O Brasil amanhece menos justo

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Ontem de noite, depois da ridícula decisão do TSE de cassar o mandato do Dep. Deltan Dallagnol, me vi numa espécie de depressão, incapaz que sou tanto de entender qualquer senso de justiça nisso, quanto de compreender como é que um país descamba tão rapidamente para um autoritarismo judiciário-executivo em cinco meses apenas, de forma tão drástica e maléfica.

Aos meus amigos (e parentes) que fizeram “L” e votaram no “Glorioso” Nine-Fingers, confesso que tenho dificuldade em entendê-los. E cada vez mais dificuldade ainda de perdoá-los, pela irracionalidade e inconsequência – comigo, com o país, e com seus próprios descendentes.

Ontem, depois da decisão do TSE, que não tem nem base fática nem jurídica alguma, li e ouvi algumas pérolas, exaradas das bocas mais sujas e covardes do país.

O Ministro da “Justiça” tem a ousadia e o escárnio de usar, para além da maldade óbvia de quem ocupa um cargo público e deveria servir ao público, de um verso bíblico – alusão clara à fé do deputado cassado:

É… está em Mateus 5:6 mesmo. No Sermão do Monte. Mas não se iluda, Dino. Lá também está escrito:

“…bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa.”

Mat. 5:11

“Se, pelo nome de Cristo, sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória de Deus. “

1Pe 4:14

Dallagnol é um servo de Deus. Sei disso, conheço isso. Conquistou uma vitória importante para a justiça brasileira e demonstrou à população que a justiça sempre prevalece.

Não se iluda, Ministros, não se iludam, Ministros. Satanás também ousou usar a bíblia para tentar e chantagear o próprio Filho de Deus. Não conseguiu. Parecia ter conseguido, quando, na Cruz, Ele foi morto.

Ocorre que a vitória final é sempre do Bem, sempre de Deus. Não tenho dúvida de que esse jogo pode demorar, mas no final, os verdadeiros “fichas sujas” (como ousou chamar Dallagnol o “magnífico” Renan Calheiros) serão extirpados da vida nacional.

Costumo dizer que diante de cada um de nós existe um muro, chamado Morte. Ninguém sabe a quantos quilômetros, metros ou centímetros está o Muro. O fato é que, ao bater no Muro, a vida aqui acaba, e todos, sem exceção, vamos dar contas a quem ousamos vituperar usando as próprias Escrituras para tripudiar do outro. O Ministro e todos os Ministros, todos os Nine e os Zé deste mundo baterão no Muro. Aqui poder-se-á chorar por alguns deles – até ladrão tem amigo – mas lá, onde não há mais tempo nem ilegalidades, nem Ministros Amigos, o papo é outro. Eu, se fosse esses senhores, pensaria um pouco nisso. Viver com a certeza de que tudo acaba (parece que essa gente se acha eterna) é um bom antídoto contra atitudes insolentes e más, como temos visto.

A escalada autoritária no Brasil está apenas começando. Não tenho dúvidas de que a máxima marxista, de que o comunismo é “inevitável” é verdadeira, em determinada medida. A Bíblia diz que o “mundo jaz no maligno” (I João 5:19).

Como cristão espero que essa gente tenha um verdadeiro encontro com Deus, entenda sua pequenez e maldade, e se arrependa de sua multidão de pecados. Esperança nisso? Tenho pouca. Mas não me custa orar para que, se não se arrependerem, pelo menos sejam cerceados em suas malvadezas e deixem uma nação linda, inteira, viver em paz.

Da Suécia, com Amor

Eu escrevi em um post de 2020 (Limites da Democracia) o seguinte:

Não se trata de ser contra o isolamento, ou ser contra o lockdown. Nada disso. Trata-se apenas e tão somente de saber que limites existem. A questão fundamental é que evitar lockdown é apenas uma forma de manter a constituição, enquanto esta não for mudada. Infelizmente estamos fazendo, todos, parte de um grande experimento social, que pode até não “visar” eliminar liberdades, mas certamente dão a pista de como a sociedade vai responder em caso de uma ameaça real às liberdades individuais.

