
Em época de eleições o processo de discutir se torna de certa forma mais acirrado e mais urgente (na visão das partes envolvidas). Essa eleição presidencial de 2026 coincide com um período particularmente turbulento em países como França e Itália, sujeitos a verdadeiras devastações de lugares públicos, saques e quebra-quebras.
No meio desse processo, lá como aqui, as partes discutem e discutem. Cada uma aplicando técnicas diversas para persuadir o outro a pensar como ela pensa. É um espetáculo interessante e ao mesmo tempo terrível de se ver.
Para Presidente…
O debate presidencial da TV Band, entre os dois contendentes ao cargo máximo do país, foi um show de horrores. Bom, já há muito tempo campanhas presidenciais não são palco de exibição de programas de governo. são pura e simplesmente local de trocas de insultos.
De um lado, um candidato flana atrás do outro, usando uma técnica meio “Trumpiana” para que o adversário não tenha nenhum material para usar em redes sociais sem sua própria imagem junto. É meio rasteiro, mas efetivo.
De outro, o atual presidente fala uma quantidade significativa de barbaridades e mentiras (pura e simplesmente), como, por exemplo, chamar o outro de advogado de miliciano, quando o sujeito estava advogando para um PM do Rio que atirou contra um traficante, na direção de uma casa, e acertou uma criança de 5 anos. Tragédia, certamente, mas longe da definição dada.
Os dois se digladiaram diante de uma platéia que em nenhum momento deve ter parado para se perguntar o que cada um tinha a oferecer, de fato. Bom, de um lado um “old dog” de 80 anos, já com muitos mandatos no currículo, algumas condenações de última instância, milagrosamente canceladas sem fundamento jurídico algum.
De outro, um cidadão que certamente deve ter incorrido em rachadinha (bom, dirão alguns, na câmara do Rio todos fizeram, principalmente figurões de partidos de esquerda). Isso obviamente não inocenta ninguém, mas o nível de comparação entre os dois mal-feitos é impossível.
Ficamos com a sensação de que quase metade da população fica com o “bêbado conhecido” do que com o “alcoólatra anônimo”… A outra metade prefere experimentar algo menos viciado e flagrantemente corrupto (não sou eu quem diz, são os autos).
A Europa, essa linda…
Enquanto isso, lá no Velho Mundo, o caos parece imperar. Imperar, e dar razão à direita (extrema ou não) que parece cada vez mais perto de consolidar poder nas mãos de Marine LePen (França) e em outros locais. A baderna não poupou nem a loja de uma famosa ativista de esquerda. Ela foi vista tentando dissuadir os invasores a quebrar todo o seu salão de beleza, sem qualquer resultado. Foi cuspida, xingada e deve estar com a clara sensação de que defendeu uma causa errada.
A mulher não está sozinha na conclusão de que a política de portas abertas da Europa não funciona. Mas isso não é o foco aqui: o foco é na inabilidade de uma turba em ouvir o outro. Época de eleição é como estar no meio de uma manifestação cheia de gente encapuzada, black-blocs e assemelhados: ninguém mais ouve ninguém. Só vence a baderna o caos.
É algo meio satânico o que está acontecendo com o mundo (a julgar pela afirmação de Jesus de que o capeta só vem para “matar, roubar e destruir”). Vemos isso entre pessoas antes amigas, relacionamentos familiares abalados, casas divididas. Mesmo a igreja evangélica (nunca muito unida, mas sempre debaixo de uma única Cruz) está vendo momentos de profunda divisão e incapacidade de ouvir o outro.
Um video postado hoje, de uma sala de aula de crianças em SP, mostra uma professora em pleno processo de doutrinação aberta. Crianças de 6, 7 anos (talvez) são instruídas a acreditar que a direita vai matar quem “tem um pé na senzala” (termos da profe…), e que a direita é “fascista”, comparável a Mussolini e Hitler. Todo mundo num saco só.
Como essa criança reagirá, daqui a 10 anos, quando confrontada com a realidade de que nem tudo é preto e branco, e que há cinquenta tons de cinza no meio de todo o leque de opiniões? Como esse futuro adulto reagirá ao descalabro que invariavelmente governos gastadores geram na sociedade (e aqui nem falo de direita e esquerda, mas de bom senso ou falta dele, na administração pública).
Como essa geração que aí vem reagirá à opinião contrária? Alguém os está ensinando a pensar? Ou só a reagir (violentamente) a qualquer opinião que não seja a que tem na cachola?
É pagar para ver, um futuro em que as opiniões estarão cada vez mais radicalizadas, as discussões fadadas a sempre fracassar. Deus queira que não.
