Big Techs são Market Makers?

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No passado, todos sabemos, a Dona Mariquinha e Dona Maricota eram responsáveis pelo “Correio Popular” de qualquer cidade do interior. Na antiguidade os romanos tinham a Acta Diurna, uma espécie de Jornal, mais voltado para as legiões romanas, e que era afixado em um mural.

As ruas e muros das cidades antigas também serviam de “noticiário”, de “páginas amarelas” e de propaganda política na antiguidade, como as bem preservadas ruínas de Pompéia e Herculano, soterradas pelo Vesúvio, deixaram gravadas para sempre.

A popularização dos jornais vieram com a imprensa, por volta de 1500, e já durante as revoluções americana e francesa, foram empregados de forma eficiente como propaganda nacionalista, como o Saturday Evening Post, de Benjamin Franklyn, na América do Norte pré-independência, e o L`Ami du Peuple, de Jean-Paul Marat, na França revolucionária de de 1789.

Jornais, depois rádio, depois TV, tudo num turbilhão, que nos transformou em consumidores ávidos por notícias, se tornaram nossos meios para que formássemos opinião, por mais de 400 anos. Nos acostumamos a veículos de uma mão só: “de lá pra cá”, com a eventualidade de uma carta à redação, ou em casos mais graves, direito de resposta.

Com a internet, uma população cada vez de saco cheio com a forma com a notícia era dada, se viu atraída massivamente para as “redes sociais”, que se viram, de repente, donas de um canal de comunicação instantâneo e único. A circulação dos grandes jornais foi dizimada, e muito papel economizado, para delírio dos ecologistas. Passamos a ler, e ser, o jornal. Passamos a participar na formação da notícia. Muitos passaram a comentaristas e jornalistas amadores (como eu, aqui do meu escritório, escrevendo sobre um assunto qualquer, que me chama a atenção, para um público que pode ir de meia dúzia de pessoas até milhões).

O motivo desse escrito, no entanto, não é falar sobre as mídias sociais como meios de comunicação, mas em como esses meios de comunicação podem ser usados para afetar diversas áreas do nosso cotidiano, inclusive o que me atrai a atenção nesse momento – a economia.

O poder desses meios de comunicação e infraestrutura tecnológica ficou evidente diante do “corte raso” feito nos EUA sobre Donald Trump, no início deste ano, tendo por justificativa a alegação de que o ex-presidente teria promovido o “levante” que resultou na invasão do Capitólio, sede do Congresso americano, e causado inclusive mortes. Não entrando no mérito, em si, observa-se a efetividade, o corte seco, rápido e inapelável dado pelo Twitter, Facebook e outros mega-outlets de mídia, além do provedor de acesso Amazon. Tão rápido e fulminante foi o golpe, que uma rede social “de direita”, o Parler, até hoje não voltou para o ar. Ou seja, o poder inapelável desses órgãos teve a força inédita de acabar com um órgão de mídia social – e, por que não? – de imprensa.

O Twitter e o Facebook comentaram, em caráter oficial, que podem aumentar ou diminuir a visibilidade de um determinado post, inclusive suprimi-lo. Como conservador e liberal em economia, entendo que as empresas fazem o que quiserem com o conteúdo postado em suas mídias. Portanto, não vou aqui advogar que o governo, qualquer governo, deva intervir na liberdade da empresa em ditar suas regras. Afinal, estamos nessas mídias porque queremos.

A questão se prende a algo mais prosaico, e talvez não tão fácil de entender até onde chega e que impactos tem: com este nível de poder nas mãos, um quase monopólio desses novos “meios de comunicação”, em que até os veículos tradicionais podem ser objeto de censura, o que, ou quem, impede que empresas como Facebook, Twitter, entre outras, tenham a possibilidade de influenciar decisivamente, por exemplo, o mercado de capitais? Quem duvida que algum(ns) funcionário(s) do Facebook ou Twitter, com o grau correto de “estímulo” ou “pressão”, possam acabar influindo nas políticas econômicas dos países, simplesmente pela forma como manipulam (eles deixam isso claro, da forma como falam em aumentar ou reduzir a exposição de um determinado assunto) o que aparece e o que não aparece em sua/minha Timeline?

Eis a questão: Essas empresas são privadas e fazem o que querem, se estamos num estado democrático de direito. Nada a opor. Mas como é que saberemos onde é que chegou a hora em que as mídias sejam tão poderosos canais, quase monopolistas, e com pensamento muito parecido (“progressista” nos costumes e relativamente à esquerda, na ideologia), tenham cruzado uma linha em que eles mesmos acabarão por impor uma censura inapelável, ou mesmo a quebra do princípio de liberdade de imprensa?

Que imprensa? Pode-se perguntar? Estamos todos sujeitos, na nossa quase totalidade, a “umas poucas mídias”: se mídias sociais, quase todos em FB e TW; se apelamos para buscadores, Google; se precisamos de armazenamento em nuvem e acesso para usuários, AWS ou Google?

Como auditor, com registro na CVM, ouvi a vida inteira um mantra: “ou todo mundo, ou ninguém” (ou a informação está à disposição de todos ou não deve ser liberada). De que forma podemos afirmar que isso continuará a acontecer, e em que medida, doravante?

No passado a Mother Bell foi rachada nas Baby Bells justamente pelo estado Americano ter desconfiado que estava muito poderosa, e esses poder acabava rivalizando com o estado. Igualmente, a Standard Oil foi rachada em 34 “filhotes”, em 1911, por decisão da Suprema Corte Americana, dando origem a Exxon, Mobil, Atlantic, Amoco, Chevron, entre outras.

Os governos e seus judiciários perderam o direito de liderar processos de descartelização? Alguém tem alguma dúvida de que a Voz Grossa de um Twitter ou FaceBook é capaz de criar tanta confusão a ponto de impedir que qualquer corte julgue contra elas?

Estamos, ou estaremos em breve, diante de um caminho sem volta, e que colocará não somente a opinião, mas o direito de obter informação “limpa” sobre ações e mercado de capitais, nas mãos do acaso, ou de meia dúzia – ou menos – de “players”. Olho nos novos Donos do Mundo!

Os Jacarés e a Geração Covid

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Não posso afirmar bem como foi… É como se eu tivesse sido transplantado ao ano de 2030, e já em condições totalmente diferentes da minha vida habitual. De “mastigador de número” e contador bissexto, me vi alçado a uma posição que nunca poderia imaginar. Vivi algo que ainda não sei bem explicar. E voltei pra contar.

Quase uma década depois do malfadado 2020, o mundo estava diferente. Sai de casa de máscara (não essas de pano qualquer, mas de um látex cinzento com uma espécie de “botão” laranja na frente, que apita quando chego perto demais do alheio – qualquer alheio…). Não vivo mais numa casa, mas num apartamento num bairro bem aglomerado no centro. Viro a esquina e dou de cara com mais um monte de gente de máscara cinza com botão laranja. Cada vez que um vivente chega próximo demais de outro, o botão laranja acende e apita.

O povo chama a máscara de BolsoTrump, em homenagem a dois ex-presidentes que brigaram com a “ciência” da época. Uns trogloditas esquisitos. Passou… passou… tudo parece ter voltado aos “eixos”.

Viro a esquina e entro num prédio – parece que meus pés sabem onde querem me levar. Supostamente trabalho ali, no comando alguma divisão do governo ligada à saúde. Fica difícil conciliar minha vida atrás dos balanços e fluxos de caixa e essa, ligada à medicina. Tenho pavor até de ver sangue. Sinto minha cabeça girar. Como fui parar aí?

Mas um impulso, um dever, desse outro eu nesse universo paralelo, me impele. Nada disso estava aqui ontem, e francamente é como se os últimos 9 anos tivessem passado num borrão. Não estou mais gordo, e sei que algo aconteceu pra que eu perdesse o excesso de uns 20 Kg – uma bariátrica que eu programara em 2020 e que não aconteceria antes de 2021? Não sei. Tudo é uma névoa só.

Entro no prédio e dou de cara com o porteiro. As escamas que ele tem na testa dão um ar de alienígena de Star Trek (um Romulano?) mas de alguma forma parecem “comuns”. As mãos estão ornadas com umas unhonas grandonas, pontudas e esverdeadas. Ele me responde com cordialidade, que nem posso dizer se é habitual ou não. Está lá… uma cordialidade que eu chamaria de bovina – se não parecesse reptiliana.

Tinha um ascensorista (Sic!), com um focinho esverdeado e presas afiadas, e testa de homo-sapiens-sapiens, cabelos meio ruivos, olhos esverdeados, parecendo a Cuca do Sítio do Picapau Amarelo. Parte de mim levou a cena na boa; parte talvez tivesse se borrado de medo, ou dado risada. Ascensorista? Por que? Pergunto e ouço a resposta: “condutor de veículo vertical”… orgulho profissional! Estou num filme da Marvel, esse de universos paralelos, de cor meio desbotada e uma mistura de coisa antiga e nova. Um ar de Berlin Oriental dos anos 60 e Blade Runner.

12 andar. Sala 144, a do canto, grande, clara e bem mobiliada. Um dos quadros na parede reconheço como o da minha casa em 2021. Algo ali me é familiar. Respirei fundo e tentei acalmar minha “outra parte”, já que a parte “paralela” parece estar de boa. A secretária chega. Não tem focinho nem escamas, mas quando ela se vira eu vejo uma renca de protuberâncias saindo das costas, como um dinossauro – também esverdeado.

Sr. Figueira, o Dr. Palhares perguntou por si. Anotei direitinho pra não esquecer… Ele mandou… e me passa um bilhete – “Figueira, preciso discutir contigo a questão das remessas de máscaras novas… as com bico vermelho – pros Insistentes”. Que bico vermelho? Que máscaras?

De novo meus pés me levam ao Palhares, a quem conheço sem nunca ter visto. Essa confusão de paralelo e oficial vai acabar me colocando em uma saia justa. Palhares acena pra mim. Tudo normal, os olhos amarelados e dentes pontudos saem da boca grande. O terno Armani super chique e os sapatos de um couro que desconheço – um cromo qualquer – me parecem estranhos, mas o Figueira do Universo Paralelo não acha nada estranho.

Figueira, você é uma mala mesmo! Quantos insistentes catalogamos semana passada? – “Uns 2 mil”, respondo – de onde saiu a convicção, não tenho ideia.

– “Então?” – pergunta Palhares – “nem pensou nas máscaras de ponta vermelha (as “Dula”, em homenagem a outros dois ex-presidentes)? Não temos nenhuma, e essa gente vai causar encrenca. Sem Dula na cara, ou no mínimo uma BolsoTrump, os caras vão sair fazendo arruaça. Vamos agilizar isso. O Ministério deve ter algumas ainda, em Brasília. Vamos pegar o que pudermos.” O Figueira do Universo Paralelo sabe que as máscaras de botão vermelho não são apenas para controle de distanciamento social, mas possuem agulhas prontas para injetar vacina, caso o sujeito ultrapasse a linha que o STF chamou de “Limite da Insurreição Social”. Reclamar é uma coisa. Falar com repórter acarreta meia dose de Pfizer… Escrever textão no Face questionando a ciência do distanciamento dá uma dose de Oxford… e pra completar, levantar cartaz e fazer manifestação dá uma dose inteirinha de Coronavac, e a certeza da cura, pela Semisaurização compulsória – que o STF não quis impor de cara, pois que os países desenvolvidos chamariam de ditadura do judiciário…

Saio tão rápido quando consigo (ser 20Kg mais leve ajuda um monte!). O monitor de tubo catódico me liga por Skype ao Ministério e rapidamente consigo, não as 2 mil, mas perto disso – 1.800. Já dá pro gasto. Deixo mais 2 mil pedidas pro mês que vem, quando as campanhas de conscientização do mês deverão estar concluídas, e os relatórios de anomalias reportarem os novos insistentes.

De volta na sala, o Figueira do Universo oficial se pergunta que raio foi tudo aquilo. O que são “insistentes”, e o que as máscaras de bico vermelho fazem. O Figueira do Paralelo sabe, mas teima em achar que eu sei e não precisa me contar. Somos duas pessoas numa cabeça só. Eu, o Figueira do Oficial, de carona.

Resolvida a questão das Dula, volto a agir sobre o outro tema – as reações adversas. Durante a vacinação de 2021, ninguém se preocupou muito com os resultados de médio prazo – longo prazo, nem se fale. Quando começaram a aparecer os primeiros dentões e as peles esverdeadas, os olhos amarelados e os cachorros e gatos da vizinhança começaram a desaparecer, o Ministério se preocupou. Eram coisas simples, no início, e quem tinha as reações não ligava muito. Tinha até quem gostasse – os “mutantes” (ou semi-mutantes) principalmente. Havia uma espécie de euforia, uma alegria de estar vivo, que contaminava os Semisauros, como passaram a ser tecnicamente chamados, que fez com que ninguém quisesse chegar muito perto ou questionar muito sua nova condição. Era o mRNA que havia feito isso. Um ex-presidente havia predito isso e o povo tinha dado muita risada dele. Afinal, como é que uma vacina chinesa, de Oxford ou de um dos mega-laboratórios mundiais poderia fazer de mal? Ainda mais transformar alguém em crocodilo, jacaré, caimã ou coisa que o valha… bestagem desse povo.

Uma vez estabelecida a comunidade dos Semisauros, passou a ser perigoso criticar muito. Assim, em poucos anos, os peles verdes e olhos amarelos começaram a ascender socialmente, por conta do efeito de tribo entre eles. Palhares era um deles, e tinha tido muito sucesso, desde que saíra da condição de veterinário no Zoológico de Curitiba para a exaltada posição de líder do combate aos Insistentes.

E os Insistentes? Gente que se recusou a tomar as vacinas, e foi até o STF pra ganhar o direito de não ser vacinado, contraiu Covid-19, depois Covid-20, depois Covid-21 e assim por diante. Agora, já na Covid-28 (a deste ano e do ano passado atrasaram), eles insistem em não se vacinar. Foram perdendo a capacidade cognitiva e hoje são os cara que fazem os trabalhos mais braçais, pesados e sujos da economia. Quase já não há Insistentes em cargos de direção, Se tornaram os Forest Gump de 2030, só que sem sorte.

Eu? nem sei – não me olhei no espelho pra saber se sou Insistente ou SemiSauro. Passo a mão no pescoço e na testa pra ver se acho algo estranho. Não acho nada. Os dentes continuam de herbívoro. Relaxo, e me pergunto – será que isso é bom?

Palhares entra como uma fúria, de novo, na minha sala e me convoca a ir confrontar uma nova manifestação de Insistentes na frente do prédio. – “Meio dia, quase, por que esses caras insistem em manifestar na hora do almoço? Por que não fazem como todo mundo e manifestam na hora do expediente”?

Eu eu paralelo responde – “Eles tem o que fazer. Tem essa mania de trabalhar, bater ponto… sabe como é… só manifestam na hora do almoço, sábado, domingo… é da natureza deles”. Palhares esfumaça pelos ouvidos… Dá pra sentir a mufa…

Palhares chama a segurança e descemos cercados de oficiais – todos Semisauros, armados. Do lado de fora algo como 100 manifestantes (a mídia vai falar que foram 10, o movimento vai dizer que eram 10 mil… same old…). Cartazes pedem o fim das vacinações: “Cloroquina ampla, geral e irrestrita” e “Fora Dirceu”, pedindo o impeachment do presidente. Outro cartaz diz “Cuidado rapá / o mRNA vai te pegá” (assim mesmo).

Palhares pega o megafone e começa – “dispersar para evitar o uso da força” seguido daquela microfonia irritante de filme americano. A líder (aparente) do movimento berra de volta – “Não vamos usar M3rd4! nenhuma de máscara de nariz vermelho! Ninguém aqui come gato e cachorro de vizinho! Abaixo a vacina!”.

Um dos seguranças, indignado com o tratamento dado aos Semisauros (afinal criticar hábitos alimentares é discriminação!), parte pra agressão e lança um jato de spray de pimenta na tal líder, berrando “obscurantista! fascista!”. O pau come. Os seguranças deixam as armas e partem pro ataque usando o que lhes é mais letal – garras e presas. Os manifestantes recuam. Não há, estranhamente, nenhuma câmera ou microfone de TVs ou qualquer outro veículo. Só os celulares gravam tudo – uns modelos parecidos com PT.550 Motorola, só que com visor melhorado e tecnologia 8G. Os manifestantes recuam depois que um sujeito preto (negro!) tem o braço arrancado por um segurança mais “acrocodilado”. Tem um pouco de sangue na calçada, mas ninguém liga muito, depois de tantos episódios parecidos.

Depois de chamar o SAMU, o manifestante foi atendido, a turba vai se espalhando e cantando palavras de ordem. Voltamos ao escritório. Palhares recomeça a cantilena – “Já falei. Se não forem marcados oficialmente como Insistentes, vão dizer que estão em processo de transformação, e que já tomaram vacina. Como não dá pra dizer que não, já que o governo perdeu o controle dos vacinados, fica nessa… o STF mandou a gente não começar o processo de ressocialização enquanto o sujeito não for marcados oficialmente. O volume de Insistentes tá aumentando… já falei com Brasília… Isso vai acabar virando uma revolta de proporções maiúsculas. Ainda bem que a falta da vacina afeta o QI e essa gente já não tem mais tanta capacidade de mobilização… Mas vai que surja um Enstein Insistente entre eles… corremos o risco de ter uma guerra civil nas mãos… e olha que tudo o que queremos é pro bem deles!. Negacionistas! gente burra! Devia estudar! Não conhecem ciência!”

Fico no meio do caminho, entre a pena dos Insistentes de QI baixo e os Semisauros ferozes mas preocupados com o bem estar geral. É uma situação difícil.

Na TV, de noite, o presidente fala à nação – “Hoje, vimos várias manifestações contra a ciência e pelo obscurantismo. Gente de QI baixo, que se recusou a tomar a vacina, enfrentou as forças da lei, que foram obrigadas a dispersar as manifestações com galhardia, e algumas mordidas“. E chorou, segundo ele, de pena desse povo sofrido, que não entende que a ciência trabalha para seu próprio bem… Chorou, porque afinal, lágrimas são típicas de crocodilos.

Do jeito que fui para em 2030, voltei pra 2021, no meu peso normal (Sic!) e com meu mau humor habitual. Tenho que decidir: tomo ou não tomo a vacina? Se eu tiver visto o futuro, tenho a escolha de virar um Sauro ou me tornar um Burro, Insistente…

Da sala minha mulher avisa – “vamos sair que chamaram a nossa faixa de idade na fila da vacina – e não quero mais nem meio mais – você VAI COMIGO!” berra ela… e eu vou…

Argentina e o Aborto

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Não era minha intenção escrever nada hoje. Não iria tampouco fazer uma retrospectiva de 2020, já que escrevo para mim mesmo e para os meus (amigos, parentes, etc) e não para nenhum grande público. Quem quiser ler, leia, quem quiser malhar, malhe (sem ofensas, mas no raciocínio – afinal é possível discordar de quase qualquer coisa) mas esses escritos são para mim mesmo.

Não posso deixar de comentar para mim mesmo e para minha posteridade sobre o insano ato da Argentina em legalizar o aborto, de forma praticamente irrestrita. Bom, isso é praxe em muitos lugares, e países ditos civilizados matam seus bebês não-nascidos de forma quase indiscriminada. Um massacre e uma hipocrisia sem fim. Em alguns desses países, como a Holanda, Bélgica e Canadá, se você abandonar um cachorro na rua ou maltratar um gato, você vai preso. Mas matar uma criança pode. O “meu corpo, minhas regras” impera – sem que seja dada à criança não-nascida o direito de dizer a mesma coisa.

argentina aborto
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Mas o que me chamou a atenção não foi nada disso. A foto acima é o retrato que quero discutir (comigo mesmo, com quem ler). Veja quem quiser a atitude das mulheres da foto e quem é representado ali. O que me chama a atenção é a alegria incontida dessas militantes. Quase todas sem muita pinta de que gostariam algum dia de ter, nutrir e criar como gente de bem um ser humano que escapasse do cataclisma do aborto. Na era da pílula e dos contraceptivos, será que vale lutar pelo direito de matar inocentes?

Esses são movimentos de esquerda, saudados pelo El País (Espanha) como “Argentina legaliza o aborto e se põe na vanguarda dos direitos sociais na América Latina“. (https://brasil.elpais.com/internacional/2020-12-29/votacao-historica-no-senado-de-projeto-para-legalizar-aborto-na-argentina.html). Vanguarda dos direitos sociais. Pois é… é assim que a mídia trata o assassinato. Bem, para quem aprova o que a mídia atual aprova, isso não é nada estranho.

Como disse a reportagem da Gazeta do Povo, o movimento pró-aborto se traveste de “saúde pública”. Um rolo compressor passou por cima da vontade da maioria dos argentinos (conheço o país pelas trocentas viagens que fiz para lá a serviço) e a mesma narrativa será aplicada aqui no Brasil pelos mesmíssimos mobilizadores.