A Suécia disse algo mais ou menos parecido, para justificar o fato de que não iria colocar todo mundo trancado em casa, preferindo apelar para o bom senso da população, o que funcionou, em boa medida. E mesmo que tiver funcionado em escala menor do que em outros países, pelo menos não serviu pra criar uma determinada ruptura constitucional. Bom, cada país com suas leis, e em alguns casos, como nos EUA, é possível, por haver uma constituição mais enxuta e mais poder ao executivo.

Eu mesmo, durante a Covid

Eu escrevi isso aí baseado num papo com um amigo sueco, na época do início das discussões sobre lockdown ou não lockdown. Ele, para minha surpresa, disse que não iam fazer NADA. Iam seguir as regras sanitárias, lavar as mãos, manter distância, e mais nada.

A Suécia virou imediatamente um pária internacional. A Suécia não é conhecida por ser um país desorganizado, corrupto ou irrazoável. Uma atitude proposta aqui, por Bolsonaro e seu governo, gerou uma reação ainda mais drástica. Houve até uma CPI, um tanto midiática, que deu em absolutamente nada, a não ser palanque. De fato, as atitudes de Bolsonaro durante a Covid, como noticiadas na imprensa, foram (minha opinião) a principal razão dele ter perdido as eleições para (of all people) um ex-detento, condenado.

Bolsonaro tem uma boca maior do que o cérebro, e isso é fato. Mas o “fato”, de fato, é que hoje fica demonstrado, a cada dia, que ele tinha razão, pelo menos ao evitar ações perversas, como lockdowns, e cerceamento da liberdade de ir e vir.

Detesto ter Razão

Eu costumo ter razão, e às vezes não admito com muita facilidade o fato de frequentemente não ter razão. Estar errado, claramente. Mas o fato é que eu detesto, recentemente, ter razão, pelo fato de que a verdade dos fatos está se tornando difícil de analisar.

Hoje, a Gazeta do Povo refletiu uma matéria do New York Times em que eles “relutantemente admitem” que a Suécia pudesse ter razão em ter tratado o Lockdown e medidas semelhantes como quebras de liberdade, e francamente desnecessárias (https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/new-york-times-admite-com-relutancia-que-suecia-acertou-na-pandemia/?ref=busca).

No texto original do NYT vem um quadro bastante representativo do “excesso de mortes” totais por país da União Europeia, que elucida a charada:

Excesso de mortes durante o período da Covid-19

Da forma como acima vemos, talvez fique claro para o respeitável público que não houve nem negacionismo nem terraplanismo por parte da Suécia, mas bom senso e disciplina nacional, imbuída nos valores da sociedade daquele país.

Pois bem, e aqui? Talvez precisemos de uma CPI da CPI da Covid, para tentar colocar em perspectiva o mal terrível que uns poucos senadores, cujo cálculo político excede sempre os interesses nacionais, fizeram a todos nós.

Somos um país de TOLOS mesmo. Damos ouvidos ao que se nos é dito sem crítica alguma.

Como disse, ODEIO ter razão, principalmente quanto isso implica em que um erro absurdo foi cometido, e quem poderia fazer algo pra evitar, cruzou os braços por razões políticas

O gráfico acima poderia seus dizeres no eixo x substituído por “qualidade dos políticos”. Ia dar quase na mesma, com honrosas exceções.

Da próxima vez que nosso atolado julgamento nos dizer que “O Bolsonaro é que criou a necessidade do consórcio de mídia”, ou que o governo foi “terraplanista”, sem refletir, vamos tentar separar o histrionismo e boca-aberta do ex-presidente dos ATOS de governo que culminaram com a passagem do Brasil praticamente incólume, economicamente, de uma crise medonha que se abateu sobre o mundo todo.

