Acelerados demais

man holding handbag
Andy Beales em www.unsplash.com

Me pego volta e meia me mandando respirar fundo e desacelerar. O fato é que minha agenda não ajuda nem um pouco, muito menos a pressão de produzir resultados bons, confiáveis, revisados e rápidos. Ter tudo isso junto, numa entrega só, é quase impossível. O resultado são noites em que parece impossível desligar.

Sinto isso muito mais intensamente quando faço a atividade que costumava ser prazerosa, de ler a Bíblia, meditar no que me está sendo dito por este Livro, e internalizar conceitos que farão toda a diferença na minha caminhada diária. Cada dia está mais difícil ser profundo. Cada dia mais fácil a mente vagar.

Escrever se torna uma forma de dar ordem aos meus pensamentos, pois que se não fizer isso, nada bom sai pro papel virtual. Qualquer um pode notar perfeitamente quando estou mais ou menos focado e relaxado – é só ler minhas crônicas e artigos e comparar. Verão quantas vezes eu pulo de galho em galho, de aspecto em aspecto, sem conectar os pontos. Pra mim, está tudo tão claro, que eu assumo, presumo, que o leitor eventual vá achar que está claro para si também. Isso raramente acontece.

Na mesa, já não tenho paciência sequer de dizer com clareza: “me passe o saleiro?”, me limitando a apontar na direção geral do objeto e grunhir qualquer coisa, esperando que os filhos ou a esposa vão entender por milagre o que estou querendo.

Que vida! Que pressa, que aceleração iníqua! E que tempo perdido, paradoxalmente, com tanta pressa!

O velho Armindo Constantino Montechiari, o velho “Nonno”, costumava dizer que “quem faz errado, faz duas vezes” (ao que acrescento – ou mais do que duas vezes). E obviamente estava certo, e está, até hoje. Costumo refazer raciocínios, irritar as pessoas quando estou acelerado demais, e não passar mensagem que presta. Não é saber ou não saber o que dizer: é atropelar o que falo e com isso deixar todo mundo na mão, sem saber o que quero transmitir. Por isso escrevo. Se tornou mais fácil.

Em um grupo de amigos profissionais, espera-se que eu dê não minha opinião, mas exemplos meus, próprios, que possam ajudar a pessoa a chegar às suas próprias conclusões, sem que eu tenha que “informar” algo. Ocorre que quando se está acelerado, quando se está vivendo dois segundos por segundo, o estrago é fácil de prever – a cara de bobo de pessoas que acham que você deve ser inteligente demais, afinal falou algo que ninguém entendeu (penso eu) ou então o contrário – o que é que este cretino quis dizer com esse amontoado de bobagens? O grupo se frusta comigo, eu me frustro comigo, porque não consigo passar as ideias uma palavra de cada vez.

Essa aceleração vai para o campo do relacionamento pessoal, e só desacelera nos finas de semana, quando uma caminhada melhor, a tranquilidade de uma boa música, uma mesa boa, da melhor cozinheira do mundo, Aline, e um vinho de qualidade nos fazem parar e pensar na vida. O domingo, com suas idas à Igreja, nos leva a sentar e ouvir o sermão com atenção e introspecção, lembrando daquilo que Deus quer falar pro nosso coração.

A alternativa que tem sido (meio que) imposto à nós é a da meditação que nos leva a “esvaziar a mente”. Eu não sou lá muito fã, porque ainda sou do tempo em que se dizia que mente vazia é oficina do diabo. Além disso, o Apóstolo Paulo falava que legal mesmo é “encher-nos do Espírito Santo”, ou seja, tirar o “excesso de nós mesmos” e dar lugar ao Espírito de Deus e suas palavras, sempre calmas e doces. Mas é uma dificuldade conseguir isso frequentemente.

Para não dizer que sou contra tudo o que é oriental, sinto que é muito proveitoso respirar fundo, prestar atenção na nossa respiração, e focar a cabeça num só ponto, um só pensamento. Isso me ajuda.

Se você, como eu, é acelerado mentalmente, e está sentindo que isso cobra um alto preço, solidarize-se comigo. Eu pretendo desacelerar, do falar ao pensar, do sentir ao comer, do respirar ao dormir. E fazer tudo com mais propósito.

Não quero deixar que o FaceBook ou o “ZapZap” ditem meu ritmo. Afinal, pressa continua a ser inimiga da perfeição!