É com uma tristeza incontida que eu vejo isso. Eu tive 3 filhos, dois dos quais ainda estão comigo, e um está na posse do Senhor Deus. Lutei por 12 anos pela saúde do meu “Piá”, como se diz aqui em Curitiba. Fizemos, minha esposa e eu, o que pudemos, e oramos em família pela cura dele até o dia 04 de Agosto de 2015, quando Deus houve por bem leva-lo. NÃO me conformo que as pessoas tratem a vida de modo tão “light”. NÃO me conformo que as pessoas imaginem que alguém como a foto que encabeça esse artigo, essa vida iniciante, não tenha sentimentos, não sinta dor, não tenha direito a existir. Lutei por algo que alguns já jogaram fora algumas vezes na vida, desprezando numa privada qualquer, numa clínica qualquer. NÃO consigo achar normal. Meu corpo, minhas regras, claro. O corpo do ser dentro de mim, as regras dele.

O triste é ver fila de gente querendo adotar uma criança, e as pessoas desprezando isso. Talvez apelar para a ganância das pessoas desse resultado – quem sabe uma lei permitindo que a mulher que não abortar uma criança tenha o direito de “vende-la”. Parece horrível, e é. Mas do ponto de vista daquele serzinho em formação, será a maior bênção. Será a vida mesma. Ora, melhor que a “parideira” venda a criança e faça uns trocados do que jogar no lixo de uma clínica qualquer algo criado por Deus.

O paradoxal é que diante da possibilidade de escolher livremente – sem pressões ou campanhas de mídia – os argentinos certamente, na minha opinião, haveriam de escolher a vida, e não o aborto. Os brasileiros fariam o mesmo. Ocorre que se trata de agenda de “colonização moral”. Criar um fait accompli, e esperar que a sociedade bovinamente aceite isso. Tudo está indo nesse sentido, na agenda da esquerda – aborto, poligamia, proibição dos pais disciplinarem seus filhos, restrições ou mesmo criminalização de práticas religiosas ou objetos religiosos, escolas com partido, tudo vai na direção de criar uma tremenda onda de maldade que avassalará a sociedade, solapando tudo, como um tsunami de más intenções que, se não detido, gerará o caos que propiciará a um pequeno grupo, uma Nomenklatura, a formação dos novos Politburos, que acabarão com o resto das liberdades individuais.

O grande problema é que nós, cristãos, gente que acorda cedo, trabalha duro, cria empregos, gera riqueza, vai à igreja, paga impostos, respeita contratos, nós, os otários, ficamos calados diante disso tudo, vendo nossos potenciais filhos e netos exterminados no Holomodor, um Shoah de proporções diluvianas, sem que falemos nada. Nem um pio…

Deus permita que tenhamos força de nos expressar, deixando de lado o medo de nos expor, invadir redações de jornais – como profissionais, não na marra – e mudar a sina desse mundo tenebroso.

Kaos e Controle

Maxwell Smart | Get Smart Wiki | Fandom
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Quem tem pelo menos 45 anos lembra bem da figura acima. É o trapalhão Maxwell Smart, do “Agente 86” (em inglês “Get Smart” ou “Fique esperto”). Steve Carell fez um bom trabalho no filme “remake” do pastelão dos anos 60 e 70. Trata-se de um cretino sortudo que por sabe-se lá que meios, se tornou agente de uma rede de espionagem americana à lá Cia, chamada “C.O.N.T.R.O.L.”. Era o auge da guerra fria, e a TV americana fazia piada com a situação. Do outro lado do “Controle” estava a organização (provavelmente da então Alemanha Oriental) chamada “K.A.O.S.”. Outro panaca, o agente Siegfried “Sig”, com planos mirabolantes para destruir o ocidente e implantar um regime ditatorial baseado no “Kaos”.

A quem não viu, recomendo ver, porque é um microcosmo satírico de algo que estamos prestes a viver de novo – talvez não tão engraçado. Estamos diante do ressurgimento de uma contraposição cada vez mais forte do Caos ao Controle.

Tudo está sendo feito no sentido de, desta vez, colocar os espiões não como “invasores” dentro do Ocidente, mas ter aqui gente nascida e criada debaixo da liberdade e padrão de vida ocidental, somente que fervorosos e fieis adeptos de uma ideologia que não conhecem bem mas que nós sabemos o que quer e no que vai dar. As Venezuelas, Cubas e Coreias do Norte da vida não são suficientes para desencorajar esse “amor” por esta causa que está cada dia mais próxima de nós e mais “raivosa”.

Os autores da série de TV tiveram sacadas ótimas com os nomes, pois é disso mesmo que se tratava antes, e se trata agora – Criar o K.A.O.S. a fim de assumir o C.O.N.T.R.O.L…, e do lado do ocidente, manter o C.O.N.T.R.O.L…a fim de evitar o K.A.O.S.. A coisa tá de volta com força total… só que em vez de governos atrás da Cortina de Ferro, temos agentes do K.A.O.S. infiltrados entre nós, trabalhando dia a dia por um caos que lhes beneficie, em última análise. Tudo isso travestido de “amor” e “carinho” pelo ser humano.

Até a palavra Controle assumiu significados novos. No meu tempo moleque, os pais lutavam pra que a gente fosse independente e assumisse o Controle, pra não cair no Caos. Isso significava pôr ordem sobre a própria vida e a busca incessante por fazer o que é certo. Arrumar a cama todo dia e pagar as contas em dia e assumir responsabilidades pelos seus – pais e filhos. Hoje, Controle é palavrão, em muitos meios.

Max Smart tinha um telefone no sapato, um celular fora de época, muito eficiente – mas tinha que tirar do pé, e depois recolocar. Um K.A.O.S.. no Controle. Era uma piada, mas é o que às vezes queremos fazer. Criamos uma situação complicada pra resolver um problema mais simples do que a solução mesma. Hoje fazemos o mesmo: soluções que políticos dão às coisas parecem um celular no sapato. Até funciona – se você estiver disposto a baixar, tirar o sapato, virar uma chave no salto, colocar o ouvido na sola, discar, depois recolocar tudo no lugar e ainda ter que cheirar o próprio chulé.

Fazem parte desse tipo de solução a taxação das grandes fortunas, a CLT, o emaranhado tributário atual, as saidinhas de fim de ano pra presidiários, as ações dos partidos junto ao STF, e mais um caminhão de leis tão bem intencionadas quanto o sapato-telefone do Agente 86. E nós cheirando chulé para falar.

Além das soluções tipo “sapato-telefone”, tem o Caos que é criado propositalmente para dar a falsa sensação de que o “Grande Irmão – Governo” está cuidando de todos. São as soluções que cabem numa frase curta e apelativa, mas cujos resultados são espantosamente ruins e de difícil explicação. Cada frase do tipo “meu corpo, minhas regras“, “viva a redistribuição de renda“, “por uma política de quotas para negros, gays, mulheres, etc“, entre outras, contêm venenos terríveis, de efeitos nocivos, mas não imediatos, sobre a vida de todos nós. Só que pra rebater cada uma dessas frases com racionalidade, gastamos tanto tempo que perdemos a atenção do interlocutor, que prefere a solução simples da frase feita.

Segundo os agentes do K.A.O.S., Controle é ruim, pois que ele no fundo emana de cada um de nós. É o conjunto de nossos controles individuais diários, nas pequenas ações, e é da nossa independência intelectual, financeira e moral que obtemos o Controle que nos leva a precisar menos e menos da burocracia estatal. Não queremos e não devemos nos submeter a governo algum, exceto no sentido de que o governo deva ser empregado e não patrão de todos nós.

