens são (quase) as únicas farmácias; WalMart, Publix e mais 4 ou 5 mega operações dominam todo o mercado de varejo em supermercados; Home Depot e Lowe`s dominam quase todo mercado de materiais de construção e itens para o lar; Exxon, BP e mais 4 ou 5 bandeiras dominam toda a distribuição de combustíveis; McDonald`s, Burger King, Taco Bell e mais uma meia dúzia de redes dominam a refeição fora de casa… Não existem mais os famosos “moms-and-pops”, ou seja, os negócios de família, fora de grandes redes, que, via de regra, trazem o colorido especial e o “diferente” ao mercado.
Além de tudo isso acima, nem convém citar o oligopólio das empresas de software (Apple, Google, Microsoft) e todo o segmento tecnológico.
A pergunta não é ser contra o capitalismo, como esse bando de ideias soltas parece conduzir. Trata-se exatamente do contrário – a morte do capitalismo pela mão dos maiores atores do próprio capitalismo. Isso não é capitalismo como deveria ser entendido, ou seja, o famoso capitalismo liberal, defendido por luminares como Ludwig Von Mises.
População Alta, Capitalismo Concentrado
Fica claro que não é possível alimentar, vestir, educar e mover uma população de 8 bilhões de pessoas com “moms-and-pops” somente. As mega estruturas são necessárias. No entanto, o “CADE” dos EUA, há muitos anos, tratou de cortar em pedaços empresas de petróleo e comunicações justamente para evitar que o monopólio acabasse por criar uma escravidão comercial e de consumo, e por consequência, um governo paralelo, dos “Robbing Barons” (Barões Ladrões), que quase dominaram toda a nação.
O mesmo aconteceu com o sindicalismo nos EUA, e até no entretenimento, com Hollywood praticamente dominando a cena cultural e impondo padrões, muitas vezes rechaçados por boa parte da população.
Essa população tão alta precisa ser mantida viva e satisfeita. Isso é compreensível. Mas estamos numa encruzilhada: vamos continuar a manter os mercados centralizados ou vamos botar nossas regras anti-monopólio para funcionar? Vamos assistir passivamente a democracia ser erodida pelo controle financeiro esmagador dos mono/oligopólios, ou vamos tentar, ao menos, fazer com que haja mais competitividade.
O último, e talvez mais absurdo exemplo, esteja no jornalismo. Com o advento das mídias sociais, críamos que teríamos poder de palavra limitado somente pela quantidade de pessoas dispostas a nos ouvir. Ledo engano. Estamos sendo massivamente dominados por “centros de pensamento” dentro de empresas de comunicação.
O mundo precisa achar uma forma de não deixar que uns poucos capitalistas acabem com o próprio capitalismo “raiz”.
Há Conclusões?
Nem sei mais. Espremidos entre uma guerra cultural e ideológica de um lado, e por um capitalismo que cada dia se parece mais com uma ditadura, temo que quando eu chegar a alguma conclusão, o mal já estará feito para mim e para todo mundo que gosta de comprar um cachorro quente qualquer, num Bar do Seu Zé qualquer, e depois tomar um café passado na hora…
Estou há 1 mes nos EUA, a trabalho. Trouxe a esposa para que ela tenha uma “american way of life experience”. Está sendo muito bom, com as ressalvas de sempre, que qualquer brasileiro reclama (comida muito calórica e doce, preços nas alturas, falta de gente na rua, etc). Estando num estado “rural” (Carolina do Sul), e convivendo com os amigos/irmãos locais, no estilo de vida deles, estamos literalmente imersos na cultura, com nossa casa e carro, e as idas e vindas do mercado, típicas. É uma vida pacata, até chata, pela falta de vizinhança, agito social etc. Mas tem sido uma 2a. lua de mel bacana, com tempo pra refletir, orar, pensar na vida e planejar o que fazer, depois que um tal fruto do mar assumiu o nosso governo…
Auxílios
Ao longo da pandemia, o governo americano jogou bilhões na economia, sob forma de ajuda (indiscriminada) ao residente – cidadão ou não, desde que legal. Amigos meus brasileiros, moradores da Flórida, e com suas empresas e empregos, receberam cheques gordos (no conceito brasileiro). Teve gente que teve a pachorra de tentar devolver o tal cheque, sem sucesso. Eram U$ 1.400 por cabeça, ou US$ 2.800 por casal, mais US$ 500 por filho menor de 19 anos. Portanto, uma família com 2 filhos encaixava US$ 3,8 mil por mês, ou algo como R$ 14 mil por mês.
Incrivelmente, isso continua a existir até hoje, em muitos casos, a despeito de um processo de “phase out” (redução) até um teto de benefícios recebidos de US$ 160 mil (para um casal).
