Anotem aí…

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Como mencionei no meu último post, parece que minha sina é dizer “eu te disse” pra empresários, colegas, clientes, etc. Minha história talvez se repita em âmbito maior. Temos, desde ontem, um presidente eleito que, por tristeza nossa, é o ex-condenado Lula da Silva.

Tribute-se, se quiser, a eleição dele ao Bolsonaro e seus muitos erros. Não creio. Creio sim que gostamos da memória afetiva que o Lulinha pai-dos-pobres evoca, nos que viveram entre 2003 e 2010, antes da derrocada geral das ideias do PT, que, como dizia Margareth Thatcher, acabou quando o dinheiro dos outros acabou.

Um início brando

Quem quer implementar políticas socialistas no país tem que ir mais devagar. Zé Dirceu, o principal formulador de planos de ação da esquerda brasileira, disse isso quando Dilma foi impichada: deviam ter sido mais rápidos no aparelhamento das cortes superiores, nas forças armadas, e no executivo. Não acho que pretendam “errar” assim em 2023: creio que vão com método, continuar a equipar o executivo com força. Isso é coisa que não se vê de fora, e portanto não fará muito impacto na mídia. Quando terminarem, já será tarde e o governo será “deles”, não importa quem for o próximo presidente.

Na economia, ideal é vender a ideia de continuidade da racionalidade econômica. Aproveitando que o governo atual fez um bom dever de casa, e vai entregar um tesouro equilibrado e um Bacen independente, haverá um gradualismo nas medias, mas que inexoravelmente vão aumentar em volume e efeitos a partir de 2025. O desastre petista, como ocorreu na era negra anterior, advém de muitos anos de água minando as fundações. O povão (mesmo alguns que acham que sabem disso e não medem esforços para falar do que não entendem) não enxergará nada, até que a casa esteja irremediavelmente comprometida, como ocorreu a partir de 2010. A bomba plantada entre 2003 e 2010 explodiu no colo da cumpanhêra
Dilma, que pouco fez para evitar a colisão com o muro da crise econômica, exceto talvez acelerar para ele.

Nas relações de trabalho, claro que as cortes trabalhistas, assanhadas pelo novo “patrão”, continuarão a ignorar solenemente a nova CLT e dar ganhos de causa estranhos, para dizer o mínimo. Isso obviamente vai precarizar a relação de trabalho, ainda mais, num país em que essa já é tênue. O resultado será o previsto – menos vontade de dar empregos, de um lado, e o governo culpando os empresários por sua “falta de sensibilidade social”, de outro. Como agora MEI não é emprego (segundo Lula é desemprego, mesmo que o cara ganhe 3, 4 vezes mais dirigindo Uber do que numa linha de produção qualquer), as estatísticas de desemprego serão “corrigidas” na largada, pra mostrar que era ‘pior do que se dizia’, e logo em 2024 serão corrigidas para baixo, de novo, uma vez que se esqueça o fato. Novilíngua e Duplipensar existem, camaradas.

Um Final Horrível

Obviamente, tudo dependerá do Congresso, e sua habilidade em rejeitar o caminhão de cretinice que certamente virá do Planalto. Mas como o congresso é suscetível a “orçamentos secretos”, claro que Lula se beneficiará dele na mesma medida em que Bolsonaro não o fez. Isso se o modus operandi anterior não voltar com força: ora, se funcionou uma vez, e o criminoso voltou à cena do crime nos braços do povo, por que não dobrar a aposta?

Com um congresso cooptado e um governo assanhado, o final poderá ser horrível – se é que haverá final. Basta ver o que ocorreu agora para entender que sempre é possível piorar, nesses tristes trópicos.

Será menos horrível, ou um horror menos visível (como foi entre 2003-10) se o congresso conseguir pelo menos barrar parte da lambança que se prenuncia (vejam o pouco que o PT liberou de informação sobre plano de governo).

Igrejas e Templos

Não creio que Lula vá se meter com a religiosidade de nossa população. Nem Fidel Castro conseguiu. Ele usou a religiosidade, até onde podemos ver de fora. Eu creio que Lula deixará o populacho seguir com suas crenças, mas as lideranças religiosas (que maciçamente o rechaçaram) sofrerão com a fúria dele.

Lula sabe que precisa ser o receptáculo de parte dessa fé – ele, a alma mais pura do país, o Jesus Cristo da Esquerda (“Pai, perdoa-lhe por sua inguinorânça”, como disse recentemente), certamente saberá tirar partido do ativismo dos pastorecos e padrecos de esquerda, sempre dispostos a retirar liberdades em troca de socialismo.

Enfim, sós…

Mas diferentemente dos recém casados, estamos, de fato, enfim sós, com nossa tristeza. Nós que produzimos (vide figura lá no início) levaremos nas costas a dor de continuar a carregar um país que se recusa a crescer e ser melhor, elegendo corruptos, de novo, numa sanha de autoflagelação não imposta, voluntária.

Triste é que meu couro está sendo arrancado junto com o do cara do lado, com o chicote na mão.

Enfim, sós…

Ver é diferente de falar Sobre

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Eu estava presente em alguns episódios mais emblemáticos da América Latina. Eu estava presente no “Caracazo” de 1989, quando centenas de pessoas perderam a vida por conta de medidas do governo de Jaime Lusinschi, que resultaram no aumento da gasolina (em tempo, a gasolina lá custava menos de 10% do que custava no Brasil na mesma época).

O episódio abriu espaço para Hugo Chavez, que anos depois legou tristeza, perda de liberdade e destruição da economia venezuelana. Legou ainda o companheiro Maduro, de ainda mais tristes feitos, e uma população que já está, em boa parte, no Brasil, Colombia e EUA, apenas para citar alguns destinos favoritos.

Trocou-se o preço da gasolina pela falta de tudo, inclusive de liberdade.

Eu estava também em Manágua, na Nicarágua, quando era presidente Daniel Ortega, em seu primeiro ensaio de poder, do qual foi apeado à força em 2002, para retornar em 2007, pelo voto, e nunca mais sair. A destruição do terremoto de 1973, e outros menores, nunca havia permitido a Manágua se reconstruir totalmente. No entanto, a FSNL – Frente Sandinista de Libertação Nacional, fez a proeza de acabar não só com as regiões afetadas pelo terremoto, mas com todo o país, que até hoje sofre com todo tipo de privação, inclusive da liberdade.

Lá hoje, padres e pastores são presos indiscriminadamente, igrejas são fechadas e imprensa é censurada, como na Venezuela.

Eu estive na Argentina durante a hiperinflação de 1988, do “corralito”, do Menem (na época chamavam-no de Mendez, porque diziam que até o nome Menem dava azar…). Trocaram gente ruim por gente pior e socialistas disfarçados de peronistas. O resultado custou mais a acontecer, pois que a Argentina tinha melhores instituições (ainda tem, mas sendo corroídas a olhos vistos). Eis que hoje estão com 100% de inflação anualizada, tremenda desordem social e econômica, e um povo acostumado a receber benesses do governo, e achando tudo isso o máximo.

O corolário de tudo isso é um avanço não só da esquerda (eu acho que alguns ideais de esquerda são bem bons, pelo menos em teoria), mas de um tipo pervasivo de ditadura, que suprime não só o direito de opinião mas o direito de comer e se vestir. Que o digam os milhares de graduados em universidades, de Cuba e Venezuela, trabalhando no Brasil como motoristas de Uber, chapeiros em hamburguerias, entre outros trabalhos de alto nível de exigência intelectual.

Nossas Instituições

Assim como a antiga propaganda, que dizia que ‘nossos japoneses são melhores que os japoneses dos outros’, nossa democracia é melhor e mais sólida do que a dos infelizes vizinhos, carcomidos pelo problema do socialismo.

Lula deu a letra, há muitos anos, de que a implementação do socialismo aqui levaria mais tempo, porque o brasileiro era diferente do restante do mundo. E é verdade. Somos mais indolentes e menos propensos a briga, menos dispostos ao confronto. Mas o tempo está passando, e o proverbial sapo no balde está sendo cozido aos poucos.

Estamos prestes a levar uma surra coletiva, nacional, nas urnas (Deus nos livre!). E se essa surra se materializar, estaremos indo de vento em popa para uma situação de perda de referenciais técnicos e morais, que nos levarão, creio, ao desastre economico-social.

Escrevo, como já mencionei em um post no FB, para que daqui há alguns anos o próprio Face me lembre do que escrevi e eu possa re-postar com toda a tristeza que creio que ocorrerá, dizendo “eu te disse, eu te disse”…

Não peço voto em Bolsonaro. Não sou fã dele, embora consiga enxergar claramente o bom governo que está fazendo – apesar dele mesmo. Fico triste pelos meus amigos e parentes que fazem campanha aberta por um sujeito que, se tivesse sido mantida a Lei, estaria em cana, e não tomando cana, num palanque. Nem posso dizer “eles não sabem o que fazem”. Sabem, e resolvem demonizar um sujeito que nem de longe é tão ruim.

Mas isso é só minha opinião. Consigo continuar amando meus amigos e parentes que pensam diferente de mim. Só temo que terei que dizer “eu te disse… eu te disse” em alguns meses ou anos.

Deus nos livre desse destino!