Eu quero Controle. Deixe o K.A.O.S. pro Sig…

A idade certa

woman sitting on bed with flying books
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É um mundo muito estranho:

  • Para votar, 16 anos;
  • Para responder por crimes, 18 anos;
  • Para beber, 18 anos;
  • Para trocar de sexo, 13 anos;
  • Para fazer sexo, 14 anos;

É um mundo que dá o direito aos pais de trocarem o sexo dos filhos aos 4 anos de idade e nega aos pais uma boa palmada de amor no bumbum por ter feito algo errado. É um mundo que não permite que um marmanjo de 16 anos seja julgado por ter matado um pai de família, por ser “criança” mas permite que alguém de 12 anos possa começar a tomar hormônios para inibir puberdade.

Pior e mais trágico ainda – neste mundo (que há 30 anos pareceria um episódio de “Twilight Zone”), quem tem menos de 18 anos está proibido de trabalhar, salvo em situações tão específicas que é difícil, quase impossível, conseguir colocação. Pais que são profissionais em certo ofício, como marceneiros, pecuaristas, açougueiros ou outras profissões, estão literalmente impedidos de ensinar aos filhos o seu ofício. O que até 50 anos atrás era basicamente a regra, hoje não existe mais, quase que nem como exceção.

É de uma tristeza abjeta viver neste mundo. A Greta é exaltada por matar aula para supostamente “salvar o planeta” (mesmo sem saber bem o que está fazendo, e falando através de ventríloquos), viaja o mundo cercada de câmeras e exaltação ao seu “trabalho”. O Joãozinho, porém, teve o pai com sérios problemas com o juizado da infância e juventude porque o filho ajuda na lojinha da família depois das aulas.

A inversão dos valores originais, civilizacionais, como o trabalho, honestidade, adiamento de recompensas, honra aos pais, responsabilização pelos próprios atos e coisas do estilo, está tão entranhada na nossa sociedade que já achamos estranho ver uma criança atendendo no balcão da farmácia da família (coisa que na minha família era considerada honra para os pais, que os clientes vissem um filho ou filha tão responsável…).

Onde mais nossa ignorância da realidade da vida vai nos levar? Para onde uma geração fraca e “mimizenta” vai conduzir o mundo? Que estofo moral os nossos jovens terão, quando convocados a repelir o próximo Hitler, o próximo Stalin ou Mao?

São boas perguntas, e que certamente vão me dar muita dor de cabeça, muitos dislikes e muito xingamento. Que comece o jogo…

Novas Aspirações da Eleição

Lançamento de Candidatura - Sympla

Tive a oportunidade de, pela primeira vez na vida, ver um candidato a vereado em que votei (candidata, na verdade) ser eleito. Mais do que isso, eleito em primeiro lugar num colégio eleitoral disputado como é Curitiba. Eu jamais poderia acreditar que a performance da candidata fosse ser tão boa. O partido, o Novo, a quem eu sou filiado, teve na Indiara a melhor performance do país. Fico feliz.

Fico também indignado quando as mídias sociais colocam o Novo como “nova esquerda”. Só pode ser má fé intelectual ou burrice mesmo. O Novo é liberal na economia. É menos conservador nos costumes do que eu gostaria, mas ok, faz parte, e não se pode ter tudo. Principalmente, seu ex-presidente, João Amoedo, hoje me chateia bastante por ter se tornado um crítico-pela-crítica do governo federal, em contraposição pela maior figura do partido, na minha opinião, o Marcel Van Hattem do RS. Esse sim, digno do meu aplauso (até agora).

Minha candidata, agora vereadora-eleita, é uma colega de profissão (auditora), e uma pessoa com a quem tive algumas interações profissionais ao longo dos anos. Pensem numa chata-de-galocha… Eu e ela, em lados opostos da mesa, discutindo aspectos técnicos de uma avaliação feita para cliente. O pau quebrando, ela querendo focar no ponto de vista dela, e eu no meu. Dois bicudos de marca maior… uma coisa engraçadíssima!

Bom, essa moça, profissional de uma das áreas mais cri-cris do mundo, é agora nossa representante na Câmara de Vereadores de Curitiba. Tenho certeza que é o início de uma carreira política (como eleita) brilhante. Digo isso por conta das minhas experiências profissionais com ela. A profissão nos exige independência, atenção aos detalhes e um amor meio que desmedido pelo que chamamos de “ceticismo saudável”. São características importantes para um vereador, cuja tarefa, mais do que dar nome a rua, deveria ser de fiscalizar os atos do executivo municipal. Pois bem, Rafael Greca que fique esperto, pois não espero da Indiara Barbosa menos do que o que ela é, no contexto profissional – tinhosa, metódica e atenta a detalhes.

Espero e peço a Deus que ela saiba dosar a necessidade de fiscalização com o bom senso. Sim, porque atitudes mais “carbonárias” podem tão somente inviabilizar um mandato, pois que sabemos todos que a quantidade de lixo a ser varrida de debaixo do tapete oficial-municipal não deve ser pequena. Que Deus dê sabedoria para enfrentar os “de sempre” com um sorriso nos lábios, mas que, na necessidade, tenha a força e a coragem de denunciar sem medo qualquer ato menor, praticado por quem quer que seja.

Ninguém te elegeu, Indi, para ter direito a fazer “pedidinhos” ou “contrapartidas”. Não foi pra isso que te ajudamos a ir para o legislativo! Foi justamente para recusar qualquer “favorzinho” que alguém (eu inclusive) possa te pedir.

Vamos te cobrar, assim como esperamos que você cobre do executivo e de seus pares. Vamos te olhar com os mesmos olhos que você pretende olhar as contas públicas. Sabemos da sua qualidade pessoal e profissional. Estamos felizes agora, e tenho certeza de que estaremos felizes daqui há 4 (ou 2) anos.

Professores, Língua e Liberdade

woman standing in front of children
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Sou filho de um professor de Português e de uma professora de matemática. Nasci e cresci em um ambiente acadêmico, portanto, tendo sido apresentado às letras e números desde muito cedo (minha mãe diz que eu falei muito cedo e que li muito antes de entrar no jardim de infância… coisas de mãe coruja…). Pra mim, avaliar a possibilidade de não saber ler ou contar é algo muito difícil. Só consigo avaliar isso através de pessoas que não sabiam, até certo tempo, e aprenderam – tiveram portanto, tempo de vida que lhes permitiu avaliar a falta que letras e números fazem…

Hoje, dia do professor, somos uma nação que resolveu fazer do ensino uma piada de mau gosto, e do professor um instrumento de luta ideológica. Deixamos de lado o significado das coisas e o exercício mental, a disciplina de aprender algo (aprender custa e cansa) para enfiarmos na cabeça de nossas crianças somente coisas que convêm a um segmento político ou outro, interessados numa massa de manobra para fins específicos de mantê-los nesse poder.

Estamos cansados de ver posts de professores apanhando de alunos, de execração de Paulo Freire, de alunos quebrando salas de aula… tudo isso satura e acaba por nos dessensibilizar para a realidade mais triste. O aprendizado mesmo.

