A minha graça te Basta (II Coríntios 12:9)

“Mas ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas minhas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.” (2 Co 12:9, ARA)

Confesso minha extrema dificuldade em entender o versículo acima. Principalmente na parte que trata do “poder de Deus se aperfeiçoar na fraqueza”.

Recorri ao Claude (IA) que me fez um resumo das principais exegeses do texto. O Claude é realmente uma ferramenta poderosa, se usada da forma correta: para pesquisar, e não para pensar; para organizar, e não para ser usado como plágio. Claude é a antiga secretária executiva, eficiente, discreta e essencial no dia a dia.

Assim como as planilhas de papel escritas a mão dos meus tempos iniciais em auditoria, substituídas pelas planilhas eletrônicas, a IA é apenas um passo a mais, de forma geral. Não pode substituir nosso cérebro na medição de consequências, assunção de responsabilidades ou efetivo entendimento de algo.

Assim foi para mim agora, e me fez pensar com mais calma e profundidade sobre esse “gloriar-se nas fraquezas” de que trata o Apóstolo Paulo.

A Minha Graça te Basta

Essa parte quase todo mundo adora, e aceita. Ora, a Graça, como Lutero sustentou, é, sozinha, razão da salvação. Sola Gratia, dizia ele, e até hoje creio, e cremos, muitos de nós, assim. Aliás, o próprio catolicismo “raiz” (não popular ou bastardizado) concorda perfeitamente que só há salvação em Jesus, e pela Sua Graça.

Portanto, não é esse o ponto que me traz problemas. É o poder de Deus se aperfeiçoar na minha e na sua fraquezas.

Poder de Deus se aperfeiçoa?

Em Deus não há sombra de mudança, como está escrito em Tiago 1:17b. Ora, Deus não muda; então por que Deus fala a Paulo que o poder dEle se aperfeiçoa na nossa fraqueza? Minha leitura era a de que Deus tomava proveito das minhas fraquezas e com isso se tornava mais perfeito.

Que bobagem. Na verdade, a explicação mais coerente que ouvi foi dada por Steven Davy, que faz a seguinte exegese do assunto:

“Quando eu sou fraco, acabo abrindo espaço para Deus; ao abrir espaço para Deus eu deixo que ele aperfeiçoe, não a si mesmo, mas a mim; o poder dEle age em mim, e ele, por esta via, se manifesta de forma mais poderosa”.

Tendo a crer dessa forma. Eu, de posse do que melhor tenho para agir e tomar decisões, corro sempre o risco de não dar espaço para Deus ser Deus, e agir. Eu vejo isso toda vez que me encontro à cavaleiro de uma determinada situação; ora, já vivi isso dezenas de vezes, e sei perfeitamente como agir para resolver o assunto. Caio do cavalo quase sempre que ajo assim, sem dar espaço para Deus agir. Por quê? Ora, porque cada situação traz em si um toque diferente, uma sutileza que não vemos, um interlocutor que reage diferente, fatores externos que mudam, enfim, um sem-número de situações sobre as quais não tenho o menor controle. É meio estoico, parece, mas é o que é: Deus é o único que conhece todos os futuros possíveis, e que sabe exatamente o que funciona em cada situação. E no fundo é melhor seguir a máxima estoica: “preocupe-se com o que você pode mudar; e deixe o resto, porque não adianta mesmo”.

A Origem do Problema: O Espinho na Carne

Tudo isso aí porque Deus não retirou um tal espinho na carne, mensageiro de satanás, para esbofetear o apóstolo. Orou, e orou, e Deus não fez nada, e disse isso: “a minha graça te basta”. Não vou retirar o seu incômodo. Você vai ter que passar por isso; só que não sozinho. Eu vou junto, porque a minha graça será suficiente.

Na minha vida tem sido uma experiência meio que constante, e frustrante, o fato de que Deus muitas vezes se recusa a responder algumas coisas do jeito que eu quero. Ora, por que não foi feito isso, se para Deus era algo tão simples? (acaso existe algo difícil para Deus? Ele mesmo disse…).  Essa recusa é realmente frustrante, e já fez muita gente desistir de Deus, ou julgar que no fundo nem sabe se Ele existe. É a velha pergunta do “Onde está o teu Deus”? Até locutor de futebol americano usa o bordão como forma de brincadeira com jogadores tackleados atrás da linha de scrimmage…

Vou vivendo, em Deus

Família, amigos e gente muito chegada tem, recentemente, se afastando um tanto da Fé. Alguns que já comungaram comigo orações, dores e milagres já não respondem a Deus da mesma forma, e O chamam de “O Deus de vocês”, e nos chamam de “Vocês Cristãos”. É de doer na alma, mas pode ser que seja um vale de sombra e de morte da pessoa, do qual ela precisará sair, ou não.

Pode ser apostasia da fé, pode ser apenas um sentimento de autosuficiencia que vem e vai em algumas pessoas. Pode ser apenas arrogância intelectual de quem acha que pode não apenas explicar Deus, mas brincar com outras “divindades” que parece ter descoberto ao longo da caminhada. Não vou tentar adivinhar, nem deixarei de amar essas pessoas. Não consigo.

Eu e a minha casa (se é que hoje posso dizer como se dizia no passado) serviremos ao Senhor. E cá entre nós, não aceito, mas entendo que muita gente se bandeie para um lado mais fácil de viver, uma porta mais larga de se entrar, um caminho menos pedregoso de caminhar. Nunca vivenciei a vida em Cristo como sendo algo fácil. Sempre foi complexo.

Meus momentos de maior dor e assombro diante da maldade humana nunca foram respondidos por Deus de outra forma, além dessa mesma, que Paulo ouviu: “minha graça te basta”. Não sei se eu preciso de outra resposta. O certo é que, quando Deus “cisma” (desculpem o antropomorfismo) com alguns caminhos, o máximo que eu posso dizer é: tá bom; abro espaço aqui na minha fraqueza para que o Seu poder se aperfeiçoe em mim”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *