
Este é o termo que os marinheiros usam quando uma quantidade de fatores tornam o mar um local tão perigoso que é melhor ficar bem longe dele.
Hoje vivemos no limiar de uma dessas tempestades. Vejamos…
Dívida X PIB
O governo atual entregará ao próximo (ele mesmo) 82% de relação dívida x PIB. Mais do que um recorde, para um país que ainda não se desenvolveu nem obteve uma infraestrutura mínima de país moderno, isso é uma sentença de permanência no atraso. A soja do centro-oeste sai de lá competitiva, no campo, e chega aos portos custando muito mais do que a dos EUA e outros países. Falta ferrovia, falta porto, falta rodovia decente.
Como resolver se não há capacidade de investimento? Como resolver se programas sociais perdulários “comem” todo o espaço das obras?
Gastamos com educação tanto quanto países desenvolvidos e estamos lá atrás nos testes do PISA. Como? Obviamente pelo mau uso dado ao dinheiro, aos desvios e à incapacidade de entender que ensinar não é doutrinar e que o estudante, por mais que possa ser com sucesso doutrinado, não produzirá nada de decente para o país sem português e matemática…
Endividamento das Famílias
Outro dia no supermercado fiz uma compra de uns R$ 600. Me perguntaram se eu queria parcelar. Disse que sim (vou perder a oportunidade de deixar minha reserva financeira rendendo 1% ao mês?). Mas o importante é entender por que as grandes redes precisam fazer isso. A resposta é: o povo está parcelando gasto mensal no cartão. Está se endividando progressivamente.
Com juros estratosféricos do cartão de crédito, as chances de uma falência pessoal em massa de nosso povo é iminente.
Juros
São os mais altos, em termos reais, do mundo. E isso não pode mudar, sob pena da inflação subir vertiginosamente. Não duvido de índices de inflação mensais de mais de 1 dígito em um período de 2 a 3 anos, se nada for feito para sanear as contas públicas.
A reação do governo Lula foi patética – e pouca gente entendeu: “eu não tô nem aí pro déficit público”, disse o presidente recentemente. Não está mesmo. Duas serão as alternativas: a)subir os juros ainda mais; b)encarar inflação mais alta, o que derrete a dívida pública, no tempo, e reduz a relação dívida X PIB, que já mencionei.
Sarney fez isso. A hiperinflação veio (pouca gente, como eu, se lembra dela, de até 1% por DIA). No dia do Plano Real, 1o. de Julho de 1994, a relação dívida X PIB estava, creio, e não mais do que 11%.
Ocorre que quem paga o pato, como sempre, é o pobre, o trabalhador que vive “da mão para a boca”. Será uma tristeza ver esse cenário se repetir.
Escala 5 X 2
Feita de forma atabalhoada, eleitoreira, e sem qualquer medição de efeitos, a escala 5 X 2 agrega à economia um custo equivalente a 4 dias pagos, por mês, e não trabalhados. Fazendo uma continha de padeira, o efeito não será menor do que 5% de impacto sobre a folha de pagamento da maioria das empresas.
O empregador vai fazer o que? Demitir, obviamente, pois não terá como correr o risco de caixa sobre isso sem aumentar preços ou passar o serrote na folha. A alternativa é falir, o que empresário algum faria conscientemente.
O que parece bacana em período eleitoral tende a se tornar uma tragédia para o trabalhador. Depois esquecem o que painho fez, e vão pro bolsa-isso e bolsa-aquilo… e o ciclo se repete, trazendo mais déficit público, mais juros, mais inflação…
O pior é que sendo eleitoreiro, nem a oposição teve a altivez de se posicionar contra!
Carga Tributária e Reforma
Os irresponsáveis fazem uma reforma (que é conceitualmente boa, ou seja, um IVA Dual, como na maior parte dos países civilizados), mas esquecem de dizer qual será a alíquota.
O eleitor do Lula deveria entender que o Brasil é um país que tributa muito mais o consumo do que a renda. Ao sinalizar para um IVA “neutro”, em comparação com os atuais ICMS, PIS, Cofins, ISS, IPI e outros, aparece uma alíquota de uns 29%. A mais alta do planeta.
Quem pagará? O consumidor. E que consumidor sentirá isso mais fortemente? O de baixa renda. O eleitor não teve isso explicado a si durante a campanha. Nenhum dos lados teve a virtude de expor essa bomba.
A tempestade virá. O desgaste do atual, e próximo, governos virá com ela. A realidade se imporá pois continua não havendo almoço grátis.
Aquilo que o homem semear, isso também colherá…