Professores

Agradeço a Deus os professores que tive, e os pais que além de pais, foram mestres. Agradeço pela sinceridade com que ensinavam, e o interesse total em que aprendêssemos. Agradeço, em suma, pela paciência infinita com que ensinavam a todos, retirando desníveis ao longo do ano letivo, fazendo-nos chegar a um bom porto, ao final dele, com todos sabendo o mínimo necessário para “passar de ano” por méritos próprios, e “repetindo” os que não tiveram tal mérito, sem ofende-los, diminui-los, mas fazendo-os reconhecer que falharam.

Agradeço a Deus por ter me dado um mínimo de capacidade de aprender a aprender, a a me ensinar coisas que doutra forma me levariam a continuar a errar nos mesmos lugares ainda hoje. Arrogância devidamente domesticada, interesse pela leitura maximizado, interesse por coisas novas sempre alto, interesse por detalhes cada vez maior, sigo tentando ser melhor, para meu Deus e para meu próximo, lembrando lá de trás, de Tia Ângela, Tia Madalena, Tia Guilhermina, Tia Solange (in memorian), e tantas outras “tias e tios” (as “profe” daqui de Curitiba) que me ensinaram a pensar.

Aos pais-professores, Ivanir e Ruth, cujo amor ao ensino os levou aos estertores, lutando dia e noite por uma educação melhor e mais universal, sem meias verdades, sem aprovações automáticas, sem “medalhas de participação”, cultivando a disciplina e o mérito, sem varrer a incompetência para baixo do tapete oficial, nem se curvarem ante modismos que pouco a pouco acabaram se tornando a educação que vemos hoje – ou a falta dela.

Tias professoras, Dalva, Marly, Chirley, Neide, gente que dedicou toda uma vida a pegar na mãozinha de crianças de 4, 5, 6 anos, ensinando as primeiras letras com uma paciência de Jó.

Creio que ver profissionais, médicos, professores, advogados, engenheiros, contadores, fazendo a diferença no mundo deve ser boa recompensa por tanto amor ao ofício.

Não custa, porém, lembrar que o sacerdócio de professor precisa ser recolocado no pedestal que merece, longe do alcance dos políticos e dos “dominadores do idioma”.

Língua e Significado

Aldous Huxley já falava que “O progresso científico e técnico depende do hábito empírico do raciocínio, que não pode sobreviver numa sociedade estritamente regimentada.“. A ideia de educação, como me foi passada, estava fundamentada na “capacidade de aprender”. Minha escola pública, hoje tão depredada e desprezada, me ensinou a “aprender a aprender”. Quando fui para a universidade, eu já sabia que estava virtualmente sozinho nessa guerra interna da “Ordo ab Chao”. Era minha responsabilidade – que eu havia a duras penas aprendido de meus primeiros mestres – a aprender. E por ter aprendido a aprender, me tornava cada vez menos dependente de alguém que me dissesse o que era certo e errado. Isso me tornou, à uma, arrogante, e à outra, independente (na cabeça). Arrogante porque aprendi a discernir coisas mais cedo do que a maioria, e por isso mesmo, imaturo suficiente para não saber quando calar, quando esperar para responder, ouvir mais. É uma característica difícil de domar e que habita alguns espíritos mais espertos do que sábios. Independente porque não ligava tanto para o que pensavam de mim, o que reforçava, por outro lado, a ideia de que era arrogante. Em síntese, um caos sobre o qual colocar ordem foi muito difícil.

A língua, porém, foi o trampolim para essa capacidade de aprender a aprender. Foi por ler e entender o que lia que eu ia conseguindo interpretar o que estava diante de mim, dando tempo para ruminar o que entendia, e a formar conceitos a partir daí. Minha grande forma de entender o mundo sempre foi a palavra escrita, a despeito dos meus pendores matemáticos. Números sempre fui capaz de manipular com alguma destreza, mas eram símbolos que não falavam ao meu coração. Música (escrita) também nunca entrou no meu coração como no da minha esposa, Aline, por exemplo – sei onde é o fá, o sol, o mi, sei o que é um sustenido, um bemol, sei o que é um compasso, uma clave, uma pausa, mas nada disso “fala no meu coração” como a própria música. Pura preguiça de aprender essas duas línguas como deveria – matemática e música.

Língua sempre foi a palavra. E percebo que o domínio sobre a palavra escrita é liberdade. E aí é que mora o perigo da sociedade atual

Letra Cursiva e Domínio do Conceito

Ouvi de um amigo querido, executivo da área de educação, que achava que ensinar a criança a escrever à mão havia se tornado desnecessário. Dar um teclado e ensinar a digitar era suficiente.

Num mundo sob perpétua ameaça de crise de energia, confiar exclusivamente na capacidade de teclar, sem máquinas totalmente mecânicas, manuais, me parece burrice, retruquei.

O fato é que confiamos tanto na tecnologia da informação que esquecemos que todo o conhecimento está sendo confinado em “conventos digitais” os quais podem-nos ser fechados para sempre pela simples falta de corrente elétrica ou manutenção; ferrugem e infiltrações correm o risco de acabar com a civilização mais cedo do que uma guerra atômica.

Enquanto a eutanásia cultural coletiva não vem, assistimos diante de nós, impassivos, à destruição do significado.

Destruição do Significado

Já que não consigo matar de fome, mato empanturrando… Num tempo em que a quantidade de conhecimento acumulada cresce exponencialmente, nossa capacidade de participar desse banquete intelectual de forma controlada e civilizada decai a olhos vistos. Já não conseguimos saber os limites do que é correto, e estamos diante de uma campanha para nos soterrar de informações, úteis e inúteis, e todas, por fim, inúteis, por não sabermos mais a distinção entre elas.

Some-se a isso o fato de que as palavras estão tendo dois destinos: a perda do significado original e a criação de interpretações ofensivas por parte de qualquer um que se sinta ferido por algo que, creio, muitas vezes não sabe sequer interpretar.

Um grande amigo me dizia que chamou um colega de trabalho de “Apedêuta”, ao que o amigo lhe agradeceu muito o “elogio”. Fantástico! Da mesma forma, ao chamar o amigo de “Negão” (o que o cara é, porque enorme, com 1,90m e pele chocolate escuro) soa ofensivo a alguns (no caso, não ao destinatário do carinhoso apelido). Eu posso agradecer por ser incapaz de aprender algo, e ficar extremamente irritado porque alguém chamou um amigo negro de “negão”.

A candidata a juíza da Suprema Corte americana, Amy Coney Barrett, católica, 7 filhos, carreira brilhante, teve que se desculpar por ter usado a expressão “Opção Sexual” para se referir à homossexuais. Deputados de oposição ao governo que a nomeia disseram que a expressão é “homofóbica” e que ela deveria pedir desculpas à comunidade LGBTQ (!). Em dias de patrulha linguística, a liberdade de dizer que entende que existem opções sexuais é um pecado mortal. Ora, pensar se torna um pecado mortal em uma sociedade como a nossa.

A língua é o veículo de escravização mais efetivo que existe hoje, na minha opinião. Na verdade, uma linguagem patrulhada e tornada objeto de apenas alguns tipos de manifestação, tornam a sociedade muito menos capaz de pensar e ter independência. No fundo, se você controla a linguagem, controla a sociedade – como alguém já disse em algum canto, que não me lembro.

Que sigamos pensando, bem ou mal… afinal, como dizia Millôr Fernandes no Pasquim, “Livre pensar é só pensar“…

Poder, Dossiês… e o povo

Acordei já tentando ver matérias nos grandes veículos sobre a decisão de ontem, 25 de Agosto de 2020, do STF . Votaram a favor os notórios Levandowski e Gilmar Mendes, contra os “morde-e-assopra” Carmen Lúcia e Fachin, sem o voto do “decano” Celso de Melo, que não votou por estar afastado por doença. Acabou prevalecendo o entendimento de que “in dubio pro reu”. Não foi fácil achar. Nenhum veículo mostrou em primeira página (digital), e achei via Google, no G1, numa sub-matéria relativamente factual, e que não revela a imensidão e profundidade do caso, e o que ele pode gerar de repercussões, creio eu.

A decisão de considerar Moro como tendo sido “parcial”, diante de um doleiro sabida e confessadamente criminoso, não tem uma repercussão grande, pois o caso em pauta – Escândalo do Banestado – já tem quase 30 anos, e já “perdeu pressão” junto à imprensa.

O que me dá nos nervos e me leva a escrever é que, com essa decisão, a imprensa militante e os partidos de esquerda podem alardear que “Moro foi julgado parcial” (isso sim em manchetes em letras garrafais), o que vai abrir caminho, como parece ser a intenção, para anulação de condenações de Lula, fazendo com que o criminoso de 9 dedos se habilite novamente a se candidatar à presidência, único refúgio que ele tem para tentar salvar uma biografia que só pode ser salva a golpes de machado histórico (usando aqueles historiadores amigos, do tipo que apagam figuras importantes de fotos de Lênin, reescrevem longos episódios da vida de alguns países, inventam narrativas bacaninhas pra “acertar” a pose de governantes corruptos, etc).

De novo, é o mesmo ciclo de “poder-dossiê-e-o-povo-se-ferrar” – um poderoso faz algo, alguém tem um dossiê qualquer, escrito ou não, alguém “know what you did last summer” (sabe o que você fez no verão passado, como no filme), e por aí vai. A ciranda vai e vem, entre o STF, o Senado, grandes empresas que vivem à sombra de Brasília, e vamos de péssima decisão em péssima decisão, sendo vítimas de um conjunto de resultados truncados, que vão matando o país aos poucos, seja num governo de esquerda ou de direita.

Qualquer que seja o viés político do executivo de plantão, a ciranda-cirandinha de baixo e dos lados é a mesma – um grande número de empregados públicos, cada vez mais cheios de si, de seus direitos, de suas prerrogativas (obviamente nisso aí tem sempre o pobre funcionário que trabalha um monte e não é reconhecido – normalmente por não ter tempo de puxar o saco de ninguém)… De outro uma classe política que ao longo dos anos conseguiu criar bastiões de poder chamados partidos, cujas finanças são de ouro, e blindadas a qualquer auditoria. Essa classe faz subir ao poder dois caras, no Senado e na Câmara, sempre afinados com os interesses de baixo pra cima (da esfera pública), que, uma vez eleitos, querem se perpetuar lá (mesmo que inconstitucionalmente). Esses caras então detém a possibilidade de simplesmente “não votar” algo, por mais pressão popular, os de pares, que exista, se isso representar quebra da unidade deste poder sobre tudo.

Em última “instância”, o STF, composto por 11 sujeitos de capacidade duvidosa (hoje – no passado foi bem diferente) e interesses que são acossados a todo momento, com lembretes, dossiês, informações sutis ou não, de sua vulnerabilidade, por conta de seu passado político, seus institutos, suas ligações com escritórios de advocacia poderosos, e por aí vai.

O STF, esse da 2a. turma de ontem, inatingível, nos deixa a todos perplexos a cada momento, dois passos à frente de todo mundo, dando hoje decisões que parecem sem pé nem cabeça, mas que poderão embasar a “jurisprudência” para no futuro, chegarem aos resultados pretendidos, que a população, hoje, não consegue enxergar.

Francamente, como democrata, me recuso a apoiar golpes de qualquer natureza, mas não creio que estejamos numa democracia funcional. Com tudo isso que estamos assistindo, por parte do STF (inquéritos inconstitucionais, decisões “sombrias”, sumiços de ministros e reaparecimentos fugazes e pouco elogiosos, etc), por parte das presidências das casas legislativas, por parte de uma elite funcional encastelada, e tudo isso diante de um executivo isolado, politicamente restringido por decisões das próprias cortes supremas, e fustigado por uma imprensa que tem a capacidade de forjar situações para gravar cenas destemperadas do chefe do executivo, talvez eu tenha, forçosamente, que começar a entender por que alguns se rendam à possibilidade de uma ruptura institucional liderada pelas forças armadas.

Deus não há de permitir. Espero e oro que alguns desses caras sejam mandados para o além, sem violência, mas por Providência; outros sejam impedidos, também divinamente, de continuar a causar mal à nação. É pedir demais, eu sei. Afinal, Deus nos deu o livre arbítrio… e consequências. Mas não custa orar por um milagre mais radical…

Que relevância tem o povo?

Antigamente, sempre que alguém ouvia algo que não lhe agradava (no Rio, pelo menos) tinha uma frase padrão para responder: “meu ouvido não é penico”… que sintetizava o que achava o ouvinte sobre os comentários que lhe adentravam o pavilhão auricular…

Pois bem, creio que estamos ficando acostumados a sermos latrinas auditivas de nossas autoridades, de todos os matizes. O rigor das opiniões não mais existe, e o que se disse ontem é cada vez menos levado em consideração. O sujeito não apenas muda de opinião como fica zangado se lhe pregamos na cara o que havia dito antes. Afinal, seu deputado federal presidente da câmara, por que raios você agora acha que pode ter um outro mandato, contra o regimento da casa que você comanda? Quem te deu o direito?

Outros falam pelos cotovelos coisas que sequer acho que pesaram antes. A fala do ministro do STF, que candidamente e solenemente abalroou a própria Carta Magna, que ele mesmo deveria ser guardião, dizendo que, na prática, “todo poder emana do Supremo“, e não do povo, e será usado contra esse mesmo povo. Que vergonha, que papelão. Antes não tínhamos memória, como povo: o que ocorria há 4, 5 anos, já estava sepultado e não tinha mais quem recordasse. Agora, bastam 2 semanas.

“Toda tirania deve ser afastada, inclusive a tirania da maioria que elege o Executivo e o Congresso

Suposto guardião da Constituição

As pessoas sabem de tudo, ou ouviram de tudo um pouquinho, mas não se dão ao trabalho de examinar nada. O ritmo de recebimento e registro da informação é tão alto que a pessoa não medita mais sobre nada (aliás, eu, leitor da Bíblia, sinto isso no meu dia a dia – o que antes era motivo de 1, 2 horas de leitura de uns poucos versículos e muito tempo de meditação, virou 5, 10 minutos de um vapt-vupt que não deixa rastros na memória. Que vergonha…)

O povo já não tem relevância porque o povo está incapacitado para lembrar. Os políticos sabem que podem falar, e depois “desfalar”, porque sabem que, no fundo, é mais fácil hoje do que em qualquer outro momento da história humana se desdizer impunemente.

O povo não tem mais relevância porque não pega em armas, porque essas lhe foram tiradas? Quem poderia advogar a revolta popular, e a morte por uma guerra civil? Ninguém quer isso, claro. Mas na raiz de toda guerra civil existe, pelo menos, uma forte de lembrança do que está levando o povo a lutar.

Em tempos de Covid, com todo mundo em casa, eu mesmo tenho me dado ao trabalho de ler mais e tentar refletir mais sobre as coisas, aprofundando o que sei, e completando o que não sei com o conhecimento alheio. Checando fontes, perguntando a quem já viu ou já viveu, eu vou daqui dando meus pitacos sobre os temas que, como já disse, me interessam. Não trato de nada para agradar audiência, e nem sei se tenho audiência, mas não me importa. É um registro, pros meus amados (filhos, amigos) do que pensei e penso.

Assim, penso que o povo não tem mais relevância nenhuma mesmo. Vamos votar daqui há pouco, e novamente, por falta de capacidade de reflexão, vamos eleger um monte de ficha suja, de bandido, de gente que atenta contra a moral e a ética. Cristãos provavelmente vão eleger políticos de partidos que têm o fim da família como parte do compromisso formal, que creem que religião é “ópio do povo”.

Perderemos totalmente a relevância, por fim, quando sequer formos consultados, em urnas ou fora delas. Aliás, como quer o tal super-ministro, guardião da constituição cidadã de 1988, o povo é um tirano de seus governantes, e isso não tem o menor cabimento… quem manda é a burocracia!

Abaixo as Estátuas e o Cristianismo sob Fogo

Jesus Christ wall decor
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Sou cristão. Se algum tipo de restrição ou perseguição ao cristianismo aparecer, não duro 5 minutos antes da “cana” chegar aqui em casa e sumir comigo… Confesso que não saberia dizer por que eu seria levado por esta crença, mas ok… os primeiros cristãos também não sabiam.

Saulo de Tarso, jogado do cavalo abaixo por um Jesus Cristo perseguido por ele, não teve livre arbítrio diante do Livre Arbítrio de Deus – “tu vai falar de mim e da minha mensagem, e não tem conversa… tu vai ver o que é bom pra tosse, sua mala“… (Parafraseando Atos 9:5, e outros textos, em “weslês”). Eu tive escolha, tive livre arbítrio. Deus não me jogou de cavalo embaixo pra me motivar a servi-Lo… eu decidi – mas depois… ah, depois eu fui jogado de cavalo abaixo muitas vezes, e todas por culpa minha. Mas no fundo, ser cristão não parece ser uma opção, depois que se é; deixar de sê-lo, não é possível ao converso…

A “sociedade” (ainda uma minoria mais à sinistra, mas mudando rápido) decidiu que ser cristão é algo ruim. Se você acredita em Deus, acha que a Bíblia é Sua Palavra, ama sua família, não acha que roubar é legal, acha que temos que dar exemplo de trabalho e serviço ao outro, bom, você está marcado. Se você acha que assassinar criança na barriga da mãe é ruim, xiii…. se lascou. Se você acha que menino é menino e menina é menina (se veste rosa, azul ou roxo, pouco importa), você está a ponto de ser tornado criminoso. Mais ainda, se você acha que professor tem que ensinar e aluno calar a boca e estudar, está marcado. Mudar a natureza mesma das coisas virou moda. Mas isso já estava previsto.

Julgou o agora Apóstolo Paulo que “contra isso aí, não tem lei“, ou seja, ninguém seria idiota suficiente em encontrar uma forma de tornar isso ilegal. Mas isso já não é mais verdade. Entra em cena outra “profecia” (quase) lá de 400 anos antes de Cristo:

Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo! 

Isaias 5:20

Já sobre ações “do bem” e sua natureza, um outro texto da Palavra é ilustrativo sobre o que os cristãos devem pensar, fazer e considerar:

Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade (paciência), benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança (domínio próprio). Contra essas coisas não há lei. (Gálatas 5:22 e 23).

Gálatas 5:22 e 23

Meu corpo, minhas regras“, esbraveja a militante. Ok, perfeito. Quem falará isso pela menina que está na sua barriga e não teve sequer o direito de respirar ainda?

Existem vários sexos, e não só dois biológicos; tudo isso é uma construção social“. Maravilha. conte isso pros cromossomos que estão dentro de cada um de nós (eu não os coloquei lá e não sei como modifica-los). Tem biólogo evolucionista ateu dando mais razão aos “crentes” do que aos ativistas da identidade de gênero. Um deles escreveu recentemente no Quillette:

Foi também durante esse período que comecei a me interessar pelo que muitos agora chamam de “ideologia de gênero”. Essa ideologia não apenas convida a um tratamento compassivo para indivíduos trans (que eu apoio), mas também promove as alegações cientificamente imprecisas de que o sexo biológico existe em um “espectro” contínuo, de que as noções de homem e mulher podem ser meras construções sociais e que o sexo de alguém pode ser determinado pela “identidade” autodeclarada em vez da anatomia reprodutiva. Quando recuei contra essas alegações, fui manchado como um fanático transfóbico. Temendo danos profissionais, parei de me envolver, cedendo o campo àqueles que defendem ficções da moda.” (Colin Wright, in https://quillette.com/2020/07/30/think-cancel-culture-doesnt-exist-my-own-lived-experience-says-otherwise/)

Como cristão quero fazer o que é certo, segundo a Bíblia. Quero viver em paz com o próximo e amá-lo (embora mesmo Cristo tenha dito que a gente deve viver em paz com os outros “de depender de nós”, reconhecendo que tem vezes que não dá…); quero pagar minhas contas em dia, quero tratar meus colegas de trabalho com justiça e retidão; quero fazer aos meus clientes, se possível, um pouquinho mais do que me pediram (e pagaram para isso) – quero “caminhar a segunda milha”. Quero, enfim, poder me defender se atacado, sem ser considerado os fascista.

O nível de mudança de “bem em mal” e “mal em bem” alcançou proporções que, quem as olha de fora, juraria que vivemos num hospício. Meu filho Thomas ontem citou de cabeça (ele adora esse tipo de frase!) o que George Orwell escreveu no seu clássico, 1984, e que embasa bastante bem os tempos que vivemos:

“Todos os registros foram destruídos ou falsificados, todos os livros reescritos, todas as pinturas foram repintadas, todas as estátuas e prédios renomeados, todas as datas públicas foram alteradas”.

George Orwell in 1984

Bom, as estátuas estão sendo mesmo é derrubadas, não renomeadas; a escola General Fulano agora é Companheiro Sicrano… Dia dos pais agora é dia de quem se diz pai…

Na boa, chegou o dia – bem é mal e mal é bem… liberdade de expressão virou “fake news” (quem vigia os vigilantes?).

E eu corro o risco de ir mais cedo do que mais tarde pra alguma masmorra para ser “reeducado” e aprender duplipensar e novilíngua…