Empregos
A economia aqui está indo mal, sob Biden. Isso nem é novidade e francamente não entendo como um povo todo decide achar bacana trocar emprego e renda por programas sociais. Parte da sociedade aplaude isso – como no Brasil, e acha o máximo.
Hoje há uma (quase) recessão técnica, mas não há UM posto de gasolina, UMA loja, um caminhão que não tenha anúncio de “We are hiring” (estamos contratando). Do McDonald`s da esquina à gigante dos transportes J. B. Hunt, todo mundo está atrás de mão de obra. E não consegue.
Por que? Volte ao primeiro tópico. O povo está preferindo ficar em casa do que ir trabalhar, já que o governo continua a abastecer a dispensa e “bring the bacon home” (algo como “colocar o pão na mesa”). Daí o fato de que nossos filhos e amigos estarem conseguindo bons empregos aqui nos EUA, mesmo trabalhando remotamente, substituindo mão de obra local, que não deseja o incômodo, nem em home office.
Ética de Trabalho
O orgulho de todo pai (de bem) aqui neste país reside(ia) em deixar ao seu filho uma boa formação profissional e uma ética de trabalho sadia. O pai médio americano não mede sacrifícios para poupar para dar a seu filho a melhor universidade possível. O jovem é levado a trabalhar, mesmo antes de 16 anos, às vezes, para poder ter o “seu dinheirinho” e ter orgulho de produzir, poupar e gastar do que é “seu”.
Não é possível medir a erosão que esses 3 anos (2 de Covid e pelo menos 1 de arrasto) vai gerar na visão de mundo do americano médio. Isso, somado à invasão de estrangeiros ilegais dos últimos anos (5 milhões, de acordo com o próprio DHS). Nem quero imaginar. Aliás, posso mais do que imaginar – ver com esses olhos que a terra há de comer – se o exemplo de anos de renda mínima gerou no brasileiro. Claro que não podemos nos isentar de apoiar o necessitado. Não se trata disso. Trata-se de entender que qualquer desses planos deve ter início e fim.
Os EUA vivem uma situação bizarra de recessão com “pleno emprego” (se é que se pode chamar assim). Ninguém em sã consciência pode admitir este fato. Panis et Circensis mata civilizações e impérios. Matará esse também, e é isso que a esquerda internacional quer (minha interpretação – Xandão, ainda tenho direito a ela?).
Cenas dos próximos capítulos poderão não ocorrer, por falta de atores.
Disseram a Moisés: Será, por não haver sepulcros no Egito, que nos tiraste de lá, para que morramos neste deserto? Por que nos trataste assim, fazendo-nos sair do Egito?
Êxodo 14:11
Um povo que foi escravo por 430 anos num país estrangeiro tinha sido libertado. Quando estava na beira do Mar Vermelho, vem o perseguidor, o Faraó e seu exército, e encurrala o povo entre o mar e os guerreiros. O povo, então sai com essa pérola aí – será que não tem túmulo suficiente no Egito? Vamos morrer aqui?
Passamos agora pelo mesmo processo. Exceto que nosso líder não era tão bom como Moisés, e o povo decidiu voltar para o cativeiro do Egito. A comparação é ridícula, dirão muitos. Bom, é caricata, mas o fato é que estamos diante de uma escolha que tem a mesma natureza fundamental. E escolhemos mal, na minha opinião.
Lá na frente, o mesmo povinho continua a opor-se ao seu líder (esqueçam o caráter “messiânico” que emprestam ao líder atual – não é boa comparação):
Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos.
Números 11:5
Diante de mais uma dificuldade, lembram-se das cebolas, dos alhos, dos pepinos, melões… era tão bom! Comíamos picanha à vontade. Tomávamos cerveja aos baldes e nada era tão tranquilo como a vida no Egito. Memória afetiva? Seletiva? Como é que um povo escravizado tinha uma percepção tão boa do cárcere em que viviam? Síndrome de Estocolmo (aquela em que o sequestrado acaba por defender o sequestrador)?
Já que escolhemos o Egito, pro Egito vamos voltar, e, pior, sem direito a mais 10 pragas pra nos ajudar a sair de lá. Sem nenhum Moisés pra nos ajudar (o atual vai acabar na cadeia, se Faraó conseguir fazer o que pretende). A língua pesada do Moisés da antiguidade é parecida com a língua pesada do atual. Não sei se a intenção é tão pura e boa (acho que não), mas o fato é que nos jogamos de uma língua presa “solta” pra uma língua presa “presa” (ou quase).
Não teremos cebolas. Mas quase certamente, teremos túmulos nesse novo Egito.