A percepção que interessa

brown cow on gray concrete floor during daytime
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Bovespa

No auge da crise do subprime, nos EUA, a bolsa brasileira oscilava entre índices Bovespa de 42 mil a 50 mil pontos. No início do primeiro governo Dilma, a Bovespa chegou a 70 e poucos mil pontos; já auge da crise “da Dilma”, em 2013 a 2015, o mesmo Bovespa mostrava uns 40 mil pontos, tendo chegado a meros 38 mil pontos, se a memória não falha. Na transição par ao governo Temer, o golpista, o ilegítimo, o Bovespa chegou a 97 mil pontos. Hoje, no auge da “crise da Covid”, da “crise Bolsonaro”, o mesmíssimo Bovespa demonstra 124 mil pontos.

O que é este Índice? Para quem não tem familiaridade, a Bovespa/B3, é a maior Bolsa da América Latina, e como tal, contém ativos financeiros (ações) das maiores empresas do país, algumas entre as maiores do mundo, como Vale, Petrobrás, WEG, Cemig, Telefónica, entre tantas outras.

É, portanto, a média ponderada da valorização (ou desvalorização) desses ativos, negociados livremente entre milhares de pessoas físicas e jurídicas, diariamente, de forma clara, transparente e sem interferências externas (há controvérsias, em alguns casos, mas as tentativas de manipular o mercado são normalmente coibidas pelo xerife do mercado, a Comissão de Valores Mobiliários, ou CVM).

Trata-se então, de uma representação numérica da vida econômica do país, em grande medida. Claro que não é um índice que mede confiança, nem performance econômica, mas certamente, num prazo mais longo, representa o grau de certeza ou incerteza dos agentes econômicos sobre nosso país.

O gráfico é publicado diariamente, e portanto ninguém pode dizer que não tem acesso, ou que as informações foram manipuladas:

Então vamos partir dos seguintes pressupostos:

  • Milhares de pessoas transacionam em Bolsas de Valores todo santo dia
  • Todas essas pessoas o fazem de boa fé, e de forma livre
  • As empresas nas quais investimos diariamente são empresas que estão inseridas no contexto nacional – para bem ou para o mal – dentro das regras tributárias, trabalhistas, de juros, de crescimento do PIB, etc
  • As empresas estão inseridas também num contexto internacional, sujeitas a chuvas e trovoadas como todo mundo.

Se tudo acima é verdade, então como é que em plena CPI da Covid, com todos os holofotes virados contra o executivo, com o STF agindo como executivo, o legislativo também tentando, por que a Bolsa sobe? O que essa miríade de gente pensa da vida, pra apostar as fichas em produção, lucro e perspectivas de valorização desses papéis?

A realidade

Existe um fator que precisa ser dito, a bem da verdade, e que ajudou em muito a decolagem da Bolsa – a queda dos juros. Com juros reais negativos, o brasileiro parece que “descobriu” o mercado de renda variável. Mas por que exatamente? O medo não seria razão suficiente para um refúgio seguro na poupança?

Que razão leva milhões de pessoas físicas, brasileiros de carne e osso, assalariados, a “aventurar-se” em Bolsas, sabendo que um dia se ganha, outro se perde?

A resposta parece estar no distanciamento cada vez maior entre o Brasil real e o Brasil Brasília, o Brasil Imprensa, o Brasil mídias sociais. O fato é que é difícil atribuir (eu não atribuo) essa subida das Bolsas ao governo Bolsonaro. Aliás, creio que se o chefe do executivo tivesse ficado calado 70% do tempo em que passou falando em microfones, talvez o Bovespa já estivesse em 150 mil pontos.

O fato, porém, é que o governo real, do país real, montado pelo dito ogro, está fazendo um bom trabalho, que começou com a difícil e necessária reforma da previdência, e agora parece continuar, aos trancos e barrancos, com a mais necessária ainda reforma administrativa.

Esta última, se feita adequadamente, pode ser a chave para a redução do tamanho “elefantal” (como diria o ex-ministro Magri) do estado, abrindo caminho para uma reforma tributária digna do nome – o que não é possível hoje, com o orçamento engessado e os déficits públicos crescentes.

E daí?

E daí que ações importantes, aqui e ali, como a facilitação da entrada de novos “players” no segmento bancário, com a ampliação do crédito e criação de toda uma nova classe de bancos, financeiras e FIDCs, somadas ao PIX, só citando um exemplo de medida disruptiva e que nos coloca na vanguarda mundial das transações bancárias (em transparência e velocidade), além do Agro, que já representa 40% do PIB e é um fator de equilíbrio e pujança, podemos dizer que, “tirante” as borbulhas da mídia, o Brasil que presta, o que paga as contas e coloca comida na mesa, está bem melhor do que se diz.

Listando pra facilitar as conclusões:

  • O Brasil vai melhor do que pintado pela mídia
  • O ogro é ruim, pessoalmente, mas fez um excelente trabalho em montar uma equipe dar liberdade suficiente para que esta fizesse um trabalho bom – levando em conta a crise atual, muito bom mesmo
  • A política pode até nos envolver, em campos opostos ou não, mas no final das contas, a soma de milhões de pequenas percepções sobre esta ou aquela empresa e sobre a economia em geral é que falam a verdade
  • A agricultura tem menos voz do que deveria, num país cada vez mais dependente dela
  • O Congresso e o STF deveriam se ater às suas funções, e só isso.
  • O mundo vai acabar sim, quando Jesus voltar (eu creio) mas até lá, o Brasil continuará, a despeito de ogros, cachaceiros e corruptos de todos os matizes.

O Malvado Favorito

BLOG CLEUBER CARLOS: Eduardo Cunha: Meu Malvado Favorito
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Assisti outro dia, do início ao fim (quando a barulhada do jogo de Banco Imobiliário entre esposa, filhos, nora e sobrinho permitiam) a entrevista do notório Eduardo Cunha, exclusiva à CNN, sobre a qual fiz alguns comentários pelo FaceBook enquanto assistia… É difícil resistir em comentar tamanha desfaçatez. O sujeito é mesmo o malvado favorito – aquele que a gente sabe que é um ladrão, corrupto, vagabundo, mas nos deu de presente como país, o mais justo ato político dos últimos anos, que foi o impeachment da presidanta Dilma Rousseff.

Para dar algum pano de fundo, o sujeito foi meu colega (não contemporâneo) na extinta Arthur Andersen auditores independentes, no RJ, nos idos de 1980. Meu BFF, Elias Cerqueira, o conheceu melhor, e poderia dar uma pequena aula sobre o caráter do cidadão (ou falta dele). Deixo isso a quem teve o prazer de conviver com o sujeito naquela época.

Inteligentíssimo, habilidoso com as palavras, extremamente metódico e sabendo exatamente o que quer e onde quer chegar, Cunha foi muito bem na tentativa tanto de sepultar a Lava Jato, o que é do seu maior interesse, como em não antagonizar com quem quer que seja que lhe poderia ser de interesse. Bater, mesmo, só bateu no Rodrigo Maia, que virou pano de chão político, nos últimos tempos, e Sérgio Moro, o que é compreensível.

Se disse também “anti-PT”, o que o levaria fatalmente a votar em Bolsonaro, caso este fosse para o 2o. turno da eleição de 2022, que anda em avançado estágio de campanha, informal, com todo mundo focado em derrubar a outra parte. Entendo que seja mesmo anti-PT, até porque é uma posição fácil. Só não dá pra ser anti-PT e anti-Lava Jato ao mesmo tempo, por via de nexo entre as coisas.

Livrou a cara de Lula, quando do processo na Lava Jato, dizendo que o mesmo teria sido condenado injustamente – a exemplo, claro, dele mesmo… Como defender-se significa defender Lula, não vê qualquer razão em não fazê-lo, a despeito da flagrante imbecilidade de tal posição.

A bem da verdade, meu malvado favorito, mesmo, é Roberto Jefferson. Este sim um cara que fez o que o Brasil precisava que fizesse, e nos livrou de mais uns 20 anos de PT no poder, denunciando o mensalão. Foi levado de roldão, pois recebeu um qualqué, também, para o PTB (diz ele). Santo, não é, mas foi útil acima da média dos políticos. Agora ressurge, ou tenta, como campeão de Bolsonaro, como se nada tivesse feito.

Malvados ou não, são gente muito articulada, inteligente e que sabe exatamente onde quer chegar. E não é para o bem de todos e felicidade geral da nação.

Estados Disfuncionais

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A Wikipedia tem um verbete enorme sobre o assunto dos “Estados Disfuncionais”. Chamo de Disfuncionais porque a tradução exata do inglês é “Estados Falidos” ou “Estados Falhos”, que não faz jus ao que realmente se chama de “Failed States”. Se tiver curiosidade, veja emhttps://en.wikipedia.org/wiki/Failed_state#:~:text=Examples%3A%20Syria%2C%20Somalia%2C%20Myanmar,the%20expense%20of%20other%20groups).

A definição, que é o conceito que interessa aqui, é a seguinte, numa tradução livre, minha, da versão em inglês do verbete:

Um estado falido é um corpo político que se desintegrou a tal ponto que as condições e responsabilidades básicas de um governo soberano não funcionam mais adequadamente … Um Estado também pode fracassar, se seu governo perder sua legitimidade, mesmo que esteja desempenhando suas funções de maneira adequada. Para um Estado estável, é necessário que o governo goze de eficácia e legitimidade. Da mesma forma, quando uma nação se enfraquece, e seu padrão de vida diminui, ela traz sobre si a possibilidade de um colapso governamental total. O “Fundo para a Paz” (ONU) caracteriza um estado falido como tendo as seguintes características:

O texto segue caracterizando o que faz um Estado um corpo Disfuncional:

  • Perda de controle de seu território ou do monopólio do uso legítimo da força física
  • Erosão da autoridade legítima para tomar decisões coletivas
  • Incapacidade de fornecer serviços públicos
  • Incapacidade de interagir com outros estados como membro pleno da comunidade internacional

Alguns países são classificados como em grupos de risco, variável, em relação ao seu grau de aproximação do ponto de ruptura, ou declínio do Estado até se transformar em Disfuncional. Figuras, ó Brasil, florão da América, em posição desconfortável, em péssima companhia, como segue a classificação atual

  • Países com aumento de conflitos de grupos comunitários (étnicos ou religiosos) – Síria, Somália, Mianmar, Chade, Iraque, Iêmen, República Democrática do Congo, República Centro-Africana, Libéria, Iugoslávia, Líbano, Afeganistão, Sudão, Sudão do Sul.
  • Predação estatal (corrupção ou desvio de recursos às custas de outros grupos) – Nicarágua, Venezuela, Brasil, Filipinas, Croácia, Sudão, Sudão do Sul, Nigéria, Eritreia, Zimbábue, África do Sul, Coreia do Norte, Arábia Saudita, Rússia, Catar, Líbano.
  • Rebelião regional ou guerrilha – Líbia, Síria, Iraque, Afeganistão, Iêmen, Congo, Colômbia, Vietnã.
  • Colapso democrático (levando à guerra civil ou golpe de estado) -Libéria, Madagascar, Nepal.
  • Crise de sucessão ou reforma em estados autoritários – Indonésia (sob Suharto), Irã (sob o Xá Rheza Pahlevi), União Soviética (sob Gorbachev).

A lista deve ter já alguns anos, provavelmente se remetendo à época de governos de esquerda, no Brasil, ou antes da total derrocada do Estado nacional Venezuelano, sob Nicolás Maduro. Estar na incômoda posição de equivalente a uma Venezuela, Coreia do Norte ou Nicarágua certamente NÃO é legal. A lista é certamente pré-pandemia de Covid-19.

Importante é que percebamos o QUE nos leva a essa situação. Onde estamos hoje e que circunstâncias leva um país moderno, em termos de gestão (tecnologia aplicada), formação sócio-econômica (PIB per capita) e até mesmo educação (básica) a figurar como um Estado Falido ou Disfuncional?

Perda de controle de seu território ou do monopólio do uso legítimo da força física

O Brasil, não é de hoje, perdeu sua autoridade sobre parte dos seus territórios. O livro “O Império e os novos Bárbaros” (de Jean-Christofe Ruffin, de 1989) mostra com destaque como o Brasil perdeu parte de seus territórios para as milícias e grupos de crime organizado. O livro é excelente. Pena que a edição que tenho contenha um prefácio (bem plagiado, creio) de Collor de Mello…

Além da perda de controle de favelas e áreas semi-conflagradas no país, o Brasil possui outras áreas, significativas, de seu território que de fato não controla. As reservas indígenas, não por sua característica de proteção às etnias, mas pelo domínio exercido sobre elas por ONGs e nações estrangeiras, são território de novos bárbaros. As terras de garimpo no Norte são outro exemplo, facilmente verificado toda vez que vemos um carregamento de toneladas de ouro ser descoberto, contrabandeado, por algum cartelzinho ou facçãozinha, lá na França.