Brincando com Fogo

Estamos vendo desfilar diante de nós um cortejo que só pode acabar sendo fúnebre. Trata-se da forma como as empresas brasileiras investem em prevenção e controles. Aqui, vou me fixar em controles sobre integridade de dados. E não falo de LGPD, que está sendo implementado de acordo com as regras exigidas da Lei, e nada mais. Como sempre, no Brasil, cumpre-se a Lei, sem pensar se isso é ou não suficiente para resolver o problema que a Lei tenta endereçar.

Faço um paralelo com a Carta de Paulo aos Romanos. Recentemente, dando aula de Escola Dominical na minha Igreja, tracei um paralelo entre Romanos e uma lei recente, que custou a “pegar”, e que francamente não sei se “pegou” no tranco ou por conscientização: a determinação do uso do cinto de segurança.

 “… e o mandamento que era para vida, achei eu que me era para morte… …Assim, a lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom.

Romanos 7:10 e 12

Criei então a Parábola do Cinto de Segurança. Antes de haver a decisão do Contran, usava-se cinto se a gente queria, e se um guarda nos parava, não nos multava por isso, porque:

“…porque onde não há lei também não há transgressão.”

Romanos 4:15 

O espírito da Lei, porém, não é o de te obrigar a fazer algo, mas tentar salvar sua vida, te fazer viver bem. A gente deveria usar Cinto de Segurança por consciência de que é bom para nós e salva vidas, independentemente de corrermos o risco de tomar uma multa ou não. O brasileiro, porém, cumpre Lei se Lei há, na marra, e quando obrigado. Se pudesse, não cumpriria nem a Lei da Gravidade, que (graças a Deus) tem consequência trágicas, caso desrespeitada, pra todo mundo, até pra Ministros do Supremo.

LGPD deveria ser algo que foi iniciado pela sociedade. Auditoria (interna, independente) deveria ser um desejo da administração da Empresa. Coisas que seriam boas em si mesmas, e que, no final, custam, mas preservam.

O caso aqui, porém, é de ataques externos ou internos aos dados e sistemas de uma Companhia. O caso mais recente e emblemático, porque repetido, é do Fleury. Essa grande empresa teve seus dados “hackeados” duas vezes em dois anos. Não vou aqui julgar se foi inépcia, se foi por desleixo, nada disso. Quero crer (e creio) que os profissionais de lá fizeram todo o possível para evitar que um ataque ocorresse de novo, mas ocorreu.

O que dá medo, no Brasil, e me faz ver um funeral atrás do outro, é a mania de economizar com coisa séria, vital. É uma barbaridade o que se gasta em empresas com “apêndices” de menor importância, e o desprezo com se se trata, às vezes, funções fundamentais, como por exemplo, vazamento de informações públicas a terceiros. E aqui não se tata apenas de ataques hackers, muitas vezes concertados desde fora, com uso de ferramentas ultrassofisticadas. Falo de falta de cuidado interno com dados, de gente que escapa pela porta da frente com um pen drive lotado de coisas que obteve indevidamente, e usará indevidamente.

A Nova Apólice de Incêndio

Nos tempos mais analógicos, a grande preocupação de segurança eram os incêndios. Apólices grandes protegiam empresas da eventualidade de que o fogo destruísse suas instalações e as deixasse sem receitas, e portanto, à beira de um colapso financeiro. Esta ainda é uma preocupação, principalmente de empresas de capital intensivo, fundamentalmente indústria e comércio.

Ocorre que num mundo em que algumas empresas só existem virtualmente (sou Conselheiro  de mais de uma), A nova apólice de incêndio deveria se chamar “Data Damage” ou “Riscos Cibernéticos”. Essas modalidades sequer existem, popularmente, no Brasil.

As seguradoras tomam todos os cuidados ao emitir uma apólice de incêndio, examinando cuidadosamente os ativos segurados, evitando entrar numa “furada”.

Creio que a mesma coisa ocorreria com os seguros da era da informação, como Cyber-Risks e Riscos de Vazamento de Dados. A seguradora teria grande cuidado em analisar se a segurada cumpre padrões mínimos de combate aos “incêndios de dados”, como exigem Brigadas de Incêndio, entre outros mecanismos, no caso do fogo literal.

O Cortejo Continuará?

A pergunta que fica é até que ponto o cortejo fúnebre, do qual muitas empresas participam como defuntas, sem saber, vai continuar, ou se o brasileiro começará a fazer as coisas por princípios, e não por imposição.

Eu preciso que a CVM me exija auditoria? Preciso que a Lei 11.638/2007 exija? Ou será que eu acho que sou grandinho suficiente para entender que a auditoria independente (em que pese maus exemplos recentes, que francamente espero que sejam esclarecidos)? Quantas Americanas, Wirecards, NMC Health ou Luckin Coffee da vida ainda ocorrerão para servir de exemplo aos mais altos escalões das empresas brasileiras?

Especificamente sobre “incêndios digitais”, quantos Fleurys (2021 e 2023), Magazines Luizas (2020), Ois (2019), Banrisuls (2018), JBSs (2017) ainda terão que acontecer?

Os ransomware (vírus que bloqueiam acesso das empresas a dados) são muitos, e suas origens são as mais diversas. Alguns se arriscam a dizer que até alguns governos totalitários os usam pra arranjar uma grana para ajudar o regime. Ryuk, talvez o mais lucrativo (para seus “usuários”), REvil/Sodinokibi (o da JBS), DarkSide (da Colonial Pipeline – quase matou a costa oeste dos EUA por falta de combustível), Maze (“especialista” em órgãos de governo) e Conti (usado – pasmem – durante a pandemia de COVID-19 pra roubar dados de hospitais), são alguns dos exemplos de males que nos afligem ou afligirão, se, como sociedade, não procedermos com o cuidado que a coisa merece.

O Brasil é um dos países cujo uso da informática é mais intenso em todo mundo. Estamos entre os maiores usuários de internet e mídias sociais do planeta, e não nos damos conta de que dia após dia

LockBit: é um ransomware relativamente novo que foi descoberto pela primeira vez em 2019. Ele tem sido usado em vários ataques cibernéticos contra empresas em todo o mundo.

É importante lembrar que a ameaça representada pelo ransomware é real e em constante evolução. As empresas devem tomar medidas para proteger seus sistemas e dados contra ameaças cibernéticas, incluindo a implementação de soluções de segurança robustas e a adoção de boas práticas de segurança cibernética.

Precisamos seguir o espírito que rege (ou deveria reger) as Leis – o espírito dá vida. A Lei é perfeita (a do Senhor), e eu não deveria ter medo de seguir leis boas, de bom grado, sem acha-las um fardo.

Um Deus justo

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Seguindo a “saga” começada com as provocação que geraram meu último post – “Indo pro Inferno”, fui cutucado pelo grupo de amigos, que denomino carinhosamente de “chatos-pensadores” para simplificar, com a nova proposição abaixo, e que, embora já menos ateia/agnóstica, ainda goza de um caráter de dúvida quanto ao Deus que sirvo. Como provocação é provocação, e entre amigos provocação deve virar resposta de bom humor e paz, lá vai:

Se Deus é justo, ama seus filhos e acreditamos que fazer o bem nos aproxima de Deus, porque tem tanta gente boa que é azarada ou que passa a vida sofrendo?

Amigo cristão chato

A citação acima se chama “O Problema do Sofrimento” e foi endereçada por filósofos e teólogos ao longo dos séculos. Na verdade, o primeiro livro da Bíblia, Jó (cronologicamente) endereça o assunto. Jó começa a sofrer feito um condenado, mesmo sendo considerado um “homem bom”, temente a Deus, ou seja, um modelo. Daí em diante a coisa degringola. O sujeito perde os filhos, os bens e a saúde. Só não perde a mulher, que no finalzinho das contas ainda lança na cara dele a seguinte pérola:

Então, sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus e morre.

A Mulher de Jó (a megera nem nome tinha) – Jó 2:9

Ora, crer nesse Deus aí é bobagem! Você é sincero com Ele e Ele faz isso contigo? Melhor amaldiçoá-lo. Daí ele te mata e a coisa se resolve.

Mais recentemente, no seu livro “Decepcionado com Deus”, Phillip Yancey aborda a mesma questão, sob a ótica do mesmo Jó, e que é, no fim das contas, uma questão universal: por que raios, um Deus “amoroso”, permite que suas criaturas passem por sofrimento e dor? Phillip Yancey é surpreendentemente franco e honesto ao abordar a questão, e diz, com sinceridade, que é uma dúvida ao mesmo tempo válida e digna de se expressar. Expressar A Deus, e não SOBRE Deus. Em síntese, se vai se queixar, queixe-se a Deus.

Trocando em miúdos, Phillip Yancey afirma que a fé e a confiança em Deus não são incompatíveis com dúvida e decepção. É importante, na visão dele, se aproximar de Deus de forma honesta e sincera. É em Deus que se encontra consolo, não longe dele.

Chatonildo e a Pergunta que não quer calar

Mas isso não aborda a questão central que me foi proposta pelo Chatonildo. Ele quer saber do problema do sofrimento em si. Católico que é, ele sabe que o homem sofre e que Deus não é “o causador” nem “o responsável” por esse sofrimento (espero estar certo!).

O problema é ver gente má, gente “do mal” que nem pega uma gripezinha, e gente que faz o bem a vida inteira, trata os outros com inteireza e honestidade, que é incapaz de matar uma mosca, e que vive de mal a pior.

Isso é tratado em Jó, claramente. Os amigos dele trazem à baila um suposto “ato ruim” que ele teria feito para estar sofrendo. Era uma visão de mundo da época, bem judaica: se você está sofrendo, algo você fez. O que o livro de Jó trata é justamente do fato de que NÃO é assim que a banda toca. Ao fim do seu sofrimento, Jó exclama:

Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te veem os meus olhos. 

O próprio Jó, depois de sofrer, queixar-se a Deus, e finalmente ouvi-lo – Jó  42:5 

Há que se passar por certas experiências para poder apreciar o versículo acima. “Eu sabia que você existia, eu até te ouvi, mas agora, depois dessa Farra do Boi no meu couro, meus olhos finalmente te VEEM”. E Jó diz, daí que “se arrepende no pó e na cinza. Os judeus se cobriam de pó e cinza, rasgavam as roupas e choravam, para demonstrar arrependimento. Jó se arrependeu, mesmo não tendo feito nada que desagradasse a Deus. Se arrependeu somente por duvidar da majestade e bondade infinitas de Deus.

Eu passei, junto com minha família, por uma determinada situação que, se não foi nem 2% do que Jó passou, foi tão dolorido que até hoje deixou marcas em mim, na minha esposa e filhos. A perda de um filho é uma coisa tremenda, e confesso que não consegui dar uma de Jó, em todos os momentos.

No final dos 11 anos e meio de tormento, Deus deu descanso a meu filho. Nossa vida seguiu, e restou saudade, onde antes havia mágoa com Ele.

Ora bolas, no fundo da pergunta – “por que o cara ruim não sofre”, há uma situação que começou errada: a própria pergunta. Por que me importo com o outro? Por que me comparo com o outro? Por que a vida boa do cara mau me chateia? Serei eu o julgador do alheio? Jesus Cristo disse:

Não julgueis, para que não sejais julgados…

Mateus 7:1 

A pergunta é “judgmental” desde seu início, e eu não deveria sequer fazê-la. Como cristãos, católicos, protestantes ou de qualquer matiz, somos chamados a não julgar, e amar “os vossos inimigos; os que os perseguem” (Lucas 6:35). Portanto, a pergunta não cabe, e não deveria ser feita por cristãos.

Mas vamos endereçá-la de qualquer forma: Quem julga o ímpio e o homem “do mal”? Deus o julga diretamente. Eu até posso confrontar as atitudes de alguém com a Palavra, e ver que o que o cara faz tá fora da regra (“Pode isso, Arnaldo?”). Não pode, mas faz. Quem vai julgar? Eu? Ou o juiz, em campo? Nosso juiz nem precisa de VAR. Tem o tempo em Suas mãos e conta até os cabelos de nossa cabeça.

Tenhamos todos a certeza de que no momento certo, da forma certa, ímpios e “bonzinhos” serão trazidos a juízo por suas obras. Mas também não nos esqueçamos de que, a Seu tempo, Deus mandou Jesus Cristo, Seu filho para morrer pelos meus e pelos seus erros. Nada é mais aliviador, para uma existência miserável, ou boa, do que essa certeza.

P.S. – Amigo chato, desculpe tê-lo chamado de chato! É amor…

Indo pro Inferno

Todos, ou quase todos nós, temos amigos queridos. Os amigos queridos têm o condão de encher nosso saco sem o menor problema. E sair ileso disso, e ainda receber abraços, e uma dose extra de amor fraternal.

Esse post aí me foi “proposto” como uma pimenta na minha conhecida declaração de fé em um Deus Único, Criador dos céus e da terra, justo e amoroso.

Eu disse ao dito cujo que o responderia, se ele quisesse, em privado, explicando a situação que está proposta aí. Não dá pra fazer digressão ou exegese nos confins do Zap… Ele não veio a mim, sábio que é, pra não ter seu augusto saco cheio, de volta, por mim. Então me digno a escrever, em muito mais linhas do que ele estaria com vontade de ler (aguenta, cabeção!), mas com o que considero ser uma visão que NÃO vai mitigar suas inquietudes, porque quem crê não precisa de explicação, quem não crê não aceita nenhuma delas. Mas vale a tentativa.

Em tempo, o amigo querido em pauta, há uns tempos, disse que estava lendo a Bíblia. Fico feliz com isso, porque parte dos conceitos que vou tentar ordenar não serão inéditos pra ele.

O problema do Conhecimento de Deus

O tal esquimó aí em cima, vivia lá num canto isolado de Labrador, ou um outro Finisterre qualquer gelado lá de cima. Ele obviamente não conhecia o Deus Único em que cremos, nem em Seu filho, Jesus Cristo, em que creio. Nunca ouviu falar do Credo Apostólico nem da Igreja Única, de Cristo, chamada “a Noiva do Cordeiro”.

O tal esquimó então (paradoxalmente, pra piada ter graça) pergunta se ele conhecesse o “Tal de Deus” e o Pecado, ele iria pro inferno. O “Tal Deus” responde, para surpresa do amigo Inuit, e manda um “sim, se você soubesse e não cresse, iria direitinho pras profundas dos infernos”. O inuit então retruca – “então por que você me contou???”… A piada é muito boa, claro, tanto pelo caráter sem-pé-nem-cabeça da proposição inicial, como seu desfecho inesperado, à lá Abbott e Costello – quem é mais velho lembra –

Abbott – “Não me diga que o Tia Edna morreu”…

Costello – “É… a tia Edna morreu”…

Abbott – “Eu te DISSE pra não me contar!”.

Paráfrase de uma das muitas “Não me diga” dessa dupla de comediantes hilários

O que isso representa

A teologia trata do assunto, sem piada, e de forma bastante coerente e racional, baseada em alguns textos do Velho e Novo Testamento que apontam para um racional derivado da observação:

  • Deus nos criou dotados de certos atributos intrínsecos – imagem e semelhança à Ele
  • Esses atributos nos fazem capazes de observar a natureza, externa e interna (a Natureza e a nossa natureza) de forma a tecer certas conclusões inescapáveis:
    • Ou tudo existe ou nada deveria existir
    • Tudo é tão lindo e perfeito, em todos os detalhes, que a vida sem uma sincronia e perfeição difícil de ser obtida sem muita inteligência é tão “aleatória” como chegando a ser impossível
    • Existe uma “Lei Moral” dentro de nós – alguns podem chamar de Compasso Moral, que nos faz rejeitar imediatamente algumas coisas, em detrimento de outras. Por exemplo, matar é algo desprezível, e isso está entranhado dentro do Ser Humano. Portanto, a vida é sagrada. É um “imperativo moral” que aponta para “Algo”.

Com o Dennis Prager falou certa vez – Deus não nos deu qualquer PROVA de Sua existência, mas deixou o mundo lotado de EVIDÊNCIAS dela. E a razão é simples – tanto a existência quanto a não-existência de Deus, comprovadamente, esmagaria o ser humano: a existência pela impossibilidade clara de se chegar a Ele, e a não-existência pela futilidade que a vida teria, o que poderia fazer com que qualquer adulto preferisse o suicídio a viver debaixo de tal maldição – a de ser “nada”.

Portanto, ressoa no meu coração a imensa sabedoria de um Deus que conhece nossas limitações e nos leva a uma única atitude possível, ante a existência ou inexistência de Deus: FÉ. Seja a existência como a inexistência de Deus, só se acredita mediante a fé. Seja ela no Deus da Bíblia ou no tratado científico que mais nos agrade, é somente pela FÉ que somos “salvos” (o que quer que isso signifique pra você).

A resposta ao Inuit

Em primeiro lugar, em um tempo de politicamente correto, chamar o cara de Esquimó é o máximo da falta de correção: Inuit (primeiros povos) são os “Esquimós”. Esquimó é um termo usado pelos Inuits pra NOS denominar “estranhos”.

O tal inuit, então, chega a, sabe-se lá de onde, perguntar a um Deus – não é difícil entender isso, dados os conceitos que já falamos, de Revelação Natural e Compasso Moral – se ele vai pro “Inferno” se rejeitar Deus e não acreditar no pecado. Deus diz que sim, claro.

Se Deus é justo, e se, como a Bíblia diz, Ele não poder deixar “impune” qualquer pessoa que tenha se separado dEle pelo pecado. Como lá está escrito que “Todos pecaram e destituídos estão da Glória de Deus” (Romanos 3:23), então todo mundo carece de perdão de Deus.

Em outro lado, o Apóstolo Paulo (o mesmo de Romanos, acima) diz que “onde não há Lei, não há transgressão da Lei” (Romanos 4:15). Daí deriva a piada acima. Ora, se eu não sei se algo é errado, como é que eu vou evitar cometer um erro? Eu não posso ser considerado culpado por algo que eu sequer sei que é errado.

Nas minhas aulas de domingo, na Escola Dominical, da Igreja Batista Essência, me saí com uma alegoria que exemplifica bem esse conceito:

Cinto de segurança

Houve um tempo em que não era “pecado” (lei) o uso do cinto de segurança. Isso era assim por várias razões. Houve tempo em que nem cinto havia. Portanto, como antecipar o uso de algo que ainda não tinha sido inventado?

Depois da invenção do cinto abdominal, sua limitação de uso e a incerteza sobre se ajudava ou não em caso de acidentes, fez com que seu uso demorasse a ser tornado obrigatório. Isso ocorreu até que a Volvo criou o Cinto de 3 Pontas, e cedeu, gratuitamente, a novidade para todo o mercado, diante do impacto positivo e do aumento fantástico de segurança para os motoristas.

Passou a ser Lei, e hoje eu sou multado se ando de carro sem o apetrecho. Minha aplicação diz respeito justamente a isso – a Lei era considerada boa, por Paulo, e por Jesus (que diz que a veio cumprir, e não revogar). Portanto, a existência de uma Lei que me obrigue a usar cinto é algo fundamentalmente bom.

Mas o melhor de tudo não é a Lei – é o Cinto de Segurança em si. Eu esqueço do incômodo de usá-lo principalmente no calor, quando ele me protege de dar de cara no parabrisa do meu carro, ou de sair voando através da janela, em caso de colisão. ÉSSA é a beleza da Lei. A Lei foi dada porque fundamentalmente é algo que faz bem ao ser humano.