Já sobre o uso legítimo da força, o STF, com sua decisão de bloquear a atividade policial em favelas, criou pelo menos 2 anos de “trégua” aos “donos” dos morros, reforçando os Estados-dentro-do-Estado (ou a barbárie), sobre os quais não temos nenhum controle como sociedade.

Erosão da autoridade legítima para tomar decisões coletivas

A tomada de decisões coletivas é feita por consenso, numa sociedade funcional. Este consenso se chama Eleição, e suas ramificações chegam aos três poderes pela via do voto – a)do executivo, de forma direta e majoritária, dando ao eleito, em qualquer nível, direito de estabelecer sua política e diretrizes, vencedoras nas urnas; b)do legislativo, também de forma direta e proporcional, a fim de que os eleitos possam não somente fiscalizar o executivo como propor e votar o consenso das decisões, que, se cremos na qualidade do sistema de representação, implica necessariamente numa decisão coletiva; c)no judiciário, por vias indiretas, e não tão de consenso, porque alguns níveis do judiciário são escolhidos ao arbítrio do governante (STF, STJ). Mesmo assim, a maioria do judiciário pode-ser dizer ter sido escolhido por consenso, já que um concurso público foi a forma votada e aprovada por legisladores, para a formação do judiciário.

Onde esta faculdade está erodida no país? Quando o executivo perde sua capacidade de implantar as políticas vencedoras nas eleições, por interferência direta de outros poderes, por exemplo. Quando a câmara não pode tomar decisões saudáveis e independentes, por haver outro poder comprando ou dominando o processo, seja por pressão financeira seja por pressão derivada dos muitos rabos presos.

Incapacidade de fornecer serviços públicos

Seja nos ambientes controlados pela nova barbárie, seja em regiões tão remotas como os fundões da Amazônia legal, o fato é que o Estado brasileiro tem falhado em prover o mínimo, que faz de uma nação um país “de todos” e para todos.

Mas até aí vamos, sem tanta crítica, pois que houve inegável avanço, seja em alfabetização seja em moradia e renda mínima, principalmente entre os anos de 1960 e 1980. Os anos Lulla também mostraram, por vias controversas e com intenções inconfessas, que o boom das commodities do início dos anos 2000 foi suficiente para gerar tanto excedente que mesmo a pior pilotagem possível nos levou a um porto razoável. Os anos Dillma nos levaram ao caos gerado pela incapacidade de enxergar que o boom havia acabado, e os gastos públicos (e a dívida pública) tinha mais que duplicado, com os resultados inevitáveis que vimos.

Hoje, sabemos que só parcerias público-privadas ou a iniciativa privada, isoladamente, podem resolver problemas como saneamento e infraestrutura de transporte e energia, já que o Estado, sitiado e sobrecarregado por corporações, não faz grana nem pra pagar os cidadãos de primeira classe que lá residem.

Incapacidade de interagir com outros estados como membro pleno da comunidade internacional

Aqui também não temos muito do que nos orgulhar. O Anão Diplomático continua vivo e incólume, desde os tempos de Collor, passando por todos os governantes posteriores, sem exceção. Não vamos extrair da lista de “nanicos” os recentes governos Temer ou mesmo Bolsonaro. Aliás, este último protagonizou um nanismo que foi na contramão de tudo o que se tinha por pilar da diplomacia, desde Rio Branco – tomar partido, se aliar a governos de ocasião no exterior, em vez de se manter neutro e independente de rixas e eleições que não nos competem.

Resumão

Por pelo menos três das quatro razões acima, somos um Estado Disfuncional. Mas nada, absolutamente, se compara ao show de horrores protagonizado pela nossa Suprema corte.

Enquanto isso, os bárbaros (do PCC e Comando Vermelho aos partidos albergados sob togas do STF até os movimentos sem-isso e sem-aquilo, que criam áreas não alcançadas pelo Estado, passando pelas ONGs de interesses obscuros) tomam cada vez mais nacos importantes do nosso território, seja urbano seja rural.

Somos corretamente tachados de estado de “Predação Estatal”. Claro que há mais ilustres “cumpanhêru” que não estão listados ali, como a notória Argentina, que abriu mão de sua liberdade e reconvocou a esqueda de lá pra voltar ao poder e terminar de quebrar a nação irmã.

Somos predados pelo tal “mecanismo”, que, segundo li em algum lado, quer manter o estado sempre vivo, mas no limite da consciência, para que continue a ser sugado.

Deus tem mesmo que sarar nossa terra, como diz a Bíblia, pois que as chagas aumentam.