Trata-se de uma coisa que ajuda, e, se entendida, não traz chateação. O Rei Davi diz mais de uma vez nos Salmos que “A Lei do Senhor é perfeita”, “Ó quanto eu amo a Tua Lei”, e por aí vai. Davi entendeu a utilidade da Lei, mais do que o “fardo” que alguns querem fazer parecer.

O Inuit fez a pergunta errada, pra começar a conversa. Não se trata do “pecado”, mas do erro de se afastar de uma “regra” que preserva e melhora a vida. O Inuit deveria ter refletido sobre o quanto a Lei Natural, a Revelação Natural, é útil. Ainda que admitisse a existência ou um conceito diferente de Deus, a revelação natural existe e subsiste como conceito por si só.

Se Tia Edna morreu ou não, o fato independe de terem ou não me contado.

O Deus do Inuit

Não tenho a menor ideia – no momento que escrevo – de que tipo de deidade acreditam os Inuits*. Vou procurar ver depois. Mas independentemente disso, a piada mira no cristianismo, de forma bastante direta. De qualquer forma, a Palavra diz que “ninguém pode se dar por escusado”

A charada, pelo menos do ponto de vista Cristão, “morre” com a afirmação d de Efésios 4:9-10 (citação abaixo), de que Jesus Cristo, desceu para ao “Hades” (morada das almas dos mortos) para “pregar às almas”. O Hades é um conceito grego que não equivale a inferno. Segundo a Bendita Wikipedia, “Hades é a transliteração comum para o português da palavra grega haídes, usada em várias traduções da Bíblia. Talvez signifique “o lugar não visto” ou “o lugar invisível”.

Jesus teria ido a este “lugar invisível” para “pregar às almas”. Quando foi isso? Não importa. Se cremos que Jesus é Deus, e eu creio, estou plenamente confortável em crer que o local não é físico nem cronológico. É todo e qualquer momento em que o ser humano será visitado, “sim ou sim”, pelo Filho de Deus, que lhe falará diretamente ao coração e indicará o caminho ao Pai. Assim, ninguém, biblicamente, pode se dar por escusado.

Em tempo, as citações que chegam a esta conclusão estão contidas abaixo:

Porque por isto foi pregado o evangelho também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, mas vivessem segundo Deus em espírito.

(1 Pedro 4:6)

 Ora, isto – Ele subiu – que é, senão que também, antes, tinha descido às partes mais baixas da terra?  Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas. 

Efésios 4:9-10

Quer-se dizer que Jesus não desceu a canto algum que não já estivesse ido, seja no Sábado de Aleluia seja em qualquer outro dia, antes, durante ou depois da Sua Vinda. Isso importa menos do que o tema aqui proposto – ninguém poderá ser dado com escusado diante de Deus no dia do famoso “Julgamento”. Todos, grandes e pequenos, de todas as épocas, tribos, povos e raças, irão se encontrar face a face com Deus. Nisso eu creio, por isso anseio e espero.

Ao meu amado amigo (que não menciono porque não me procurou pra estudar – diz ele que tá em Harvard, of all places, fazendo uma pós graduação. Tendo a crer… hehe) digo que espero que ele aceite a resposta dada, de coração, às suas inquietudes. Lembro, porém, o que ouvi de Joelmir Betting, de saudosa memória e católico praticante:

“A quem não crê, nenhuma explicação é suficiente; a quem crê, qualquer explicação é desnecessária”

Atribuído a Joelmir Betting – já que ouvi dele.

* Li depois na Wikipedia que os Inuits não acreditam em um Deus, mas em um monte de espíritos e deidades, bons e ruins. Ou seja, são “animistas” como boa parte das culturas nômades. Na minha opinião, esta é uma razão pela qual a maioria aderiu ao cristianismo de bom grado. É uma explicação mais razoável para o mundo. O mesmo aconteceu com os povos indígenas mais ao sul, mas esses já tinham em si o conceito de um Deus criador. Mas isso é outro capítulo.